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Olhar Espacial fala da confirmação de 5 mil exoplanetas pela Nasa e da importância dessas descobertas

Por Flavia Correia — 25 de Março de 2022, 14:35

Nesta semana, a Nasa confirmou a existência de 5 mil exoplanetas, também chamados de planetas alienígenas, termos que se referem aos corpos planetários que orbitam fora do nosso sistema solar. Em razão disso, o Olhar Espacial desta sexta-feira (25) vai abordar o tema com dois convidados que entendem muito do assunto: Denis Kulh e Sergio José Gonçalves da Silva, membros do Alfa Crucis, um grupo de pesquisas e estudos astronômicos que trabalha com detecção de exoplanetas.

Um dos convidados do programa Olhar Espacial desta sexta-feira (25), Denis Kulh, membro do Grupo Alfa Crucis de estudos astronômicos. Imagem: Grupo Alfa Crucis

Denis Kulh é engenheiro de computação e atua em pesquisa e desenvolvimento na área de software. Entusiasta da astronomia amadora desde 2015, Kulh tem grande interesse no uso e construção de softwares para auxiliar o processamento e a redução de dados fotométricos relativos a diversos fenômenos astronômicos. No Alfa Crucis, ele é coordenador de redução de dados do subgrupo de exoplanetas.

Sergio José Gonçalves da Silva, nascido em Caracas, na Venezuela, se autodenomina cidadão do mundo. Astrônomo amador e engenheiro de telecomunicações formado pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, em Portugal, mudou-se para o Brasil em 2012. Apaixonado pela astronomia desde criança, deu os primeiros passos no Observatório Astronómico de Lisboa (OAL) fazendo cursos de astronomia para amadores, dando continuidade no Clube de Astronomia de São Paulo (CASP), do qual também é membro. 

Sergio José Gonçalves da Silva, também membro do Grupo Alfa Crucis com vasta experiência em exoplanetas, é outro convidado da edição desta sexta-feira (25) do programa Olhar Espacial. Imagem: Grupo Alfa Crucis

Em 2015, Silva começou a operação do Observatório TUGA, em Porto Feliz, interior de SP, dedicando-se principalmente à astrofotografia e instrumentação astronômica. Especialista em processamento de vídeo, eletrônica e software, ingressou no Grupo Alfa Crucis em 2018, onde contribuiu com a instrumentação da segunda detecção de exoplanetas, astrofotografia e divulgação. Também atua no projeto Deep Images of Mergers (DIM), liderado pela renomada astrônoma Duilia De Mello.

Apresentado por Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia — APA; membro da SAB — Sociedade Astronômica Brasileira; diretor técnico da Bramon — Rede Brasileira de Observação de Meteoros — e coordenador regional (Nordeste) do Asteroid Day Brasil, o Olhar Espacial é transmitido ao vivo, todas às sextas-feiras, às 21h, pelos canais oficiais do veículo no YouTube, Facebook, Instagram, Twitter, LinkedIn e TikTok.

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Simulação do início do universo é demonstrada em vídeo

Por Rafael Arbulu — 25 de Março de 2022, 15:21

Um novo vídeo divulgado pelo Centro de Astrofísica do Museu Harvard Smithsonian mostra uma simulação do início do universo, exibindo a formação das primeiras galáxias e a reionização de hidrogênio, quando átomos neutros do elemento químico receberam cargas positivas, permitindo que a luz se espalhasse pelo universo.

O vídeo, que você vê abaixo, é parte de um amplo estudo astronômico publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e conta também com participação do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e o Instituto Max Planck de Astrofísica.

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O período na simulação acima ocorreu há mais ou menos 13 bilhões de anos e, segundo os autores do vídeo, foi bem complicado de reproduzir, tendo em vista o pouco conhecimento que temos da época extremamente antiga e as reações caóticas entre gravidade, gás, radiação e luz.

“A maioria dos astrônomos não têm laboratórios para conduzir seus experimentos”, disse Rahul Kannan, astrofísico do Smithsonian e autor primário do estudo. “As escalas de tempo e espaço são grandes demais, então a única forma pela qual podemos experimentar com elas é por computadores. Nós podemos pegar equações básicas de Física e modelos teóricos de governança física para simular o que aconteceu no início do universo”.

Com a simulação – chamada “Thesan” em homenagem à deusa etrusca do nascer do Sol -, o time foi capaz de reproduzir uma parte relativamente grande do universo (ao menos, segundo o nosso ponto de vista), de 300 milhões de anos-luz de expansão. Neste ambiente, foi possível enxergar a formação e a evolução de centenas de milhares de galáxias, a partir de 400 mil anos após o Big Bang e até entrar no primeiro bilhão de anos.

“É meio parecido com a água em formas de gelo”, disse o co-autor Aaron Smith, do MIT. “Quando você a coloca no congelador, leva um tempo, mas ela logo começa a congelar pelas bordas, devagarinho se fechando até o centro. Essa foi a mesma situação no início do universo — um cosmo neutro, escuro que se tornou brilhante e ionizado conforme a luz começou a emergir das primeiras galáxias”.

A ideia é que a simulação funcione como preparação para os estudos conduzidos pelo telescópio espacial James Webb (JWST). Segundo as especificações do artefato, ele será capaz de olhar mais profundamente para um passado mais distante – enxergando objetos de 13,5 bilhões de anos. “Muitos dos telescópios que estão prestes a ficar online, como o JWST, são especificamente desenhados para estudar essa época”, disse Kannan. “É aí que entram nossas simulações: elas vão nos ajudar a interpretar observações reais desse período e compreender o que estamos enxergando”.

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Novo tratamento pode impedir perda de memória para quem sofre de Alzheimer

Por Rafael Arbulu — 26 de Março de 2022, 20:24

Um novo estudo publicado no jornal científico Communications Biology, ligado à revista Nature, ressalta bons resultados de um tratamento ainda em fase experimental relacionado ao Mal de Alzheimer, a doença neurodegenerativa que causa perda extensa de memória e, com o tempo, morte.

Ainda sem cura, a doença tem por característica uma inflamação neurológica que começa afetando o senso de julgamento do paciente, progredindo para perda de memória e a paralisação de funções cerebrais maiores. Não apenas o Mal de Alzheimer ainda é incurável, ele também é sempre fatal.

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A perda ampla de memória de curto e longo prazo são sintomas comuns em quem sofre do Mal de Alzheimer, mas novo tratamento vem sendo pesquisado para preservar a lembrança dos pacientes
A perda ampla de memória de curto e longo prazo são sintomas comuns em quem sofre do Mal de Alzheimer, mas novo tratamento vem sendo pesquisado para preservar a lembrança dos pacientes (Imagem: Photographee.eu/Shutterstock)

O proposto tratamento prevê a administração intranasal do que os especialistas chamaram de “mediadores lipídicos”, que são basicamente compostos bioativos feitos de ácidos graxos como o ômega-3, e que atuam especificamente no tratamento anti-inflamatório.

Um desses mediadores lipídicos, chamado “Neuroprotectina-D1” (NPD1), foi descoberto pela equipe liderada por Nicolas Bazan, médico neurologista, PhD e professor e diretor do Centro de Excelência Neurocientífica LSU, em Nova Orleans. Pesquisas anteriores mostraram que esse recurso funciona bem em tratamentos contra vítimas de derrames ou pessoas que têm algum dano de retina, mas que tem pouca presença na área do cérebro que corresponde à memória.

A administração intranasal (pense em quando você tinha que espirrar o famoso “rinosoro” dentro do nariz) é a menos invasiva para essa finalidade, de acordo com os médicos envolvidos no estudo, que também dizem que seu uso deve abrir novas vias de tratamento para quem sofre de Alzheimer.

“Essa doença não tem prevenção, nem cura, e impõe uma pressão horrenda em seus pacientes e as respectivas famílias, considerando a sua progressão arrasadora e seus eventos adversos devastadores”, disse o Dr. Bazan. “Milhões de pessoas sofrem de Alzheimer hoje, e esse número deve aumentar rapidamente nos próximos anos”.

De acordo com levantamentos da Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 50 milhões de pessoas no mundo convivem com o Mal de Alzheimer ou alguma doença neurodegenerativa relacionada.

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SpaceX se prepara para um abril cheio de lançamentos

Por Flavia Correia — 29 de Março de 2022, 15:25

Nesta sexta-feira (1º), às 12h24 EDT (13h24, pelo horário de Brasília), um foguete Falcon 9, da SpaceX, vai decolar levando 40 espaçonaves de diferentes clientes encapsuladas dentro de sua carenagem de carga útil ao espaço, no voo Transporter-4 – a quarta missão de transporte compartilhado da empresa. E esse será apenas o primeiro de uma série de lançamentos programados para abril.

