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BE e PDPSE: Sinergias em sintonia

2022-06-29 Colaboração biblioteca escolar PNPS

Leitura: 7 min |

No prefácio do Quadro Estratégico 2021-2027 do Programa Rede de Bibliotecas Escolares, o então Secretário de Estado Adjunto e da Educação, atualmente Ministro da Educação, concebe a  biblioteca escolar como um “órgão  vital” da escola, “nunca entendido para além do currículo, mas na certeza de que o currículo se cumpre também na biblioteca, através da biblioteca e com a biblioteca”, reconhecendo a sua centralidade na “educação e formação de todos os jovens (mesmo todos!) em dimensões que vão muito para lá do mero saber enciclopédico”(RBE, 2021, p.9), num alinhamento claro com as medidas dos Planos de Desenvolvimento Pessoal, Social e Comunitário (PDPSC), cuja finalidade é contribuir para a melhoria das aprendizagens e do bem-estar escolar de todos os alunos.

Nesse caminho ainda em processo, em muitas escolas o(a) professor(a) bibliotecário(a) integrou a equipa responsável pelo desenvolvimento das medidas, pelo que, para além de disponibilizar e otimizar os espaços da BE e os seus recursos documentais, desempenhou um papel pró-ativo na implementação das mesmas, mobilizando capacidades múltiplas e reinventando-se constantemente com vista a responder aos grandes desafios da educação de uma escola que se quer efetivamente inclusiva.

AE Raul Proença, Caldas da Rainha

No âmbito das medidas com vista ao desenvolvimento de competências de leitura, escrita e comunicação, este AE contou sempre com a colaboração da biblioteca escolar na planificação, desenvolvimento e avaliação das medidas implementadas. No Pré-Escolar e no 1.º Ciclo (1.º e 2.º anos), a medida “Começar bem para bem continuar” traça, a partir do diagnóstico de alunos com dificuldade de acesso ao “Programa de Desenvolvimento de Aptidões para a Aprendizagem”, sequências de aprendizagem da leitura em que a equipa da biblioteca escolar articulou na escolha do livro e das tarefas com a professora titular de turma, a psicóloga contratada e a EMAEI. Tais sequências implicam a leitura de textos e livros com a família, quer na escola, em momentos especiais, quer em casa, para que se verifique a promoção de uma boa relação com a leitura e com a aprendizagem.

Como exemplo destas abordagens,  encontramos as atividades A que sabe a Lua? ou Mochila Já Sei Ler. Ainda no âmbito do PNPSE, a medida “Recuperar aprendizagens promovendo a literacia” parte do princípio de que a competência leitora é fundamental para aceder ao currículo. Com a colaboração da psicóloga e das professoras titulares de turma, a equipa da biblioteca escolar identifica temas, textos e tarefas que são passíveis de ser exploradas com alunos do primeiro ciclo (3.º e 4.º anos), numa intervenção mais individualizada. O livro é o mediador do conhecimento e, muitas vezes, o trabalho da psicóloga ou da professora bibliotecária é coadjuvado por um aluno mentor mais velho, integrado no projeto Conto Contigo – Voluntários da Escola Secundária. Assim, no AE Raul Proença as medidas implementadas beneficiam do trabalho colaborativo entre todas as estruturas da escola – educadores, professores, serviços de psicologia, equipa EMAEI e equipa da BE-, decidindo os melhores caminhos para aprender e, indubitavelmente, ler muitos e diversificados livros é já meio caminho andado.

AE Atouguia da Baleia, Peniche

A medida significativamente intitulada “Contrato Para o Sucesso do Aluno”, plasmada no vídeo de apresentação,  implicou várias ações envolvendo uma estreita colaboração e articulação da psicóloga e da animadora sociocultural (ambas contratadas no âmbito do PDPSC), da equipa da BE, coordenada pela professora bibliotecária, e de toda a comunidade escolar, envolvendo até encarregados de educação e pais, dados os reconhecidos efeitos positivos do envolvimento parental na escola no desempenho e ajustamento académico dos alunos.

Foram realizadas sessões de formação para o desenvolvimento pessoal,  social e comunitário, foi implementado um programa de promoção de inteligência socioemocional numa abordagem multinível, foram desenvolvidas sessões em contexto de turma  no âmbito das seguintes temáticas/áreas de intervenção: Filosofia para crianças; Penso em mim e valorizo-ME; Eu decido, eu aprendo; Eu escuto, eu falo; A minha viagem; Exercício da mente; Ginástica da Mente; Mais Saúde, mais sucesso; Aprendo a Estudar/Métodos e hábitos de estudo. Muitas das dinâmicas envolveram a leitura de livros e resultaram em trabalhos bastante diversificados e em diferentes suportes. Face ao exposto, percebe-se que o AE de Atouguia da Baleia promoveu um conjunto de ações promotoras da saúde física e mental, de bem-estar socioemocional que, a par da necessidade de aprofundamento nos domínios da literacia, numeracia, literacia digital, garantem uma aprendizagem de qualidade e potenciam o sucesso em diferentes as áreas curriculares.

AE Marinhas do Sal, Rio Maior

A medida “Dinamização do vídeo” possibilitou um trabalho colaborativo entre a BE, o técnico informático contratado e professores de diferentes áreas curriculares/disciplinas, de que resultaram cenários de aprendizagem enriquecedores e potenciadores de aprendizagens muito significativas em diversas áreas- comunicação e linguagem (oral e escrita), leitura, literacia digital, socioemocial, como espelhado na micro-apresentação. A professora bibliotecária integra a equipa responsável pelo desenvolvimento da medida e muitas das atividades realizadas no âmbito de Domínios de Articulação Curricular (DAC), do Projeto Cidadania, da criação e dinamização  do canal Youtube, do apoio ao clube TV Marinhas, e os  demais clubes a funcionar na escola implicaram, também, um trabalho direto com a equipa da biblioteca e na biblioteca.

A nível nacional, o público-alvo preferencial das medidas desenhadas no âmbito do PDPSC foram alunos do ensino básico, no entanto os alunos do ensino profissional não foram negligenciados, conforme se depreende das medidas implementadas nas duas escolas que se seguem.

Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Cister (EPADRC),  Alcobaça

A medida “Somos EPADRC! Somos Ensino Profissional!” foi concretizada por meio da realização de encontros com pessoas inspiradoras de referência nas áreas de formação (Ex: Engenheiro João Santiago, para uma conversa com os alunos do 2.° ano do curso de Técnico Profissional de Agropecuária sobre inseminação artificial em suínos; Engenheira Dulce Alves, para uma palestra sobre apicultura em modo biológico; escritor Telmo Mendes, para falar do seu último trabalho; ex-alunos da EPADRC, agora no ensino superior, para partilharem o seu percurso…), de  projetos associados ao currículo com recurso a ferramentas multimédia e digitais e a impressoras 3D como, por exemplo, o Trabalho de Projeto do 2 TRB (Técnico Profissional de Restaurante e Bar) em CLE-Inglês sobre o  restaurante pedagógico “Sabores Epadrc”, do programa de mentoria e da iniciativa “EPADRC solidária e voluntária”. Foram desenvolvidas ações diversas de estímulo à inteligência socioemocional, ao desenvolvimento pessoal e profissional e, ainda, ao desenvolvimento de competências digitais e de comunicação.

Escola Secundária Dr. Augusto César da Silva Ferreira, Rio Maior

A medida “+ Sucesso no Ensino Profissional” (ver vídeo) possibilitou a contratação de uma Técnica de Desenvolvimento Pessoal e Social e , num trabalho de grande proximidade com as estruturas educativas e com a biblioteca escolar, deu-se novo alento ao ensino profissional, verificável na significativa melhoria dos resultados e da taxa de conclusão, bem como na redução da taxa de abandono. Durante as interrupções letivas impostas durante da pandemia, a equipa da biblioteca escolar, ainda que reduzida, continuou a disponibilizar os seus espaços, os seus recursos e serviços e geriu o empréstimo de equipamentos e de acessos à internet. A técnica contratada, com a colaboração da professora bibliotecária, acompanhou diariamente os alunos sem equipamentos, com dificuldades em acompanhar o ensino a distância, forneceu a necessária formação e interagiu com os pais/encarregados de educação, de forma a garantir o sucesso de todos. Foi implementado um plano de mentoria e tutoria para acolhimento, integração e acompanhamento de alunos com maiores dificuldades e, paulatinamente, foi criada uma verdadeira comunidade com sentimento de pertença, nascendo o boletim #ProSecundário, que já conta com 4 edições, e tendo sido organizado o “Seminário #Ensino Profissional: passado, presente e futuro na ESDACSF”. Ademais, foi atribuído à escola o selo de conformidade EQAVET e esta avançou com uma candidatura ao selo “SaudávelMente” e, ainda, à  # RecuperaçãoEmAção, com vista à criação de um Centro Tecnológico Especializado.

Em suma, é notável a abrangência das medidas implementadas (considerando o seu público-alvo, os recursos humanos envolvidos, reforçados pelos técnicos especializados contratados) e o sucesso das mesmas para o desenvolvimento de competências socioemocionais, de desenvolvimento pessoal e, ainda, para o desenvolvimento de competências de leitura e escrita e das literacias emergentes. Trabalhando juntos e melhor poderemos vir a apostar em medidas preventivas em vez de investir em medidas de remediação, que se revelam sempre menos eficazes.

 

Referências bibliográficas

RBE (2021). Bibliotecas Escolares: presentes para o futuro. Programa Rede de Bibliotecas Escolares:  Quadro estratégico: 2021-2027.RBE- Ministério da Educação. https://rbe.mec.pt/np4/?newsId=890&fileName=qe__21.27.pdf

Verdasca, J., Neves, A., Fonseca, H., Fateixa, J., João, M. J., Procópio, M., & Magro-C, T. (2022). A ação estratégica das escolas portuguesas no desenvolvimento pessoal, social e comunitário dos alunos durante a pandemia de COVID-19. ME/PNPSE. https://pnpse.min-educ.pt/estudo7

Reforçar competências de literacia com a biblioteca escolar: o projeto WEIWE(R)BE

2022-06-30 Pesquisa de informação.png

Pelo terceiro ano consecutivo, a Rede de Bibliotecas Escolares (RBE), em parceria com a Rede Académica WEIWER® – LE@D, Universidade Aberta, dinamizou o projeto WEIWE(R)BE, que tem como principal objetivo desenvolver nos alunos as competências de literacia de informação, de forma integrada, articulada e sistemática, através do trabalho colaborativo entre a biblioteca escolar e a sala de aula.

2021-2022

Em 2021-2022, integraram o projeto cinco novas escolas: Escola Secundária Alves Redol (Vila Franca de Xira), Escola Secundária Avelar Brotero (Coimbra), Escola Secundária Infanta D. Maria (Coimbra), Escola Secundária Matias Aires (Sintra) e Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro (Caldas da Rainha). Ao longo de vários meses, os professores bibliotecários (PB) destas escolas, em articulação com docentes de várias áreas curriculares, e apoiados pelos coordenadores interconcelhios para as bibliotecas escolares (CIBE), implementaram cenários concretos de aprendizagem, a partir dos quais os alunos das turmas envolvidas no projeto, com recurso a diversas fontes de informação, em particular Recursos Educacionais Abertos (REA), realizaram trabalhos de pesquisa fazendo um uso crítico e ético da informação.

O projeto teve como suporte científico-pedagógico um curso de formação, dirigido aos professores envolvidos – PB, CIBE e docentes de várias áreas curriculares –, ministrado por elementos do Gabinete Coordenador da Rede de Bibliotecas Escolares e da Rede Académica WEIWER® – LE@D, Universidade Aberta, tendo funcionado exclusivamente a distância.

A sessão de encerramento do curso teve lugar no dia 8 de junho, com a partilha de experiências de ensino e de aprendizagem no âmbito do projeto, não só pelos PB, pelos docentes com quem estes articularam e pelos CIBE, mas também pelos alunos, os verdadeiros protagonistas da sessão. A expectável e enriquecedora multiplicidade de perspetivas deixou, no entanto, transparecer algumas ideias-chave comuns aos porta-vozes das diversas turmas envolvidas, que destacaram a relevância do projeto para a melhoria dos trabalhos escolares.  

Apresentam-se, abaixo, algumas dessas perspetivas comuns, formuladas na primeira pessoa pelos porta-vozes dos alunos das respetivas escolas:

Este projeto também é facilitador na sua implementação nas turmas do Ensino Profissional, uma vez que o primeiro módulo de TIC […] consiste numa abordagem aos temas da pesquisa, direitos de autor e licenças, credibilidade da informação [entre outros].

ES Alves Redol

Aprendemos que temos de atribuir direitos de autor, fazendo citações, quer quando parafraseamos, quer quando transcrevemos as palavras dos autores consultados. Contudo, foi também uma experiência que nos trouxe algum desassossego, principalmente pelo desconhecimento que tínhamos das licenças Creative Commons e do uso da Wikipédia de forma informada e crítica.

ES Avelar Brotero

Aplicámos a estratégia KWL, o que nos orientou na busca de informação e, mais tarde, aprendemos também algumas técnicas para refinar a pesquisa. […]  Aquando da seleção de fontes de informação, aplicámos o teste CRAAP, o que estimulou o nosso sentido crítico […]; referenciar fontes consultadas de acordo com a norma internacional APA foi algo importante que aprendemos a fazer.

ES Infanta D. Maria

Achamos que vamos encontrar esta metodologia de trabalho ou equivalente no nosso percurso académico. [...] Tínhamos de [marcar a página] para fazer as citações, para respeitar os direitos de autor, [indicando] quem é que era o respetivo dono.                             

