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Antes de ontemLaredo

A tempestade volta a assolar o Museu

Por Miguel Horta

 


A visita/desenhada “A tempestade”, uma proposta do setor de necessidades educativas específicas do Museu Gulbenkian, vai seguindo o seu caminho adaptando-se aos públicos diferentes mas sempre em torno da obra de William Turner, sendo a obra central da proposta o “Naufrágio de um cargueiro”.

Na semana passada (11 de Novembro) tivemos a presença de um grupo da Unidade de Saúde da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, pessoas muito variadas com situações bem diferentes mas da área da Saúde Mental. O elevado nível de conhecimento de alguns participantes levou-nos a falar de alguns detalhes da história náutica, um caminho natural quando falamos do poderio marítimo Inglês durante o Sec. XIX, onde sobressai a batalha de Trafalgar ocorrida poucos anos antes da realização da obra exposta. São muitos os caminhos de mediação que se oferecem com esta pintura. Com estes grupos específicos costumamos aprofundar , um pouco mais, os temas da história de arte. Tudo isto acontece em paralelo com o trabalho de foco (concentração) e apelo à sensibilidade individual de quem nos visita, para que leve consigo uma opinião autónoma sobre as peças visitadas. Mas, para mim, o momento mais divertido da visita é a proposta de desenho expressivo a grafite sobre papel, sentados no chão da galeria os visitantes os visitantes aventuram-se num mar de riscos. Surgem desenhos vigorosos que nos falam da violência dos elementos, explicando o naufrágio. Aproveitamos estes desenhos para falar um pouco da escala e da composição, pedra de toque do Pintor.



Passa palavra: um festival alegre e luminoso.

Por Miguel Horta

 


Foi a primeira vez que participei no “Passa Palavra” em Oeiras. Muito agradeço o convite embora não tenha contado histórias (ainda estou em recuperação). Uma equipa, com grande apoio dos trabalhadores da Biblioteca Municipal, fazem acontecer este concorrido encontro onde apresentei a oficina “Desenhando os Medos” e o “Caça texturas”, tendo aproveitado a manhã de sábado dia 12 de Novembro para fazer alguns esboços para um conjunto de poemas para a infância que tenho vindo a escrever. Fiquei instalado numa banca do mercado; à minha volta dois ateliês plásticos animaram o espaço que foi pequeno para tanta gente - Tantas famílias! De vez em quando aproximava-se uma criança e lá mostrava o que estava fazendo de lápis na mão. Esboços e mais esboços – também é uma forma de partilhar o trabalho da ilustração... 

Lá em baixo, junto à banca do peixe, a Renata Bueno fazia uns grandes e saborosos desenhos. De tarde foi a vez de caçar texturas na rua, bem em frente ao mercado. Um belo grupo de famílias aderiu à proposta e alguns dos mais pequenos demonstraram ser grandes caçadores de texturas – riscaram e riscaram... Depois com a preciosa ajuda da Susana Serrano, ficou montada uma pequena exposição. Faltaram alguns trabalhos, pois as famílias gostaram tanto do resultado final que levaram para casa a sua coleção de texturas. Gostei. Pois Viva o Passa Palavra!

Pegar pela Palavra em Novembro

Por Miguel Horta

 

Pegar pela Palavra é parte integrante do projeto
A Cultura sai à Rua – Câmara Municipal de Sintra
Surge através da candidatura Cultura para Todos,
integrada na Ação 11 da operação Lisboa-06-4538-FSE-000016
Idade Mais - Estratégia Municipal para o Envelhecimento Ativo e Saudável,
cofinanciada pelo Fundo Social Europeu  

O tempo vai passando e estamos todos cada vez mais soltos no “Pegar pela Palavra” (“Cultura sai à rua”). Na Tapada das Mercês, vamos afinando os textos e a participação coletiva. Aproveitei o final da última sessão para oferecer ao Sr. Malane um desenho a esferográfica do Lubu (hiena) feito por um artista popular de Beja (Vilas). O Lubu ocupa o lugar da raposa na tradição oral Mandinga. Esta oferta simboliza o momento de partilha mais profundo no grupo, para além das histórias de vida surgem os contos da infância, neste caso, da Guiné-Bissau.


Nesse mesmo dia 9 de Novembro, de tarde, estive no edifício da Junta em Montelavar para uma sessão com o outro grupo de gente maior. Foi uma sessão importante pois conseguimos definir bem as diferentes participações a apresentar dia 30 de Novembro no C. C. Olga Cadaval (Sintra). Antes de encerrarmos a tarde, a Dona Alice, ainda nos disse mais uns quantos versos, lendo de um papel preenchido com na sua escrita privada.