Um foguete Falcon 9, da SpaceX, lançando o satélite espião NROL-87 para o Escritório Nacional de Reconhecimento dos EUA, no mês passado. A empresa programou uma extensa lista de lançamentos para o mês que vem. Imagem: SpaceX

Segundo o site Teslarati, a SpaceX quer lançar cinco do total de seis missões com o Falcon 9 de abril nos primeiros 19 dias do mês – igualando seu recorde de cadência existente, se tudo sair como o planejado. 

Em feito inédito, SpaceX pode fazer seis lançamentos do Falcon 9 em um único mês

Em dezembro de 2021, a SpaceX conseguiu completar um recorde de cinco lançamentos orbitais do Falcon 9 em aproximadamente 18,5 dias. Incluindo uma missão adicional no fim de novembro, a empresa completou seis lançamentos em 27 dias. Esse recorde quase se repetiu no mês seguinte, quando foram feitos seis lançamentos em 28 dias, compreendendo janeiro e fevereiro. 

Embora ainda não tenha lançado seis voos exatamente no mesmo mês, a SpaceX já demonstrou capacidade suficiente para tanto. E abril pode ser o mês para isso se concretizar. 

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Depois do voo Transporter-4, a SpaceX tem duas missões Crew Dragon – a Axiom-1, com quatro tripulantes privados, e a Crew-4, com quatro astronautas profissionais – programadas para serem lançadas do Pad 39A do Centro Espacial Kennedy, da Nasa, em 6 e 19 de abril, respectivamente.

Além disso, a empresa de Elon Musk pretende lançar a missão Starlink 4-14, em 14 de abril, e o satélite espião NROL-85, do Escritório Nacional de Reconhecimento dos EUA (NRO), no dia seguinte. Para fechar o mês agitado, a SpaceX poderia lançar o satélite de comunicações geoestacionário Nilesat 301 do Egito no dia 30.

Ainda que não quebre o recorde de cadência interna da empresa, abril pode confirmar que a prática de cinco ou seis lançamentos em um mês está se tornando cada vez mais uma, e não apenas um feito único que exige um esforço extraordinário. Isso fica ainda mais claro pelo fato de que três dos lançamentos de abril levarão humanos ou satélites espiões militares – ambos exigindo o máximo cuidado e aprovação explícita de dois dos clientes mais rigorosos da SpaceX.

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Orçamento da NASA para 2023 deve ir até US$ 26 bilhões, a pedido de Joe Biden

Por Rafael Arbulu — 29 de Março de 2022, 15:42

O presidente norte-americano Joe Biden entregou uma proposta que pode aumentar o orçamento da agência espacial dos EUA, a NASA, para US$ 26 bilhões (R$ 123,71 bilhões) – um valor US$ 2 bilhões (R$ 9,48 bilhões) mais alto que o ano fiscal atual.

Segundo informações da imprensa estadunidense, o valor entra em vigência no novo ano fiscal e serviria como financiamento de projetos de larga escala, como o Programa Artemis e a construção de novas estações espaciais.

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O SLS é o mega foguete do ambicioso Programa Artemis, que deve levar o homem de volta à Lua até 2026: maior parte do orçamento da NASA para 2023 será destinada ao projeto
O SLS é o mega foguete do ambicioso Programa Artemis, que deve levar o homem de volta à Lua até 2026: maior parte do orçamento da NASA para 2023 será destinada ao projeto (Imagem: NASA/Divulgação)

O Artemis é o ambicioso projeto da NASA para levar o homem de volta à Lua entre 2025 e 2026. Para isso, a agência espacial americana quer separar US$ 7,5 bilhões para a construção de módulos de pouso – algo feito por licitação e contratação de empresas privadas. Um módulo de pouso, essencialmente, é o que tira um astronauta da nave e o leva até a superfície da Lua.

Além disso, pesquisas recorrentes sobre desenvolvimento e aprimoramento do Space Launch System (SLS), um mega foguete que a NASA vem desenvolvendo há alguns anos, também devem entrar nesse pacote.

O valor de US$ 775 milhões (R$ 3,7 bilhões, aproximadamente) também deve ser dedicado à construção da Lunar Gateway, uma estação espacial que a agência espera instalar na órbita da Lua. Tal estação serviria como ponto para atracar naves e veículos, bem como para que astronautas enviados para lá possam viver e treinar antes de irem à superfície do satélite. Se tudo correr como o planejado, a primeira parte da estação deve ser lançada em 2024.

Há também uma parcela deste dinheiro (US$ 486 milhões, ou R$ 2,31 bilhões) direcionada para o financiamento de missões robóticas de exploração – como por exemplo a missão VIPER, que colocará um rover homônimo para percorrer a superfície da Lua em busca de dados sobre os depósitos de gelo em nosso satélite natural. Essa parte é relativamente urgente, considerando que a NASA mantém várias parcerias para a construção desse material, com empresas como Astrobotic e Intuitive Machines.

Finalmente, outros US$ 224 milhões (R$ 1,06 bilhão) serão destinados à construção de estações espaciais comerciais de pequeno porte, a serem instaladas na baixa órbita da Terra (LEO). Essa é a mesma região onde, hoje, está instalada a Estação Espacial Internacional (ISS). Biden, junto de sua vice, Kamala Harris, anunciaram a extensão da missão da ISS até 2030, mas quando o programa acabar, os EUA já querem ter um substituto pronto.

Neste plano, aliás, cabe um adendo: a Rússia, parceira dos EUA na manutenção da ISS, concordou em manter-se na estação apenas até 2024. Em tese, ambos os países são necessários para que a estrutura funcione normalmente – devido a uma série de práticas de segurança (a Rússia é incumbida de “derrubar seguramente” a estação, enquanto os EUA fornecem energia por meio de painéis solares a ela, entre outras coisas).

A guerra russo-ucraniana, iniciada por Vladimir Putin em fevereiro, no entanto, vem deixando essa relação mais “salgada”: os EUA impuseram sanções comerciais à Rússia durante o conflito, o que levou a ameaças e retórica de Dmitry Rogozin, diretor da agência espacial russa (Roscosmos) a proferir diversas ameaças – algumas, nada veladas – ao governo dos EUA.

Voltando ao orçamento da NASA, há outros valores destinados a diversos pontos: US$ 8 bilhões (R$ 37,96 bilhões) devem ser alocados em “ciência” – provavelmente, pesquisas variadas que a NASA já vem conduzindo (crescer alface no espaço, por exemplo). Disso, US$ 2,4 bilhões (R$ 11,39 bilhões) serão especificamente destinados a pesquisas climáticas e análises meteorológicas com base em dados de satélites.

Um ponto interessante da proposta deste ano é a inclusão de US$ 822 milhões (R$ 3,9 bilhões) para a coleta, transporte e estudo de amostras de solo vindas de Marte. A agência, hoje, conta com os rovers Curiosity e Perseverance no trafegando o planeta vermelho, e vem trabalhando com a Lockheed Martin para criar diversos veículos para buscar essas amostras e trazê-las de volta à Terra, onde devem ser estudadas na contínua busca por sinais de vida extraterrestre.

O site da NASA conta com uma tabela detalhada que explica para onde vai cada valor da proposta.

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Amostras coletadas pelo Perseverance só chegarão à Terra em 2033

Por Rafael Arbulu — 29 de Março de 2022, 16:29

A proposta de orçamento da NASA para 2023, ainda pendente de aprovação pelo Congresso dos EUA, prevê um detalhe interessante: as amostras rochosas de Marte, coletadas pelo rover Perseverance, devem demorar um pouco mais para chegar à Terra – agora, a previsão é de retorno não antes de 2033.

Isso porque, no novo orçamento, previsto em US$ 26 bilhões (R$ 123,71 bilhões), a NASA antecipa o uso de dois módulos de pouso ao invés de um. Evidentemente, um segundo módulo ainda não começou a ser construído, então isso tende a atrasar um pouco o calendário.

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As amostras coletadas pelo rover Perseverance, em Marte, vão demorar um pouco mais para voltar à Terra
As amostras coletadas pelo rover Perseverance, em Marte, vão demorar um pouco mais para voltar à Terra (Imagem: Merlin74/Shutterstock)

“Uma detalhada análise dos requerimentos de massa da SRL levaram a NASA a adotar uma arquitetura de dois módulos, com o segundo módulo carregando o veículo de coleta de amostras europeu”, disseram oficiais da agência. “SRL” é a sigla em inglês para “Módulo de Retorno de Amostras”.

O comunicado continuou: “o desenvolvimento de um segundo módulo carece do adiamento para um lançamento em 2028 e retorno de amostras em 2033, e é consistente com a conclusão do Comitê Revisional Independente de Retorno de Amostras de Marte (IRB), de que uma arquitetura de dois módulos pode aprimorar a probabilidade de sucesso da missão”.

A NASA tem, em Marte, os rovers Curiosity e Perseverance, que estão trafegando por diferentes regiões do planeta vermelho em busca de sinais de vida antiga. Destes, o Perseverance parece ser o mais promissor, apesar de ser o mais recente: o rover, que tem mais ou menos o tamanho de um carro popular, roda a chamada Cratera Jezero, uma área desértica de mais de 40 quilômetros (km) de extensão que, há bilhões de anos, foi moradia de um imenso lago e de um delta de rio.