            ES Matias Aires

 [Este projeto] alertou-nos para adquirir mais informação da forma correta nos nossos trabalhos futuros, quer no nosso ensino secundário, quer num futuro menos próximo nas nossas vidas profissionais. Ajudou a expandir horizontes, mudar perspetivas e a [perceber] aquele que será o nosso caminho daqui para a frente.                                                  

        ES Rafael Bordalo Pinheiro

Face a um balanço expressivamente positivo, todas as escolas manifestaram a sua intenção de dar continuidade ao projeto no próximo ano letivo, alargando-o a mais turmas e/ou a mais anos de escolaridade, o que as tornará elegíveis a receberem o Selo WEIWE(R)BE.

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Selo WEIWE(R)BE 2021-2022

No presente ano letivo, e porque continuaram a apostar na regularidade dos processos e metodologias subjacentes ao projeto para além do primeiro ano de implementação, foram distinguidas seis escolas com o Selo WEIWE(R)BE 2021-2022: Escola Básica e Secundária Amélia Rey Colaço (Oeiras); Escola Básica e Secundária de Penacova; Escola Básica e Secundária Gama Barros (Sintra); Escola Secundária Braamcamp Freire (Odivelas); Escola Secundária Damião de Goes (Alenquer); Escola Secundária da Ramada (Odivelas).

Também no dia 8 de junho, teve lugar a sessão para atribuição simbólica da versão digital do selo a estas escolas, representadas pelos professores bibliotecários, que deram o seu testemunho sobre o trabalho de continuidade que promoveram no âmbito deste projeto. Nas várias intervenções, foi notório o reconhecimento da necessidade de criar situações de aprendizagem que envolvam os alunos, de forma ativa, na aquisição e no desenvolvimento de competências de literacia, com enfoque na literacia de informação, que devem ser trabalhadas logo nos primeiros anos de escolaridade.

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Concluída a edição deste ano, todos os intervenientes são unânimes em considerar que esta é uma área prioritária para a ação a desenvolver pelas bibliotecas escolares, pelo que se afigura de máxima importância a consolidação deste trabalho, a realizar em estreita articulação com a sala de aula.

 

Veja também:

Quando a estratégia para a literacia da informação implica um trabalho continuado – a experiência com o projeto WEIWE(R)BE 

As gralhas - Um pequeno jornal feito a muitas vozes

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Leitura: 3 min |

Com o propósito de sensibilizar a comunidade educativa para a importância de capacitar os alunos para serem leitores e agentes críticos de informação e comunicação, a biblioteca da Escola Básica de Odiáxere (AE Gil Eanes, Lagos), em articulação com todos os docentes do 1º ciclo, promove, desde 2015, um jornal digital intitulado “As gralhas”.

Este projeto coletivo destina-se a estimular o gosto pela escrita, a ativar o olhar analítico e o espírito crítico dos alunos mais jovens, a valorizar a sua criatividade e a motivá-los para a expressão dos seus pensamentos e sentimentos.

Virtudes d’ As gralhas

Desde o seu início que o jornal tem vindo a cumprir um papel educativo absolutamente insubstituível na escola. O rol de virtualidades é extenso, já que ele:

- responde ao desejo de empoderar os alunos mais jovens para a ação, incentivando-os a “exprimir livremente a sua opinião” e a relatar o seu dia-a-dia; 

- é aproveitado para melhorar a aprendizagem de determinadas matérias disciplinares e para promover valores como a cooperação ou a solidariedade; 

- incentiva a articulação curricular, entre a BE e todos os docentes;

- fomenta o intercâmbio de informação com pais e com a comunidade envolvente;

- estimula um olhar mais atento e mais crítico dos alunos, colocando à sua reflexão múltiplas questões associadas aos media (que informação vai ser selecionada para incluir no jornal? como é que o autor vai apresentar a informação? como se distingue a boa da má informação? ; etc.)

Um jornal com personalidade

Esta aventura, ao fornecer uma oportunidade de participação a todos os alunos (do 1º ao 4º ano), confere ao jornal uma certa singularidade. O seu formato, o seu estilo, os seus títulos ou as suas fotos e ilustrações: tudo é diferente. Um jornal que não faz malabarismos com fontes (monotonia ou muita diversidade) e não opta por usar o mesmo "tom", o mesmo estilo, na apresentação, no título, no conteúdo. Cada título, cada página tem a sua própria personalidade, unidade de tom e coerência, de acordo com a importância que lhe é atribuída pelo autor. 

Se existir uma letra invertida, uma palavra trocada ou uma ilustração, que, por lapso, ficou assimétrica na página, isso não impede o aluno de “tagarelar” sobre o que lhe interessa, sobre os livros que lê, sobre as coisas que faz no dia-a-dia. É assim que ele ocupa o lugar de produtor de informação na escola, reivindicando o direito de fazer perguntas, de procurar respostas e de divulgar o que realmente pensa sobre o que faz, o que realmente sente sobre o que lhe interessa, o que gosta, desafia ou intriga.

Em síntese, trata-se de um projeto que fomenta a livre aprendizagem e potencia nos alunos competências relacionadas, genericamente, com a cognição, a formação de atitudes, a defesa de valores, a cooperação e a cidadania crítica. 

Desta forma, tem sido possível à biblioteca conciliar o desenvolvimento da escrita, da leitura, da literacia dos media; assim como o respeito pela diferença, pela tolerância; o interesse pelos assuntos da escola e da comunidade; o trabalho em equipa; a responsabilidade, a autonomia e o reforço da autoestima.

É assim, de gralha em gralha, que os alunos vão conhecendo melhor a engrenagem mediática, aprofundando a composição escrita e adquirindo o gosto  por palavras, sinais, imagens e informação.

Veja também

Blogue- https://bibliotecasdogil.wixsite.com/asgralhas

Arquivo: http://www.wikijornal.com/asgralhas/

Literacias

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Leitura: 3 min |

Literacias é uma disciplina de Oferta Complementar, obrigatória para todos os alunos dos 2.º e 3.º ciclos da Escola Básica e Secundária Pintor José de Brito, Santa Marta de Portuzelo, Viana do Castelo, desde 2011/2012. Semanalmente, os alunos contam com 45 minutos no seu horário, dedicados a esta disciplina, lecionada pelos docentes de Oferta Complementar e, em momentos previamente planificados, simultaneamente pela professora bibliotecária, em situações de coensino.

A partir de situações de aprendizagem que se pretendem aprofundar numa determinada disciplina, os docentes de Oferta Complementar (que lecionam também as diferentes disciplinas), em articulação com a professora bibliotecária, planificam o trabalho a realizar, identificam as competências a desenvolver e a forma como o processo e os produtos criados irão ser avaliados.

Na biblioteca ou em sala de aula, os alunos, normalmente organizados em grupos, realizam aprendizagens relacionadas com os conteúdos programáticos da disciplina envolvida e desenvolvem, em contexto, competências de informação: pesquisam em livros, revistas e/ou na Internet, aprendem a avaliar as fontes, a utilizar um guião de pesquisa de informação, a organizar a informação de forma clara e rigorosa, a fazer referências bibliográficas e a comunicar, utilizando diferentes recursos e estratégias.

A avaliação do processo e dos produtos criados é realizada também, em simultâneo, pelo professor de Oferta Complementar e pela professora bibliotecária. Além dos saberes inerentes às disciplinas envolvidas, são também avaliados conhecimentos, capacidades e atitudes que se materializam em competências transversais, na área da linguagem, da informação e comunicação, do raciocínio e resolução de problemas, do pensamento crítico e criativo, do relacionamento interpessoal, do desenvolvimento pessoal e autonomia dos alunos.

A criação desta disciplina surgiu na sequência do diagnóstico realizado, aquando da elaboração do Projeto Educativo, em 2010/2011, que dava conta das fragilidades dos alunos ao serem confrontados com a necessidade de procurar informação fiável, de fazer o tratamento dos dados recolhidos com rigor e de comunicar as aprendizagens realizadas com clareza. Aproveitando o lançamento do referencial «Aprender com a Biblioteca Escolar», por parte da Rede de Bibliotecas Escolares, e o desafio para o aplicar, enquanto escola piloto, a Escola Básica e Secundária Pintor José Brito deu início a uma experiência de trabalho que dura há uma década e se tem vindo a adaptar à realidade educativa do agrupamento, ano após ano.

Além da melhoria de desempenho verificada nas apresentações de trabalhos, por parte dos alunos, e do aumento de requisição de documentos para a sala de aula, o impacto desta iniciativa verifica-se também ao nível das relações de trabalho entre os docentes. As orientações sobre a flexibilização curricular não encontraram grande resistência neste agrupamento, uma vez que os docentes há muito tempo que trabalham numa lógica de articulação e transversalidade.

O desenvolvimento de competências na área da informação e da comunicação continuam o cerne das linhas programáticas desta disciplina, um espaço ideal para a concretização do trabalho que se pretende realizar com a biblioteca escolar.

Ver também o vídeo: https://www.rbe.mec.pt/np4/228.html

 

Leitura partilhada

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Leitura: 5 min | 

No contexto de mudança e incerteza quanto ao futuro e de aumento significativo dos problemas de saúde mental, Atlanta Meyer, Presidenta da Secção de Leitura e Literacia da International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA) afirma que a “Seção de Leitura e Literacia está atualmente a concentrar-se na Leitura para o Bem-Estar. Este assunto tem sido o nosso foco principal nos últimos dois anos e atualmente estamos a planear iniciativas e programas em torno de Biblioterapia, Leitura Partilhada, Leitura Consciente e Contar Histórias”.

Neste contexto, propomos-lhe sugestões sobre como orientar a discussão em grupo de um livro lido por todos os participantes, bem como iniciar cada sessão ou resolver questões práticas.

Discussão sobre o livro: diretrizes & questões

Segundo Diretrizes para Discussão do Livro da Cooperative Children’s Book Center (CCBC) [1], é importante que “Olhe para cada livro pelo que é, ao invés do que não é” e, por isso, o diálogo deve iniciar-se com comentários positivos sobre o que gostou no livro e porquê. Exemplo: A fábula de Esopo, O menino, o velho e o burro mostra que devemos pensar e decidir por nós próprios, sem ter em conta as opiniões dos outros.  

Só depois de todos, sem exceção, dizerem o que gostaram no livro se deve falar de dificuldades que os leitores tiveram com aspetos específicos do livro. A CCBC sugere que apresentemos as dificuldades sob a forma de pergunta, em vez de juízo crítico. Exemplo: Porque é que o autor colombiano, Gabriel García Márquez, no romance O Amor nos Tempos de Cólera usa palavras semelhantes para descrever os efeitos do amor e da cólera? 

Recomenda ainda que não se faça o resumo do livro e que se tente comparar o livro com outros livros da lista de discussão para incentivar leituras e encontros futuros.

Relativamente à dinâmica de intervenções, é importante advertir que na discussão não há respostas certas, que todos os cometários são importantes para dar vida e aprofundar o significado do texto e desenvolver uma perspetiva crítica. É fundamental que todos partilhem o seu ponto de vista com todos respondendo, sempre que oportuno, aos comentários, de modo a que conversem uns com os outros sobre o livro, criando laços de pertença e sentido de comunidade.

Library Booklists [2] disponibiliza recursos para grupos de leitura - por exemplo: conselhos sobre como começar um grupo, listas temáticas de livros em inglês para diferentes públicos e calendário de aniversário de autores – e, com base neles, propomos-lhe que crie um guião específico para o livro ou, em alternativa, que dê início a tópicos gerais que possam constituir ponto de partida para a livre expressão dos pontos de vista de cada um a propósito do livro: 

- O que gostaram e porquê; 

- Capa e títulos dos capítulos: que pistas lançam, há algo que não faça sentido; 

- Excertos marcantes: seu significado e experiência pessoal semelhante;

- Protagonista: identifica-se com os seus valores e atuação;

- Personagem menor: que papel desempenha na narrativa;

- Final: é o esperado, que sugestão para final alternativo. 

Quebra-gelo

Cada sessão de leitura pode iniciar-se - ou terminar - com momento descontraído que suscite aproximação entre os participantes e melhor conhecimento do livro. Exemplo de jogos:

- Colocar num cesto perguntas genéricas, cada leitor tira uma e responde de imediato: Qual é o livro da sua vida? Que personagem literário é mais parecido consigo? Com que escritor gostaria de ir jantar? 

- Se a história do livro decorre no passado, cada leitor descreve um personagem como se a história ocorresse na atualidade (características físicas e psicológicas, local onde habita, familiares e amigos, música e comida preferidas, ocupação…); 

- Sugerir elenco da transposição do livro para filme;

- Cada leitor escreve uma pergunta sobre o livro numa tira de papel, dobra-a e coloca-a num frasco, cada um responde a uma pergunta e ganha o que tiver mais respostas corretas – também pode ser jogado entre 2 equipas e em suporte digital com questões de escolha múltipla (Kahoot). 

Como iniciar um grupo de discussão 

A America Library Association [3] dispõe de questionário e sugestões que lhe permitem planear e estruturar a atividade e resolver situações difíceis, como por exemplo: Quem não leu o livro pode participar? Todos devem ter o mesmo tempo para falar?

Grupos de leitura 

O Plano Nacional de Leitura tem uma página sobre Grupos de Leitura, na qual dá exemplos de clubes nas escolas e em organizações que se reúnem presencialmente e à distância - clubes virtuais de leitura - bem como exemplos de boas práticas e propostas de leitura para todas as idades. 

O importante agora é começar, na escola ou comunidade, pois uma experiência de leitura partilhada é importante, pois pode constituir uma oportunidade de:

- Através do convívio social, conhecer, escutar e aprender a lidar com outras pessoas que têm ideias e experiências de vida diferentes;

- A partir de um livro, descobrir e partilhar sentimentos, inquietações e reflexões;

- (Re)descobrir o gosto por ler, atividade que faz bem à saúde, para além de ter inegáveis benefícios cognitivos, económicos e sociais. 