Desenhando os Medos em Oeiras

Por Miguel Horta

 


É a primeira vez que participo no Festival Passa Palavra, não como narrador, mais como artista plástico/arte educador; o balanço não poderia ser mais positivo. É no meio das crianças que eu gosto de estar e partilhar o meu modo de fazer e os materiais que utilizo. O facto de os alunos utilizarem material de qualidade nos seus desenhos reflete-se claramente nos resultados expressivos. O tema desta oficina de desenho/ilustração (a preto e branco) foi o Medo. Que medos nos habitam? Que possibilidade existe de os exorcizar através de um traço? A turma de primeiro ano, de Oeiras que compareceu pontual na Galeria Municipal Verney, aderiu naturalmente à proposta. Ao princípio estranharam (a professora também) mas acabaram por entrar numa velocidade de criação muito bonita. Aos poucos libertaram-se do modo formatado com que se tratam as expressões na generalidade das escolas – a ideia é desconstruir e pegar num tema que faz pensar em profundidade. Em determinada altura, pegando no medo do Mar, pedi que me desenhassem uma tempestade feroz com vento e chuva - Tudo, desenhado a grafite sobre folhas grandes; quando a chuva chegou ao papel foi muito engraçado escutar a conversa do lápis contra o suporte - Tic! Tic! Tic! conversava a grafite e todos juntos fizeram uma saraivada. Nesta oficina tive o precioso apoio da Cristina Taquelim pois ainda necessito de apoio na realização destes ateliês; mas não tarda, estou fino. No fim de semana regresso a Oeiras para ilustrar/desenhar ao vivo e para realizar nova oficina, desta vez o “Caça Texturas” que se acontecerá no mercado municipal. Se o sol brilhar e tudo estiver bem seco, vamos para as ruas! Lá vos aguardamos – a entrada é livre.

Um dos miúdos disse-me que iria desenhar "uns monstros pequenos, uma espécie de minhocas, que entram dentro do meu corpo e roem-me o coração". E assim o fez, deixando-me a pensar...

Medos na Biblioteca

Por Miguel Horta

 


A oficina Desenhando os medos teve lugar na Biblioteca de Cascais/Casa da Horta no dia 29 de Outubro. Levei os meus materiais de desenho e partilhei algumas técnicas. A sessão foi muito descontraída, sendo o público maioritariamente brasileiro (muito nervosos com o desenlace eleitoral no Brasil. Penso que o maior medo era o Bolsonaro...). Gosto muito de fazer esta oficina, onde adultos e crianças descontraem ao longo da tarde, conversando e desenhando, experimentando material profissional, o mesmo que utilizo para os meus trabalhos. Esta oficina repete, no contexto do festival Passa Palavra (Oeiras), no dia 8 de Novembro na Livraria-Galeria Municipal Verney.

"Grupo Tapada é na Tapada"

Por Miguel Horta
Pegar pela Palavra é parte integrante do projeto
A Cultura sai à Rua – Câmara Municipal de Sintra
Surge através da candidatura Cultura para Todos,
integrada na Ação 11 da operação Lisboa-06-4538-FSE-000016
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cofinanciada pelo Fundo Social Europeu  

26 de Outubro
Tapada das Mercês
Espaço comunitário da Fundação Aga Khan Portugal

Antes do trabalho mais a fundo, a Tânia Tobias (grande impulsionadora deste projeto) da Câmara de Sintra, entrevistou alguns participantes prosseguindo o esforço de registo das diferentes vertentes do trabalho de “A cultura sai à rua” (Câmara Municipal de Sintra). Depois sentámo-nos em volta da mesa do auditório e começámos a ensaiar a “saudação”, bem à maneira da Guiné-Bissau, batendo palmas, conduzidos pelo Senhor Malan Sane: “Grupo Tapada é na Tapada” (...) Dá sempre bastante risada pois é algo completamente diferente da cultura da maioria dos participantes – mas vamos em frente! A boa disposição tem sido o mote destas sessões do Pegar pela Palavra. Depois cantámos a canção do “João Pestana”, proposta pela Senhora Maria, com que vamos encerrar a participação da Tapada no espetáculo do Olga Cadaval. Trata-se de uma canção para adormecer crianças, neste caso cantada a um neto; gesto pequeno que representa um elo fundamental entre os maiores e as suas famílias. Às vezes só temos mesmo uma pequena canção para vencer a solidão. A maior riqueza deste grupo é a sua diversidade, povoada por personalidades fortes em plena comunicação; por vezes é necessário moderar habilmente as sessões para que os equilíbrios se mantenham. Muito tenho aprendido ao longo destes dias...

Fotografias, por cortesia da Câmara Municipal de Sintra.

Boa disposição!




É divertido pegar na palavra

Por Miguel Horta
Bonecas e história local


Pegar pela Palavra é parte integrante do projeto
A Cultura sai à Rua – Câmara Municipal de Sintra
Surge através da candidatura Cultura para Todos,
integrada na Ação 11 da operação Lisboa-06-4538-FSE-000016
Idade Mais - Estratégia Municipal para o Envelhecimento Ativo e Saudável,
cofinanciada pelo Fundo Social Europeu 

A nossa sessão de 26 de Outubro do “Pegar pela palavra”, no edifício da Junta de Freguesia de Montelavar, foi bem produtiva e divertida. Passámos em revista todas as necessidades logísticas para a apresentação no Centro Cultural Olga Cadaval e trabalhámos conteúdos. A sessão foi quase toda ocupada com a apresentação da Dona Milu e do João Leal sobre “As lavadeira e carroceiros” desta zona saloia. Cada vez que o Sr. João fala, aprendo sempre qualquer coisa. Acho que este momento da apresentação vai ser bem interessante. Estes amigos mais velhos apropriam-se da sua cultura local e divulgam-na com um detalhe impressionante. 