Essa premissa coloca a região como candidata primária à presença de sinais de vida antiga: por essa razão, o Perseverance vem perfurando rochas sedimentares e coletando seus núcleos, a fim de que a comprovação de que já houve vida em Marte venha pelos registros históricos dessas pedras.

A devolução dessas amostras, contudo, exige quase que um projeto separado por parte da NASA: de acordo com documentos da agência, ela vem trabalhando com a Northrop Grumman para criar veículos específicos de recolhimento, a fim de enviá-los a Marte para coletar as amostras do Perseverance, e trazê-las de volta para cá.

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Arraias e peixes ciclídeos são capazes de somar e subtrair, diz estudo

Por Rafael Arbulu — 4 de Abril de 2022, 16:11

Um estudo publicado na revista Nature mostra que arraias de água doce e peixes ciclídeos conseguem realizar pequenas operações aritméticas, efetivamente sendo capazes de somar e subtrair números menores assim como o fazem alguns mamíferos, répteis e pássaros.

A pesquisa considerou arraias da espécie “Potamotrygon motoro” e peixes zebra mbuna, da família Cichlidae. De acordo com o material, a capacidade aritmética dos animais é independente de “memória”. Em outras palavras, eles não precisaram observar outro indivíduo realizar uma operação para aprendê-la.

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Arraias de água doce, assim como peixes ciclídeos, são capazes de somar ou subtrair números menores - uma capacidade que eles desenvolveram sem uma necessidade aparente, segundo estudo
Arraias de água doce, assim como peixes ciclídeos, são capazes de somar ou subtrair números menores – uma capacidade que eles desenvolveram sem uma necessidade aparente, segundo estudo (Imagem: slowmotiongli/Shutterstock)

“Os indivíduos não só aprenderam a escolher o número mais alto ou mais baixo com base na cor; ao invés disso, seus aprendizados foram específicos na capacidade de somar um ou subtrair um”, disse a zoóloga da Universidade de Bonn e co-autora do estudo, Vera Schluessel.

O método seguido é relativamente simples: os cientistas mostraram às arraias e peixes pequenos cartões com um determinado número de figuras geométricas, e depois esses animais tinham que escolher uma porta que escondia uma recompensa. Por exemplo: os animais perceberam que um cartão com três triângulos azuis significava que a recompensa estava atrás da porta com quatro triângulos – eles somaram um.

As arraias ficaram em desvantagem em relação aos peixes: três dos oito indivíduos testados descobriram a “técnica”, enquanto seis dos oito peixes conseguiram “fazer a conta”. Em compensação, todos os animais foram surpreendentemente adeptos ao processo: 94% dos animais acertaram o processo de soma, e 89% acertaram o processo de subtração. Aliás, a primeira lhes veio mais facilmente que a última: fazer a “conta de menos” exigiu mais sessões de treinamento.

A conclusão é a de que, ainda que seus respectivos habitats naturais não exijam esse conhecimento, os animais são capazes de desenvolvê-lo conforme a necessidade: ambas as espécies – arraias e peixes – são predadores oportunistas – eles não caçam presas, mas esperam elas aparecerem em seus raios de ação. Entretanto, nada em seus hábitos alimentares ou suas capacidades de reprodução requer que eles realizem operações aritméticas.

Ou seja: essa habilidade pode lhes ser útil para alguma demanda que nós ainda não identificamos.

“Uma pergunta mais interessante é a de que porque animais como peixes ainda são comumente vistos como ‘primitivos’ ou ‘vertebrados inferiores’”, diz trecho do estudo. “Nos parece óbvio que peixes, com suas capacidades cognitivas e seus status como animais sencientes precisam ser reavaliados, especificamente considerando os perigos antropogênicos [causados pelo homem] que eles enfrentam todo dia”.

Com a conclusão do estudo, as arraias e peixes se juntam às abelhas – os outros únicos animais não mamíferos, não aviários e não reptilianos capazes de realizar operações matemáticas.

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Tem hélio primordial vazando do núcleo da Terra; saiba o motivo

Por Rafael Arbulu — 4 de Abril de 2022, 17:09

Um tipo muito raro de gás hélio – chamado de “hélio primordial” ou ainda “hélio-3”, está escapando do núcleo da Terra, de acordo com novo estudo publicado no jornal científico Geochemistry, Geophysics, Geosystems ao final de março.

O hélio primordial é um isótopo – ou “variante” – bem mais rara do hélio comum, pois contém apenas um nêutron em seu núcleo ao invés dos costumeiros dois. Segundo os pesquisadores, ele é uma “maravilha da natureza” que pode nos ajudar a entender profundamente a história da Terra, já que essa variante do gás apareceu na explosão do Big Bang, o evento que levou ao nascimento do universo há 13,8 bilhões de anos.

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Imagem feita pelo telescópio espacial Hubble mostra a Nebulosa Laguna, uma área do espaço com altas concentrações de hélio primordial - ou hélio-3
Imagem feita pelo telescópio espacial Hubble mostra a Nebulosa Laguna, uma área do espaço com altas concentrações de hélio primordial – ou hélio-3 (Imagem: NASA/ESA/Reprodução)

Na Terra, o hélio primordial corresponde a 0,0001% de todo o hélio do planeta. Ele pode ser criado por vários processos – como o desgaste radioativo do trítio, um isótopo raro de hidrogênio. O fato de ele escapar do nosso núcleo não é bem uma novidade: cientistas estimam que esse escape corresponda a mais ou menos dois quilogramas (kg) do material por ano – o suficiente para encher uma bexiga do tamanho de uma mesa.

Mas os pesquisadores não sabiam exatamente quanto do hélio-3 vinha do núcleo da Terra se comparado ao manto, nem tampouco quanto dele nós temos em nossos “reservatórios naturais”. A fim de responder a essa pergunta, pesquisadores da Universidade do Novo México compararam dois modelos da Terra – um durante a formação do nosso planeta (quando o hélio primordial ainda estava sendo acumulado) e outro após a formação da Lua (quando, supostamente, um choque com outro corpo planetário formou o satélite e nos fez perder muito do gás).

Segundo Peter Olson, geofísico e autor primário do estudo, nem todo o gás foi expelido após o impacto. O que ficou aqui continuou sendo derramado pelas partes internas da Terra. E faz sentido que o núcleo seja seu reservatório pois ele “é menos vulnerável a impactos maiores se comparado a outras partes do sistema da Terra”.

Ao comparar o comportamento do isótopo com a sua taxa de escape, os autores determinaram que existem cerca de 10 teragramas (10 milhões de toneladas) do hélio primordial no núcleo da Terra. “Nosso modelo de troca [de hélio-3] durante a formação e evolução da Terra implica no núcleo metálico do planeta como um reservatório com vazamento, mas que fornece o gás ao resto da Terra”.

Entretanto, o próprio estudo reconhece que seus resultados não são definitivos, devido ao fato dos seus autores terem que fazer uma série de suposições. Essas suposições, ao longo de diversas outras incertezas, podem também indicar que há menos hélio primordial no nosso núcleo do que o estudo antecipa.

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França anula duas licenças concedidas à Starlink

Por Rafael Arbulu — 6 de Abril de 2022, 14:31

Uma decisão judicial tomada pelo Conseil d’Etat (Conselho de Estado) da França anulou a concessão de suas licenças à Starlink, a plataforma de internet via satélite da SpaceX. Segundo a Reuters, a decisão foi tomada com base em “erros de julgamento” de cortes judiciais inferiores.

Em fevereiro de 2021, a Arcep – a tal “corte inferior” – havia concedido licença para que a empresa fundada por Elon Musk operasse em duas frequências de rádio dentro da França para que fossem oferecidos os serviços de conexão à internet. Dois grupos ativistas, no entanto, apelaram da decisão – uma reclamação que foi acatada pelo Conselho de Estado – o tribunal máximo do sistema judiciário francês.

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Sem croissant para a SpaceX, por enquanto: alta corte na França revoga duas licenças da empresa para operar a Starlink, sua plataforma de internet via satélite, após reclamações de grupos ativistas
Sem croissant para a SpaceX, por enquanto: alta corte na França revoga duas licenças da empresa para operar a Starlink, sua plataforma de internet via satélite, após reclamações de grupos ativistas (Imagem: Postmodern Studio/Shutterstock)

“[A concessão] poderia impactar o mercado no que tange ao acesso de internet de banda larga e afetar os interesses do usuário final”, diz trecho do despacho emitido pelas autoridades.

O documento afirma que, para que a França concedesse as licenças corretamente à SpaceX, uma licitação pública deveria ter ocorrido, para que a população tivesse direito à opinião – um passo que, na visão do Conselho, a Arcep omitiu.

A vantagem da internet via satélite é a de que, ao contrário da fibra óptica vinda de cabos aterrados, ela chega a áreas mais isoladas, como centros rurais ou residentes de áreas montanhosas. Mais além, elas são uma forma de manter as comunicações online em caso de algum desastre natural – furacões, terremotos, por exemplo – derrubarem a rede terrestre.