 

Referências 

1. Kruse, G. & Horning, K. (1989). CCBC Book Discussion Guidelines. USA: Cooperative Children’s Book Center. https://ccbc.education.wisc.edu/literature-resources/ccbc-book-discussions/ccbc-book-discussion-guidelines/

2. Library Booklists. (1996). Resources for Reading Groups. S.l.: LB. https://librarybooklists.org/readinggroups/index.htm

3. America Library Association. Book Discussion Groups. USA: ALA. https://libguides.ala.org/bookdiscussiongroups/startguide

4. Fonte da imagem: Chiagano, F. (2019, 1 Sep.). Unsplash. Kyoto, Japan. https://unsplash.com/photos/rDwIXsgb2LY

Disciplina de Projeto

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Leitura: 1 min

No Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano de Santarém, como oferta complementar no 4.º ano, temos a Disciplina de Projeto onde se pretende que os alunos se apropriem de métodos de trabalho, de pesquisa e de investigação, utilizando o modelo de pesquisa BIG6. A metodologia de projeto implementada nas turmas do 4.º ano há dois anos, foi integrada este ano letivo no PADDE deste Agrupamento e alargada às turmas dos 5.º e 7.º anos. É seguindo as seis etapas do modelo de pesquisa BIG6 que os alunos são orientados na investigação de um tema. Em relação ao 4.º ano, a temática abordada foi o património de Santarém. 

O processo é iniciado com o anúncio, pelo professor, do tema, da data-limite da entrega do trabalho e qual o público-alvo da apresentação do mesmo. Em seguida, dado o tema ser muito alargado, os alunos escolhem um subtema, identificam o que já sabem e questionam-se sobre o que não sabem, construindo várias perguntas que constituem as linhas orientadoras de todo o trabalho de pesquisa.

Posteriormente, identificam, para cada pergunta, as possíveis fontes de pesquisa para recolherem a informação.

Segue-se a pesquisa in loco, em livros e em páginas Web. Na fase da pesquisa os alunos conhecem as regras básicas para uma maior eficácia a pesquisar na Internet, aprendem a reconhecer páginas Web de confiança, assim como a fazerem referências bibliográficas de livros e de páginas Web.

Seguidamente, há o registo da informação que dá resposta às perguntas feitas inicialmente. 

A etapa seguinte é a escolha da forma mais adequada de apresentar o trabalho ao público-alvo. Escolhida a forma de apresentação, constroem-se os artefactos.

Por fim, há a avaliação do processo e do produto. Finalizada a avaliação, é organizado o evento de apresentação do trabalho de pesquisa.

Todo o trabalho que se vai realizando nas aulas é partilhado num portefólio digital usando o Sway, uma aplicação do Office (https://sway.office.com/JtqxHwDVpESUbAgp?ref=Link / https://sway.office.com/rHrW7PvnfPvyAudp?ref=Link).

A ligação do Sway é partilhada com os encarregados de educação que, assim, seguem passo a passo a metodologia de trabalho e ficam com o registo das informações transmitidas nas aulas, podendo posteriormente acompanhar os seus educandos em trabalhos futuros.

Palmo e meio de Leituras

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Leitura: 2 min | 

No passado dia 27 de maio teve lugar a final do "Palmo e Meio de Leituras" - Concurso de Leitura do 1.º Ciclo do Concelho de Peniche, uma atividade dinamizada no âmbito do trabalho conjunto desenvolvido pelas Bibliotecas Escolares dos três Agrupamentos de Escolas do concelho, da Biblioteca da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM) e da Biblioteca Municipal de Peniche, e que já conta com 12 edições.

A iniciativa surgiu da aposta clara do grupo de trabalho concelhio em fomentar o gosto pela leitura e em desenvolver a competência leitora dos “leitores de palmo e meio”. Assim, exclusivamente dirigido aos alunos 1º Ciclo do Município de Peniche, este projeto concretiza-se por meio de três fases: a primeira decorre ao nível de escola, no segundo período; a segunda ao nível de agrupamento (Agrupamento de Escolas de Peniche, Agrupamento de Escolas D. Luís de Ataíde e Agrupamento de Escolas de Atouguia da Baleia), no início do terceiro período; a terceira ao nível do município, numa grande festa que ocorre sempre para fechar o mês de maio com “chave de ouro”.

A edição deste ano promoveu a leitura de textos poéticos de vários autores da literatura nacional, dadas as potencialidades do modo lírico para facilitar a aprendizagem da escrita e da leitura, bem como o aperfeiçoamento da oralidade, mas também pelo seu valor intrínseco. Assim, durante o serão, aos 36 alunos finalistas (3 de cada agrupamento, num total de 9 por ano de escolaridade) foi proposta a leitura de textos poéticos de qualidade com um grau de dificuldade e de beleza crescentes, proporcionando um agradável e emocionante sarau sui generis a todos os presentes.

Depois de duas edições em formato online, a final do concurso retomou o formato presencial e decorreu no auditório da ESTM, voltando este a encher para celebrar a leitura, reunindo alunos, professores, familiares, amigos, representantes dos Agrupamentos e do Município, da ESTM e da Rede de Bibliotecas Escolares (RBE). À poesia juntou-se a música e o sarau foi abrilhantado pela TUNA do Agrupamento de Escolas de Atouguia da Baleia, que agraciou a plateia com interpretações de temas criteriosamente selecionados para a ocasião.

Para o ano, o grupo de trabalho concelhio continuará a celebrar os livros e a leitura ao longo de todo o ano… mas a última sexta-feira do mês de maio de 2023 já está reservada para a próxima final do concurso "Palmo e Meio de Leituras".

Mentoria A++

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Leitura: 5 min |

A Resolução do Conselho de Ministros n.º 53-D/2020, 20 de julho no âmbito do Plano de Desenvolvimento Pessoal, Social e Comunitário (PDPSC) estimulou o AE de Santa Comba Dão  a criar o Programa Mentoria A++, robustecendo as medidas para que apontava o Plano Nacional de Promoção do Sucesso Escolar (PNPSE), promovendo-se  ao longo do presente ano letivo o estímulo  e reforço do Relacionamento Interpessoal e a Cooperação entre Alunos.

Deste programa de Mentoria A++, que conta com o envolvimento das Bibliotecas do Agrupamento, destacam-se duas das medidas: Medida 1 Apoiar a Aprender (alunos do 3º Ciclo e Ensino Secundário) e Medida 2 Aprender a Aprender” (alunos do 2º Ciclo).

Apoiar e Aprender

De alunos para alunos, esta medida pressupõe diversas etapas, desde a formação dos mentores (cf com planos de atividades), até à criação de recursos de apoio, pela biblioteca, para serem usados em contexto das sessões de encontro/ trabalho dos pares. Esta ação decorre da articulação entre a Técnica de Educação Especial e Reabilitação e a Professora Bibliotecária e implica, para além do processo de planificação, todo o acompanhamento aos mentorandos.

Todas as semanas, preferencialmente no espaço da biblioteca escolar, os alunos mentores apoiam os seus pares, designadamente no desenvolvimento das aprendizagens, esclarecimento de dúvidas, integração escolar, preparação para os momentos de avaliação e em outras atividades conducentes à melhoria dos resultados escolares.

Assume-se esta medida como uma iniciativa articulada de promoção do sucesso académico, prevenção do abandono escolar e desenvolvimento de competências socioemocionais, complementando, neste domínio, todas as restantes medidas do Agrupamento.

Como referido, as sessões decorrem frequentemente na biblioteca escolar, privilegiando a envolvência, os estímulos e recursos existentes e/ou disponibilizados (devidamente validados), impulsionadores da criação de ambientes de aprendizagem favoráveis ao desenvolvimento da criatividade e à promoção da liberdade de expressão. O processo de monitorização é feito pela equipa.

Aprender a Aprender

Dirigida ao 2º CEB, esta medida depende exclusivamente da equipa do Programa, que assume o papel de “Mentor”. Esta equipa é constituída pela Técnica de Educação Especial e Reabilitação e pela Professora Bibliotecária. Semanalmente, em horário estabelecido e num processo pedagógico sequencial, são implementadas com os alunos dinâmicas que implicam o treino da leitura e de competências de acesso, interpretação, síntese e uso da informação em momentos de produção escrita em suporte físico ou digital.

Paralelamente às ações supramencionadas, desenvolve-se um programa formativo para docentes, não docentes e pais e encarregados de educação. Articulando planos e integradas no plano de atividades da biblioteca, realizam-se ações que procuram dotar os docentes de ferramentas que contribuam para a criação de situações de aprendizagem promotoras do sucesso educativo e simultaneamente enriqueçam o portfólio das competências de leitura e escrita dos alunos. Com o propósito de fornecer estratégias e medidas que possam implementar junto dos alunos e dos educandos, também se privilegiam ações de sensibilização a pais e encarregados de educação e pessoal não docente. Estas ações de formação fomentam ainda a partilha de conhecimento e de experiências, tendo ainda como propósito o enriquecimento das áreas curriculares e do desenvolvimento pessoal, social e comunitário (ver sítio deste programa).

 Mais informação nos canais da Escola / Biblioteca Escolar:

VivenciArte: um projeto com artes

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Este projeto, desenvolvido em parceria entre as quatro salas do Jardim de Infância (JI) e a biblioteca escolar (BE), vai ao encontro do tema atual do JI da Venda do Pinheiro, VivenciArte, iniciado já no passado ano letivo.

As leituras e atividades dinamizadas semanalmente pela BE, feitas a partir de livros relacionados com o domínio da arte, são o mote para desafios lançados às educadoras e crianças. Como repositório de atividades e materiais usados, a BE criou uma apresentação digital interativa, na qual vão sendo registados alguns dos momentos de exploração artística em várias modalidades. A par das técnicas de expressão plástica experimentadas, aí se encontram também recursos como curtas de animação, música e divulgação de pintores e museus.

Entendendo que a arte não é um complemento educativo, mas antes faz parte de uma educação integral do ser humano, a exploração deste domínio, no ensino pré-escolar, constitui uma forma de promover o sentido estético e crítico, a curiosidade, a expressão individual da criança na descoberta de si mesma, do(s) outro(s) e do mundo, potenciando o seu desenvolvimento em várias áreas do saber.

VivenciArte espelha, assim, o processo colaborativo deste ano, com destaque para as criações das crianças, orientadas pelas educadoras Eugénia Assunção, Mariana Ferreira, Sara Janeiro e Susana Rocha (também coordenadora do estabelecimento). Além dos trabalhos realizados em sala, esta ferramenta digital dá ainda conta dos que foram feitos com a participação das famílias.

O site está em construção até ao final do ano letivo, e este será o nosso museu virtual, para podermos mostrar e recordar o que fomos fazendo em conjunto sob a influência inspiradora da(s) arte(s).

A entrada é livre - façam favor de entrar

Rosário Anselmo (professora bibliotecária)

Susana Rocha (coordenadora do JI da Venda do Pinheiro)

 

Referências

Fonte da imagem: Biblioteca Escolar e Jardim de Infância da EB1/ JI da Venda do Pinheiro. (2020). Vivenciarte: um projeto com artes. Venda do Pinheiro: Biblioteca Escolar e Jardim de Infância da EB1/ JI do Agrupamento de Escolas Venda do Pinheiro.  https://view.genial.ly/61a555d6b2876c0e0a0712cb/presentation-vivenciarte

Mental Health Europe: É tempo de falarmos…

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Maio é mês de saúde mental há mais de sete décadas, tendo sido o primeiro anúncio feito em 1949 pela ONG centenária e sem fins lucrativos, Mental Health America. A celebração tem recebido crescente interesse por formuladores de políticas e sociedade civil, particularmente no Reino Unido, onde há um ministério da solidão, atualmente presidido por Baronesa Barran, que trabalha para diminuir o preconceito à volta do tema, incentivar a procura de ajuda e a incorporação da solidão ou relações sociais nas políticas públicas e promover a realização de estudos que aprofundem a sua compreensão e combate eficaz [1].

A Semana de Conscientização da Saúde Mental realizou-se em maio em diferentes datas consoante país e organização responsável. Por exemplo, no Reino Unido a Mental Health Foundation comemora-a na terceira semana há mais de 20 anos e em 2022 criou uma publicação com 10 dicas para cuidar da saúde mental [2]:

1. Fale sobre os seus sentimentos;

2. Mantenha-se ativo;

3. Coma bem;

4. Beba com moderação;

5. Mantenha contato com pessoas;

6. Peça ajuda;

7. Faça uma pausa;

8. Faça algo em que seja bom;

9. Aceite quem você é;

10. Cuide dos outros.

Na Europa esta semana foi criada e posta em prática, pelo terceiro ano consecutivo, pela Mental Health Europe. Este ano realizou-se entre 9 a 13 de maio, subordinou-se ao tema “Fale pela Saúde Mental” - #SpeakUpForMentalHealth #EuropeanMentalHealthWeek – e destacou a saúde mental dos jovens como desafio central da sociedade, disponibilizando materiais editáveis para cidadãos e instituições se fazerem ouvir nas suas comunidades [3].

Porquê destacar a saúde mental dos jovens?

Em Portugal, o estudo publicado a 27 de maio pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, Um Novo Normal? Impactos e Lições de Dois Anos de Pandemia em Portugal, conclui que, de todos os grupos etários avaliados, os jovens são os que têm “menor sentimento de bem-estar, menor satisfação com a vida e mais níveis de depressão, ansiedade e stresse” e, no geral, pior qualidade de relações pessoais e menor satisfação com a vida. Na pandemia “um em cada dez jovens refere que passou a consumir calmantes, tranquilizantes ou outros fármacos com efeito psicotrópico”. Para responder a esta situação os “investigadores apontam ausência de medidas governamentais” e, no entanto, os jovens “devem ser encarados como um grupo de risco no futuro”. O estudo revela ainda que “são os jovens que apresentam menores índices de confiança no governo e na ciência” o que poderá ter implicações nas políticas públicas e democracia.