Quando a Dona Alice de Camarões (Dona Maria) sentiu que era o momento, propôs uma brincadeira/desfio a todos quanto estavam na sala. Mostrou um saquito de pano vermelho fechado com umas fitas, coma data da sua execução (1958) e disse: “Quem conseguir abrir este saco fica com os 10 Euros que lá estão dentro! Mas vai ter de descobrir o segredo das fitas, para o abrir. Ora eu bem tentei abrir saco, dando voltas para cá, tentando desfazer as fitas, mas nada. Depois foi a Ana Varanda a tentar afincadamente mas com o mesmo resultado, comentando. “Este é que é um exercício mental prático para fazer com os mais velhos, bem melhor do que as atividades de computador.” (Concordo) Entretanto a Sr. Alice ria, bem divertida. Depois foi a vez do Poeta João Mota igualmente sem sucesso. A nossa amiga ensinou-nos o segredo daquela simples brincadeira, que vem de longe, muito longe quando os serões eram longos e não havia televisão. A sessão terminou com algumas brejeiradas divertidas – a oralidade popular está cheia destas coisas...

Tentando resolver o quebra-cabeças da Dona Alice




Bem dito e louvado, conto contado

Por Miguel Horta

 

Foi uma boa estrela que conduziu a Benita Prieto até ao meio dos “Andarilhos”. A sua alegria e energia têm trazido propostas destinadas a ter sucesso. Recebi um telefonema da Benita para me juntar a um grupo de narradores portugueses que estavam a verter em escrita (literária) histórias da nossa tradição oral para um livro que seria publicado em pouco tempo. E assim entrei no pequeno coletivo do livro ”Bendito e louvado, conto contado” que acaba de ser publicado em Portugal e no Brasil (com o português dos nossos irmãos). O livro está muito bem ilustrado pela Sofia Paulino e estou na boa companhia de amigos e amigas que fazem do conto estrada de vida. O prólogo de Paulo Jorge Correia, estudioso da Narração Oral, contextualiza esta obra levada ao prelo pela editora brasileira, Aletria. A contracapa do livro apresenta um texto de Cristina Taquelim que acompanha as vontades que geraram este livro; infelizmente esta narradora/autora está ausente da obra. Este livro foi apresentado, também, numa bela festa no Rio de Contos e prossegue a sua divulgação pelo país. Recomendo a leitura do texto de Rita Pimenta no jornal Público – uma visão de alguém que conhece bem o habitat onde se gerou esta edição. O conto que trabalhei para o livro foi “O anel”; no vídeo que acompanha estas linhas apresento uma das suas versões contadas, captada para o programa da RTP África "Quem conta um conto". (nunca sai igual...).

Somos Comunidade com som

Por Miguel Horta

 


Regressei à rua do Matadouro, à sede do projeto Somos Comunidade no dia 21 de Outubro; uma parceria generosa com a associação Memóriamedia envolvendo a Laredo. A sala estava bem composta e acabei por conhecer umas vizinhas que se juntaram ao grupo inicial com quem tenho desenvolvido as minhas propostas criativas, a pensar naquele lugar. Propus um “trabalho de casa” aos participantes: fazerem uma adivinha sonora, captando um som simples de uma a situação/ação, ambiente ou um animal ou ainda um objeto. Não poderiam revelar a nenhum dos outros companheiros a gravação feita com o telemóvel. Foi este o mote para a oficina Dos sons nascem histórias que pretende promover a escuta ativa do meio que nos rodeia, entendendo o que se passa no nosso cérebro à chegada de um novo som. Ora eu levei a gravação do momento em que começo a fazer a sopa para o pessoal cá de casa. Também conhecemos um relógio de pêndulo já com uma longa história; um cão, em dia de chuva, que logo identificámos pelo ladrar como o chato do nosso vizinho canídeo; uma montagem muito abstrata de um passarinho (que já esqueci o nome), umas obras na rua e o som de uma banda (“muito à frente”); o matraquear raivoso de um teclado de computador; umas botas que caminhavam pelo chão (...) A maior parte da sessão foi ocupada com estas adivinhas e com a conversa que cada registo suscitou. Depois passei algumas histórias sonoras (sem palavras em português) para que cada um construísse a narrativa sugerida pelo trecho apresentado. Pelo caminho fui contextualizando e desmontando o processo de construção da proposta para que todos possam usar a ferramenta no futuro, em dinâmicas de grupo semelhantes à nossa. Esta sessão serviu como aquecimento para outra, que gostaria de fazer, em que sairemos para as ruas do bairro, registando a paisagem sonora do lugar, uma outra forma de conhecer o bairro onde se vive.

Caminho das Pessoas em Tomar

Por Miguel Horta

 


A temporada de caça às texturas deste ano terminou em Tomar. A oficina Caça Texturas passou pela praça da Republica reunindo um grupo de pequenos artistas onde sobressaiu a Carolina, uma menina muito criativa e persistente, com grande apuro cromático que trabalhou comigo até ao fim, já quando todos os outros miúdos tinham dispersado. Fizemos tantos desenhos em conjunto! Assim foi a tarde de Sábado dia 15 de Outubro.

Fotografia de Neide Martinho
O Caminho das Pessoas foi dar ao Convento de S. Francisco no Domingo, onde encerrei este meu périplo por 7 Municípios do Médio Tejo, com uma sessão de contos. E lá esteve a Carolina, um elegante rapaz chamado António e uma menina muito atenta (que se apaixonou por um dos meus porquinhos); mais um pequeno grupo de amigos que deram um sentido mais íntimo à minha apresentação. 
A cidade de Tomar tem um grande potencial para a realização de iniciativas culturais inovadoras e envolventes, importa promover e divulgar assertivamente essas propostas artísticas.