No entanto, os dois formatos estão sujeitos a tempestades geomagnéticas.

A SpaceX não comentou a situação, e não há informações de que a empresa vá tentar obter as concessões novamente, desta vez por meio de uma licitação.

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Hubble registra buraco negro supermassivo camuflado em poeira cósmica

Por Flavia Correia — 6 de Abril de 2022, 14:32

Uma nova imagem capturada pelo Telescópio Espacial Hubble mostra uma visão impressionante de uma galáxia com um buraco negro supermassivo ativo obscurecido por tentáculos de poeira escura.

Conhecida como NGC 7172, a galáxia espiral está localizada a cerca de 110 milhões de anos-luz da Terra, na constelação Peixe Austral. A cena combina dois conjuntos de imagens feitas pela Câmera Avançada para Pesquisas e pela Câmera de Campo Largo 3.

Uma galáxia espiral conhecida como NGC 7172 foi vista pelo Telescópio Espacial Hubble repleta de poeira ao redor de seu buraco negro supermassivo. Imagem: ESA/Hubble/NASA/D. J. Rosario/A. Barth; Reconhecimento: L. Shatz

A foto destaca tentáculos de poeira escura incorporados no coração da galáxia, obscurecendo a região central brilhante do buraco negro supermassivo ali existente.

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Quando vistos de lado, os tendrilhos empoeirados fazem NGC 7172 parecer uma galáxia espiral normal. No entanto, ela tem um núcleo galáctico incrivelmente brilhante e ativo, de acordo com a NASA. “Quando os astrônomos inspecionaram o NGC 7172 através do espectro eletromagnético, eles rapidamente descobriram que havia mais do que parece. NGC 7172 é uma galáxia Seyfert – um tipo de galáxia com um núcleo galáctico ativo intensamente luminoso alimentado por matéria que se acumula em um buraco negro supermassivo”.

À medida que a poeira e o gás caem no buraco negro supermassivo central da galáxia, ele emite raios brilhantes de luz. Na verdade, uma galáxia com um núcleo galáctico ativo é capaz de produzir mais radiação do que todas as demais.

As recentes observações do Hubble, que observa o universo desde 1990, foram coletadas como parte de um estudo de núcleos galácticos ativos próximos. 

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Por que a missão privada Ax-1 para a Estação Espacial Internacional é um divisor de águas

Por Flavia Correia — 6 de Abril de 2022, 23:31

Está programado para a próxima sexta-feira (8), às 12h17 pelo horário de Brasília, o lançamento da primeira missão totalmente privada à Estação Espacial Internacional (ISS), sem a presença de nenhum oficial da ativa de qualquer agência espacial federal. Um foguete Falcon 9, da SpaceX, levará quatro tripulantes da Axiom Space ao laboratório orbital, na missão batizada de Ax-1.

E por que essa missão é tão importante a ponto de ser considerada um divisor de águas na história dos voos espaciais?

Primeiro, vale destacar que, ao contrário dos curtos passeios de Richard Branson, da Virgin Galactic, e Jeff Bezos, da Blue Origin, que alcançaram, no máximo, por volta de 107 km de altitude (sendo que o da Virgin não chegou nem a 100 km), o voo da Axiom vai atingir a altitude de aproximadamente 400 km necessária para atracar com a ISS.

Quem são os tripulantes da missão Ax-1?

Três clientes pagantes mais um funcionário da Axiom vão viajar a bordo da cápsula Crew Dragon Endeavour, nessa missão que tem previsão de durar 10 dias (sendo oito de estadia na ISS) e faz parte de um plano da empresa para construir sua própria estação espacial.

Da esquerda para a direita: Larry Connor, Michael López-Alegria, Mark Pathy e Eytan Stibbe, os tripulantes da missão Ax-1, da Axiom Space. Imagem: Axiom Space/Divulgação

Entre os tripulantes, estará o ex-astronauta da NASA e atual funcionário da Axiom Michael López-Alegría, como comandante, o magnata imobiliário e piloto acrobático Larry Connor, como piloto, além do empresário de música e sustentabilidade Mark Pathy e do investidor e ex-piloto da Força Aérea de Israel Eytan Stibbe, como especialistas em missão. 

Por executarem funções durante a missão, eles podem ser chamados de astronautas, ao contrário daqueles que vão exclusivamente a passeio – que são considerados somente turistas espaciais.

Enquanto a NASA está financiando alguns dos custos, os três clientes pagantes estão contribuindo com, supostamente, US$55 milhões cada (algo em torno de R$260 milhões). Eles experimentarão a sensação de flutuar em microgravidade durante a maior parte do tempo e vão encarar os mesmos perigos enfrentados por todos os astronautas, incluindo exposição à radiação, degradação muscular e potencialmente alguma perda óssea – ainda que em baixa proporção devido ao pouco tempo em órbita.

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Astronautas da missão Ax-1 vão realizar experimentos científicos na ISS

Ao contrário das viagens americanas costumeiras para a ISS, o controle da missão não será feito na NASA, e sim na sede da Axiom, que também fica em Houston. Será a primeira vez que o MCC-A (Centro de Controle de Missão – Axiom) será usado para uma missão completa. Antes disso, ele já foi usado para pesquisas que analisam como os itens da ISS mudam ao longo do tempo. Isso resultou em sua validação como um local de operações de carga pela NASA.

Durante seu tempo na ISS, os astronautas da Axiom Space planejam realizar pesquisas científicas, analisando como as viagens espaciais afetarão a saúde dos futuros astronautas — incluindo efeitos na visão, dor e sono. Um dos experimentos envolve o uso de um capacete de varredura do cérebro. Também estão planejados testes sobre a cultura de alimentos no espaço.

O capacete que monitora as funções cerebrais desenvolvido pela startup Brain.Space será um dos experimentos científicos da tripulação da missão Ax-1. Imagem: Brain.Space

Axiom pretende construir sua própria estação espacial

A missão Ax-1 é o primeiro passo da Axiom Space rumo à construção da primeira estação espacial privada, o que, por si só, já é algo muito grandioso. A própria ISS teve que ser construída por partes em Terra, depois enviada para ser concluída no espaço, já que a massa total de uma estação espacial de 420 toneladas simplesmente não é viável para se lançar completa ao espaço. Para efeito de comparação, isso é o mesmo que lançar 70 telescópios espaciais James Webb de uma só vez.

Ilustração artística da estação espacial que a empresa Axiom Space, com sede em Houston, planeja construir na órbita da Terra. (Crédito da imagem: Espaço Axiom)

O plano da Axiom é construir a estação espacial a bordo da ISS, inicialmente construindo um módulo de habitação (Axiom Hub One), que está previsto para ser lançado em 2024. Uma vez operacional, esse módulo receberá outros, à medida que houver disponibilidade financeira. Para se ter uma ideia, levou mais de dez anos e 30 lançamentos para terminar a ISS.

Com a desativação da ISS prevista para algum momento após 2030, haverá a necessidade de uma estação espacial pública e internacional. No entanto, como um laboratório orbital custa muito para ser mantido, a NASA e a ESA devem pagar, pelo menos provisoriamente, uma taxa de aluguel para usar as instalações de uma estação espacial privada.

Muitas empresas privadas estarão de olho na missão Ax-1 para tomar uma decisão sobre se devem prosseguir com seus próprios programas. O sucesso significaria a possibilidade de haver um fluxo de investimentos e planos para futuros módulos de estações espaciais ou mesmo estações inteiras. 

Se esse for o caso, as agências espaciais terão que aceitar que não poderão competir com o setor privado. Em vez disso, seria inteligente focar na locação de um espaço privado para realizar suas pesquisas de acesso aberto.

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Colonização de Marte: um sonho distante ou impossível?

Por Marcelo Zurita — 9 de Abril de 2022, 18:51

Se você já está cansado deste mundo e está juntando uma graninha ou preparando sua bagagem para uma futura mudança para o planeta Marte, tenho uma má notícia para você: isso provavelmente não vai ocorrer tão cedo. E pior, talvez nunca ocorra. A parte boa é que isso será muito bom para você!

As dificuldades envolvidas em uma possível viagem tripulada a Marte não são segredos para ninguém. Mas elas podem ser ainda mais desafiadoras quando se trata da permanência por longos períodos de tempo no Planeta Vermelho.

Marte e suas calotas polares – Créditos: ESA & MPS para o Time OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA

O simples fato da viagem até lá durar mais de 6 meses impõe uma série de desafios, como a quantidade de suprimentos necessária. Imagine quanta comida, remédios, roupas e artigos de higiene você precisaria estocar para passar 6 meses sem ir ao supermercado. Agora multiplique por 100 e imagine como colocar tudo isso dentro de um foguete. 