No relatório do Fórum Europeu da Juventude 2021 [4] baseado num inquérito a 4500 jovens europeus, concluiu-se:

Quase dois terços dos jovens podem ser afetados por questões de saúde mental e bem-estar na pandemia. Saúde mental e bem-estar das jovens mulheres era pior do que o dos homens jovens. Jovens em situações marginalizadas são também mais afetados. Fatores que afetam saúde mental foram, sentimento de solidão, incerteza sobre o trabalho ou a escola, infelicidade com mudanças no trabalho, educação ou circunstâncias de vida, ansiedade geral relacionada com pandemia” e decisores de políticas não apresentam respostas eficazes para o problema.

O Atlas de Saúde Mental 2020 da Organização Mundial de Saúde afirma que apenas 25% dos países-membros integram a saúde mental nos seus sistemas universais de saúde, deixando a maioria dos doentes sem tratamento, não obstante os encargos económicos destas doenças corresponder em média a 4% do PIB. Aqueles que são tratados são ainda muitas vezes alvo de discriminação e preconceito e de maior violação de direitos humanos.

Na página reservada à Saúde Mental, a OMS refere que em 2019 o suicídio era a quarta principal causa de morte de jovens entre 15 a 29 anos. 

Segundo a revista britânica The Lancet, a pandemia aumentou drasticamente o número: mais 53,2 milhões de casos de transtorno depressivo e mais 76,2 milhões de casos de transtornos de ansiedade no mundo, sendo mulheres e jovens os mais afetados [5].

E ainda não conhecemos os efeitos da guerra desencadeada pela Rússia contra a Ucrânia, que provavelmente aumentará a gravidade do problema.

Porque é que é vital falarmos de doença mental na biblioteca escolar?

1. Porque a saúde mental deve ser trabalhada em todos os setores, inclusive na educação porque não é apenas o tratamento especializado que contribui para a sua diminuição da doença, mas também aspetos sociais e económicos, como educação, trabalho, habitação. Neste contexto a Organização Mundial de Saúde reconhece que as metas da saúde e bem-estar – ODS 3: “Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades” - podem ser alcançadas através de outros objetivos para o desenvolvimento sustentável.

2. Porque a biblioteca escolar é um espaço seguro, de inteira liberdade - sem preconceito - e que pode disponibilizar recursos, atividades e contactos para falar de sentimentos, abordar temas difíceis e pedir ajuda. Em maio de 2022 uma das iniciativas da britânica Mental Health Foundation foram histórias de solidão que podem ser desenvolvidas com a biblioteca [6].

A prevenção da doença e a construção de sociedades saudáveis e resilientes exige que este seja um tema fundamental da leitura, conforme recomenda a IFLA em 2022.

Deixamos excerto da mensagem de Kehlani, jovem compositora e cantora de R&B e Hip Hop, da música Bright:

“Você é o que escolhe ser

Isso não cabe a mais ninguém

Portanto, seja grande, seja amável consigo

Não os deixe diminuir a sua luz

Porque um ser humano como um sol deve permanecer sempre brilhante”.

 

Referências

1. House of Commons Library. (2022, 9 May). Mental Health Awareness Week 2022: Loneliness. UK Parliament. https://commonslibrary.parliament.uk/mental-health-awareness-week-2022-loneliness/

2. Mental Health Foundation. (2022). How to look after your mental health. UK: MHF. https://www.mentalhealth.org.uk/publications/how-to-mental-health

3. Mental Health Europe. (2022). European Mental Health Week [vídeo]. Europe: MHE. https://www.mhe-sme.org/emhw/

4. Moxon, D., Bacalso, C., Șerban, A., Ciuciu, A. & Duncan, V. (2021, 17 Jun.). Beyond Lockdown: the ‘pandemic scar’ on young people - The social, economic and mental health impact of COVID-19 on young people in Europe. Brussels: European Youth Forum. https://www.youthforum.org/files/European20Youth20Forum20Report20v1.2.pdf

5. The Lancet. (2021, 8 Oct.). Global prevalence and burden of depressive and anxiety disorders in 204 countries and territories in 2020 due to the COVID-19 pandemic. UK. Elsevier. https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(21)02143-7/fulltext

6. Mental Health Foundation. (2022). Stories of loneliness. Europe: MHE. https://www.mentalhealth.org.uk/campaigns/mental-health-awareness-week/stories-of-loneliness

7. Fonte da imagem: Mental Health Europe. (2022). European Mental Health Week 2022: Speak up for mental health [vídeo]. Europe: MHE. https://www.youtube.com/watch?v=biIrCejdwm0

ONU: Conferência dos Oceanos 2022 – Lisboa

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Atualmente há consciência pública de que a ação humana tem efeitos destrutivos nos mares, oceanos e recursos marinhos devido à poluição plástica, pesca ilegal, aquecimento, acidificação e perda de oxigénio por emissões de dióxido de carbono e gases de efeitos de estufa.

Para alcançar o ODS 14, “Conservar e usar de forma sustentável os oceanos, mares e os recursos marinhos”, são necessárias abordagens mais ambiciosas e inovadoras baseadas em dados da ciência [1].

Portugal acolhe pela primeira vez a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, aprovada pela Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas n.º 73/292, de maio de 2019. Vai realizar-se em Lisboa, entre 27 de junho e 1 de julho de 2022, tem por tema Reforçar a ação dos oceanos com base na ciência e na inovação para a implementação do ODS14: avaliação, parcerias e soluções e visa discutir desafios, oportunidades e parcerias.

Esta Segunda Conferência dos Oceanos – a primeira realizou-se em 2017 - é organizada pelos governos de Portugal e Quénia e visa mobilizar a ação global para conservar e utilizar, de forma sustentável, mares, oceanos e recursos marinhos.

Dada a situação de emergência global que vivemos, seria fundamental que este encontro de especialistas, o maior realizado, se focasse nas prioridades e medidas a implementar por todos os países, designadamente os que têm uma ação mais destrutiva. O Dia Mundial dos Oceanos destaca esta necessidade de todos contribuirmos.

 

Salvar o Oceano, Proteger o Futuro – Vídeo [2]

A saúde e bem-estar humano e do planeta depende da saúde dos oceanos:

- Cobrem mais de dois terços da superfície da Terra e contêm 97% da água do planeta;

- Absorvem mais de 90% do excesso de calor do sistema terrestre, fornecem água e oxigénio;

- Contribuem para erradicação da pobreza e geram emprego a cerca de três bilhões de pessoas;

- Constituem reservatório essencial de vida na terra;

- São elemento central da história, cultura e identidade pessoal e coletiva - lembramos a poetisa Sophia de Mello Breyner: “Quando eu morrer voltarei para buscar/ os instantes que não vivi junto do mar” [3].

Para Portugal os oceanos são uma área estratégica, não só por razões de conservação e conhecimento, mas também por razões económicas e de governação, pois o país tem um território de mar exclusivo (Zona Económica Exclusiva), o Atlântico Nordeste, que é o terceiro maior da União Europeia - a maior parte do território nacional encontra-se submerso – e no qual circula mais de metade do comércio externo da UE e abundam uma diversidade de ecossistemas e recursos do novo paradigma energético, como sol e vento [4].

 

Referências

1. United Nations. (2015). Oceans and Seas. NY: UN. https://sdgs.un.org/topics/oceans-and-seas

2. Nações Unidas. (2022, 8 mar.). “Salvar o Oceano, Proteger o Futuro”. EUA: ONU, in: Direção-Geral de Política do Mar. (2022, 8 mar.). Vídeo da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, em Lisboa. Lisboa: DGPM. https://www.youtube.com/watch?v=lMTJ3rlMCa4

Notícias:

- Sessão de lançamento: República Portuguesa. (2022, 8 mar.). Apresentação de vídeo e debate sobre Conferência dos Oceanos da ONU 2022. Lisboa: RP. https://www.youtube.com/watch?v=8sKXM8QpzJo

- Contribuição da delegação portuguesa: United Nations. (2022). United Nations Ocean Conference. Lisboa: UN. https://sdgs.un.org/sites/default/files/2022-02/Interactive_Dialogues_Contribution_from_Portugal_2022.pdf

3. Andresen, S. (1920). Mar. Lisboa: Biblioteca Nacional de Portugal. https://purl.pt/19841/1/1920/1920-1.html

4. República Portuguesa. (2021). Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030. Portugal: RP. https://www.portugal.gov.pt/pt/gc22/comunicacao/documento?i=estrategia-nacional-para-o-mar-2021-2030

5. Fonte da imagem: Nações Unidas. (2022). Conferência do Oceano da ONU. Lisboa, Portugal: ONU. https://www.un.org/en/conferences/ocean2022

Caminhos da (para a) Educação, sentida e com sentido

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Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre."

Paulo Freire

 

Esta ideia simples de Paulo Freire poderia ser, quase, um axioma da educação que se pretende para os cidadãos do século XXI.

Desafios como oportunidades

Todos reconhecemos que estamos face a uma realidade em mudança acelerada, caracterizada por padrões de exigência cada vez mais elevados, em que as competências necessárias, para responder a esta sociedade do conhecimento não se compaginam com uma perspetiva educativa tradicional. Por isso, há que buscar uma educação baseada numa teoria praxiológica, uma educação em que as dificuldades, os obstáculos e as contradições são vistos como desafios, como pontos de partida para a construção de um saber que se baseia numa ótica de investigação-ação, de autoconstrução do conhecimento, em que as dificuldades e os desafios são, antes de mais, e construtivamente, as oportunidades com as quais “aprendemos sempre”.

O aprendente como um todo

No entanto, “(…) as escolas do século XXI continuam a debater-se com a mesma dificuldade, procurando, como no período que se seguiu à criação da imprensa, encontrar uma posição de equilíbrio que conserve a sua relevância como espaço privilegiado de ensino e aprendizagem e da missão do professor como mediador dessa mesma aprendizagem na escola sem muros, na aula aberta (…)”. (Escola, 2005:448). Os Planos de Desenvolvimento Pessoal Social e Comunitário (PDPSC) enquadram magnificamente este desiderato de “aula aberta”, de olhar para o aprendente como um todo, académico, social e emocional; de alargar, agora de forma articulada e transversal, o processo de ensino-aprendizagem a todos os parceiros educativos, a família em particular.

O caso da Escola Básica de Bitarães, Paredes

Um dos projetos em que esta dinâmica foi implementada teve lugar na Escola Básica de Bitarães, do Agrupamento de Escolas de Paredes. No âmbito do Plano de Desenvolvimento Pessoal, Social e Comunitário, desenvolvem-se atividades inseridas na medida: "Conversas em casa inspiradas na escola", que consiste num guião, elaborado com o apoio da psicóloga afeta ao projeto, com propostas de atividades alusivas a um tema útil da sociedade, cumprindo o objetivo de serem realizadas em família, conversando, debatendo, pesquisando, descobrindo, assimilando e aplicando novos conhecimentos. Numa perspetiva construtivista, esta medida pretende envolver as famílias na vida escolar dos seus educandos, bem como diminuir as dificuldades na mobilização da informação e na comunicação, a fim de superar as dificuldades a Português e Matemática.

Assim, foram criadas as tertúlias para pais “A falar é que a gente se entende”, realizadas de forma online, com uma taxa de concretização superior a 90%. Os resultados do questionário de satisfação realizado, subsequentemente, aos alunos, demonstram, de forma inequívoca, o sucesso da iniciativa. Em resposta à questão “Os teus familiares envolveram-se nas atividades?”, 80% considerou que estes se envolveram muito.

Na Escola Básica Estádio do Mar, Matosinhos

Apelando, de novo, ao pedagogo Paulo Freire, regista-se que “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar a possibilidade para a sua produção ou a sua construção. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”. Este princípio reflete bem os objetivos de um outro projeto, desenvolvido pelos alunos do 4º ano da Escola Básica Estádio do Mar, em Matosinhos, pertencente ao Agrupamento de Escolas Professor Óscar Lopes. O foco da atividade foi a História e o conhecimento do Património do concelho. Pretendeu-se, desta forma, convocar e perpetuar valores e memórias, preconizando o envolvimento cívico e o reforço da essência da própria comunidade. Tendo como dinamizadores os docentes das disciplinas de Estudo do Meio/CeD, apoiados pelo técnico de informática/audiovisual, procurou-se que os alunos consolidassem as suas aprendizagens, de uma forma dinâmica e responsável. Em consonância, foi criado um roteiro interativo, com contextos e situações de aprendizagem mediados por tecnologias e ferramentas digitais, o que permitiu afirmar a identidade da cidade de Matosinhos, partindo do conhecimento e divulgação das suas tradições, lendas e elementos patrimoniais.

O papel das bibliotecas escolares

Em ambos os projetos o papel e relevância das Bibliotecas Escolares foi essencial para a respetiva estruturação, desenvolvimento e implementação. Como é referido no documento “Avaliação do impacto da biblioteca escolar”, pág. 9, “Uma abordagem à aprendizagem através da pesquisa implica que os alunos se envolvam ativamente, com diversas e frequentemente contraditórias fontes de informação e ideias, para descobrir novas ideias, para construir novo conhecimento e para desenvolver pontos de vista e perspetivas pessoais.”

O professor bibliotecário tem o papel fundamental de organizar recursos documentais, impressos e online, e orientar, em conjunto com o professor da(s) turma(s), e os técnicos afetos aos projetos, as atividades de pesquisa e elaboração dos trabalhos. Desta forma, os alunos interagem e trabalham em grupo, partilhando conhecimento e responsabilizando-se, conjuntamente, pela construção deste, assim como pela obtenção de resultados. Estamos face a um processo de aquisição de saberes que se pauta pela valorização e uso de princípios e normas que requerem e reforçam a educação cívica dos alunos, enquanto produtores e consumidores de informação. Estes princípios incluem o uso crítico e responsável das tecnologias e meios de comunicação, bem como o respeito pelos direitos e deveres, inerentes ao uso dos media e da informação.

