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Antes de ontemLaredo

Pegar pela Palavra nos "Sabuguenses"

Por Miguel Horta

Pegar pela palavraé parte integrante do projeto
A Cultura sai à Rua – Câmara Municipal de Sintra
Surge através da candidatura Cultura para Todos,
integrada na Ação 11 da operação Lisboa-06-4538-FSE-000016
Idade Mais - Estratégia Municipal para o Envelhecimento Ativo e Saudável,
cofinanciada pelo Fundo Social Europeu

O mais recente encontro do Pegar pela Palavra teve lugar na bela sede da Associação de reformados, pensionistas e idosos “Os Sabuguenses”, onde fomos recebidos afavelmente pela pequena equipa do centro de dia. Esta sessão que juntou os participantes da União das Freguesias de Almargem do Bispo, Pêro Pinheiro e Montelavar foi bem concorrida e acho que trabalhámos bem. A equipa da Laredo teve uma presença alargada nesta sessão do Projeto. Escutámos algumas histórias de vida, poemas e outros contributos muito genuínos dos amigos e amigas que ali se juntaram. Estas pessoas fantásticas que se juntaram a nós não param se me surpreender com a sua criatividade! Começámos a pensar como poderia ser a participação de cada um nesta iniciativa, ficando decidido que na sessão de trabalho de 20 de julho (que será neste mesmo espaço) nos iremos dividir em pequenos grupos de trabalho para dar forma e expressão à participação de cada um. Na próxima sessão, dia 13 de junho pelas 15.00h, farei uma sessão de contos no Auditório da Junta em Pêro Pinheiro, aberta a todos, família, amigos e vizinhos.





Somos Comunidade Poética

Por Miguel Horta

 


Ao fim da tarde de dia 21 de Junho teve lugar mais uma sessão de “Leituras à solta” com os habitantes e mediadores do bairro dos Ameais (Torres Vedras) no projeto “Somos Comunidade”. Já tinha prometido que partilharia, com este grupo fiel, a metodologia da Máquina da Poesia” e a sessão correu bastante bem – surgiram muitos versos bem profundos e outros que nos fizeram rir. No final fizemos um poema coletivo pedindo emprestadas as palavras de Luís de Camões , “o Amor é fogo que arde sem se ver”. E que fazer com a produção poética que pode surgir, fértil? Apresentei uma solução possível, sussurrar poemas aos ouvidos utilizando sussurradores. Desafiei o grupo a organizar uma partilha poética no centro da cidade. Podem fazer novas sessões da Máquina com públicos diferentes, fazer uma oficina de construção plástica e personalização das ferramentas sussurradoras e partir para as ruas com um grupo grande à semelhança de Montemor-o-Novo. Vamos ver se pega… Esta iniciativa tem o precioso apoio da Memória Imaterial, numa parceria com o Projeto Somos Comunidade. Para o mês que vem teremos outra aventura.

preparada para escrever poesia, até de olhos vendados...

Uma máquina simples


A Barca em Almada

Por Miguel Horta


Quando era menino, na praia do Vau (Algarve) gostava de fazer pequenos veleiros de osso de choco, com penas espetadas, pauzinhos e bandeirinhas, que competiam em regatas nas poças da maré vazia. Ficou-me daí o gosto pelas brincadeiras simples. Esta oficina propõem a construção lúdica de barquinhos recuperando o brincar em família, num museu que nos pertence a todos, gente de Almada.

Sábado 18 de junho, dia de visita/oficina no Museu de Almada/Casa da Cidade. Partimos das embarcações da Fonte da Telha, Arte Xávega, para criar os nossos barcos reaproveitando materiais diversos: garrafas de plástico, esferovite, desperdícios de madeira, canas e outros pauzinhos, mas não consegui encontrar nenhum osso de choco inteiro. Mesmo assim o grupo familiar que se juntou no Museu conseguiu fazer várias barcas que aguentaram bem o peso dos bonecos da Lego, os tripulantes de serviço. O modelo mais escolhido foi a jangada. Experimentámos os navios num tanque improvisado e no chafariz e foram autorizados a navegar. Aposto que algumas embarcações, no final do dia de Sábado, foram parar à banheira no meio da esponja, espuma e sabonete. Passámos uma manhã tranquila e divertida no Museu da Cidade de Almada onde tive o precioso apoio da mediadora Eurídice. Entre os participantes estava um avô ilustre, o Vereador António Matos, que muito gostei de rever. Em breve vos darei conta de outra oficina promovida pelo Museu da Cidade que acontecerá nas ruas da cidade velha...o que será?
Adivinhem quem estava ali ao lado no jardim do Museu...a Biblioteca Itinerante Aletria - que bela companhia!

A Praceta da Palavra

Por Miguel Horta

é parte integrante do projeto
 A Cultura sai à Rua 
Câmara Municipal de Sintra.
Surge através da candidatura
 Cultura para Todos
 integrada na Ação 11 da operação
 Lisboa-06-4538-FSE-000016 
idade Mais-Estratégia Municipal
 para o Envelhecimento
 Ativo e Saudável, cofinanciada
 pelo Fundo Social Europeu.

