Noticias em eLiteracias

🔒
✇ Blogue RBE

Ensinar através da colagem

11 de Maio de 2022, 08:00

2022-05-11.png

Esta técnica foi apresentada por Andrew Walsh [1] na rede social Library Instruction e pode ser interessante para trabalhar de forma ativa, criativa e lúdica a literacia de informação.

Já há muito tempo que Andrew Walsh utiliza a colagem com objetivos pedagógicos; faz parte de todo um conjunto de coisas correlacionadas que costuma fazer e que envolvem pedir aos alunos para criarem qualquer coisa e depois falarem sobre aquilo que criaram; é uma forma de usar o jogo, a criatividade, a metáfora... uma abordagem que também pode funcionar bastante bem online.

Todos aqueles que referem esta técnica parecem usá-la de forma ligeiramente diferente, por isso decidiu partilhar os seus princípios básicos na abordagem deste método.

Em primeiro lugar, pega em folhas A3, cola, tesoura e um conjunto de revistas antigas.

Começa por desafiar a turma com uma pergunta relacionada com qualquer assunto sobre o qual pretenda que os alunos reflitam ou pesquisem informação ou sobre qualquer problema que possam ter de resolver.

Em seguida, individualmente, os alunos têm de encontrar imagens e colá-las numa folha para responder a essa pergunta. Têm de começar a cortar e colar o mais depressa possível (quanto mais tempo pensam sem "fazer", pior é o resultado). Normalmente é definido um tempo para conclusão (muitas vezes 10 minutos), mas também é necessário ser flexível, de modo a ter em conta as características da turma.

Quando acabam a colagem, cada aluno tem então de a explicar a outra pessoa - é realmente muito importante que esta fase aconteça logo a seguir à fase da criação. Nunca se deve pedir, Agora explique a sua pergunta de pesquisa, mas antes, Explique a sua colagem. Não importa se a explicação é para uma outra pessoa, ou para o resto da turma com quem estão sentados, ou para um ser imaginário sentado ao fundo da sala... é muito importante que terminem a parte de criação do exercício com alguma reflexão, alguma construção narrativa, sobre o que acabaram de fazer. Este momento desencadeia a transformação de alguns pensamentos imprecisos, que poderiam ter sido apenas meio pensados à medida que selecionavam uma imagem, em algo mais concreto e significativo.

Muitas vezes, o próprio professor pode colocar algumas perguntas que, de algum modo, permitem dar um feedback à turma, para que aqueles que ouviram a explicação da colagem possam acrescentar-lhe algumas palavras ou ideias como retorno àquele que a criou.

Geralmente, esta técnica suscita algumas ideias interessantes, pois ajuda os alunos a pensarem num problema de uma forma que normalmente não fariam, bem como a expressarem-se com menos receios e inseguranças, obtendo-se com frequência uma maior profundidade na reflexão e na resolução de problemas.

Para algumas pessoas a técnica também funciona bem online e sugerem opções como o Padlet, ou colar coisas em PowerPoint e depois partilhá-las online, remetendo normalmente os alunos para um repositório de imagens, fazendo-o equivaler a uma pilha de revistas... Para Andrew Walsh, essa transposição faz perder muitos dos benefícios desta abordagem, pois os alunos acabam por ter em conta as palavras que descrevem as imagens que vão encontrando e a procura de uma "boa" imagem torna-se a força dominante no exercício. Muito do objetivo desta abordagem é encontrar inesperadamente imagens significativas a partir de uma fonte restrita, com isso ajudando-se os alunos a pensarem em coisas que de outra forma não teriam feito...

Em vez disso, Andrew Walsh propõe uma alternativa que usa ideias muito similares e que parece funcionar bem quando transposta para um ambiente online:

Em vez de cortar e colar imagens, uma versão diferente desta técnica consiste em levar para a aula uma quantidade de objetos bastante aleatórios (penas, dados, balões, cartões… apenas tem de ser uma quantidade de objetos muito diferentes). Depois dá-se a todos um saco de papel e faz-se uma pergunta semelhante à da colagem, mas em vez de pedir Crie uma colagem representando x, pede-se Encontre 5 objetos que representam x e coloque-os no seu saco de papel. Depois, na parte de partilha da sessão, o aluno retira os objetos do saco, um de cada vez, e explica porque foram escolhidos. Esta opção também dá alguns resultados bastante ricos.

Ao transferir essa ideia para um ambiente online, pode dizer-se Tem 2 minutos para encontrar 3 objetos que representam x e normalmente funciona muito bem - a limitação de encontrar objetos rapidamente funciona de forma semelhante à limitação de ter apenas um pequeno número de revistas para cortar no exercício de colagem.