É complicado, mas vamos considerar que já superamos as dificuldades dessa viagem e imaginar, agora, como seria viver em Marte. Primeiramente, precisaremos de um sistema de suporte à vida, que nos garanta água, calor e uma atmosfera adequada, com pressão e oxigênio para respirarmos. Sistemas semelhantes podem ser encontrados nas naves espaciais, e isso é bom, já que podemos utilizá-las como nossa primeira morada em solo marciano. 

Mas um supermercado vai fazer falta. Não temos como levar toda comida necessária para lá, então, precisaremos cultivar, em Marte, nossa própria alimentação. E para isso precisaremos de muita água e extensas estufas, aquecidas e com uma atmosfera semelhante à da Terra. Poderemos extrair a água do subsolo marciano, mas para que tudo isso funcione, precisaremos de muita energia. 

Protótipos de estufas para cultivo na Lua e em Marte – Créditos: Universidade do Arizona

E a energia é um outro grande problema. Em Marte, felizmente, nem existe petróleo (se tivesse, provavelmente o planeta já teria sido invadido). Também não tem rios onde poderíamos instalar usinas hidroelétricas, nem uma atmosfera densa o suficiente para que a energia eólica fosse viável e a instalação de uma usina nuclear seria algo muito complexo. Então, a energia solar seria a alternativa mais viável. Mas nem isso é tão simples por lá. Devido à sua distância do Sol, a geração de energia solar em Marte tem apenas a metade da eficiência em relação à Terra. 

Sistema de energia solar na Estação de Pesquisa Mars Desert, em Utah, EUA – Créditos: The Mars Society

Então, antes que os primeiros colonos cheguem ao Planeta Vermelho, seria preciso construir uma usina solar com grande capacidade de geração de energia, para manter nossos sistemas de geração de oxigênio, captação de água e, principalmente, de aquecimento. Porque Marte é frio, e não é pouco. 

Com temperaturas médias variando entre 4 e -88 graus, as regiões mais quentes do Planeta Vermelho são mais gélidas que os lugares mais frios da Terra. Logo, uma falha no sistema de aquecimento poderia ser fatal. Além disso, a pressão atmosférica marciana é tão baixa que um ser humano não sobreviveria por mais de um minuto sem proteção. Sem falar da radiação, que é cerca de duas vezes e meia maior que na Estação Espacial Internacional. Em tese, isso impediria a permanência segura em Marte por mais de 3 anos. 

Dados climatológicos para Dados climáticos para a Cratera Gale (2012–2015) – Reprodução: wikipedia.org

Parece que Marte não gosta da gente, mas na verdade, o ser humano é que não foi feito para viver lá. Nós somos o resultado de 3,5 bilhões de anos de evolução. Cada órgão, cada membro, cada parte do nosso corpo e cada um dos nossos sentidos e habilidades foram desenvolvidos para se adaptar ao ambiente aqui da Terra. E mesmo sendo Marte o segundo planeta do Sistema Solar que melhor reúne as condições para a vida, ele não é a Terra.

Claro, cada uma dessas dificuldades podem ser superadas com novas tecnologias, e estas vêm surgindo a cada dia. Mas fica evidente que povoar o Planeta Vermelho não é algo tão simples que possa ser resolvido apenas com dinheiro e força de vontade. Marte é, sem dúvida, a próxima fronteira da humanidade, mas sua colonização, por enquanto, parece um sonho muito distante ou talvez, impossível.

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Nasa adia de novo “ensaio molhado” da missão Artemis 1

Por Karol Albuquerque — 9 de Abril de 2022, 19:55

Seria no dia 1º de abril. Depois, foi marcado para este sábado (9). Mas, a Nasa acabou adiando mais uma vez um dos testes cruciais da missão Artemis 1. Agora, o “ensaio molhado” do projeto que levará a humanidade de volta à Lua ficará para a próxima terça-feira (12),.

Essa atividade pré-lançamento é extremamente importante. O teste acontece no Centro Espacial Kennedy, no estado norte-americano da Flórida, e foca no tanque principal do massivo foguete Sistema de Lançamento Espacial (SLS), o estágio de propulsão criogênica interina (ICPS), com essa parte acontecendo na quinta-feira (14).

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A equipe responsável pela missão decidiu mudar o procedimento do ensaio, para garantir a segurança do hardware de voo. Os engenheiros um problema em uma “válvula de retenção de hélio”, que tem cerca de 7,5 centímetros e impede que o gás flua de volta para o foguete, diz um comunicado publicado no site da agência espacial norte-americana.

“O hélio é usado para várias operações diferentes, incluindo purgar o motor ou limpar as linhas, antes de carregar propulsores durante o tanque, bem como drenar o propelente. Uma válvula de retenção é um tipo de válvula que permite o fluxo de líquido ou gás em uma direção específica e evita o refluxo”, diz a nota da Nasa.

O SLS é o foguete que vai levar a cápsula Orion até o espaço. Imagem: Nasa

O “ensaio molhado” é a chance de refinar procedimentos de contagem regressiva e validar modelos críticas e interfaces de software. Com ele, os engenheiros podem atingir os objetivos de testes críticos para o sucesso do lançamento da missão Artemis 1.

Depois do teste, tanto o foguete quanto a cápsula Orion voltam ao local de montagem de veículos. Lá, os profissionais vão avaliar a válvula e substituí-la, se necessário. É nessa troca que as equipes confiam.

A Artemis 1 será a primeira do programa lunar Artemis. Nesta missão inicial, Orion vai até o satélite natural da Terra sem tripulação, por cerca de um mês. A expectativa é que seja lançada em junho. Se tudo correr bem, a missão Artemis 2 vai enviar astronautas em um projeto semelhante ao redor da Lua, no ano de 2024. Assim, em 2025 ou 2026, a Artemis 3 vai pousar astronautas perto do polo sul lunar.

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Cometa descoberto por astrônomo brasileiro tem o maior núcleo já visto

Por Rafael Arbulu — 12 de Abril de 2022, 20:41

O objeto C/2014 UN271 (conhecido como “cometa Bernardinelli-Bernstein”) segue impressionando a comunidade astronômica devido às suas proporções descomunais. Agora, o cometa descoberto pelo brasileiro Pedro Bernardinelli em outubro de 2014 foi reconhecido pela NASA como dono do maior núcleo já visto de seu tipo.

Segundo comunicado publicado no site oficial da agência espacial americana, o cometa tem um núcleo de mais ou menos 130 quilômetros de extensão. Dentro dessa distância, é possível viajar de São Paulo até a região interiorana de Holambra, por exemplo.

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Big news! No. Really. @NASAHubble confirmed the largest comet ever. Its nucleus is bigger than Rhode Island.

But don't worry: the comet won't come any closer to Earth than Saturn: https://t.co/yiZe9Quanh pic.twitter.com/dui5dfdxs8

— NASA (@NASA) April 12, 2022

De acordo com o comunicado, foram dados capturados pelo telescópio espacial Hubble que permitiram que a análise fosse conduzida: “o núcleo tem cerca de 50 vezes o tamanho daqueles encontrados na maioria dos cometas. Sua massa é estimada em 500 trilhões de toneladas, cerca de 100 vezes maior do que a massa de qualquer cometa comum encontrado mais perto do Sol”, diz trecho da divulgação.

A medida vem para confirmar o status do cometa descoberto pelo astrônomo brasileiro como um “megacometa”, complementando um estudo divulgado em fevereiro deste ano que já posicionava o Bernardinelli-Bernstein como tendo 137 km de extensão da coroa à cauda – quase o dobro do recordista anterior.

Com essas proporções, o cometa praticamente esbarra na classificação de “planeta menor”, uma categoria que a comunidade internacional reconhece em corpos como Plutão, por exemplo.

Em sua atual trajetória, viajando a uma velocidade média de 35,5 mil quilômetros por hora  (km/h), cientistas afirmam que ele vem da “borda” do nosso sistema solar em direção ao centro – mas ele deve parar a mais ou menos 1,6 bilhão de km de distância do Sol – essa distância é maior do que o caminho entre nossa estrela e Saturno, por exemplo.

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Emirados Árabes e EUA firmam parceria de compartilhamento de dados sobre Marte

Por Flavia Correia — 12 de Abril de 2022, 21:05

Nesta terça-feira (12), a NASA anunciou que sua missão Atmosfera de Marte e Evolução Volátil (MAVEN, na sigla em inglês) e a missão Hope Probe, dos Emirados Árabes Unidos, estão abrindo caminho para uma maior colaboração científica e troca de dados entre os dois satélites de Marte.

Por meio dessa nova parceria, que incentiva o compartilhamento de dados entre os projetos, a agência acredita que os retornos científicos de ambas as naves espaciais, que atualmente estão orbitando Marte e coletando dados de sua atmosfera vão agregar valor para as pesquisas não apenas de ambos os países, como de toda a comunidade científica envolvidas na análise dos dados coletados pelas missões.

Simulação artística 3D da sonda MAVEN, em órbita ao redor de Marte. Imagem: NASA

Na órbita de Marte desde 2014, a sonda MAVEN tem a missão de investigar a atmosfera superior e a ionosfera do Planeta Vermelho, oferecendo uma visão de como o clima mudou ao longo do tempo.