Mercês - 17 de Junho Desta vez realizámos o nosso encontro no jardim da praceta Francisco Ramos da Costa, mesmo em frente à mesquita. Um local fresco, com espaço e sombras. Comecei por fazer uma pequena dinâmica em roda de corpo e concentração e depois fomos em busca da memória sentados no murete do jardim. Contámos com a presença da Maria José Vitorino e da Benita Prieto. Acho que o grupo central das histórias já se consolidou. Toda a gente falou animadamente e deu a opinião e isto é fundamental para se encontrar uma forma de participar que seja o retrato deste grupo de pessoas. Já nos estamos a habituar ao tempo lento, próprio da Guiné, de usar as palavras, sobretudo quando temos de encontrar a expressão exata em português – O Senhor Malan cativou-nos a todos com a descrição do seu casamento. Falou-se do casamento tradicional Mandinga da oferta das nozes cerimoniais de cola à entrega da vaca ao pai da noiva, embora o animal passe a ser propriedade da nubente. A sessão terminou com um texto muito bonito que a Senhora Maria nos leu que descrevia o seu jardim do Amor, com todas as cores, cheiros e paisagem. Comovi-me. A partir daqui vamos começar a trabalhar a participação de cada um, melhorando a postura, a dicção ou encontrando outras soluções de comunicação e partilha das suas histórias. 



Gotas de vozes em Arraiolos

Por Miguel Horta


Uma sessão intensa na Biblioteca Municipal sobre um belo tapete de Arraiolos.

9 de Junho
Há muito tempo que tinha vontade de trabalhar com a Professora Bibliotecária Paula Gaspar; temos o mesmo gosto em trabalhar com crianças com necessidades educativas específicas em contexto de Biblioteca Escolar. Chegou finalmente esse dia, com o precioso apoio da Biblioteca Municipal de Arraiolos onde realizámos as sessões, em plena festa dos tapetes. A vila fica linda com aqueles tapetes pelo chão e nas varandas, ainda a possibilidade de assistir ao vivo à tosquia de uma ovelha (!) no meio da feira que montaram no centro. Realizámos a primeira sessão CEF (Tratadores de animais em cativeiro). E que bem que correu a sessão! Espero que tenha sido útil para os docentes envolvidos neste desafio. António Gedeão foi o poeta eleito e o livro Zoom fez com que todos viajassem pelo mundo através das memórias convocadas pelas imagens da obra. Aproveitei para ler dois textos do Rimas salgadas, com a participação alegre e ruidosa do "público marinho". A sessão foi transmitida em streaming por uma equipa da Câmara Municipal e ainda está disponível para visualização na sua página do facebook . Da parte da tarde, no contexto do projeto “Gotas de vozes” (tema central a água), estive com o 8º ano da Professora Bibliotecária, uma turma inclusiva, muito variada. Falei sobre os meus livros (em especial o Rimas Salgadas) e brinquei com eles, falei um pouco de mim, li um poema de Maria Alberta Menéres e fiz uma ilustração ao vivo (o Pedro lá ficou retratado no desenho...), aturei a lateral direita do campo, lancei algumas perguntas e levei o meu peixe – robô que nadou e nadou num aquário improvisado.


Só agora, com calma, consegui apreciar como deve ser a vossa produção escrita – Sim! Estou a falar para vocês, alunos. Fartaram-se de trabalhar; a vossa professora já me tinha enviado informação sobre a pesquisa que realizaram – Parabéns! Gostei bastante de estar convosco, apesar dos zangados do costume, vocês sabem bem quem são… Espero que tenha sido agradável o vosso início da tarde – Façam o favor de ter um Verão fantástico!

Gotas de vozes: que bonitas ficaram as capas dos trabalhos...


Fica aqui a minha palavra de apreço à
Carla Cândido, pela atenção e hospitalidade, reflexo do apoio do Município a esta iniciativa.

Ler para Crer Ler - Vila Verde dos Francos

Por Miguel Horta


Ler para Crer Ler
Vila Verde dos Francos 
13 de junho

As páginas deste blogue têm sido boas auxiliares da memória, tento registar regularmente as minhas vivências enquanto mediador artístico e, neste caso, mediador do livro e da leitura. No fundo, estas oficinas que estou a realizar no Agrupamento de Escolas da Merceana (Alenquer) são oficinas improváveis, seguindo um modelo surgido nas Bibliotecas Escolares de Torres Vedras, que vou aprimorando. O primeiro grupo que recebemos na Biblioteca Escolar da Escola Básica de Vila Verde dos Francos era inclusivo, constituído por uma bela variedade de crianças o que permitiu partilhar diferentes recursos de comunicação e mediação leitora. Sentámo-nos em torno de uma grande mesa, crianças, auxiliar e professoras e comecei a tocar uma caixinha de música que todos puderam experimentar: Ai que difícil é dar à manivela de uma coisa tão pequenina! De que lado a coloco? À direita ou à esquerda? Depois começámos a folhear os livros em conjunto, livros de cartonados, resistentes, próprios para alunos que não controlam bem a força dos dedos, e que trabalham essa motricidade a par das palavras, da história e da comunicação. Cruzámos o “livro com um buraco” de Herve Tullet com o “Puzzles 3D” (David Carter) e criámos uma escultura coletiva para uma praça cheia de trânsito. Um dos alunos que está a começar a falar sussurrou-me algumas palavras ao ouvido, usando o meu sussurrador – fiquei tão contente... 


De tarde foi a vez de trabalhar com um 2º ano que resolutamente se entregou à tarefa de encontrar os adjetivos correspondentes aos emojis que apresentei colados numa folha de papel de cenário – tratou-se do desafio Filacteraque propõem também a descoberta intuitiva de verbos partindo de onomatopeias, muitas destas vindas da linguagem da banda desenhada. Para além de se trabalhar o léxico ativo, sempre vamos propondo novos vocábulos e corrigindo os habituais erros de ortografia destas idades. Sobretudo é um jogo divertido em torno das palavras.