Os alunos podem então partilhar os seus objetos no chat, ou usando áudio/ num grupo maior ou mais pequeno e é possível obter o mesmo tipo de discussões que surgem de exercícios do tipo colagem.

Uma hipótese interessante que Andrew Walsh pondera é usar a técnica em contexto de formação: Tem dois minutos para encontrar um objeto que resuma que tipo de professor é - afixar no chat o que encontrou e porque o escolheu. Pode ser um bom exercício lúdico que leve a pensar. Já pensou?

Nota:

Andrew Wash faz ainda notar que James Soderman na conferência LILAC também falou sobre colagem: Visualise it! - Extra material

 

Referências

1. Andrew Walsh trabalha uma biblioteca universitária do Reino Unido e é formador e conferencista sobre literacia da informação, aprendizagem lúdica, aprendizagem ativa, criatividade no ensino (principalmente em bibliotecas). Segundo o próprio, está verdadeiramente interessado em ajudar qualquer pessoa que trabalhe em bibliotecas a melhorar suas competências de ensino e a refletir e desenvolver suas pedagogias pessoais. Partilha o seu conhecimento com grande generosidade e disponibilidade.

2. Este texto foi adaptado a partir de: Walsh, A. (2022). Teaching through collage. https://library-instruction.mn.co/posts/teaching-through-collage

✇ Olhar Digital :: Olhar Digital Geral

Erupção vulcânica de Tonga foi tão intensa que gerou efeitos no espaço

Por Gabriela Bulhões — 11 de Maio de 2022, 04:20

A erupção de um vulcão submarino em Tonga, localizado no Pacífico Sul, em janeiro desse ano, foi tão intensa que teve efeitos como ondas de choque atmosféricas e um tsunami. Meses depois, um estudo realizado pela Universidade da California revelou que a erupção vulcânica chegou ao espaço, na ionosfera, que é a camada atmosférica mais externa do planeta Terra.

Através da análise dos dados da Ionospheric Connection Explorer (ICON) da NASA, junto com os satélites Swarm, da Agência Espacial Europeia (ESA), o time de pesquisadores observou que logo nas primeiras horas após a explosão do vulcão submarino, começaram a aparecer ventos de alta velocidade de furacão e correntes elétricas.

De acordo com o físico Brian Harding, o vulcão Hunga Tonga-Hunga Ha’apai foi capaz de criar algo inesperado e grandioso, tido como um dos maiores distúrbios no espaço na era moderna: “Isso está nos permitindo testar a conexão mal compreendida entre a atmosfera inferior e o espaço”.

Erupção do vulcão submarino em Tonga registrada a partir do espaço
Imagem: Reprodução/NASA

Por conta da força, a erupção vulcânica – que chegou ao espaço – lançou para cima uma espécie de nuvem de cinzas, junto com vapor d’água e poeira. Essa atividade desencadeou uma perturbação na pressão atmosférica e gerou ventos fortes, sendo que essas correntes de ar se deslocavam para as camadas atmosféricas cada vez mais altas e velozes.

A ICON também constatou que quando os ventos alcançaram a ionosfera, tinham uma velocidade aproximada de 724 km/h, ou seja, os mais fortes já registrados a uma altitude abaixo de 193 km, tendo afetado as correntes elétricas da ionosfera. A corrente elétrica que flui para o leste foi impulsionada pelos ventos na parte mais baixa da atmosfera e após a erupção, atingiu uma potência cinco vezes maior do que o norma, mudando a direção para oeste.

Principais efeitos da erupção em Tonga
(Imagem: Reprodução/Goddard Space Flight Center/NASA/Mary Pat Hrybyk-Keith)

Para a física Joanne Wu, esse impacto no espaço por uma erupção vulcânica só foi visto em tempestades geomagnéticas, quando as partículas e radiação do Sol afetam o clima espacial. Agora, a NASA planeja a missão Geospace Dynamics Constellation (GDC), com objetivo de compreender melhor os eventos que afetam a atmosfera, tanto que o projeto contará com uma frota de pequenos satélites e sensores climáticos baseados em solo para conseguir acompanhar as correntes elétricas e também os ventos atmosféricos da ionosfera.

Leia mais:

Fonte: NASA

Já assistiu aos novos vídeos no YouTube do Olhar Digital? Inscreva-se no canal!

O post Erupção vulcânica de Tonga foi tão intensa que gerou efeitos no espaço apareceu primeiro em Olhar Digital.