“A MAVEN e a EMM estão explorando diferentes aspectos da atmosfera marciana e do sistema de atmosfera superior”, disse Shannon Curry, pesquisadora principal da MAVEN da Universidade da Califórnia, em Berkeley. “Combinados, teremos uma compreensão muito melhor do acoplamento entre os dois, e a influência da atmosfera inferior na fuga para o espaço de gás da atmosfera superior”.

Lançada em 2021, a sonda Hope estuda a atmosfera marciana em diferentes momentos do dia e estações. Imagem: Agência Espacial dos Emirados Árabes Unidos

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Já a sonda Hope (também chamada de EMM, sigla em inglês para Missão dos Emirados em Marte), que entrou na órbita de Marte em 2021, está estudando a relação entre a camada superior e as regiões inferiores da atmosfera marciana, fornecendo visões em diferentes épocas do dia e das estações.

“Desde o início da EMM, o projeto foi definido por fortes colaborações e parcerias internacionais”, disse Omran Sharaf, diretor de projetos da EMM. “A oportunidade de trabalhar ao lado de outras missões a Marte e obter maiores insights compartilhando nossas observações e trabalhando juntos para encaixar as peças do quebra-cabeça é uma que temos o prazer de tomar”.

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Módulo InSight detecta os dois maiores “martemotos” da história

Por Rafael Arbulu — 28 de Abril de 2022, 21:07

Os dois maiores “martemotos” (terremotos, só que em Marte) da história foram registrados pelo módulo InSight da NASA desde quando a missão pousou na superfície do planeta vermelho – e de quebra, os tremores ocorreram no lado escuro dele, segundo sismólogos da Universidade de Bristol, no Reino Unido.

O InSight tem justamente a detecção de tremores como sua missão primária, e desde que chegou em Marte, em novembro de 2018, ele vem usando o que é até hoje o conjunto mais sensível de sensores sísmicos já construído, registrando incontáveis eventos pela superfície do nosso vizinho no espaço.

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A superfície de Marte é dotada de desvios de terreno causado por tremores sísmicos - ou "martemotos" - que percorrem todo o planeta: os dois maiores martemotos da história foram registrados em 2021
A superfície de Marte é dotada de desvios de terreno causado por tremores sísmicos – ou “martemotos” – que percorrem todo o planeta: os dois maiores martemotos da história foram registrados em 2021 (Imagem: NASA/Reprodução)

De acordo com as informações divulgadas, os eventos foram separados por 24 dias: o primeiro (S0976a) teve magnitude 4,2 e ocorreu em 25 de agosto de 2021, com seu epicentro marcado na região conhecida como Valles Marineris, uma área cheia de desfiladeiros que se estende por 4 mil quilômetros (km) no lado escuro de Marte.

O segundo martemoto (S1000a) veio em 18 de setembro de 2021. Apesar de sabermos que ele atingiu escala 4,1 de magnitude, seu epicentro não pôde ser determinado, exceto por marcamos-no “em algum lugar” do lado escuro do planeta vermelho.

O problema dessa localização é que, apesar de ser uma área com forte atividade sísmica, ainda está quase fora das capacidades dos sensores do InSight, que não conseguem detectar com muita exatidão as ondas de pressão P e S, os dois tipos que geram tremores. O núcleo de Marte acaba servindo de escudo e abafando-as, então os especialistas se concentraram em outros tipos de ondas – PP e SS.

Elas se projetam de forma parecida com suas “primas”, mas são refletidas diretamente na superfície, sem impedimento vindo do núcleo planetário.

“Registrar eventos dentro da zona sombria é um degrau crucial para o nosso entendimento de Marte”, disse o co-autor de um estudo sobre os tremores, Savas Ceylan, ressaltando que a detecção ocorreu a mais ou menos 40º (graus) da posição do módulo. “Estando dentro da sombra do núcleo, a energia atravessa partes de Marte que nós nunca conseguimos tirar uma amostragem sismológica antes”.

Os dados renderam um paper publicado no jornal científico The Seismic Record.

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Astrofotografia no Brasil é o tema do Olhar Espacial desta semana

Por Flavia Correia — 28 de Abril de 2022, 22:00

Nesta sexta-feira (29), o Olhar Espacial vai abordar a Astrofotografia no Brasil, trazendo as informações mais importantes sobre esta que é uma das áreas de maior interesse da astronomia amadora em todo o mundo.

Utilizando equipamentos e técnicas específicas para registrar objetos astronômicos como Lua, planetas, galáxias, nebulosas, ou grandes áreas do céu, a astrofotografia produz imagens que resultam em belíssimos registros do cosmos, que muitas vezes também podem ser utilizadas com finalidades científicas, para nos ajudar a conhecer um pouco mais dos mistérios do universo.

Para conversar sobre o assunto, o programa vai receber Rafael Compassi, astrônomo amador, astrofotógrafo e ex-diretor regional sul da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON). Criador do Canal Astrofoto, por meio do qual ele ensina astrofotografia do básico ao avançado, Compassi é autor de diversas imagens publicadas em periódicos internacionais.

Rafael Compassi, astrônomo amador e astrofotógrafo, é o convidado do Olhar Espacial desta semana para falar sobre a Astrofotografia no Brasil. Imagem: Arquivo pessoal

Além de um bate-papo imperdível, o convidado também vai fazer belas capturas ao vivo durante o programa, se o tempo estiver propício. Clique aqui para conferir algumas das mais impressionantes astrofotografias feitas por ele.

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Apresentado por Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia — APA; membro da SAB — Sociedade Astronômica Brasileira; diretor técnico da BRAMON — Rede Brasileira de Observação de Meteoros — e coordenador regional (Nordeste) do Asteroid Day Brasil, o Olhar Espacial é transmitido ao vivo, todas às sextas-feiras, às 21h, pelos canais oficiais do veículo no YouTube, Facebook, Instagram, Twitter, LinkedIn e TikTok.

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Alinhamento do James Webb chega ao fim e imagens surpreendem cientistas; assista!

Por Lauro Lam — 28 de Abril de 2022, 22:21

Após quatro meses desde o seu lançamento, ocorrido no dia 25 de dezembro de 2022, finalmente o alinhamento do Telescópio Espacial James Webb da NASA está quase concluído. Depois de uma revisão completa realizada nesta quinta-feira (28), o observatório conseguiu capturar imagens nítidas e bem focadas com cada um de seus quatro poderosos instrumentos científicos a bordo. Agora, com a finalização da sétima e última etapa do alinhamento do telescópio, a equipe chegou ao consenso de que ele está pronto para começar a operar.  

No entanto, deverá passar pela última fase de preparativos, conhecida como comissionamento de instrumentos científicos. Processo que deverá levar cerca de dois meses, ou seja, o James Webb só deve iniciar as atividades oficiais por volta de junho ou julho, em pleno verão norte-americano. 

O alinhamento do telescópio em todos os instrumentos do Webb pode ser visto em uma série de imagens que capturam todo o campo de visão do observatório.

“Estas imagens de teste notáveis ​​de um telescópio alinhado com sucesso demonstram o que as pessoas de todos os países e continentes poderão observar por meio de uma visão científica ousada para explorar o universo”, disse Lee Feinberg, gerente de elementos do telescópio óptico Webb no Goddard Space Flight Center da NASA.

Desempenho acima das previsões

O desempenho óptico do telescópio continua sendo melhor do que as previsões mais otimistas da equipe de engenharia. 

Os espelhos do Webb agora direcionam a luz totalmente focalizada coletada do espaço para dentro de cada instrumento, com imagens nítidas. A qualidade é descrita pela precisão dos detalhes, que ficará ainda melhor com os próximos ajustes. 

“Com a conclusão do alinhamento do telescópio e metade do esforço de uma vida inteira, meu papel na missão do Telescópio Espacial James Webb chegou ao fim”, disse Scott Acton, cientista de controle e detecção de frente de onda Webb, Ball Aerospace. 

“Essas imagens mudaram profundamente a maneira como vejo o universo. Estamos cercados por uma sinfonia de criação; há galáxias em todos os lugares! É minha esperança que todos no mundo possam vê-los.”

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Próximos passos

Agora, a equipe do Webb voltará a atenção para o comissionamento de instrumentos científicos. Trata-se de um conjunto altamente sofisticado de detectores equipados com lentes, máscaras, filtros e equipamentos personalizados exclusivos que o ajudam a realizar a ciência para a qual foi projetado.  

imagens james webb
Imagens captadas pelo telescópio James Webb estão bem nítidas e ajudarão cientistas a desvendar mistérios das galáxias. Imagem: NASA

Com o alinhamento em fase conclusiva, grande parte dos profissionais que estavam atuando no Centro de Operações da Missão no Space Telescope Science Institute em Baltimore, já estão de malas prontas para voltarem para suas casas, tendo em vista que concluíram com êxito suas funções.  