23 de junho

De regresso à Biblioteca Escolar de Vila Verde dos Francos, trabalhei a metodologia Filactera com uma turma muito inclusiva do 3º e 4º ano. Dividiram-se em dois grupos muito equilibrados. O nível da resposta foi bem elevado! Foi uma risada, imitar as vozes dos animais; ás tantas ninguém se lembrava qual era o verbo do burro… IÔN! IÔN! IÔN! Fartaram-se de trabalhar...No meio de todas aquelas crianças, uma com PEA, cada vez que se concentrava, acertava em cheio nos adjetivos; reparei como este aluno estava tão bem incluído na turma, tendo sempre um par para interagir com ele durante todo o desafio. Percebe-se que já existe, há muito tempo, uma prática inclusiva nesta escola básica do Agrupamento de Escolas Visconde de Chanceleiros (Merceana). Terminando a tarde, sentei-me à mesa com a professora bibliotecária e os dois professores titulares das turmas e conversámos sobre a atividade, o seu ponto de partida e objetivos, encerrando o encontro com a análise dos livros apresentados e que farão parte, em breve, do catálogo da biblioteca. Foi uma boa surpresa, este trabalho com as Bibliotecas da Merceana.


Últimas sessões do (re)ler em Avis

Por Miguel Horta

(Re)ler com a Biblioteca
O modelo proposto pela RBE
permitiu alguma permanência
dos mediadores da leitura na escola
entrosando-se com as equipas locais
obtendo resultados mais efetivos

Encerrámos a nossa participação (este ano letivo) no programa da Rede de Bibliotecas Escolares (Re)ler com a Biblioteca com oficinas em Avis, na Biblioteca da Escola Básica. Ao longo das diferentes sessões fomos “puxando” pelos alunos, nesta sessão, as duas turmas participantes aderiram animadas ao desafio da máquina da poesia. Claro que, cada um com a sua velocidade; mas acho que atingiram os objetivos. Aproveitei para apresentar os meus livros a uma turma do 6º ano que acabou por viver um dia diferente na escola. A minha presença na escola foi variada propondo exercícios de movimento, palavra e foco, mediando a leitura, brincando com os verbos e adjetivos e, finalmente tentar transformar todos em poetas durante os 90 minutos, tempo estabelecido para cada sessão. Em Avis o trabalho foi muito facilitado pelo trio de acolhimento, a funcionária da Biblioteca, a Professora Bibliotecária e a Animadora Sociocultural, em conjunto coordenaram e e participaram nas sessões. Uma palavra de agradecimento às professoras titulares por acreditarem nas metodologias não-formais que propus ao longo do ano. Seria interessante ter um eco avaliativo de tudo o que se fez na Biblioteca, do mais ajustado ao que poderia ser dispensado. Aproveito para agradecer a Telma Bento o precioso apoio da Câmara Municipal de Avis na realização destas oficinas. Quero, também, agradecer este desafio alentejano que nos foi lançado pela Fátima Bonzinho, Coordenadora interconcelhia (RBE), trazendo a prática da Laredo às bibliotecas do Sul. Ficaram algumas sessões por realizar em duas localidades mas, no início do ano letivo, por certo as concretizaremos. Até já.

Risada geral...



Pegar pela palavra no Projeto Capaz (Tapada das Mercês)

Por Miguel Horta

A fotografia não é desta sessão mas sim da anterior. Publico-a por sintetizar bastante a nossa intenção – dar força às palavras de cada um. É claro que também não tenho nenhum registo da sessão do dia 1 de junho...


Os encontros do “Pegar pela palavra” (programa “A cultura sai à rua(1) - Câmara Municipal de Sintra) têm acontecido em diferentes lugares das Mercês (Sintra). Desta vez, a 1 de junho, a sessão realizou-se nas instalações do Projeto Capaz. Nestas intervenções tenho o tranquilo apoio de Marlene Vaz animadora sociocultural da Fundação Aga Khan Portugalque conhece muito bem as pessoas, o que facilita muito o meu trabalho. Aliás, este grupo de seniores é muito especial, têm uma relação estabelecida entre eles, construída nas propostas de atividade criadas pelos mediadores no terreno. Nesta sessão escutámos histórias de vida e mergulhámos nas histórias tradicionais da Guiné-Bissau. O Senhor Malan tem o seu tempo, pausado, que se escoa numa lentidão própria de África. Há companheiros de sessão que não aguentam o tempo da narrativa ou têm dificuldade em entender o português do seu colega. À medida que vai contando, vou tirando notas e fazendo alguns comentários; no final acabaria de por contar, numa velocidade mais Portuguesa, a divertida história da “Festa dos animais”, um conto da tradição Mandinga. Fiquei a saber que a Senhora Maria escreve bastante, aposto que tem guardadas algumas preciosidades. Tento convencer outra participante a contar um conto tradicional português que dedicava às suas crianças...mas não tenho sorte. É importante que todos tenham a palavra, mas sobretudo importa entender e respeitar as diferenças e fomentar a escuta ativa. Às vezes não me corre bem, terei de aguardar, intuindo o momento certo para trazer a voz ao grupo. Começámos a organizar a participação de cada um, o contributo das suas palavras. Nas próximas sessões veremos se estamos no rumo certo.