Em conclusão, a transformação da aprendizagem em conhecimento, através do desenvolvimento de diferentes literacias tem, na biblioteca escolar, o contexto ideal para apreender e desenvolver estas competências, cada vez mais essenciais à formação de cidadãos responsáveis, autónomos e críticos, perante os desafios da world wide web, na era do mobile learning.

 

Referências

1. Escola, J. (2005). “Ensinar e Aprender na Sociedade do Conhecimento” In Livro de Atas, 4º SOPCOM, Repensar os Media: Novos Contextos da Comunicação e da Informação. Aveiro: Universidade de Aveiro: 343,358.

2. Todd, R., Kuhlthau, C. & Heinström, J. (2012). Avaliação do impacto da biblioteca escolar. Lisboa: Rede de Bibliotecas Escolares. https://www.rbe.mec.pt/np4/file/673/02_bibliotecarbe.pdf

 

IFLA: Leitura para o bem-estar – a biblioterapia

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No contexto de mudança e incerteza quanto ao futuro a “Secção de Leitura e Literacia está atualmente a concentrar-se na Leitura para o Bem-Estar. Este assunto tem sido o nosso foco principal nos últimos dois anos e atualmente estamos a planear iniciativas e programas em torno de Biblioterapia, Leitura Partilhada, Leitura Consciente e Contar Histórias”, afirma Atlanta Meyer, Presidenta da Secção de Leitura e Literacia da International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA) [1], cujas diretrizes são seguidas pela Rede de Bibliotecas Escolares.

Uma das primeiras definições de biblioterapia diz que esta é “um processo de interação dinâmica entre a personalidade do leitor e a literatura, de carácter psicológico e que contribui para o ajustamento e desenvolvimento do ser humano” (Caroline Shrodes, 1949) [2].

De acordo com a pesquisa de “bibliotherapy” em ODLIS: Online Dictionary of Library and Information Science, pode ter 3 fases:

1. Diagnóstico do problema e interesses de leitura do paciente e recomendação de material de leitura pelo terapeuta com decisão de textos a ler por aquele.

2. Durante a leitura, o leitor percebe como (pelo menos) um dos personagens resolve os seus desafios e identifica-se com ele, facilitando a catarse. Podem ser propostos exercícios de leitura como seleção de frases significativas, formulação de perguntas, escrita de outro final da narrativa, ilustração, dramatização...

3. Reflexão crítica e diálogo com o terapeuta sobre a relevância da solução sugerida pelo texto e que pode dar azo ao aprofundamento da partilha da história pessoal e à mudança.

A American Library Association disponibiliza recursos que apoiam a formação em biblioterapia e “para ajudar crianças em tempos de dificuldade” em idioma inglês [3]. A Rede de Bibliotecas Escolares disponibiliza, em português, álbuns gráficos que podem ser ponto de partida para falar sobre temas difíceis como igualdade de género, racismo e discriminação, bullying, homossexualidade, guerra e doença mental [4].

A biblioterapia é uma abordagem terapêutica que usa sobretudo literatura ou livros de ficção - metáforas e símbolos dão azo a projeção de sentimentos e ideias - mas também textos de não ficção como filosofia, memórias ou desenvolvimento pessoal, para tratar problemas de saúde mental como ansiedade, depressão e traumas, bem como consumos e dependências e pode ser complemento à psicologia e psiquiatria tradicionais.

Esta terapia pode desenvolver-se em sessões individuais ou em grupo e nelas pretende-se que o leitor compreenda outras perspetivas, desenvolva empatia percebendo que o problema é comum a outras pessoas e experimente sentimentos de autoestima/ eficácia e contentamento.

Pode ser desenvolvida com apoio de terapeutas especializados, mas não sendo, não se conhecem efeitos prejudiciais e pode ser sobretudo útil para pacientes com problemas moderados, pouco tempo e dinheiro. A International Federation for Biblio/Poetry Therapy é uma das instituições que estabelece diretrizes para biblioterapia e certifica estes profissionais.

Tal como a cinetarapia e a musicoterapia, também a biblioterapia é uma área que pode ser aprofundada pelos bibliotecários. A compreensão e experiência que têm de análise do comportamento humano, de livros e materiais de leitura e abordagens que geram envolvimento e discussão facilita esta oportunidade que conhece cada vez mais adeptos no âmbito de uma estratégia holística de cuidados de saúde que favorecem o bem-estar.

Também pode ser trabalhada em contexto de educação para a cidadania que visa aprender a colocar-se no lugar do outro numa lógica, não só de tomada de consciência dos próprios direitos, como de cumprimento dos deveres associados para que todos os direitos humanos sejam maximamente exercidos no espaço público [2].  

Perspetivando o futuro da leitura em contexto da biblioteca, Atlanta Meyer identifica outro desafio: “Ler é divertido! A leitura aproxima as pessoas, acende a imaginação, desenvolve a criatividade e proporciona um sentimento de pertença. Sabemos da importância e benefícios da leitura e como promovê-los, mas não sabemos como promover a leitura por diversão e acho que é por aí que devemos começar.”

Gostaríamos de ouvi-lo sobre como promover o bem-estar e a diversão através da leitura…

 

Referências

1. (2022, 22 Apr.). In conversation with: Atlanta Meyer, Chair, Literacy and Reading Section. Netherlands: IFLA. https://www.ifla.org/news/in-conversation-with-atlanta-meyer-chair-literacy-and-reading-section/

2. Nobre, S. (2022, 14 fev,). Contributos da Biblioterapia para a Cidadania. A biblioterapeuta. https://abiblioterapeuta.com/2022/02/14/contributos-da-biblioterapia-para-a-cidadania/

3. American Library Association. (2022). Bibliotherapy. USA: ALA. https://www.ala.org/tools/atoz/bibliotherapy

4. Rede de Bibliotecas Escolares (2019). Álbuns gráficos para o desenvolvimento. Portugal: RBE. https://www.rbe.mec.pt/np4/2079.html

5. Imagem de Astrid Pereira por Pixabay 

À volta dum livro...

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Leitura: 4 Min |

No presente ano letivo, o projeto À Volta dum livro... centrou-se no livro A Maior Flor do Mundo, de José Saramago, uma forma de comemorar o centenário do nascimento do escritor que resultou da articulação da biblioteca escolar com as disciplinas de Matemática, Educação Musical, Educação Visual, Educação Tecnológica, Português e Ciências Naturais, e foi desenvolvido nas turmas do 6.º ano (46 alunos) da Escola Básica D. Sancho I, Pontével.

Deu-se início ao projeto com a leitura do livro A Maior Flor do Mundo, pela professora bibliotecária, e visualização da curta-metragem de animação baseada no livro, realizada por Juan Pablo Etcheverry, com música de Emilio Aragón e produção de Continental Animación.

Nas disciplinas de Educação Visual e Educação Tecnológica, foram elaboradas flores com recurso a diversos materiais e abordados conteúdos das várias disciplinas envolvidas: texto narrativo; fabricação/construção; projeto de trabalho; simetria/assimetria; noções de escala; ligação/união dos materiais; a cor; segurança e higiene no trabalho. Posteriormente, realizou-se um concurso, tendo toda a escola sido convidada a votar na flor mais bonita. Ao aluno vencedor foi oferecido o livro A Maior Flor do Mundo, de José Saramago.

Na disciplina de Matemática, os alunos estudaram a simetria/assimetria e criaram um teatro de sombras simétricas, musicado na aula de Educação Musical. Este foi apresentado na biblioteca, na festa final do projeto, pela turma do 6.ºB.

Na disciplina de Ciências Naturais, os alunos estudaram as plantas e fizeram pesquisa e tratamento de informação na biblioteca escolar, para a elaboração de um cartaz; na disciplina de Português, os alunos pesquisaram informação sobre o autor para elaboração de um cartaz, para além de explorar o texto na base de todo o trabalho desenvolvido.

Durante a Semana da Leitura, a professora bibliotecária convidou um aluno por turma para participar na atividade Assalto de Leitura, que consistiu na leitura de excertos do livro A Maior Flor do Mundo, nas várias turmas dos 2.º e 3.º ciclos da escola.

 

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(clique sobre a imagem)

No dia 19 de maio de 2022, realizou-se, na biblioteca escolar, a festa final do projeto, com a exposição dos trabalhos realizados pelos alunos e apresentação do teatro de sombras às turmas do 4.º e 6.º ano da Escola Básica D. Sancho I.

Em suma, foi um projeto que trabalhou de forma integrada o currículo e que proporcionou a todos os envolvidos momentos de efetiva aprendizagem, com aquisição de conhecimentos significativos e desenvolvimento de capacidades e valores.

Para saber mais: https://bibliotecas-ae-pontevel3.webnode.pt/l/projeto-a-volta-dum-livro/

5ª Festival Literário Internacional do Interior

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Leitura: 1 min | 

A 5ª edição do Festival Literário Internacional do Interior (FLII)- Palavras de Fogo, vai decorrer nos concelhos de Alvaiázere, Ansião, Arganil, Condeixa-a-Nova, Miranda do Corvo, Lousã e Pedrógão Grande, de 16 a 19 de junho.

Organizado pela Arte-Via - Cooperativa, com sede na Lousã, tem como tema: “Sibilas, rebeldes e génios” e, nesta edição, celebra os centenários do nascimento dos escritores Agustina Bessa Luís, Matilde Rosa Araújo e José Saramago e integra as comemorações dos 80 anos de Adriano Correia de Oliveira.

O Festival tem como patrono Sua Exª. o Senhor Presidente da República e como parceiros, a Rede de Bibliotecas Escolares, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), a Direção Regional de Cultura do Centro, a Universidade de Coimbra, a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) e a Associação Portuguesa de Escritores.

Mantendo o lema: "A arte e a cultura como reanimadores de uma região e de um povo”, numa homenagem às vítimas dos fogos florestais de 2017, o programa apresenta uma diversidade de iniciativas, como exposições, encontros com autores, workshops, lançamentos de livros, palestras, passeios pedestres, tertúlias e residência de escritor.

XII Batalha de Leitura | Poesia

2022-06-09.pngLeitura: 3 min |

No dia 26 de maio, de tarde, no Parque D. Carlos I, nas Caldas da Rainha, decorreu a fase final da XII Batalha de Leitura | Poesia, um evento que contou com a participação de alunos das escolas com 2.º e 3.º ciclos e ensino secundário dos concelhos de Caldas da Rainha e de Óbidos.

A partir de fases de turma e de escola, organizadas pelas bibliotecas escolares em colaboração com os professores de Português, foram apurados os representantes das escolas na fase final, a quem coube a leitura expressiva de um poema preparado e de outro sorteado no momento.

 

O júri desta edição do concurso foi constituído por Aida Reis, da Biblioteca Municipal de Caldas da Rainha, Ana Matos, da Biblioteca Municipal de Óbidos/Casa José Saramago, Mafalda Lopes, da Biblioteca da Escola Superior de Artes e Design, e Paula Ribeiro, Coordenadora Interconcelhia das Bibliotecas Escolares.

O evento, cuja organização esteve a cargo das bibliotecas escolares e municipais, foi apresentado pelos alunos Ana Lúcia Madeira, da ES Rafael Bordalo Pinheiro, e Bernardo Viola, da ES Raul Proença.

O público assistiu ainda à atuação de Rafaela Riccobono, que apresentou duas músicas do seu último trabalho, e da Academia de Música de Óbidos, com um Ensemble de Clarinetes orientado pelo Professor Edgar Cantante.

Todos os participantes receberam certificados de participação e os três primeiros lugares receberam também troféus e prémios. Os alunos foram ainda acarinhados com a presença e as palavras de incentivo à leitura da Sra. Vereadora da Cultura e da Educação das Caldas da Rainha, Conceição Henriques, e das Direções dos seus Agrupamentos de Escola (AE D. João II, AE Josefa de Óbidos, AE Rafael Bordalo Pinheiro e AE Raul Proença).

 

Fases da iniciativa

A Batalha da Leitura | Poesia, que se tem repetido ano após ano, tem em maio o seu ponto culminante, mas, na verdade, o trabalho começa muito cedo no ano letivo, nas salas de aula de Português.

Individual/ Turma

Os alunos são desafiados a selecionarem e prepararem a leitura em voz alta de um poema, o que os conduz a um processo consciente de leitura de múltiplos autores, com um objetivo em vista. Esta procura, muitas vezes acompanhada e orientada pelas equipas das bibliotecas escolares, alarga o universo de autores conhecidos pelos alunos e, muitas vezes, desperta a vontade de ler mais.

Já a fase de preparação da leitura em voz alta exige capacidade de compreensão e de interpretação e é um momento para aprender as subtilezas do tom de voz, do ritmo do texto, do olhar intencional, dos gestos medidos. A preparação faz-se também com oficinas e workshops nas bibliotecas escolares, com a ajuda de outros professores, como os de expressão dramática, ou de contadores de histórias e de escritores.

Como cabe a cada turma selecionar em conjunto com o professor qual o aluno que a representará na fase de escola, a Batalha de Leitura é uma oportunidade para demonstrar espírito crítico e responsabilidade. Por isso, cada aluno que participa na fase de escola tem por trás toda uma turma que o apoia e o espírito competitivo dá lugar à colaboração, com dicas sobre como dizer melhor uma palavra ou como atribuir a emoção adequada a um verso.

Escola

A fase de escola, organizada nas bibliotecas escolares, é já uma festa, com as turmas a torcerem pelo aluno que as representa, bastante atentos às leituras.

Os alunos apurados sentem-se orgulhosos e, embora esteja sobre eles o peso de irem representar a escola, sabem que apenas têm de dar o seu melhor. É por este motivo que a Batalha de Leitura | Poesia final, realizada já quase no término do ano letivo, é tão importante para todos os que nela estão envolvidos: alunos, professores, professores bibliotecários, bibliotecários municipais e comunidade escolar. Trata-se de um momento em que se sente que houve aprendizagens significativas, as que ficam na memória e que têm impacto no desenvolvimento integral dos alunos, e em que, assim sendo, verdadeiramente se celebra e se promove a leitura e a poesia.