Fotografia de António Ventura


Aprendendo a pegar na palavra

Por Miguel Horta

 

"Uma memória das lavadeiras, cosida num pano:
Marcas para apontar roupa e pôr sinais".

Pegar pela Palavra é parte integrante do projeto
A Cultura sai à Rua – Câmara Municipal de Sintra
Surge através da candidatura Cultura para Todos,
integrada na Ação 11 da operação Lisboa-06-4538-FSE-000016
Idade Mais - Estratégia Municipal para o Envelhecimento Ativo e Saudável,
cofinanciada pelo Fundo Social Europeu

Aprendo sempre alguma coisa a cada sessão do “Pegar pela Palavra” (“A Cultura sai à rua) na União das Freguesias de Montelavar, Pêro Pinheiro e Almargem do Bispo . No dia 11 de Outubro, no edifício da junta em Montelavar, no final da sessão, o Sr. João mostra-me um pano com uns sinais cosidos que era, nem mais nem menos do que um mini dicionário das marcas que as lavadeiras locais faziam nas sacas e trouxas da roupa que vinha de Lisboa para ser lavada, isto para identificarem as clientes que as enviavam e assim puderem remeter tudo limpinho, sem receio de se trocarem. 

O Sr. Mateus folheando
 o seu caderno de preciosidades
 Esta e outras particularidades (curiosidades)   têm sido apresentadas pelo Sr. João e pela   Dona Milú, à medida em que vão preparando   connosco a sua apresentação a dois, para o   encontro de 30 de Novembro no Centro   Cultural  Olga Cadaval. No meio do nosso   trabalho, onde não faltou um fadinho cantado   pelo Sr Albino, confessou-nos o Sr Mateus:   “Isto é quase um vício, farto-me de escrever!” E   o que lá estava escrito?...Reflexões,   pensamentos... Durante a sessão, todos   apresentaram as suas intervenções, que foram cronometradas, pois dispomos de pouco tempo para a apresentação. Ah, de vez em quando surge uma anedota vinda de um participante – ninguém se aborrece neste grupo…

Sr, Albino (com outro caderno de preciosidades) e o Sr. João.
Treinando a leitura





Pegar pela palavra - "A cultura sai à rua" na Tapada das Mercês

Por Miguel Horta
Bantendo palmas, o Senhor Malane ensina uma canção
 

 Pegar pela Palavra é parte integrante do projeto
                                                                                                        A Cultura sai à Rua – Câmara Municipal Sintra                                                                                             Surge através da candidatura Cultura para Todos,
integrada na Ação 11 da operação Lisboa-06-4538-FSE-000016
Idade Mais - Estratégia Municipal para o Envelhecimento Ativo e Saudável,
cofinanciada pelo Fundo Social Europeu


13 de Outubro 2022

O Senhor Malane Sané regressou às sessões, trazendo uma proposta para o grupo: uma saudação cantada de apresentação do coletivo da Tapada das Mercês, a ser executada no espetáculo do projeto “A cultura sai à rua” no Olga Cadaval. Uma toada bem ao jeito da Guiné-Bissau; ensaiamos divertidos! Vamos ver o que isto dará....Para já estamos a contar os tempos de cada poema, cada canção ou cada história de vida. O ambiente é muito descontraído mas importa ensaiar a preceito!


Mais sobre o projeto, aqui.




Dia Mundial da Doença Mental no Museu Gulbenkian

Por Miguel Horta

Dia Mundial da Doença Mental
Museu Gulbenkian
Centro Hospitalar Médio Tejo

Ontem, no Museu Gulbenkian, realizámos duas visitas com utentes do Centro Hospitalar do Médio Tejo (Tomar) associando-nos, assim, às comemorações do Dia Mundial da Doença Mental. A impulsionadora desta iniciativa foi a enfermeira Paula Carvalho, já nossa conhecida. Miguel Horta, Margarida Vieira e Rita Ruiz foram os Mediadores de serviço, conduzindo e interagindo com os visitantes pelas salas do Museu; uma resposta específica pensada para as pessoas com doença mental, com longa tradição no setor das necessidades educativas específicas dos museus da Fundação Gulbenkian. Rita Ruiz convidou os visitantes a "irem" (visita "IR -Interpertar e relacionar") e  a dupla testemunhou um "naufrágio" (visita "A tempestade").


De novo, foi dia de “tempestade” no Museu. Com a minha colega Margarida Vieira propusemos um “mergulho” na obra de William Turner, em particular no “Naufrágio de um cargueiro”. Como introdução começámos por apresentar uma outra pintura, em frente à grande peça do naufrágio, “Quillebuef - foz do Sena", convocando as memórias dos participantes. “Quem já assistiu a uma tempestade?”. Margarida Vieira interpelou o grupo, trabalhando em torno dos sentidos, “desmontando” as peças da composição (em que o Mestre era especialista) o que ajudou cada um dos convidados a construir uma imagem interior, mais completa, da obra de arte. Feito este aquecimento passámos para o “Naufrágio de um cargueiro” dando seguimento à descoberta da expressão dos elementos presentes na tela: o movimentos das águas com a sua rebentação envolvente e circular, um vento que assola a tela varrendo a parte superior da peça, uma luz de fim de tarde (opinião dos visitantes) que ilumina o centro da peça, atraindo o nosso olhar, como bem observou outra participante. Uma série de perguntas fez com que o olhar dos visitantes fosse cada vez mais preciso, identificando elementos menos visíveis da peça: roda do lema, arca, gaivota, homem que acena desesperado. Alguém exclama na sala : “ouvem-se os gritos aflitos!”