(1) “O projeto “A Cultura sai à Rua” surge através da candidatura Cultura para Todos, entretanto integrada na Ação 11 da operação Lisboa-06-4538-FSE-000016 - Idade Mais - Estratégia Municipal para o Envelhecimento Ativo e Saudável, cofinanciada pelo Fundo Social Europeu. O presente projeto vem contribuir para o combate/ redução da exclusão social, nomeadamente da população sénior do concelho, na medida em que visa dar mais voz aos seniores, melhorar a sua qualidade de vida e promover uma maior igualdade de oportunidades (perspetiva etária, diferentes características/perfis, diferentes territórios, nomeadamente de maioria vulnerabilidade social e económica).”





Oficinas Improváveis: Ler para Crer Ler

Por Miguel Horta

 

Merceana

No dia 30 de Maio iniciámos uma sequência de Oficinas Improváveis no Agrupamento de Escolas Visconde Chanceleiros (Merceana), uma iniciativa da Biblioteca Escolar, projeto “Ler para Crer Ler”. As oficinas improváveis propõem a mediação leitora inclusiva em sessões dinâmicas que têm lugar na biblioteca escolar. Estes momentos de trabalho com as crianças são, também, espaços de partilha de metodologias e ferramentas junto de docentes e não docentes dos agrupamentos. As turmas do ensino básico são convidadas a participar nas sessões que se realizam na biblioteca, em torno de uma grande mesa onde trabalhamos o livro de forma transversal; por vezes, usamos objetos de mediação que se relacionam com os livros e ajudam a promover o foco dos alunos mais dispersos. Na primeira sessão estive na escola da Merceana e trabalhei com as crianças acompanhadas pela unidade de ensino especial; foi uma sessão específica, não inclusiva, mas que serviu bem para partilhar a forma como desenvolvo a mediação leitura inclusiva, usando igualmente recursos simples da educação artística. O tema escolhido foi o reino animal e os animais impossíveis, partindo do rosto de cada um. Acho que nos divertimos todos.




O Caça-Texturas está de volta

Por Miguel Horta

 


Ferreira do Zêzere
5 de junho 
Abriu a temporada da caça às Texturas
num dia de muito calor e diversão 

Com o bom tempo, chega a oficina Caça Texturas, de novo integrada noprograma cultural em rede do Médio Tejo, “Caminhos das Pessoas”. Foi Dia da Criança, embora comemorado no fim de semana e elas compareceram em peso! Não é muito frequente este género de oferta em Ferreira do Zêzere. Tive de concorrer com pinturas faciais, insuflável, música bem alta, jogos, marionetas...enfim. Ainda consegui reunir um pequeno grupo de manhã que, depois de um desenho coletivo, fugiram para a concorrência aparecendo mais tarde com os rostos devidamente besuntados. Valeu-me uma menina muito empenhada que aproveitou a proposta até ao último minuto. De tarde foi um pouco diferente, apareceram várias famílias e fizemos um desenho bem grande no intervalo entre espetáculos – um grupo bem empenhado. Percebe-se bem o trabalho que começa agora a ser feito pelo Município, na área cultura.

A Máquina da poesia esteve em Vila Boim

Por Miguel Horta

 


Ao longo deste ano letivo o trabalho da
Laredo Associação Cultural com as escolas de Elvas foi intenso. Uma presença regular nas bibliotecas escolares da cidade com apoio da Delta Cafés que assim ajudou a reduzir os custos da interioridade. 


Não poderíamos ter encerrado da melhor maneira com duas sessões da
Máquina da Poesia em Vila Boim na Biblioteca Escolar da Escola Básica integrada. É sempre um prazer trabalhar com jovens em torno da poesia e esta metodologia permite que se soltem e arrisquem, brincando com as palavras. Estou curioso com a publicação final destes trabalhos poéticos. Na Biblioteca da sede do agrupamento, esta proposta teve continuidade com as poemografias, mas as podem surgir muitas outras aplicações para os resultados poéticos: ilustrações, poemas coletivos ou até, uma saída pela rua sussurrando poemas aos vizinhos.

Obrigado professora Teresa Guerreiro pelo entusiasmo e um abraço para a sempre atenta "andorinha" Fátima Bonzinho.




Pegando pela palavra nas Mercês

Por Miguel Horta
Imagem recolhida na primeira sessão nas Mercês

25 de Maio

Continuámos a Pegar pela palavra nas Mercês, trocando histórias e não só, nas instalações da Fundação Aga Khan, numa sessão fielmente concorrida. O nosso grupo, aos poucos, vai-se consolidando e cada um vem trazendo o seu contributo; muitas histórias de vida, lendas de antigos reinos de África, lengalengas e assim estamos de braços abertos a todos os seniores que se queiram juntar a nós nestes encontro. Desta vez, a equipa da Câmara Municipal de Sintra entrevistou os participantes, nesta fase (ainda) de arranque. Tenho uma boa intuição sobre este projeto; sabemos onde queremos ir mas ainda não conhecemos o caminho ... mas vamos lá chegar.





Reler: Filactera no Torrão

Por Miguel Horta

 


24 de Maio – Torrão

A última sessão do Reler com a Biblioteca na Biblioteca da escola básica do Torrão(Alcácer do Sal) correu muito bem. Gostei tanto de rever aquelas crianças; acho que fazem uma boa diferença desde a primeira sessão, acho-os mais encontrados, mais focados. Puxámos bastante por eles com a oficina Filactera, onde se trabalham os verbos a partir das onomatopeias e os adjetivos recorrendo aos populares emojis. No fundo, são recursos da banda desenhada que nos ajudam a trabalhar o Português. Fartaram-se de trabalhar, aprendendo uma boa mão cheia de palavras novas. Em tempos de sobrevalorização da imagem e empobrecimento do léxico ativo (o português de todos os dias), esta oficina funciona na contracorrente, acordando as palavras. Algumas palavras foram escolhidas também com a intenção de corrigir erros ortográficos comuns entre as crianças destas idades. Os adultos que acompanharam e participaram ativamente no desafio confessaram as dificuldades que sentiram na procura de verbos muito simples da nossa língua. Como despedida, resolvi brincar com as palavras usando pequenas canções, depois, encerrando a manhã, li uns quantos poemas do Rimas Salgadas. Que bela diversão... Até à próxima!