Embora o alinhamento do telescópio esteja completo, algumas atividades de calibração permanecem antes de iniciar o funcionamento do telescópio na missão avaliada em mais de US$ 10 bilhões, com exponenciais ganhos para a ciência. 

Além disso, observações de manutenção contínuas a cada dois dias monitorarão o alinhamento dos espelhos e, quando necessário, aplicarão correções para manter os espelhos em seus locais alinhados. Mais um passo rumo ao desenvolvimento científico.

Via: NASA

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Mais de 300 meteoros são flagrados no céu de Santa Catarina; assista

Por Lyncon Pradella — 7 de Maio de 2022, 10:59

Conforme noticiado pelo Olhar Digital, a primeira grande chuva de meteoros de 2022 ocorreu nesta semana. Só o estado de Santa Catarina teve cerca de 300 fragmentos espaciais sobrevoando seu céu. São Paulo e Paraná também tiveram registros dos objetos espaciais.

meteoros
Imagem meramente ilustrativa: Observatório Heller & Jung/Reprodução

Conhecida como Eta Aquáridas, essa chuva de meteoros ocorre quando a Terra atravessa a parte mais densa da trilha de detritos deixada pelo Cometa Halley. Cada pequeno fragmento deixado pelo cometa, ao atravessar nossa atmosfera em alta velocidade, gera um meteoro, que é o fenômeno luminoso popularmente conhecido como “estrela cadente”. 

Assista ao Eta Aquáridas no céu de Santa Catarina:

A madrugada de quinta (5) foi um espetáculo à parte para astrônomos de todo Brasil. O país registrou centenas de meteoros em vários estados, em especial no interior de São Paulo, e no norte do Paraná e em Santa Catarina.

📹: Meteoros Monte Castelo SC. pic.twitter.com/nO46sUrtxk

— O Tempo (@otempo) May 6, 2022

Durante uma chuva de meteoros, vários fragmentos da mesma trilha atingem a atmosfera. No caso da Eta Aquáridas, sua atividade se inicia em 21 de abril e vai até 12 de maio, mas o momento de maior intensidade da chuva ocorre na noite entre 5 e 6 de maio, quando costuma apresentar mais de 40 meteoros por hora em condições ideais.

Leia mais:

A chuva desta quinta não é a única que ocorre anualmente com meteoros associados ao Cometa Halley. Além dela, a Oriónidas, que acontece no mês de outubro, também é gerada pelos detritos do mesmo cometa, mas não é tão intensa quanto a Eta Aquáridas.

Para saber mais sobre a Eta Aquáridas e a chuva de meteoros que sobrevoou Santa Catarina, acesse a matéria do Olhar Digital.

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Vulcão adormecido na Antártida acorda e causa mais de 85 mil terremotos

Por Lyncon Pradella — 7 de Maio de 2022, 12:41

Um vulcão submarino, que estava há muito tempo adormecido perto da Antártida, acordou, provocando mais de 85.000 terremotos entre agosto e novembro de 2020. De acordo com uma pesquisa do Centro Alemão de Pesquisa em Geociências, o fenômeno foi causado por “dedo” de magma quente que cutucou a crosta da Terra.

“Houve intrusões semelhantes em outros lugares da Terra, mas esta é a primeira vez que observamos isso lá [na Antártida]”, disse a coautora da pesquisa Simone Cesca, sismóloga do Centro, à revista Live Science. “Normalmente, esses processos ocorrem em escalas de tempo geológicas. Então, de certa forma, temos sorte de ver isso”, completou.

King George Island, na Antártida. Imagem: Shutterstock

O enxame, como é chamado o evento de milhares de terremotos em curto espaço de tempo, ocorreu em torno do Orca Seamount, um vulcão inativo que se eleva a 900 metros do fundo do mar no Estreito de Bransfield, perto do noroeste da Antártida.

Segundo um estudo publicado em 2018 na revista Polar Science, nesta região, a placa tectônica de Phoenix está mergulhado sob a placa continental da Antártida, criando uma rede de zonas de falhas.

Cientistas das estações de pesquisa na Ilha King George, uma das Ilhas Shetland do Sul, foram os primeiros a sentirem os estrondos de pequenos terremotos. A notícia logo chegou a Cesca e seus colegas ao redor do mundo.

As estações próximas são bastante simples, mas foram boas o suficiente para detectar os terremotos de menor escala. Já as estações mais distantes usaram equipamentos mais sofisticados e puderam, assim, pintar uma imagem mais detalhada dos terremotos de maior escala.

Leia mais:

De acordo com Cesca, ao juntar todos os dados recolhidos, a equipe conseguiu criar uma imagem da geologia subjacente que desencadeou esse enxame de terremotos maciços.

Os dois maiores terremotos da série foram um de magnitude 5,9 em outubro de 2020 e um de magnitude 6,0 em novembro. Após o terremoto de novembro, a atividade sísmica diminuiu. Os terremotos pareciam mover o solo na Ilha King George em torno de 11 centímetros, segundo o estudo.

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Fenômeno nunca antes observado pode indicar inversão magnética de um buraco negro

Por Flavia Correia — 9 de Maio de 2022, 17:09

Um buraco negro localizado a 236 milhões de anos-luz da Via Láctea parece ter invertido seu campo magnético. E, pela primeira vez na história das observações astronômicas, a explosão causada por esse fenômeno pode ter sido captada por especialistas. 

Representação artística do disco de acreção em torno de um buraco negro supermassivo, que suga matéria para seu interior. Imagem: DESY Science Communication Lab

A história começa em outubro de 2018, quando uma galáxia conhecida como 1ES 1927+654 cessou brevemente as emissões de raios-X, retomando novamente depois de alguns meses, de forma mais intensa. 

“Este evento marca a primeira vez que vemos raios-X saindo completamente enquanto os outros comprimentos de onda se iluminam”, disse Sibasish Laha, pesquisador da Universidade de Maryland, nos EUA, e do Centro de Voo Espacial Goddard, da NASA, em um comunicado emitido pela agência na semana passada.

De acordo com Laha, autor do estudo (que foi aceito para publicação no The Astrophysical Journal e está disponível no serviço de pré-impressão arXiv.org), se confirmado, o evento pode ajudar os astrofísicos a entender seus efeitos no ambiente do buraco negro.

Assim como na Via Láctea, o coração da maioria das grandes galáxias tem um buraco negro supermassivo que suga matéria em direção ao seu centro. A matéria primeiro é coletada pelo disco de acreção em torno do buraco negro, aquecendo posteriormente e emitindo luz – em comprimentos de onda visíveis, ultravioleta (UV) e raios-X – à medida que é empurrada para dentro. Com isso, é formada uma nuvem de partículas extremamente quentes, que os cientistas chamam de coroa.

Segundo o novo estudo, alterações na coroa fizeram com que os raios-X expelidos do coração da galáxia 1ES 1927+654 desaparecessem temporariamente, o que sugere a inversão magnética. Isso fez com que o polo norte do buraco negro se tornasse o polo sul, e vice-versa.

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Com o “flip” causado no momento da inversão dos polos, a luz visível e UV tendem a se intensificar devido ao superaquecimento, à medida que a coroa começa a diminuir e o disco de acreção fica mais compacto no centro. Conforme a virada evolui, o campo enfraquece tanto que a coroa não pode mais ser suportada, interrompendo as emissões de raios-X, segundo os pesquisadores.

Dois telescópios espaciais rastrearam as mudanças nas emissões de raios-X e luz ultravioleta, incluindo o Observatório Neil Gehrels Swift, da NASA, e o satélite XMM-Newton, da Agência Espacial Europeia (ESA). Somadas a isso, observações de luz visível e rádio foram realizadas a partir de vários telescópios terrestres posicionados na Itália, nas Ilhas Canárias (Espanha) e Novo México (EUA).

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Galáxias raras não estão formando estrelas como deveriam; qual o motivo?

Por Gabriela Bulhões — 11 de Maio de 2022, 03:00

Sim, há algo estranho acontecendo no universo, mais especificamente em galáxias raras. Os cientistas acreditam que as galáxias pós-estrelas (PSBs) ou galáxias nascidas de colisões galácticas não estão mais formado estrelas, que expelem gás e poeira, permanecendo inativas ou incapazes de produzir novas estrelas. 

As novas observações do Atacama Large Millimeter Array (ALMA) no Chile indicam que as PSBs realmente retêm muito de seu gás depois da sua fusão, e que isso normalmente alimentaria a formação das estrelas. Então se cria a contradição: mesmo mantendo seu gás, não se formaram estrelas.

Quando duas galáxias colidem de forma ríspida e violenta, geralmente há uma explosão de formação estelar. Em casos raros, uma fusão galáctica resulta em um PSB, onde há pouca ou nenhuma formação de estrelas. Agora, os cientistas especulam que a razão disso é que os elementos necessários (gás e poeira) para o nascimento de estrelas são expelidos pelas galáxias pós-estrelas. 