Dia Mundial dos Oceanos

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A Divisão das Nações Unidas para Assuntos Oceânicos e Direito do Mar [1], em parceria com a organização sem fins lucrativos Oceanic Global [2], celebram hoje, 8 de junho, o Dia Mundial dos Oceanos, cujo tema é Revitalização: Ação Coletiva para o Oceano - #RevitalizeTheOcean.

Em 2022 a celebração terá formato híbrido e quem tiver interesse em participar na transmissão virtual de 8 de junho deve inscrever-se previamente [3].

A organização apela a que, nesta data, todos os cidadãos e organizações celebrem o oceano e se façam ouvir contando histórias, criando recursos (vídeo, fotografia…) ou realizando encontros, presenciais ou virtuais, que ajudem a informar e a envolver cidadãos, organizações e governação, bem como a partilhar ideias e soluções que contribuam para proteger e conservar o sistema ecológico marinho e tudo o que dele depende. Para o efeito disponibiliza recursos que podem ser usados: cartazes, jogos, planos de aula, guiões, gráficos. É da ação conjunta com base na reimaginação, reconhecimento, redistribuição e reparação que pode surgir a revitalização [4].

Em Portugal, a Fundação Oceano Azul celebrou o passado 22 de abril - Dia da Terra com 158 atividades que podem inspirar a ação da biblioteca com crianças e jovens [5].

O Oceanário de Lisboa também disponibiliza um conjunto de recursos e atividades divertidas associadas à sua mascote, o Vasco, que nasceu a 8 de junho e que ajudam a conhecer e a proteger quem vive nos oceanos [6].

 

 

Mensagem de Attenborough para o Dia dos Oceanos [7]

Lembramos o naturalista britânico Sir David Attenborough, pelo exemplo de respeito e cuidado com os oceanos e natureza:

 

O poder de regeneração do oceano é notável - se lhe dermos essa oportunidade. […] Estamos ao alcance de uma relação totalmente nova com o oceano, uma relação mais sábia, mais sustentável. A escolha é nossa.

 

Referências

1. United Nations. (2022). World Oceans Day: 8 June. USA: UN. https://www.un.org/en/observances/oceans-day

2. Oceanic Global. United Nations World Oceans Day 2022: Collective Action for the Ocean. https://oceanic.global/projects/united-nations-world-oceans-day-2022/

3. United Nations. (2022). 2022 United Nations World Oceans Day Event. NY, USA: UN. https://www.eventbrite.com/e/2022-united-nations-world-oceans-day-event-registration-272875797857

4. United Nations. (2022). World Oceans Day 2022. USA: UN. https://unworldoceansday.org/education/

United Nations. (2022). World Oceans Day 2022: Resources.  USA: UN. https://worldoceanday.org/resources/

5. Fundação Oceano Azul. (22 abril, 2022). Earth Day 2022: O oceano é a nossa terra. Lisboa: FOA. https://www.oceanoazulfoundation.org/pt-pt/earth-day-2022/

6. Oceanário de Lisboa. (2022). Vasco. Lisboa: OL. https://www.oceanario.pt/vasco

7. BBC Earth. (2022). Attenborough's message for World Oceans Day [Video]. UK: BBC. https://www.bbcearth.com/news/attenboroughs-message-for-world-oceans-day

8. Fonte da imagem : United Nations. (2022). UN WOD 22 #RevitalizeTheOcean Toolkit [Organizations]. NY: UN. https://docs.google.com/presentation/d/1bATsicxhAKR8vQZl-S46dwjpJ7ETOXruOqEOS3v-PYY/edit#slide=id.g12f4c47b165_0_0

Biblioteca Escolar em articulação com o PNPSE

2022-06-07.pngLeitura: 3 min

O objetivo de promover um ensino de qualidade para todos norteia o nosso propósito enquanto educadores. Deste modo, num quadro de valorização da igualdade de oportunidades e do aumento da eficiência e qualidade das escolas, surge o Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar (PNPSE), criado através da Resolução do Conselho de Ministros nº 23/2016, assumindo como princípio de orientação de base que são "as comunidades educativas quem melhor conhece os seus contextos, as dificuldades e potencialidades, sendo, por isso, quem está melhor preparado para encontrar soluções locais e conceber planos de ação estratégica, pensados ao nível de cada escola, com o objetivo de melhorar as práticas educativas e as aprendizagens dos alunos."

Tendo em conta o papel das bibliotecas escolares no seio da comunidade escolar, estas são um espaço educativo integrador de múltiplas literacias, cada vez mais decisivo para as aprendizagens e a capacitação das crianças e dos jovens que as utilizam, formal ou informalmente. Pelo que, desde o primeiro momento, a Rede de Bibliotecas Escolares assumiu o desafio de acompanhamento e monitorização de práticas realizadas pelas bibliotecas.

Assim, vejamos o caso do Agrupamento de Escolas de Arronches, onde a professora bibliotecária desenvolve o seu trabalho em estreita articulação com a Educadora Social.

O trabalho da Educadora Social, no Agrupamento de Arronches, abrange várias vertentes, destacando-se:

- o Programa Sentir@Ser, um programa de promoção de competências socioemocionais através da prática de Mindfulness destinado a todos os alunos do agrupamento;

- o Programa O.S. Luz+, um programa de primeiros socorros para crianças e jovens;

- o Projeto Medi@r – Construindo Pontes de Sorrisos, um programa de mediação de conflitos em contexto escolar; e diversas atividades como o concurso “Empreendedores da Poupança”, a dinâmica do “Dia Mundial de Combate ao Bullying”, o DAC “Como se sentem os idosos em Arronches?”;

- o projeto Academia Digital para Pais.

Para além destas atividades mais comunitárias, a Educadora Social realiza um trabalho mais individualizado com alunos sinalizados e agregados familiares identificados com necessidades a nível social.

A Biblioteca Escolar encarou estas práticas como um complemento para o desempenho da sua principal função: elevar o grau de literacia da comunidade educativa. Surgiram, desta forma, diversas atividades de articulação, continuadas no tempo e destinadas a diferentes públicos. Pelo seu impacto, destacamos as seguintes:

- Clube CriAtiva-Te nasceu no âmbito da participação da professora bibliotecária e da educadora social na formação CriAtividade, realizada no TorranCenter, que promove o desenvolvimento da criatividade, pensamento crítico, colaboração e comunicação, entre outras competências fulcrais para o sucesso no século XXI. Neste clube, os alunos participaram no desafio repórter XS, promovido pela RBE (Rede de Bibliotecas Escolares) e o programa ZIG ZAG da RTP 2 (Rádio Televisão Portuguesa), o qual tem como objetivos promover a leitura, a escrita e o sentido crítico, com recurso aos media, tendo Agrupamento de Escolas Arronches sido reconhecido pela reportagem CriAtiva-Te XS.

- Comemoração do Dia Mundial da Língua Portuguesa, onde foram produzidos vídeos de dramatizações de poemas do património oral; um RAP de um poema de Eugénio de Andrade; simetrias poéticas; intercâmbio escolar, com elaboração/ ilustração de postais e declamação de poemas em videochamada. Todas estas atividades foram realizadas em articulação, também, com o Plano Nacional das Artes.

- Semana da Leitura e da Família, durante a qual foram realizados filmes com dramatizações e declamações de poemas, pelos diferentes anos de escolaridade. Também os alunos do Clube Criativa-te participaram nesta semana com a atividade «O CriAtiva-Te vai às salas», onde leram, para os colegas de 1.º ciclo, histórias sobre a família.

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Articulação, parceria, cooperação são as peças fulcrais deste tipo de trabalho, onde o sucesso escolar e o bem-estar pessoal, social e emocional andam lado a lado.

Festa Final das Olimpíadas da Cultura Clássica 2021/2022

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Leitura: 2 min |

Com a edição de 2021/ 2022 quase a chegar ao fim, as Olimpíadas da Cultura Clássica voltam a contar, este ano, com uma cerimónia festiva, onde, para além da nomeação dos alunos premiados, haverá diversas intervenções mostrando a presença da cultura da Antiguidade nos nossos dias.

O evento será realizado em formato híbrido, no dia 8 de junho, entre as 14h30 e as 16h30. Presencialmente, terá lugar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde alunos do curso profissional de Turismo da Escola Secundária Eça de Queirós, orientados pela professora Antonieta Rocha, acolherão e orientarão o público até ao anfiteatro III, onde decorrerá a cerimónia.

A transmissão em streaming no canal de Youtube da RBE está também garantida, para que todas as escolas possam assistir à conclusão de mais uma edição desta iniciativa que, este ano, contou com a participação de mais de 3000 alunos. A hiperligação será divulgada brevemente na página do projeto Clássicos em Rede.

Os temas escolhidos para esta edição foram ‘Cassandra’, uma jovem que foi amaldiçoada pelo deus Apolo, por recusar ceder aos seus encantos; e que, consequentemente, foi desacreditada por todos; e ‘Dédalo e Ícaro’, um pai engenhoso e um filho destemido que se lançam na aventura de voar, proeza que acaba por ter um terrível desfecho. Os alunos do ensino secundário exploraram, ainda, o tema ‘Antígona’, uma figura feminina que levou as suas convicções e valores até às últimas consequências. Com base nestes temas, os alunos de vários níveis de escolaridade puderam dar largas à imaginação e à criatividade, através da realização de desafios escritos e de artes /multimédia.

Os temas da edição do próximo ano já estão escolhidos e serão revelados na cerimónia, no dia 8 de junho.

 

Referências

Imagem de Dimitris Vetsikas por Pixabay 

Concurso Nacional de Leitura: grande festa final!

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Depois de um ano cancelado e outro em regime semiconfinado, a final do Concurso Nacional de Leitura voltou a reunir ontem os 200 finalistas, as suas famílias, os seus professores e representantes de todas as entidades envolvidas na dinamização da iniciativa, numa grande festa final que a todos entusiasmou.

Com o apoio inestimável da Câmara Municipal de Almada e a já indispensável apresentação de José Carlos Malato, decorreu nas instalações do Inatel de Caparica e logo à chegada, os participantes foram acolhidos por animação de rua que, apesar da chuva que ainda ameaçava cair ao início da manhã, prometia de imediato um dia especial. E assim foi. O sol também quis dar o seu contributo e o dia manteve-se muito agradável.

Foi uma festa em cheio que mostrou bem a massa de que são feitos estes nossos jovens, quer através da divulgação das provas de vídeo vencedoras, quer através das provas de palco, todas de grande qualidade, o que deixou o júri com uma tarefa muito difícil no momento da atribuição das menções honrosas e dos prémios.

Apesar do nervosismo evidente de quem, tão jovem, sente o peso da responsabilidade de se apresentar à frente de uma sala repleta de gente (que, do palco, parecia infindável), ao aproximarem-se do microfone, os concorrentes, mesmo os mais jovens, agigantaram-se e impressionaram os presentes. Defendendo os livros que tinham selecionado, apresentando as suas leituras e fazendo-as conversar com as suas vivências pessoais, pequenos e já não tão pequenos deram grandes lições e provocaram muitas vezes o “brilhozinho nos olhos” dos adultos, a consciência de que todos foram vencedores, sobretudo um país que pode contar com tal juventude.

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Na incerteza de poder comparecer, Sua Excelência, o Presidente da República, enviou um vídeo com mensagens especiais a todos os intervenientas na festa: alunos e famílias, mas também professores, professores bibliotecários e organizadores em geral. No entanto, acabou por se revelar possível estar presente durante algum tempo e reiterou, no seu discurso ao vivo, a importância do trabalho contínuo sobre a leitura, a persistência, o esforço coletivo, mas, sobretudo, a paixão:

Lê-se o ano inteiro. Trabalha-se o ano inteiro. (…) Aquelas e aqueles que aqui estão vivem com paixão (…) a paixão da leitura. A paixão da leitura realiza uma vida. Vai seguir-vos durante toda a vida. Vão lendo e lendo e lendo e gostando de ler. Quanto mais se lê, mais se gosta de ler. (…) É uma paixão muito boa. (…) Nunca se desapaixonem da leitura porque ela nunca vos desilude. Os livros nunca desiludem; dão-nos sempre um prazer infinito.

Marcelo Rebelo de Sousa apreciou o espetáculo durante a manhã e almoçou com os presentes, tendo tirado com todos os que o solicitaram inúmeras selfies, o que fez as delícias dos nossos jovens (e também dos seus acompanhantes).

Ao longo do dia, houve ainda espaço para a música e para a poesia, num dia perfeito que culminou com a divulgação dos prémios atribuídos nas provas de vídeo e nas provas de palco. O primeiro lugar das provas de palco foi atribuído a: ES: Maria Luís Salvador (Porto); 3.º CEB: Maria Torrado (França); 2.º CEB: Matilde Silva (Vila Nova de Famalicão); 1.º CEB: Vicente Chaves (Vila Real).

O encerramento ficou a cargo do Sr. Ministro da Educação que, também ele, deixou uma importante mensagem aos 7500 participantes neste concurso. Lembrando-se professor, João Costa marcou a todos um trabalho de casa:

Encontrem um amigo que não gosta de ler ou que não gosta de livros porque simplesmente ainda não tropeçou no livro certo. Vocês têm de ser os embaixadores da leitura! Cada um de vocês, se cada um dos 7500 alunos que participaram neste concurso criar um novo leitor, para o ano seremos 15 mil! E por isso eu espero estar aqui a ouvir que cada um de vocês levou este trabalho de casa a sério, fez o trabalho de casa que também compete aos bons alunos. Cada um de vós, já na segunda-feira, vai olhar às volta e vai encontrar aquele amigo que diz que não gosta de ler. A vossa responsabilidade é perceber o que é que ele gostaria de ler, encontrar um livro que acham que ele irá gostar, falar desse livro, convidá-lo a falar de livros e convidá-lo a ler! Para o ano seremos 15 mil e depois 30 mil. Desta forma, vamos ter muitos e muitos leitores porque ler faz bem, ler dá-nos liberdades, ler dá-nos muitas vidas. Muitos parabéns a todos!