Entretanto, soube que o programa Reler com a Biblioteca vai terminar...Que pena... Este modelo de intervenção funciona, permite uma certa continuidade, uma cadência que gera aprendizagens.

A cultura sai à rua em Sintra - Pegando pela Palavra

Por Miguel Horta

 Já lá vêm surgindo as palavras

Inserido na iniciativa “A cultura sai à rua” da Câmara Municipal de Sintra, o projeto “Pegar pela palavra” teve um novo ciclo de intervenções em duas localizações diferentes do Concelho: Mercês (Tapada) e Montelavar/ Almargem do Bispo. A primeira sessão com os mais velhos das Mercês teve lugar no espaço comunitário da Fundação Aga Khan, valiosa parceira no terreno. Foi uma sessão muito concorrida e participada num pequeno espaço que se tornou acolhedor com as palavras de todos os participantes. Vidas diferentes, vozes distintas e diversas formas de participar na proposta: um senhora trouxe um pensamento forte que tem orientado a sua vida e depois surgiu uma bela canção (afinada) que entoava à sua neta, o senhor Malan trouxe a África dos Mandingas e Fulas, rica em tradição oral; aqui e acolá histórias de vida, algumas em verso. Foi surpreendente a resposta que colhemos no dia 18 de Maio.

Na tarde do mesmo dia em Vale de Lobos, a sessão teve lugar na Associação de reformados “Os lobinhos do Vale” - tanta gente! Talvez 30 pessoas num encontro animado que teve direito a uma pequena dramatização (teatro) sobre as lavadeiras locais, onde pontuava o Zé Manel, uma personagem exótica da localidade. Explicámos o que pretendíamos com o Pegar pela palavra. Tal como nas Mercês, as equipas locais fizeram muito bem o seu trabalho mobilizador e foi possível escutar histórias vindas de alguns participantes e rir, por exemplo, com o poema da Lombriga. Tocou-me a história de uma senhora que vem vencendo as suas dificuldades de saúde, criando bonecas/os de inspiração saloia cosidas com esmero e detalhe, que apresentou a todos, ao mesmo tempo que ia falando de si. Graças à valiosa participação do Sr. João foi possível ter sempre o enquadramento na história local para todos os acontecimentos e histórias referidos pelos participantes. Espero que consigamos cerzir toda esta riqueza humana com as suas histórias, com os pensamentos, ditos e provérbios, com a tradição oral e as narrativas locais, num grupo que permaneça, unindo os mais velhos neste movimento de valorização pessoal. 
#laredoassociacaocultural






A primeira oficina no projeto Somos Comunidade

Por Miguel Horta

Inventando palavras...
Torres Vedras, 18 de Maio de 2022

Cumpri com gosto o convite da Festa do Lugar (Memoriamedia) para trabalhar com os moradores e mediadores do projeto “Somos Comunidade”, propus um conjunto de dinâmicas em torno da palavras e do movimento a um pequeno grupo animado do bairro. Este Projeto é composto por uma mão cheia de voluntários e atuais moradores de um território que vai da Encosta de S. Vicente ao bairro dos Ameais; gente de diversas gerações, disponível e bem humorada, o que garantiu o sucesso da primeira sessão. Senti-me honrado por estrear o novo espaço do projeto com a minha oficina. Uma das intenções desta iniciativa, aberta à diversidade de Torreenses do campo da mediação cultural e social, é a partilha de algumas ferramentas que costumo utilizar neste trabalho de juntar pessoas e vontades – espero que sejam úteis... É nossa intenção realizar uma oficina por mês lá no topo da encosta. A próxima está prevista para 21 de junho e vamos trabalhar com a “Máquina da Poesia”. Lá vos esperamos. Uma oficina Laredo, pois claro...

Um recanto do bairro


Djuntu di raiz - Miguel Horta - Dia de África

Por Miguel Horta

Hoje ganhei coragem para partilhar convosco um pequeno poema escrito diretamente em crioulo (ainda não traduzi para Português). Espero que gostem.


Contos no Dia de África

Já não contava histórias há muito tempo, tenho andado desconfiado da minha voz (não posso abusar), mas não resisti ao convite do Adriano Reis para comemorar o Dia de África com a RJ Anima em Agualva/Cacém. Diverti uma mão cheia de traquinas e diverti-me passando pelo meu reportório de contos Africanos. Viva África!


Havia uma Pedra (desenho)

Por Miguel Horta


Mais um exemplo do conjunto de desenhos que vem surgindo calmamente. Uma série a que chamo Havia uma pedra. Neste caso um desenho produzido no final de 2021, lápis sobre papel, 42,5x29,7. Assim são os dias...