Fonte: Museu Gulbenkian número de inventário 260


Depois seguiu-se a expressão do sentido. Entreguei a cada um uma folha grande de cartolina e desafiei o grupo a fazer o som da tempestade abanando energicamente as folhas – o resultado sonoro foi muito engraçado. Então, cada um escolheu o seu lugar no chão para desenhar, longitudinalmente às obras expostas, para permitir a passagem, sem problema, de outros visitantes do museu.. Nas folhas de papel surgiram riscas as grandes vagas do quadro, o vento que despedaça as velas e cabos e a chuva que não pára. No fim entreguei um círculo recortado em papel, que poderia ser uma lua ou um sol e desafiei-os a introduzir este novo elemento nos desenhos ou criar uma nova situação no verso da folha de cartolina. Esta proposta, um pouco disruptiva, fez com que o mar se acalmasse ou o sol brilhasse, encerrando a nossa visita oficina à obra de Turner.

Ao longo da parte oficinal é muito engraçado escutar o som da grafite conversando sobre o papel. Deixo aqui um pequeno registo do momento em que os nossos amigos registaram sobre as folhas a grande bátega que se abateu sobre a embarcação..

Construindo cidades no Museu de Almada

Por Miguel Horta

 


No dia 6 de Outubro, realizei a oficina “Construindo cidades” no Museu de Almada – Casa da Cidade. Esta proposta está interligada com o tema da coleção; fala de urbanismo, construção de casas e propõe o trabalho manual com desperdícios de madeira (gentilmente cedidos pelo carpinteiro da Charneca de Caparica, António Correia). Sobretudo o Museu da Cidade fala de nós, os habitantes e o seu território, este conceito é conversado com os participantes que, neste caso, foram alunos do 4º ano de Almada. A palavra eleita para este ateliê foi escalamostrei bonecos de diferentes dimensões e perguntei que tamanho deveria ter a casa correspondente a cada um; depois entreguei uns bonequinhos da lego que serviriam de escala para todas as construções.Umaturma reduzida, com alguns alunos com dificuldades, atirou-se aos materiais e construiram casas. Trabalharam todos animadamente, em pares, exceto um colega bem singular que construiu uma estrutura que fazia lembrar a Capela de Ronchamp de Corbusier. Gostei particularmente de uma casa que tinha um pátio para se poder jogar à bola. Muitas casas apresentavam algum mobiliário e divisões com funções específicas. Assim correu o trabalho neste estaleiro de criatividade onde cada proposta de construção foi “negociada” a dois. No final, juntámos todas as casas e surgiu um bairro.

Esta oficina é uma adaptação de “ideias na ponta dos dedos”, Centro de Arte Moderna/Fundação Calouste Gulbenkian, mantendo todo o seu pendor inclusivo.

As palavras juntam amigos maiores

Por Miguel Horta

Lubu, a hiena das histórias do Sr. Malane (Guiné-Bissau)
(ilustração a esferográfica de Vilas, artista popular de Beja)

 Pegar pela Palavra é parte integrante do projeto
                                                                                                    A Cultura sai à Rua – Câmara Municipal de Sintra
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cofinanciada pelo Fundo Social Europeu

Sessões de 8, 14 e 28 de Setembro em diversas localidades do Concelho de Sintra

Bem que posso inventar nomes para o projeto, como “Pegar pela palavra”, mas os mais velhos, que nele participam, chamam-lhe “O Contador de Histórias”. Segue tudo tão depressa, que não consigo fazer publicações no ritmo que gostaria, sobre o trabalho que estamos a desenvolver. Ao longo do tempo, ficou mais visível a diferença entre os dois grupos de seniores participantes, um na Tapada das Mercês e o outro na União das Freguesias de Montelavar, Pêro Pinheiro e Almargem do Bispo”. O grupo das Mercês com grande profundidade na relação entrepares e uma criatividade mais urbana, embora o Sr Malane traga os contos da ruralidade Mandinga para o grupo. Temos ensaiado a leitura dos textos, poesia e histórias de vida, com grande autonomia dos participantes, o que me deixa bem contente. Nas aldeias, como me costumo referir à UFMPPAB, estamos em plena erupção criativa, dos fados aos cantos com letras originais, à poesia (de qualidade), quadras populares e histórias locais. Entretanto surgiu uma participação bastante interessante: o trabalho simultâneo da Dona Milú e o Sr João. A partir das bonecas criadas com grande esmero e detalhe pela Dona Milú, que retratam as antigas profissões de Vale de Lobos/Almargem, o Sr João, sem dúvida um sábio local, vai falando da história desta zona da região saloia. Estão os dois a trabalhar em conjunto e tenho muita curiosidade em ver o resultado final. O nosso trabalho não se esgota na meia hora que dispomos para partilhar a nossa criatividade, na apresentação pública que terá lugar no Auditório Olga Cadaval na manhã de dia 30 de Novembro. A vontade de seguir em frente é grande. O apoio dos técnicos locais, impar! Pela minha parte, gostaria de continuar a apoiar estes dois grupos de gente tão bonita e a fazer crescer novas ideias.