Esta é uma iniciativa organizada pelo Plano Nacional de Leitura 2027, em parceria com a Rede de Bibliotecas Escolares, a Direção Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, o Camões, Instituto da Cooperação e da Língua e a Direção Geral de Administração Escolar. Nas suas várias fases, exige um número muito significativo de profissionais e a confluência de múltiplas sinergias. Um esforço coletivo em prol da leitura que resulta nesta grande festa final, a ponta de um icebergue com muitas festas intermédias. Em Portugal e fora dele.

  • 5 de Junho de 2022, 09:02

Leituras na Planície

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Leitura: 1 min |

O concurso de leitura expressiva “Leituras na Planície” é organizado pelos professores bibliotecários dos Agrupamentos de Redondo, Moura, Portel, Manuel Ferreira Patrício (Évora), André de Gouveia (Évora) e Escola Secundária Poeta Al Berto (Sines), sendo coadjuvado pela Rede Bibliotecas Escolares através dos respetivos coordenadores interconcelhios.

O concurso tem como objetivos principais:

- a promoção do gosto pela leitura;

- o contacto com os livros;

- o desenvolvimento da expressividade / leitura expressiva em voz alta.

A iniciativa decorreu em 3 fases:

- em sala de aula com os professores titulares de turma ou professores de Português,

- na Biblioteca Escolar, uma pré-seleção a cargo do grupo de trabalho visando apurar 3 alunos por cada ano de escolaridade

- final.

A fase final decorrerá de forma síncrona através de uma plataforma online e será transmitida, em direto no dia 7 de junho, através de hiperligação disponibilizada a todos os agrupamentos participantes. Clique para ver o programa.

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O júri desta fase será constituído por um representante de cada uma das seguintes instituições: Rede de Bibliotecas Escolares, Plano Nacional de Leitura, Fundação Eugénio de Almeida e Câmara Municipal de Redondo.

Participaram nesta iniciativa 31 Agrupamentos de Escolas e estarão na final 30 alunos (3 alunos por ano de escolaridade de todos os níveis de ensino).

OCDE | IFLA: Portugal no mapa dos ODS

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Leitura: 5 min |

O relatório O caminho curto e sinuoso até 2030: medindo a distância até aos objetivos dos ODS [1] da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) faz um ponto da situação sobre o trabalho dos 38 países membros para alcançar os 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) até 2030.

Numa série de 4 artigos apresentamos o relatório [2] e seu balanço global relativo a Pessoas e Clima [3], à Paz e confiança governativa [4] e, neste último artigo, à situação nacional.

O relatório destaca que, nas últimas décadas, a maioria dos países da OCDE não fez progressos na redução da pobreza, estando longe de alcançar a Prosperidade (ODS 7 a 11).

Um em cada oito residentes dos países membros vive com baixa renda. As desigualdades são exacerbadas por:

- Disparidades na educação – “mais de um em cada dez jovens adultos não tem emprego, educação ou formação e no México, Itália, Turquia e Colômbia é um em cada cinco”;

- Comportamentos prejudiciais à saúde, prevalecentes em níveis socioeconómicos mais baixos: desnutrição/ obesidade (60% dos adultos), tabagismo (17% dos adultos fumam diariamente) e consumo de álcool.

O relatório avalia, para cada meta ou grupo de metas da Agenda 2030, a situação de cada país apresentando, sempre que existem, dados nacionais comparáveis, para além de resultados globais.

Portugal obtém bons resultados

Relativamente à distância em que Portugal se encontra para alcançar os ODS até 2030, destaca que o país apresenta bons resultados em:

- Qualidade do ar, energias renováveis e eficiência energética, resíduos e água (ODS 6 e 7) – tem maior eficiência energética do que a média da OCDE e está a aumentar o uso de fontes de energia renovável, correspondendo a mais de metade da eletricidade e a um terço do consumo de energia (dados de 2019);

- Resíduos e consumo sustentável, reciclagem e compostagem melhoram os seus níveis, mas ainda se encontra abaixo da média da OCDE (ODS 11 e 12);

- Inclusão: para 9 em cada 10 portugueses Portugal é um bom local para viver para minorias raciais e étnicas e tem boas políticas de migração (ODS 10). O quadro legal promove e monitoriza a igualdade de género nos diferentes setores (ODS 5), não obstante elevada e persistente desigualdade salarial e o facto das mulheres gastarem diariamente quase 4 horas a mais do que os homens em cuidados e tarefas domésticas, segundo dados de 1999.

Portugal enfrenta desafios

- Na saúde (ODS 3) está próximo de alcançar as metas, mas dietas pobres em nutrientes, obesidade (um terço da população) e comportamentos de risco, como tabagismo (14% de fumadores adultos – Portugal é um dos 5 países da OCDE em que o tabagismo não tem vindo a diminuir significativamente) e consumo de álcool aumentam o risco de doenças e mortalidade, para além de que ansiedade provocada pela pandemia deverá aumentar o consumo destas substâncias.

Apesar da cobertura quase universal, grupos vulneráveis têm dificuldade de acesso a cuidados de saúde;

- No ambiente apresenta perda significativa na biodiversidade (Metas 2.5 e 15.5), como a maioria dos países da OCDE.

Um terço da área total de terra apresenta-se degradada, segundo dados de 2015 – é o segundo pior país, depois do México (ODS 15).

Há necessidade de políticas e monitorização de produtos químicos e resíduos perigosos, da pesca ilegal e recreativa e do turismo (ODS 12 e 14).

Reciclagem e a compostagem e recuperação de resíduos alimentares está a aumentar, mas continua abaixo da média da OCDE (ODS 11 e 12). Apesar de escassos dados, “O desperdício de alimentos [ODS 12] é generalizado na maioria dos países da OCDE” e Portugal é um dos 12 países que está mais longe de alcançar esta meta.

Também é um dos 11 países que estão mais longe de alcançar a Redução de Risco de Desastres (DRR - Disaster Risk Reduction) naturais relacionados com o clima.

- Economia e produtividade laboral cresce a ritmo lento, apesar da taxa de desemprego ligeiramente abaixo da OCDE (ODS 8).

ODS e bibliotecas

Na Década de Ação para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (2020 – 2030), segundo apelo da ONU e, quando faltam 8 anos para 2030, é importante tomarmos consciência de que falharmos os ODS poderia comprometer o futuro e sobrevivência do ser humano.

Na biblioteca desenvolvemos ações que consciencializem para a necessidade de políticas fortes e mudança de estilos de vida?

Partindo de uma área crítica do relatório da OCDE, crie e desenvolva, com as crianças e jovens, uma ação que promova um ODS. Depois, partilhe a história dessa ação com todos, colocando a sua biblioteca no mapa global das Histórias ODS [SDG Stories] da Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA). O seu contributo é tanto mais necessário quanto Portugal não regista neste mapa qualquer iniciativa.

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Para se inspirar pode consultar outras propostas apresentadas pela IFLA [5].

Alcançar os ODS é um desafio para o qual todos somos responsáveis.

 

Referências

1. Organisation for Economic Co-operation and Development. (2022, 27 Apr.). The Short and Winding Road to 2030: Measuring Distance to the SDG Targets. Paris: OECD Publishing. https://www.oecd-ilibrary.org/social-issues-migration-health/the-short-and-winding-road-to-2030_af4b630d-en

2. Rede de Bibliotecas Escolares. (2022). ODS: Caminho curto e sinuoso até 2030 (OCDE). Portugal: RBE. https://blogue.rbe.mec.pt/ods-caminho-curto-e-sinuoso-ate-2030-2592924

3. Rede de Bibliotecas Escolares (2022). OCDE: ODS Pessoas e Clima. Portugal: RBE. https://blogue.rbe.mec.pt/ocde-ods-pessoas-e-clima-2596736

4. Rede de Bibliotecas Escolares (2022). ODS: Paz e confiança na governação (OCDE). Portugal: RBE. https://blogue.rbe.mec.pt/ods-paz-e-confianca-na-governacao-ocde-2598729

5. International Federation of Library Associations and Institutions. (2022, 31 Jan.). IFLA and the SDGs: January 2022 Update. Holland: IFLA. https://www.ifla.org/news/ifla-sdgs-update-march-2021/

6. Fonte da imagem: Direção-Geral de Educação. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável [ODS]. https://www.dge.mec.pt/objetivos-de-desenvolvimento-sustentavel-ods

Planos de Desenvolvimento Pessoal Social e Comunitário e Bibliotecas Escolares: uma articulação estratégica impactante

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Leitura: 4 min |

Os Planos de Desenvolvimento Pessoal Social e Comunitário (PDPSC) são uma medida de política educativa, reconhecida pela sua eficácia no aperfeiçoamento de competências sociais, emocionais e de desenvolvimento pessoal dos alunos, bem como no aprofundamento do envolvimento familiar e comunitário, que, a partir do ano letivo 2021/22, integram o Plano de Recuperação das Aprendizagens, Plano 21|23 Escola+.

Construídos numa lógica de bottom-up, estes Planos dão resposta às fragilidades diagnosticadas pelas próprias escolas, através de medidas implementadas numa ação de complementaridade entre docentes e técnicos especializados das mais diversas áreas de especialidade. Conta-se com psicólogos e terapeutas da fala, com ações dirigidas ao desenvolvimento de competências pessoais e socioemocionais e também competências de literacias múltiplas, sendo as mais predominantes a literacia emergente e a literacia da leitura e da escrita. Mediadores, educadores sociais e assistentes sociais que desempenham ações essenciais à implementação de medidas com foco no envolvimento familiar e comunitário e em programas de tutoria e mentoria. Técnicos de informática que dão resposta a necessidades técnicas no âmbito do Plano de Ação para o Desenvolvimento Digital da Escola bem como à capacitação digital de docentes, alunos e familiares. Ou ainda artistas e animadores que dão o seu contributo numa educação pela arte e pelo lúdico. Nutricionistas, terapeutas ocupacionais, mediadores de leitura, entre muitos outros de áreas tão distintas promovem o sucesso escolar de crianças e alunos desde a educação pré-escolar até ao ensino secundário, em todas as escolas de Portugal Continental, em estreita articulação com toda a comunidade educativa.

A biblioteca escolar, enquanto centro de inovação da escola, é uma das parceiras de excelência dos inúmeros projetos que aí decorrem, quer de apoio ao currículo, quer de desenvolvimento de múltiplas competências, com enfoque especial para a literacia da leitura, da informação e dos media. A biblioteca é um espaço de inclusão, conhecimento e cultura que promove o envolvimento com as famílias e a comunidade. “Sítios de colaboração e diálogo, de curiosidade e descoberta, de pensamento e reflexão, de projeto e iniciativa, as bibliotecas escolares ajudarão todos e cada um a desenvolver as suas capacidades e talentos, na compreensão e no respeito pela memória coletiva e pelos direitos humanos” (RBE, 2021, p. 14).

O desenvolvimento ativo, intencional e regular de projetos e atividades pelas bibliotecas escolares e em articulação com todas as estruturas de cada escola constitui uma das mais importantes estratégias para o sucesso escolar e o desenvolvimento pessoal e cultural das crianças e  jovens, contribuindo para que adquiram as múltiplas literacias de que necessitam, tal como defendido no ‘Perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória’.

Neste sentido, é fundamental promover um trabalho de articulação entre os professores bibliotecários e os técnicos afetos às escolas, no âmbito da implementação dos PDPSC, pois, desta forma, rentabilizam-se recursos, diversificam-se estratégias e trabalha-se de forma concertada em prol das aprendizagens dos alunos.

São inúmeros os exemplos de articulação entre os professores bibliotecários e os técnicos PDPSC e os resultados alcançados são francamente positivos, tendo, aliás, sido divulgados alguns exemplos no relatório A ação estratégica das escolas portuguesas no desenvolvimento pessoal, social e comunitário dos alunos durante a pandemia de COVID-19 (Verdasca et al, 2022), elaborado para avaliação dos Planos de Desenvolvimento, Pessoal, Social e Comunitário, relativamente ao ano letivo 2020/2021, nomeadamente, no âmbito do desenvolvimento das artes performativas, da leitura e da escrita e da relação com os parceiros da comunidade.

Dando continuidade à divulgação de práticas pedagógicas impactantes, neste relatório são apresentados três exemplos de estreita articulação entre os técnicos PDPSC e os professores bibliotecários, em intervenções com foco nos seguintes domínios:

- Envolvimento familiar: Agrupamento de Escolas de Paredes e Agrupamento de Escolas de Tábua;

- Artes, expressões e cultura: Agrupamento de Escolas de Santiago do Cacém.

Para dar voz a outras escolas que poderão servir de inspiração para o trabalho a realizar, serão publicados no blogue RBE vários artigos que relatam experiências de sucesso neste trabalho de articulação entre os PDPSC e as bibliotecas escolares, até ao final do presente ano letivo.

 

Referências

1. RBE (2021). Bibliotecas Escolares: presentes para o futuro. Programa Rede de Bibliotecas Escolares: Quadro estratégico: 2021-2027. RBE. https://rbe.mec.pt/np4/?newsId=890&fileName=qe__21.27.pdf

2. Verdasca, J., Neves, A., Fonseca, H., Fateixa, J., João, M. J., Procópio, M., & Magro-C, T. (2022). A ação estratégica das escolas portuguesas no desenvolvimento pessoal, social e comunitário dos alunos durante a pandemia de COVID-19. ME/PNPSE. https://pnpse.min-educ.pt/estudo7

3. Foto de Pixabay: https://cutt.ly/TJgi0Fy

Autonomia e Flexibilidade Curricular - Relato de uma experiência

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Leitura: 3 min

1. Enquadramento

Segundo Perrenoud “Mudar a avaliação significa provavelmente mudar a escola. Pelo menos se pensarmos em termos de mudanças maiores, no sentido de uma avaliação sem notas, mais formativa, uma vez que as práticas de avaliação estão no centro do sistema didático e do sistema de ensino” [1]. Nesta metamorfose, o planeamento carecia de ser repensado e a forma como a escola orientava a sua gestão curricular deveria estar coerente com os propósitos da sua ação. Assim sendo, o agrupamento decidiu alterar a forma como geria o currículo e os instrumentos de planeamento que usualmente utilizava.