Última tempestade no Museu

Por Miguel Horta

9 de Maio 2022

Foi a última sessão (este ano letivo) de “A tempestade”, visita/oficina de desenho dedicada a públicos com diversidades funcionais, no Museu Gulbenkian. Um mergulho na obra de Turner, em que o desenho é o meio de expressão eleito para interiorização do apreendido. Compareceu um grupo da AIPNE muito plural, às vezes ancorado em mundos distantes, o que me obrigou a ser bastante dinâmico e expressivo na comunicação. Quando nos sentámos no chão para desenhar, todos tinham aderido à proposta; de repente, só se escutou o barulho da grafite riscando rapidamente o papel (a ventania) e por vezes, leves pancadinhas no momento em que representámos a chuva. Depois vieram aquelas grandes vagas que empurraram o barco contra os rochedos e o grafite falou depressa e onduladamente.  Como despedida, pegámos nas cartolina abanando-as com força e simulámos, em conjunto, o rugir dos trovões na galeria de exposição. Gostei. Até para o ano.
Um desenho captou a minha atenção. Numa folha de papel, um jovem com PEA1 organizou uma tempestade, num desenho de expressão completamente contemporânea. O mundo organiza-se de forma específica no âmago de pessoas singulares.

1Perturbações do espectro do autismo

Tronco (desenho)

Por Miguel Horta

 Desenho (detalhe) . Appleton Square 2011 ."troncos e marés"
. lápis sobre papel. 22,9 × 32,4. (Disponível)
Este desenho foi utilizado como capa do belíssimo livro de António Ramos Rosa, "Numa folha, leve e livre". (lua de Papel)
Sobre o livro diz Gisela Gracias Ramos Rosa : Corpo e alma num novo corpo de texto assim é a palavra de Ramos Rosa.
O poeta escuta o seu próprio interior e a voz do seu ser é já "Folha Leve e Livre", água da vida, dança, arco de possibilidades. Aqui a natureza ganha a voz do sol e da sombra, entre o visível e o invisível a palavra abre o tempo e o espaço: "Amar as palavras/é inventar o vento/através da noite/em pleno dia" ou ainda "Se escrevo/é para entrar no claro círculo do dia/e ser uma pedra que respira/um núcleo branco"

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Construindo Cidades

Por Miguel Horta

 

No dia 21 de Maio pelas 10.30h terá lugar no Museu de Almada - Casa da Cidade a oficina Construindo cidades. Será uma oficina inclusiva dedicada às famílias com crianças pequenas (a partir dos 5 anos é o ideal) mas aberta a mais gente. Vamos partir da cidade de Almada para construir as nossas cidades com as suas casa. Será um momento de brincadeira para usar as mãos, mexendo na cola, nos cartões e outros materiais reaproveitados. Podem trazer bonequinhos pequenos (duplo ou lego) os vizinhos da cidade e carrinhos que percorrerão as vossas ruas. E podem surgir coisas bem engraçadas - ora espreitemUma oficina aberta à diversidade funcional. Vamos trabalhar com as madeirinhas que o meu vizinho carpinteiro, o José Correia, junta pacientemente para estas ocasiões criativas. Lá vos espero - "Traz outro amigo, também"

Uma oficina da Laredo Associação Cultural - Almada

Dia Mundial da Língua Portuguesa - Francisco Sarronca

Por Miguel Horta
A todos nós que utilizamos a bela Língua Portuguesa para contar histórias, 
escritas, ditas, cantadas, representadas e narradas.

https://www.rtp.pt/play/p7330/e482810/quem-conta-um-conto

"Francisco Sarronca" - Conto de autor


Autismo: Desculpem lá o desabafo...

Por Miguel Horta

O discurso não está bem organizado...
Um episódio com uma criança está na origem
destas palavras que acabo de escrever.
De qualquer forma, servem para refletir 
e repor o debate sobre o autismo
e a inclusão real que nos vem faltando.

As pessoas não sabem o que é a PEA (aqui um dos possíveis pontos de vista). Falam disso cheias de boas intenções mas com um discurso paternalista, típico de quem desconhece a realidade do convívio. Chegam a achar que o autismo está na moda e acham graça às narrativas extraordinárias dos estranhos acontecimentos que os autistas protagonizam. Entender o ponto de vista das famílias com crianças com perfil autista é meio caminho andado para a inclusão. Só o convívio efetivo traz a inclusão natural. A educação para a inclusão deve acontecer desde a mais tenra idade e numa atitude informada, justa e adequada à pessoa diferente que se tem na frente. A escola pública tem dado passos importantes neste sentido, as equipas crescem em qualidade (mas não em meios) e vão surgindo "projetos que nos animam" (como diz a minha amiga Maria José Vitorino). Mas é evidente a falta de capacitação específica dos profissionais da escola (incluo os auxiliares de educação entre outros) neste campo educativo, tão pouco existem momentos de reflexão serenos que permitam, às equipas da escola, conferir o rumo educativo. "Os autistas não são especiais" (citando Alexandra Lobato), não têm necessidades educativas especiais, têm necessidades educativas específicas que todos deveremos conhecer para que a inclusão seja efetiva. Os autistas não vêm acompanhados de brinde, nem são de ouro, por isso não são especiais; não vêm de outro planeta, são mesmo deste, nossos vizinhos reais. Tão pouco vêm acompanhados de bula nem necessitam que os coloquem em gavetas taxonómicas para descanso da nossa ignorância coletiva. Ah, já agora, a sua cor favorita não é sempre o azul!