✇ CONTI outra

Ex-mulher exige pensão alimentícia para cobrir custos com cahorros após separação

Por CONTI outra — 9 de Maio de 2022, 23:50

Na última terça-feira (3), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) começou a analisar uma decisão judicial que estipulou que um homem de São Paulo pague R$ 500 mensais a título de pensão à ex-companheira para ajudar com os gastos com os quatro cachorros do casal.

Os cães foram adquiridos pelo ex-casal durante a união estável. Após a separação, a mulher entrou na Justiça requerendo uma pensão mensal, além de ressarcimento de R$ 19 mil reais para o pagamento de despesas que ela teve com os cães.

O ex-marido recorreu da decisão, e o caso seguiu para o STJ. O relator do caso, o ministro Vilas Boas Cueva, avaliou que a pensão é legítima, e a pensão deve ser paga até o fim da vida dos cães ou até que eles ganhem um novo lar.

Já o ministro Marco Aurélio Belize solicitou vista, ou seja, mais tempo para analisar o caso. Ainda não há uma data marcada para o julgamento da ação.

O advogado e diretor do Instituto Luiz Gama, Camilo Caldas, crê que a discussão trará maior proteção para animais domésticos, uma vez que abre precedente para casos parecidos, além de trazer o conceito de família multiespécie.

“A ideia de família multiespécie é algo muito discutida no judiciário não só no Brasil, mas no mundo. Ela passa por entender que o vínculo que constitui a família é acima de tudo o afeto e ele pode existir também entre humanos e animais domésticos. Portanto estamos evoluindo para fugir de um pensamento único e tradicional e pensar acima de tudo na sensibilidade que cada ser possui”, disse.

Mel de Souza, diretora do Proanima, opina que os casais devem estar ciente dos gastos e da responsabilidade quando decidir incluir um pet na família.

***
Redação Conti Outra, com informações de G1.
Foto de capa: Mali Maeder/Pexels.

The post Ex-mulher exige pensão alimentícia para cobrir custos com cahorros após separação appeared first on CONTI outra.

✇ Laredo

Construindo Cidades

Por Miguel Horta — 10 de Maio de 2022, 17:43

 

No dia 21 de Maio pelas 10.30h terá lugar no Museu de Almada - Casa da Cidade a oficina Construindo cidades. Será uma oficina inclusiva dedicada às famílias com crianças pequenas (a partir dos 5 anos é o ideal) mas aberta a mais gente. Vamos partir da cidade de Almada para construir as nossas cidades com as suas casa. Será um momento de brincadeira para usar as mãos, mexendo na cola, nos cartões e outros materiais reaproveitados. Podem trazer bonequinhos pequenos (duplo ou lego) os vizinhos da cidade e carrinhos que percorrerão as vossas ruas. E podem surgir coisas bem engraçadas - ora espreitemUma oficina aberta à diversidade funcional. Vamos trabalhar com as madeirinhas que o meu vizinho carpinteiro, o José Correia, junta pacientemente para estas ocasiões criativas. Lá vos espero - "Traz outro amigo, também"

Uma oficina da Laredo Associação Cultural - Almada

✇ Olhar Digital :: Olhar Digital Geral

Beta do Android 13 chega para Google TV e Android TV

Por Marina Schnoor — 9 de Maio de 2022, 16:12

O Google acaba de lançar a primeira versão beta do Android 13 para TVs smart, dando aos desenvolvedores e usuários inscritos em seu programa de testes uma prévia da nova interface. Uma versão beta do novo Android para smartphones e tablets já tinha sido liberada para o público no final do mês passado.

Por enquanto, só quem pode ver as mudanças no Android 13 TV é quem possui um ADT-3, um dongle do Android TV voltado especificamente para desenvolvedores. Outra opção é usar o Android Emulator for TV no Android Studio.

Got the Android 13 Beta flashed onto my ADT-3. Time to take it for a spin to see what's new! pic.twitter.com/OH9789iDJI

— Mishaal Rahman (@MishaalRahman) May 6, 2022

Segundo relatos de desenvolvedores, o Android 13 TV não é muito diferente do Android 12 TV visualmente. Segundo Mishaal Rahman, editor técnico do site Esper, a primeira versão beta não inclui recursos anteriormente descobertos, como o modo picture-in-picture expandido e suporte para Pareamento Rápido (Fast Pair). Como o Google apontou, “mais opções de customização no Android 13 para melhorar a experiência e a compatibilidade nas TVs serão introduzidas a cada versão”.