A gestão do currículo passou a ser feita numa lógica de ciclo, ajustando algumas das aprendizagens ao ano de escolaridade e identificando as aprendizagens-chave de cada ano. Nos trabalhos preparatórios, os diferentes grupos disciplinares realizaram um processo de mapeamento dos programas das diferentes disciplinas, acentuando as aprendizagens consideradas chave em cada ano de escolaridade, tendo por referência as aprendizagens essenciais, e definindo claramente os tópicos comuns a cada área, ajustando as planificações e evitando redundâncias.

Este trabalho minucioso de sinalização das aprendizagens chave permitiu identificar, permitiu desenhar cenários de aprendizagem que se constituem como ponto de partida para a elaboração de projetos transdisciplinares e funcionam como catalisadores da articulação curricular.

Assim, o currículo é visto como uma unidade global a gerir pela escola e por cada equipa educativa, consoante a realidade do seu contexto e o perfil de cada conjunto de alunos.

No que diz respeito às diferentes matrizes curriculares, o agrupamento desenhou as suas próprias matrizes, através da agregação parcial de disciplinas e da criação de espaços de trabalho transdisciplinar (Oficina do Conhecimento).

A Oficina de Conhecimento funciona a partir da organização de unidades curriculares integradoras, planeadas a partir de modelos agregadores de competências e de conteúdos curriculares transversais ao currículo.

Numa visão holística, tendo como cerne do problema a desconstrução da compartimentação do saber, a Oficina do Conhecimento está assente em Cenários Integrados de Aprendizagem (CIA).

 

2. Cenários Integradores de Aprendizagem (CIA)

Os cenários tiveram origem na identificação, para cada ano de escolaridade, de disciplinas nucleares e complementares, assim como das aprendizagens a promover em cada cenário. No desenho de cada projeto participa toda a equipa educativa, procurando que o cenário migre do espaço destinado a trabalho de projeto para cada uma das áreas curriculares.

Os CIA são pontos de partida para o desenvolvimento de trabalhos de projeto, arquitetados pelas diferentes equipas educativas e construídos com e pelos alunos.

Os Cenários foram desenhados pelas equipas pedagógicas tendo por base os domínios da Cidadania e Desenvolvimento, o mapeamento curricular elaborado e a identificação, em cada ano de escolaridade, das disciplinas consideradas nucleares e das disciplinas tidas como complementares.

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Cada CIA inicia com um ponto de partida, regra geral, uma obra literária, ajustada a cada ano de escolaridade e sugerida em articulação com os docentes de Português.

A obra é explorada em momentos distintos, geralmente através de Tertúlias Dialógicas Literárias, nos quais os diferentes grupos são convidados à leitura interpretativa e coletiva. Assim, constrói-se um sentido coletivo da obra, levando cada grupo a exponenciar os diferentes sentidos da mensagem através da vivência individual de cada aluno.

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Os cenários são apresentados, regra geral, aos alunos através de vídeos desafiadores onde a equipa pedagógica apresenta CIA e incentiva a pesquisa e reflexão.[2]

Deste modo, construíram-se, para os 2.º e 3.º ciclos, um total de 15 Cenários Integradores de Aprendizagem, a saber:

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3. Creative Problem Solving (CPS)

A formação interna do AEFCPS procurou colmatar as necessidades sentidas pelos docentes, nomeadamente em relação ao trabalho de projeto. Assim, durante um ano, os docentes vivenciaram um processo continuado de desenvolvimento profissional em torno da metodologia Resolução Criativa de Problemas ou Creative Problem Solving.

Esta metodologia visa a resolução criativa de problemas tendo por base seis fases:

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O desenho dos CIA foi acompanhado pela construção de um guião exploratório que auxilia os docentes na dinamização das diferentes fases de cada projeto e na respetiva avaliação.

Cada CIA termina com a apresentação do currículo aprendido durante cada uma das três semanas temáticas (Eu e os outros, Eu e o mundo e Eu e o ambiente). Nessa semana são apresentados os produtos finais, assim como, explorado o processo que conduziu aos mesmos.

 

4. O papel da Biblioteca Escolar

Neste tipo de trabalho procuramos que a biblioteca seja um ponto aglutinador de vontades e um polo centralizador de recursos.

Para tal, foram disponibilizados recursos humanos de diferentes áreas, de modo a que o trabalho a desenvolver tenha massa crítica e cooperante.

A aquisição de fundo documental sugerido pela equipa da biblioteca tem em consideração as necessidades de cada projeto e as dinâmicas de cada equipa pedagógica procuram, em graus crescentes, a utilização dos recursos e oportunidades disponibilizados pela biblioteca.

As abordagens dialógicas em tertúlias partem da biblioteca, os trabalhos de projeto centram a sua operacionalidade na biblioteca e cada vez mais, embora a velocidades que se pretendiam mais acentuadas, a biblioteca se assume como um pilar para o trabalho de projeto.

Os modelos de pesquisa da informação são articulados com as oportunidades criadas pela Biblioteca e a apresentação do currículo aprendido acontece no espaço biblioteca.

O Diretor, Paulo Jacinto Correia de Almeida

 

Referências

1. Citado por Cosme, A., Ferreira, D., Sousa, L. & Barros, M. (2020). Avaliação das Aprendizagens. Propostas e Estratégias de Ação. Porto Editora

2. O vídeo do Cenário Integrador “O meu herói és tu” pode ser consultado em https://youtu.be/i841YF9AMs8

3. Imagem de capa de Steve Buissinne por Pixabay 

IFLA: Direitos Culturais

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Leitura: 5min |

Para preparar a Conferência Mundial sobre Políticas Culturais e Desenvolvimento Sustentável, Mondiacult 2022, a UNESCO convidou diversas entidades, incluindo a IFLA, para realizar encontros ResiliArt x Mondiacult que, devendo escutar diversas vozes e perspetivas, servirão para informar a Mondiacult [1] que decorrerá, de 28 a 30 de setembro, no México.

ResiliArt x Mondiacult: Bibliotecas que permitem um acesso inclusivo e significativo à cultura promovido pela IFLA [2], a 23 de fevereiro, discutiu o ponto de vista da biblioteca para o papel da cultura nos desafios globais.

Do encontro, a IFLA destaca 6 prioridades e 8 recomendações, dirigidas à sociedade civil e formuladores de políticas.

Prioridades

1. Ligações Cultura-Educação

É necessário “fortalecer os vínculos cultura-educação”, desenvolvendo parcerias com o setor da cultura e promovendo uma abordagem formal e informal da educação porque os currículos devem ser significativos, acessíveis e inclusivos, devem estimular a criatividade, cidadania global, identidade cultural e diálogo entre culturas.

2. Inclusão

É necessária uma política cultural que garanta que todos têm oportunidade de participar na vida cultural usando a sua linguagem.

A propósito, a Rede de Bibliotecas Escolares sublinha a importância de pôr em prática os princípios da IFLA/ UNESCO sobre A Biblioteca Multicultural [3] que assentam no pressuposto que a língua não pode ser fator de discriminação e que as bibliotecas devem fornecer informação, materiais, serviços e colaboradores que reflitam as necessidades e culturas de todos os leitores. Na Década Internacional das Línguas Indígenas (2022-2032) recorda ainda a importância do património linguístico do povo indígena.

A abertura da biblioteca a todas as culturas, não significa cair num relativismo cultural, pois deve ser feita no respeito por todos os outros direitos humanos.

3. Conectividade digital

As bibliotecas devem garantir que todos tenham acesso à internet e oportunidades para desenvolver competências digitais adaptadas às suas necessidades e devem criar e providenciar recursos à distância relevantes.

4. Lei de direitos autorais

Faz parte da promoção do acesso à educação e cultura, trabalhar com os utilizadores os aspetos legais dos direitos de autor, devendo a biblioteca “promover a adoção de práticas abertas na produção e partilha de conhecimento”, bem como facilitar a produção e transferência de livros adaptados a pessoas cegas ou com baixa visão, como prevê o Tratado de Marrakesh.

5. Património digital

Para que as bibliotecas possam preservar e tornar acessíveis as suas coleções, os responsáveis pela definição de políticas devem garantir que a digitalização, preservação e acesso a e-books, obras de arte e património cultural se mantém acessível, interoperável e pode ser usado para fins públicos, como educação e investigação. A preservação digital deve ser incentivada porque permite conservação a longo prazo e acesso sem restrições.

6. Exclusão digital

A biblioteca escolar deve trabalhar a exclusão digital – que inclui dificuldades de conectividade, acesso e criação de conteúdos e de competências – para garantir a participação e acesso equitativo à cultura digital.

Porque “A UNESCO estava particularmente interessada em receber recomendações de mecanismos que permitam que o património/ criatividade aproveite a transição digital e as novas tecnologias”, a IFLA estabelece as seguintes orientações para formuladores de políticas:

A. Criação integrada e coesa de planos nacionais de conectividade digital, que devem incluir as bibliotecas;

B. Parcerias público-privadas – por exemplo, com empresas de telecomunicações - para conectividade;

C. Eventos virtuais podem aumentar participação e facilitar serviços de tradução;

D. Enfrentar desafios legais para permitir acesso ao património cultural em ambiente digital.

Considerando que - sobretudo em período de pós-pandemia - parte significativa da nossa vida é feita em ambiente em linha, que em Portugal e outros países a legislação é anterior a este avanço tecnológico da sociedade  - em Portugal a lei é de 1985 - e que há necessidade de tratamento justo dos direitos de autor, a IFLA considera que há que tornar a legislação menos restritiva e complexa e mais flexível para facilitar acesso equitativo à educação e cultura e que se deve caminhar para uma regulamentação global e justa para todos.

Para que as bibliotecas possam viabilizar o acesso ao património cultural em ambiente digital, é necessário criar um mecanismo legal que lhes permita “fazer cópias e divulgar o conhecimento contido nas suas coleções”, bem como dialogar e envolver os criadores nas decisões sobre partilha e uso desse material – as bibliotecas estão ligadas aos criadores e suas comunidades e devem ter “um papel maior na promoção e acesso” às suas criações.  

E. Responder à falta de diversidade na expressão cultural na internet, garantindo que seja multicultural e multilingue e reflexo da sociedade cosmopolita em que vivemos – “Deve haver um mecanismo em vigor na criação de conteúdo digital e seleção de material digital para preservação a longo prazo que garanta que o progresso tecnológico sirva o plurilinguismo”.

7. Melhorar a infraestrutura cultural

“Para que comunidades diversas possam exercer equitativamente seu direito à cultura”, as bibliotecas devem ser os centros culturais da comunidade, disponibilizando em acesso livre exposições, conferências, programas de atividades artísticas e culturais. Para reforçar este papel carecem de maior investimento e apoio.

Recomendações

1. A política pública deve seguir uma abordagem em direitos humanos e os direitos culturais devem ser transversais porque transmitem valores e contribuem para realização dos demais direitos.

2. A biblioteca deve gerar oportunidades de aprendizagem não formal e de trocas equitativas de saber e cultura entre todas as pessoas.

3. Atividades virtuais podem diminuir discrepâncias entre comunidades urbanas e rurais e permitir o acesso a pessoas e comunidades marginalizadas, mas o acesso físico à cultura deve ser garantido – o virtual não substitui o presencial.

4. Inclusão e acesso equitativo devem ser integrados no quotidiano de todas as organizações, instituições, estruturas e serviços.

5. “Políticas focadas em dados” e dados acessíveis, interoperáveis e abertos para investigação e interesse público, bem como capacitação para preservação de material cultural em todas as áreas (audiovisual, digitalizado, material digital).

6.Os profissionais da biblioteca devem estar entre os atores envolvidos na elaboração e implementação de planos nacionais de educação, participação cultural e inclusão digital.”

7. São necessários estudos sobre o impacto da cultura no desenvolvimento sustentável (ambiente, igualdade de género, racismo e discriminação, democracia, paz…) para que o seu valor “seja reconhecido e compreendido pelos formuladores de políticas”.

8. Oportunidades de formação profissional continua para os profissionais de biblioteca, especificamente para desafios emergentes para que “as bibliotecas possam fornecer serviços adequados que respondam às necessidades em evolução de suas comunidades.”

A IFLA apresentou estas prioridades e recomendações junto da UNESCO que deverão ser tidas em consideração na agenda da próxima Conferência Mundial sobre Políticas Culturais e Desenvolvimento Sustentável.

 

Referências

1. UNESCO. (2022). Mondialcult 2022. México: UNESCO. https://www.unesco.org/en/mondiacult2022

2. IFLA. (2022, 12 Apr.). ResiliArt x Mondiacult: Library Voices Joining the Global Conversation on Cultural Rights. Netherlands: IFLA. https://www.ifla.org/news/resiliart-x-mondiacult-library-voices-joining-the-global-conversation-on-cultural-rights/

3. IFLA & UNESCO. (2001). The Multicultural Library – a gateway to a cultural diverse society in dialogue. Netherlands: IFLA. https://repository.ifla.org/bitstream/123456789/731/1/multicultural_library_manifesto-en.pdf

4. Fonte da imagem: IFLA. (2022, 16 Fev.). ResiliArt x Mondiacult at IFLA – Meet the Panel and Register Now! Netherlands: IFLA. https://www.ifla.org/news/resiliart-x-mondiacult-at-ifla-meet-the-panel-and-register-now/

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