A escola pública, no geral, tenta cumprir a sua missão inclusiva, mas vem sacrificando a sua função educativa com o desempenho económico da estrutura; acentua ainda mais as diferenças sociais, económicas, de género, religiosas, funcionais e , neste caso, parece não ter consciência do conjunto de a perturbações do espectro do autismo e outras situações de desencontro interior. Pequenas grandes coisas contribuem para a melhoria do ambiente de acolhimento. Em primeiro lugar, é importante defender uma comunicação escorreita entre a escola e as famílias dos alunos com diversidade funcional, só assim se constitui uma verdadeira equipa para a inclusão, permitindo, até, a criação de momentos de formação parental, tão necessária nos meios sociais mais excluídos. Até mesmo a arquitetura da escola, em particular da sala de aula, pode ser amiga da diferença - um espaço aberto, de núcleos modulares, inspirado na 
Escola Moderna, tem provado eficácia. Uma irritante lâmpada de néon, com a sua luz fria e ruido subtil e constante, pode perturbar o dia de um aluno do espectro. A atenção aos detalhes é essencial querer conhecer o aluno e trabalhar com a criança numa regularidade fiel. É visível a falta de promoção dos meios tecnológicos e culturais, no campo da leitura e literacia, que promovam a fruição lúdica, o conhecimento e inclusão destas pessoas. As estruturas de apoio escolar aos alunos portadores desta perturbação interior, carecem do número suficiente de profissionais especializados e demonstram, ainda, pouca coragem na contratação de profissionais que podem contribuir grandemente para a inclusão: Mediadores culturais especializados, professores bibliotecários, psicomotricistas, pedopsiquiatras, terapeutas especializados, assistentes operacionais (1), entre outros. Claro que alguns agrupamentos de escolas possuem respostas efetivas em crescimento no seu interior e têm por perto IPSS (ou outras estruturas educativas/culturais) competentes neste campo, com quem podem estabelecer parcerias. A meu ver, a escola pública deverá poder corresponder a esta necessidade em plenitude, colocando-se na frente da pesquisa pedagógica. É bom que a escola, sobretudo as direções dos agrupamentos, não se esqueça que pode ter autonomia pedagógica, essa condição permite pequenas mudanças que constroem grandes futuros.


(1) Neste ponto, faço uma chamada de atenção para as assistentes operacionais da escola, que mantêm uma relação próxima de cuidadoras destas crianças, recebendo-as logo de manhã e tratando das suas necessidades básicas, o que lhes dá um ponto de vista singular sobre o comportamento destes alunos e uma ascendência quase familiar.

Leituras à solta

Por Miguel Horta
A convite da Memoriamedia
vou realizar uma oficina em Torres Vedras
que une a palavra ao corpo
Esta iniciativa faz parte da Festa do Lugar
que docorre entre 13 e 22 de Maio

17 de Maio . 17.00h .
Centro de Artes e Criatividade de Torres Vedras  
O corpo do grupo
90 minutos em que o corpo se move e a palavra se diz. A partilha de pequenas dinâmicas que uso nos meus encontros com o outro, destinadas a criar grupo, comunicação e criatividade. Ao longo desta oficina descontraída vamos mover o corpo daqui para ali, tocar, cooperar, agarrar, dizer e expressar tudo em conjunto. Sentir o efeito das palavras no nosso movimento e ficar a conhecer melhor o nosso vizinho. Venham leves. Convidamos gerações distintas para este encontro. Pessoas diferentes numa oficina inclusiva. Reencontramos caras e fazemos novos amigos depois de um retorno do privado a que fomos obrigados pela lógica dos tempos. Ora, vamos lá acenar ao futuro.

Saber mais AQUI e também AQUI

Uma parceria com o projeto Somos Comunidade

#Laredo Associação Cultural

Outra tempestade no Museu

Por Miguel Horta

 


Folhas e minas de grafite espalhadas pelo chão do Museu. O olhar curioso de quem vista o Museu Gulbenkian, desviando por momentos os olhos das obras expostas para observar aqueles artistas improváveis criando sobre o tabuado do chão. Assim vai decorrendo a visita desenhada “A Tempestade” dedicada ao público com doença mental. Desta vez tivemos a participação de “velhos amigos”, os utentes do Pisão (Alcabideche). Duas peças da coleção do fundador chamam a nossa atenção na galeria, onde pontuam retratos contemporâneos de Turner o autor eleito para esta oficina; Quillebeuf (Foz do Sena)e Naufrágio de um cargueiro. A primeira abordagem das obras parte da experiência pessoal dos visitantes; neste caso, a declaração de “alerta amarelo” pela meteorologia, serviu de mote para a aproximação à obra. Falámos de tempestades. Um senhor Cabo-verdiano, já de uma boa idade, recordou um grande dilúvio na sua ilha (Santiago) que arrastou tudo montanha abaixo, vacas incluídas. Eu confessei que gosto bastante de relâmpagos. Fui apelando à memória de cada um.

Fonte: Museu Gulbenkian

“E quando termina a tempestade o que aparece no céu?” Aqui surge o sol, por vezes um arco íris e assim começamos a falar da obra introdutória da oficina, Quillebeuf. “Costumamos dizer gaivotas em terra, temporal no mar,mas eu não vos sei dizer se esta pintura retrata o início ou o fim de uma tempestade. Qual a vossa opinião? O temporal já foi?  Quem me consegue explicar o que estamos a ver? Surgem várias opiniões e vamos acordando a mente e os sentidos – por vezes este público aparece muito medicado e faz parte do nosso trabalho estimular o contacto com as peças da coleção. Falamos do remoinho de água luminosa que o vento ergue para o céu. “Ao longe vê-se um cais” - comenta um dos participantes - “talvez seja uma igreja...” Depois de ter conseguido um foco mais apurado, começo a falar da grande tela de William Turner, na parede oposta. Começámos a falar do quadro que “reporta” um naufrágio antes do aparecimento da fotografia; um tema muito escolhido pelos pintores da época. Neste ponto interrogo-me sempre sobre a possibilidade de aprofundar os conteúdos convocados pela peça. As características específicas do grupo que nos visita ditam sempre o grau de profundidade que utilizamos na abordagem da História de  Arte, em contexto de visita ou oficina em Museu. 