Um encontro memorável

No dia 28 de Setembro teve lugar um encontro entre os seniores das duas localizações, na Associação de Pensionistas e Reformados de Dona Maria. O grupo da Tapada das Mercês foi muito bem recebido. Durante quase duas horas, os participantes partilharam parte do que têm estado a criar – foi um encontro alegre. Para além do nosso grupo de participantes, assistiram ao encontro alguns idosos de Dona Maria que seguiram com atenção tudo o que foi acontecendo. Fica aqui um pequeno apontamento em vídeo de um momento da tarde. A Sra. Alice com os seus ditos e quadras populares, servindo-se de uma pequena “cábula” escrita na sua língua privada. Acontece que a nossa amiga é analfabeta, então inventou uma escrita própria que a apoia no seu quotidiano; sabemos que uma das suas amigas sabe decifrar aqueles hieróglifos, que mostramos em detalhe. Se tivesse mais tempo para dedicar à Sra. Alice, estou certo que facilmente surgiriam belos contos da nossa tradição oral. Para estes projetos precisamos de tempo; saber regar e esperar pelos resultados, facilitados por uma relação de continuidade e verdadeira.

A Dona Alice, de Camarões, diz as suas quadras populares
com ajuda de uma escrita que inventou para lhe avivar a memória - Que Senhora!






Cultura Sai à Rua (Sintra): Refletindo a meio do caminho

Por Miguel Horta

 

Tapada das Mercês: O Senhor Conde lendo a sua história de vida aos outros companheiros de projeto.


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Em final de Agosto escrevi estas linhas
como contributo para um relatório
Ficam como balanço a meio do caminho

Foram realizadas 15 sessões junto dois grupos de seniores em duas localizações distintas do Concelho de Sintra, um Tapada das Mercês e outro em diversas coordenadas da com na União das Freguesias de Montelavar, Pêro Pinheiro e Almargem do Bispo. Todas as sessões tiveram o precioso apoio dos técnicos locais, quer da UFMPPAB, da Câmara Municipal de Sintra ou da Fundação Aga Khan Portugal, parceira do “Pegar pela Palavra”, designação criada para identificar este segmento do projeto “A Cultura sai à rua” da responsabilidade do Município de Sintra. Miguel Horta (Laredo Associação Cultural), mediador cultural/contador de histórias associado à iniciativa, tem promovido o trabalho colaborativo, sendo o rumo do projeto construido a várias vozes, sobretudo a dos idosos que dele beneficiam. Depois de um conjunto de sessões iniciais que promoveram o conhecimento mutuo e a partilha dos objetivos pensados para o projeto, começámos, de imediato, a escuta crescente do contributo dos seniores que um a um foram contando histórias pessoais, locais ou da tradição oral, lendo poemas, proferindo pensamentos e adivinhas e ainda, recordando canções. Aos poucos os grupos foram-se consolidando nas duas localizações geográficas, a velocidades diferentes, assumindo cada um uma personalidade própria; uma caraterística mais rural na UFMPPAB e mais urbana na Tapada das Mercês. Face à proposta de apresentação coletiva do trabalho dos diferentes grupos prevista para o Centro Cultural Olga Cadaval, os idosos participantes têm vindo a combinar a melhor forma de partilhar o que têm produzido e selecionando os textos /palavras com que se sentem mais à vontade para apresentar em público no dia 30 de Novembro do projeto. Os técnicos presentes têm feito o registo iconográfico das sessões bem como pequenos vídeos que expressam bem o ambiente positivo das sessões.  

O trabalho desenvolvido gerou um conjunto
de reflexões produtivas que são
úteis para o desenvolvimento atual deste projeto e que se projetam para o futuro, num conjunto de recomendações que permitirão a continuidade e aprofundamento dos objetivos estabelecidos. A continuidade, a permanência da resposta, dá segurança aos mais velhos; uma espécie de permanência fiel do serviço público. 
Um dos objetivos e talvez o mais central, afirma a necessidade de dar voz aos mais velhos, dando força ao seu papel no seio da família e da comunidade. Ora o que podemos afirmar é que os seniores aproveitaram nesta oportunidade e pegaram na palavra, constituindo grupos que parecem ser “clubes da palavra”, onde apresentam a sua grande criatividade. Algumas necessidades e soluções surgidas no desenvolvimento do projeto prendem-se com a partilha do que foi produzido, com destaque para o trabalho em torno da literacia digital, pois torna-se necessário passar os textos para o computador ou gravar depoimentos e intervenções dos não alfabetizados. A meu entender, este trabalho de contínuo registo das palavras dos mais velhos faz parte do esforço de preservação da memória local que não se esgota no final desta iniciativa Camarária. Tem sido referido ao longo das sessões a possibilidade de criar um lugar digital (privado ou público) onde se pudesse partilhar a produção criativa, sendo moderado pelos técnicos envolvidos na iniciativa. Também, a possibilidade de promover um encontro entre os dois grupos de seniores participantes é vista por todos com bons olhos. Na última sessão em Montelavar, levantou-se a possibilidade de fazer uma sessão pública num dos cafés da terra, de apresentação dos textos e outros materiais surgidos, atraindo assim outros seniores à nossa proposta. Gostaria de sugerir a continuidade dos estágios profissionais ou escolares durante a realização deste projeto – trata-se de uma oportunidade única de capacitação no terreno. Este projeto também levanta a necessidade de criar pequenos núcleos de Biblioteca,  nas diferentes aldeias por onde temos passado, com material livro e não livro, bem adaptados às características de cada grupo (“Perfil Leitor”).