Mas, segundo os dados do ALMA neste novo estudo, enquanto as PSBs comprimem seu gás, que deve ser combustível suficiente para impulsionar a formação de estrelas, ainda permanecem inativos.

“Embora este gás compacto devesse estar formando estrelas de forma eficiente, não é. Na verdade, é menos de 10 por cento tão eficiente quanto se espera que um gás compacto similar seja”, explicou o astrônomo Adam Smercina, da Universidade de Washington, principal investigador do estudo, em um comunicado.

Até o momento, os pesquisadores não sabem – com certeza – o motivo, apenas criaram uma teoria para explicá-lo. “Neste caso, a formação de estrelas pode ser suprimida devido à turbulência no gás, assim como um vento forte pode suprimir um incêndio”, complementou Smercina. 

O estudo já foi publicado no ‘The Astrophysical Journal’ no final de abril deste ano. Por fim, de acordo com ele, “a formação de estrelas também pode ser aprimorada pela turbulência, assim como o vento pode atiçar as chamas, então entender o que está gerando essa energia turbulenta e como exatamente ela está contribuindo para a dormência é uma questão restante deste trabalho.” 

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Fonte: Space

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Erupção vulcânica de Tonga foi tão intensa que gerou efeitos no espaço

Por Gabriela Bulhões — 11 de Maio de 2022, 04:20

A erupção de um vulcão submarino em Tonga, localizado no Pacífico Sul, em janeiro desse ano, foi tão intensa que teve efeitos como ondas de choque atmosféricas e um tsunami. Meses depois, um estudo realizado pela Universidade da California revelou que a erupção vulcânica chegou ao espaço, na ionosfera, que é a camada atmosférica mais externa do planeta Terra.

Através da análise dos dados da Ionospheric Connection Explorer (ICON) da NASA, junto com os satélites Swarm, da Agência Espacial Europeia (ESA), o time de pesquisadores observou que logo nas primeiras horas após a explosão do vulcão submarino, começaram a aparecer ventos de alta velocidade de furacão e correntes elétricas.

De acordo com o físico Brian Harding, o vulcão Hunga Tonga-Hunga Ha’apai foi capaz de criar algo inesperado e grandioso, tido como um dos maiores distúrbios no espaço na era moderna: “Isso está nos permitindo testar a conexão mal compreendida entre a atmosfera inferior e o espaço”.

Erupção do vulcão submarino em Tonga registrada a partir do espaço
Imagem: Reprodução/NASA

Por conta da força, a erupção vulcânica – que chegou ao espaço – lançou para cima uma espécie de nuvem de cinzas, junto com vapor d’água e poeira. Essa atividade desencadeou uma perturbação na pressão atmosférica e gerou ventos fortes, sendo que essas correntes de ar se deslocavam para as camadas atmosféricas cada vez mais altas e velozes.

A ICON também constatou que quando os ventos alcançaram a ionosfera, tinham uma velocidade aproximada de 724 km/h, ou seja, os mais fortes já registrados a uma altitude abaixo de 193 km, tendo afetado as correntes elétricas da ionosfera. A corrente elétrica que flui para o leste foi impulsionada pelos ventos na parte mais baixa da atmosfera e após a erupção, atingiu uma potência cinco vezes maior do que o norma, mudando a direção para oeste.

Principais efeitos da erupção em Tonga
(Imagem: Reprodução/Goddard Space Flight Center/NASA/Mary Pat Hrybyk-Keith)

Para a física Joanne Wu, esse impacto no espaço por uma erupção vulcânica só foi visto em tempestades geomagnéticas, quando as partículas e radiação do Sol afetam o clima espacial. Agora, a NASA planeja a missão Geospace Dynamics Constellation (GDC), com objetivo de compreender melhor os eventos que afetam a atmosfera, tanto que o projeto contará com uma frota de pequenos satélites e sensores climáticos baseados em solo para conseguir acompanhar as correntes elétricas e também os ventos atmosféricos da ionosfera.

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Fonte: NASA

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Mudanças climáticas: seca está fazendo cadáveres aparecerem em lago em Las Vegas

Por Edson Kaique Lima — 11 de Maio de 2022, 05:42

Um cadáver dentro de um barril foi encontrado no Lago Mead, no estado de Nevada, onde fica Las Vegas, nos Estados Unidos, após uma grande seca baixar os níveis do reservatório a um patamar jamais visto. Segundo autoridades locais, a descoberta pode ser apenas a primeira de muitas descobertas do tipo no local.

“Eu diria que há uma chance muito boa, à medida que o nível da água cair, de encontrarmos mais restos humanos”, disse o tenente Ray Spencer, da polícia de Las Vegas, à emissora de televisão local KLAS-TV. O lago pode ter sido, inclusive, um local para desova de cadáveres usado por organizações criminosas.

Cadáver tem pelo menos 40 anos

Ray Spencer
Segundo o tenente Ray Spencer, ainda não é possível determinar qual foi a exata causa da morte da pessoa encontrada no lago. Crédito: YouTube/Reprodução

Os objetos pessoais encontrados no barril sugerem que a pessoa morreu há mais de 40 anos, na década de 1980, declarou o tenente. O oficial não confirmou a causa da morte da pessoa encontrada no lago Mead, já que a investigação do caso ainda está em andamento.

A polícia planeja entrar em contato com especialistas da Universidade de Nevada, em Las Vegas, para que os técnicos analisem qual foi o momento exato em que o barril começou a se desgastar. Em paralelo, o escritório do legista do condado de Clark tentará determinar a idade e o gênero da pessoa.

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O barril foi encontrado por barqueiros no início de maio, imediatamente, agentes da Guarda Florestal do Serviço Nacional de Parques dos EUA foram chamados e vasculharam a área próxima ao porto de Hemenway do lago Mead, quando constataram que o compartimento tinha restos de esqueletos.

Passando por Las Vegas, o lago Mead é o maior lago artificial dos Estados Unidos e, em conjunto com o lago Powell, fornecem água para mais de 40 milhões de pessoas nos estados do Arizona, Califórnia, Colorado, Nevada, Novo México, Utah, Wyoming e do sul do México.

Via: NPR

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Níveis de hélio aumentam na atmosfera, segundo pesquisa

Por Gabriela Bulhões — 11 de Maio de 2022, 09:09

Através de uma nova técnica, os cientistas detectaram que os níveis de hélio estão subindo na atmosfera, e com isso, aproximam as respostas para resolver um problema que persiste há décadas. A abundância atmosférica do isótopo Hélio-4 ( 4 He) está aumentando porque é liberado durante a queima e extração de combustíveis fósseis. 

Os pesquisadores concluíram que está aumentando a uma taxa muito pequena, mas, pela primeira vez, claramente mensurável. Por mais que o isótopo em si não contribui para o efeito estufa que está aquecendo o planeta, mas que as medidas podem servir como marcadores indiretos do uso de combustível fóssil.

“A principal motivação foi resolver uma controvérsia de longa data na comunidade científica sobre as concentrações atmosféricas de hélio”, comentou o principal autor do estudo, Benni Birner, que é pós-doutorando na Scripps Institution of Oceanography da UC San Diego, localizado na Califórnia/Estados Unidos.

O isótopo Hélio-4 é produzido pelo decaimento radioativo na crosta terrestre e se acumula em reservatórios de combustíveis fósseis, em especial os de gás natural. Sendo assim, durante a extração e combustão de combustíveis fósseis , o elemento é liberado e cria mais um meio para avaliar a escala da atividade industrial.

O avanço está na técnica para medir a quantidade de hélio na atmosfera. Os especialistas criaram um método preciso para comparar o isótopo com os níveis do gás nitrogênio atmosférico comum. Como os níveis de nitrogênio na atmosfera são constantes, um aumento de He/N 2 é indicativo da taxa de acúmulo de Hélio-4 na atmosfera.

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Um integrante do estudo, o geoquímico da Oceanografia da Scripps, Ralph Keeling, descreveu a análise como uma “obra-prima da geoquímica fundamental”. Por mais que o hélio seja relativamente fácil para os cientistas detectarem em amostras de ar, que estão presentes em níveis de cinco partes por milhão de ar, até agora, ninguém conseguiu medir com cuidado suficiente para observar um aumento atmosférico, acrescentou ele.

Além disso, a pesquisa fornece uma base para os cientistas entenderem melhor o quão valioso é o isótopo Hélio-3 em usos para fusão nuclear e outras aplicações. As propostas para adquirir o gás escasso da Lua são uma indicação de até onde os fabricantes irão para conseguir.

Segundo outros estudos, o isótopo Hélio-4 existe na atmosfera numa uma proporção invariável com o Hélio-3. O aumento atmosférico de um implica que o outro deve estar subindo. “Não sabemos ao certo, mas me pergunto se há mais hélio saindo da Terra do que pensávamos anteriormente, que talvez possam ser colhidos e abastecer nossos reatores de fusão nuclear no futuro”, concluiu Birner.

Fonte: Phys

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