Fonte: Wikipédia
Depois,  mergulhámos na peça, primeiro num jogo de   adivinhas  visuais, para promoção da perceção: Quantos   mastros tinha o navio? Que tipo de navio seria. Neste   momento mostro uma imagem de um cargueiro Inglês da   época (também conhecidos como “navios de linha”); refiro   a  batalha de Trafalgar e o almirante Nelson. Em certos   grupos com estas características, surgem visitantes que se   interessam muito por História, o que permite fazer algumas   ligações interessantes – temos sempre que intuir no   momento até onde podemos ir... Depois continuo a   brincadeira. Quem consegue ver a única ave da pintura?   Quantos escaleres estão de volta do navio? “Ai querida! Lá   se vai o baú da nossa fortuna...” - Quem consegue ver a   arca? Seguem-se outras pequenas histórias que a pintura   possa conter - “Jonh, agarra-te a mim! Não te afogues!” .   Ainda outro tipo de desafios como: Conseguem entrever os   rochedos? Que hora do dia está representada na peça? De   que lado vem o vento? Quem já viu ondas bem grandes?   Neste ponto lanço outro desafio: vamos desenhar a tempestade; primeiro o vento, depois a ondulação e por fim, o vento. O chão do museu torna-se o nosso ateliê1. Aproveito para agradecer a colaboração ativa da Inês e da Lúcia, técnicas/animadoras do Centro Social do Pisão.


1 Nestas últimas oficinas, na fase de desenho, tenho introduzido uma proposta disruptiva quase no final da atividade - a utilização uma folha de papel circular.

Pegar pela palavra

Por Miguel Horta

 


E por onde começar?
-Pegamos pela palavra

Foi com muito gosto que aceitei, em nome da Laredo Associação Cultural, o convite para participar no projeto A Cultura sai à Rua, uma parceria da Câmara Municipal de Sintra com a Fundação Aga Khan Portugal, inscrita no Plano Municipal para o Envelhecimento Ativo, Saudável e Inclusivo, que tem como eixo prioritário o combate ao isolamento através de respostas sociais.1

Pegar pela palavra, foi assim que batizámos a nossa intervenção que parte do universo das palavras ditas para vencer a solidão criando um pequeno grupo de seniores dinâmicos em duas freguesias do Concelho de Sintra. O projeto passará por diversos lugares como Montelavar, Vale de Lobos e Tapada das Mercês, tendo apresentação pública, junto com outras propostas artísticas, em Novembro no Centro Cultural Olga Cadaval. Pretendemos com esta intervenção dar a palavra a quem muitas tem para partilhar - os mais velhos. Queremos valorizar o seu papel no seio da família e junto da comunidade. A Narração Oral será a primeira ferramenta para a aproximação das pessoas; mas também são bem vindos os provérbios, os ditos populares, as adivinhas, a poesia e as histórias vivas das freguesias.
A partilha destas palavras faz-nos sentir como parte de um todo que tem identidade e um caminho já percorrido. A nossa proposta, embora centrada nos mais velhos, pretende ir juntando outras gerações neste trabalho de comunicação e criatividade que contribuirá para o  desenvolvimento da escuta ativa, de dinâmicas colaborativas, das literacias, em encontros não formais que vão acontecer ao longo deste ano.

No dia 12 de Abril, teve lugar um primeiro encontro no edifício da Junta (União das Freguesias de Almargem do Bispo, Pêro Pinheiro e Montelavar) – e que belo encontro! Escutámos poemas, histórias locais onde não faltaram personagens marcantes, lugares de reis e mouras encantadas, anedotas do Alentejo (…). Foi uma bela conversa. Fiquei a conhecer a equipa local e os participantes, cada um com a sua individualidade criativa bem marcada. Rapidamente se constatou que faltavam ali alguns narradores locais, mais reservados e, já agora, poderíamos ter um maior equilíbrio de género? Esperamos a todo o momento a chegada de muitas outras histórias deste interior Saloio. O próximo encontro terá lugar em Vale de Lobos, estando agendado outro para Tapada das Mercês (Junta de Freguesia de Algueirão -Mem Martins). De repente lembrei-me do belo trabalho de Cristina Taquelim junto das mais velhas em Santa Vitória, da metodologia de recoleção de contos tantas vezes pacientemente explicada por António Fontinha, do recente trabalho do projeto “De Boca em Boca” ou a comovente intervenção de Jorge Serafim junto dos seniores da Mouraria de Beja – “Candeia que vai à frente ilumina duas vezes”... Por aqui vos darei conta deste caminho clareado.

1 “O projeto “A Cultura sai à Rua” surge através da candidatura Cultura para Todos, entretanto integrada na Ação 11 da operação Lisboa-06-4538-FSE-000016 - Idade Mais - Estratégia Municipal para o Envelhecimento Ativo e Saudável, cofinanciada pelo Fundo Social Europeu. O presente projeto vem contribuir para o combate/ redução da exclusão social, nomeadamente da população sénior do concelho, na medida em que visa dar mais voz aos seniores, melhorar a sua qualidade de vida e promover uma maior igualdade de oportunidades (perspetiva etária, diferentes características/perfis, diferentes territórios, nomeadamente de maioria vulnerabilidade social e económica).”



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