Caça Texturas no Sardoal

Por Miguel Horta

 

Fotografias por cortesia do Município do Sardoal

10 e 11 de Setembro 2022

No Sabugal a “caça” às texturas foi pouco concorrida. Os dois grupos de participantes eram pequenos mas as sessões foram muito agradáveis, quase familiares. Gostei de conhecer a equipa da cultura do Município. Seria bom aproveitar a minha próxima itinerância pelo alto Alentejo para regressar a estes lugares mais interiores do Médio Tejo.


O Sabugal é uma vila pequena e tranquila, com gente prestável. Como foi fim de semana, percebi que havia um movimento constante de pessoas que aproveitam para percorrer a Estrada Nacional 2, parando no turismo local para carimbar os passaportes da iniciativa.



Programa RIO de CONTOS 2022

Por Miguel Horta




 

O regresso das palavras

Por Miguel Horta


Pegar pela Palavra é parte integrante do projeto
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cofinanciada pelo Fundo Social Europeu

Tapada das Mercês, 8 de Setembro de 2022

Terminada a pausa de Agosto, as histórias regressaram ao “Pegar pela palavra” ( “Cultura sai à Rua”) na Tapada das Mercês. Foi uma sessão muito agradável, profunda nos pensamentos e na comunicação, à medida que íamos lendo histórias e combinando a forma de as apresentar no dia 30 de Novembro no Centro Cultural Olga Cadaval. Ontem gostei muito de escutar a história de vida do Sr. José Abrantes; cada vez tenho mais respeito pelas batalhas individuais ao longo da vida. Também o Sr. Conde, para além de ter escrito uma história de vida, tem vindo a ilustrar os textos dos colegas de projeto – estamos a pensar na possibilidade de projetar estas imagens na apresentação pública. A minha colega mediadora da Fundação Aga Khan, Marlene Vaz, tem vindo a passar para o computador os textos dos nossos autores; com outra apresentação, a leitura é mais fácil e corrigem-se vírgulas e uma ou outra palavra que ande por lá à solta. Todos escutam, propõem e opinam. Começámos o treino de leitura...estamos no bom caminho. Começaram a circular livros entre nós, começou com um livro meu, depois de lido passou a outro companheiro. Ontem ofereci à biblioteca do grupo outro livro. Vamos introduzir na roda de leitura “o Beijo da Palavrinha” por sugestão da Sr.ª Maria, que pela sua mão escreveu um reconto do belo texto de Mia Couto. E ainda há muito para ensaiar...

Foi assim a última Sessão



Caça Texturas em Vila Nova da Barquinha

Por Miguel Horta

 



Vila Nova da Barquinha 4 e 5 de Setembro de 2022

A presença da água faz-me bem. O Tejo em Vila Nova da Barquinha é bonito; nas margens um Jardim-Museu com esculturas contemporâneas. Vale a pena visitar, com calma. A Vila é mimosa, agradável e abriu-me o apetite para o desenho – transformei o quarto do hotel num pequeno ateliê e risquei, risquei. E o desenhou continuou pelas ruas, agora com a oficina Caça Texturas, desvendando uma vila que passa despercebida aos seus habitantes: a cidade tátil com os seus detalhes e grandes relevos. Propus adivinhas: quem consegue encontrar uma carta de correio? E um raio elétrico? Sabem que descobri um cavalo? Os pequenos participantes não tiveram nenhuma dificuldade em encontrar esses “tesouros” (como disse uma dos meninos) e guardá-los a lápis de cera em folhas de papel. Foram grupos pequenos mas com famílias muito participativas e fui sempre muito apoiado por técnicos do Município, da área da cultura. Na última sessão contámos com a agradável presença da Vereadora da Cultura. Gostei bastante dos trabalhos de grandes, uma parede de retalhos de mármore e uma grande ilustração no interior de um café que despertou a atenção dos clientes. O Caça Texturas tem percorrido o Médio Tejo integrado numa iniciativa da CIM, os “Caminhos das Pessoas



Contos em Buarcos

Por Miguel Horta

 



Tem sido difícil contar; ainda estou a recuperar de lesões na minha boca. Este regresso aos contos teve um sabor especial e foi num ambiente protegido: a feira do livro da Figueira da Foz (Buarcos). Já conhecia o trabalho da Livraria “
Ao pé das letras”, organizam também a feira do Livro da Ericeira. Fui muito mimado neste domingo à noite e os contos lá foram saindo, cativando a atenção de um pequeno grupo de escutadores e outros, que fingindo que procuravam livros, se foram aproximando e escutando. A sessão começou com uma escola de samba (por sinal boa) no exterior da tenda – só depois da “banda passar” é que o público foi entrando. Ao que parece fui muito “gráfico” com a história da “hiena e a lebre”, impressionando alguns presentes... De qualquer forma soube bem voltar a contar. A livraria “ao Pé das Letras” desenvolve um trabalho variado de promoção da leitura elegendo como parceiros de trabalho escolas, bibliotecas escolares, bibliotecas públicas, câmaras municipais, coletividades e associações que queiram receber este projeto itinerante que tira os livros da prateleira dando-lhes vida.



Contos em Buarcos

Por Miguel Horta


 

Caça Texturas em Mação

Por Miguel Horta


Não queremos que Mação seja conhecida apenas pelos fogos” - Desaba a vereadora Margarida Lopes, que acompanhou ativamente a realização da oficina Caça Texturas no seu Município. Não é todos os dias que se tem uma vereadora a apoiar, no terreno, uma iniciativa cultural nas aldeias; um raro privilégio. Existe uma proximidade invejável entre quem vota e quem é eleito. Também Vera António, técnica da Câmara Municipal, acolheu e organizou o percurso desta oferta da CIM Médio Tejo (“Caminho das Pessoas”) que decorreu nos dias 12 e13 de Agosto. Vera, a quem agradeço o carinho com que nos recebeu, publica fielmente detalhes e curiosidades da Vila e do território numa rubrica batizada de “Postal do dia”, alojada na (concorrida) página do Município no Facebook. Mação tem muito mais para oferecer a quem passa, a começar pelas praias fluviais, continuando pelos trilhos e nascentes, sobretudo a hospitalidade e um espírito de resiliência optimista que se reconhece em quem por cá vive. Apenas uma nota gastronómica: na vila existe um restaurante de uma família de pescadores do rio (Tejo) que nos dá a provar algumas espécies exóticas, transformadas em iguarias pela mão de quem cozinha; para além da fataça ou do achigã, podemos saborear a lucio-perca e, imagine-se, o siluro! Coisa de quem gosta de peixes...


Cada local de Mação revelou a sua identidade própria, ao longo destas 4 oficinas do Caça-Texturas. A primeira sessão foi muito concorrida e inclusiva. Juntaram-se às famílias crianças da oferta lúdica de férias do município, e, ainda um grupo muito dinâmico e divertido com diversidade funcional. Começámos no jardim e seguimos rua acima até ao centro aproveitando os relevos das velhas paredes e outras texturas mais atuais. 



Demos uma atenção especial aos edifícios antigos; num deles, um par de batentes em bronze exibia duas representações de Faunos o que deu lugar a uma bela brincadeira. Em Cardigos tivemos o privilégio de contar o Professor António Silvaque foi contextualizando cada objeto ou monumento encontrado, partilhando a rica história local – foi muito interessante, apesar de ter sido um grupo pequeno. Gostei muito da sessão de Carvoeiro, não só por ter comigo um monitor muito especial, mas também pela presença de Margarida Lopes que ajudou a criar um bom grupo de caçadores de texturas. Foi bem engraçado recolher texturas junto ao banco das vizinhas e propor aos habitantes um olhar lúdico, diferente, sobre o seu lugar. Hoje, dia 22 de Agosto, foi inaugurada uma exposição dos trabalhos produzidos pelos “caçadores” no Centro Cultural Elvino Pereira (Mação); quem estiver por perto pode visitá-la até 7 de Setembro. 

O banco das vizinhas no Carvoeiro

Já está pronta a exposição!




Namoro de Verão

Por Miguel Horta

Ilustração: Miguel Horta

Nas férias
que tal aproveitar
para conhecer um pouco melhor
o precioso Museu da nossa costa?

Nesta altura do ano, em zonas da nossa costa menos pressionadas pelo homem, é possível encontrar à beira mar uns cachos de cor grená escuro (quase preto), gelatinosos, que mais parecem algas; ora bem, trata-se de ovos de choco (Sepia Officinalis). É o resultado de um belo namoro entre estes moluscos que só afortunados e discretos observadores das marés conseguem assistir. Tal como o polvo ou a lula, o choco comunica (também) através da exibição e mudança de padrões da sua pele, expressando uma miríade de situações e reações, incluindo o discurso amoroso. Os machos, um pouco antes da cópula, apresentam um padrão às riscas e as fêmeas uma aparência mais neutral, enquanto flutuam num suave vai e vem com pequenos toques laterais, até se unirem num prolongado abraço de tentáculos. Às vezes, um maroto de um machozito mais pequeno decide envergar o padrão miudinho das fêmeas para se aproximar e, num momento de distração, zás! Engana o galã mais velho, no meio da confusão. Depois, cabe à fêmea colar os seus ovos, em cachos de cápsulas, a algas, rochas e até objetos submersos, onde ficam até à eclosão. Deixo-vos aqui o poema “Namoro” do meu livro “Rimas Salgadas”, para acompanhar estes dias de Verão.

Namoro


Namora o choco
a choca
na baixa-mar
sobre a areia
abre os tentáculos
e beija
a sua amante salgada

Deste enlace
delirante
que pode ser demorado
nascem cachos de filhotes
mais parecendo
uvas do mar



Caça Texturas em Vila de Rei

Por Miguel Horta

Nas bancas do mercado...
 

O Caça Texturas esteve em Vila de Rei
uma iniciativa da CIM Médio Tejo
incluída no programa “Caminhos das pessoas”

No campo das artes plásticas e intervenção urbana, esta é a minha oficina criativa que mais apresentações públicas teve. Desde 2003, partindo do Teatro Viriato (Viseu), que tenho andado pelo país a propor um outro ponto de vista, mais tátil, sobre as aldeias, cidades e vilas; para além de desenharmos em conjunto, de forma inclusiva, conversamos com os vizinhos e vamos contando histórias locais e outras que surgem sem pedir licença.


Foi assim em Vila de Rei nos dias 3 e 4 de Agosto. Trabalhei com crianças dos programas municipais de férias e com um grupo muito interessante e divertido da Fundação João e Fernanda Garcia (Vila de Rei). Faz todo o sentido propor oficinas artísticas no nosso interior, a resposta é sempre muito positiva.



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