Uma novidade do Android 13 para TV mostrada anteriormente é o modo “espera de baixo consumo”, que permite desativar wakelocks e cortar o acesso de apps à rede para economizar energia. No entanto, ainda não está claro se a função está ativa nessa primeira versão beta.

Leia mais:

Quem tem o dongle ADT-3 já pode baixar a primeira versão beta do Android 13 TV e atualizá-la manualmente em seu aparelho de testes.

Via: XDA Developers

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

O post Beta do Android 13 chega para Google TV e Android TV apareceu primeiro em Olhar Digital.

✇ Olhar Digital :: Olhar Digital Geral

Vulcão adormecido na Antártida acorda e causa mais de 85 mil terremotos

Por Lyncon Pradella — 7 de Maio de 2022, 12:41

Um vulcão submarino, que estava há muito tempo adormecido perto da Antártida, acordou, provocando mais de 85.000 terremotos entre agosto e novembro de 2020. De acordo com uma pesquisa do Centro Alemão de Pesquisa em Geociências, o fenômeno foi causado por “dedo” de magma quente que cutucou a crosta da Terra.

“Houve intrusões semelhantes em outros lugares da Terra, mas esta é a primeira vez que observamos isso lá [na Antártida]”, disse a coautora da pesquisa Simone Cesca, sismóloga do Centro, à revista Live Science. “Normalmente, esses processos ocorrem em escalas de tempo geológicas. Então, de certa forma, temos sorte de ver isso”, completou.

King George Island, na Antártida. Imagem: Shutterstock

O enxame, como é chamado o evento de milhares de terremotos em curto espaço de tempo, ocorreu em torno do Orca Seamount, um vulcão inativo que se eleva a 900 metros do fundo do mar no Estreito de Bransfield, perto do noroeste da Antártida.

Segundo um estudo publicado em 2018 na revista Polar Science, nesta região, a placa tectônica de Phoenix está mergulhado sob a placa continental da Antártida, criando uma rede de zonas de falhas.

Cientistas das estações de pesquisa na Ilha King George, uma das Ilhas Shetland do Sul, foram os primeiros a sentirem os estrondos de pequenos terremotos. A notícia logo chegou a Cesca e seus colegas ao redor do mundo.

As estações próximas são bastante simples, mas foram boas o suficiente para detectar os terremotos de menor escala. Já as estações mais distantes usaram equipamentos mais sofisticados e puderam, assim, pintar uma imagem mais detalhada dos terremotos de maior escala.

Leia mais:

De acordo com Cesca, ao juntar todos os dados recolhidos, a equipe conseguiu criar uma imagem da geologia subjacente que desencadeou esse enxame de terremotos maciços.

Os dois maiores terremotos da série foram um de magnitude 5,9 em outubro de 2020 e um de magnitude 6,0 em novembro. Após o terremoto de novembro, a atividade sísmica diminuiu. Os terremotos pareciam mover o solo na Ilha King George em torno de 11 centímetros, segundo o estudo.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

O post Vulcão adormecido na Antártida acorda e causa mais de 85 mil terremotos apareceu primeiro em Olhar Digital.

✇ CONTI outra

Família cria aranha gigantesca como pet; a chamam de Charlotte

Por CONTI outra — 5 de Maio de 2022, 23:02

Uma família chocou muitos internautas recentemente ao apresentar nas redes sociais o seu bichinho de estimação, uma aranha-caçadora gigante. Na foto compartilhada no Facebook, o enorme aracnídeo pode ser visto na parede da residência em Cairns, na costa nordeste da Austrália.

A aranha foi batizada como Charlotte pelos dois filhos do casal (Jack e Bella). Na publicação nas redes sociais, Jake Gray, o pai das crianças, manifestou um desejo incomum: “Quero que ela cresça ainda mais”.

O caso de amor da família de Jake com a aranha Charlotte virou notícia no fim de 2020, quando ele publicou a foto do animal em um grupo do Facebook especializado em aranhas exóticas.

Her name is Charlotte, (huntsman spider) she’s a welcomed member of the Gray family in Australia,
Charlotte loves going from room to room eating bugs n stuff.
ps: she’s still growing
More of this please embrace the 8 legged angels pic.twitter.com/F1Sf2ViCmg

— Summer Stolarcyk (@summerstoli) February 8, 2022

Muitos internautas chegaram a duvidar da história na época, mesmo após Jake dar várias entrevistas sobre o assunto. Recentemente, Charlotte voltou a fazer sucesso nas redes, então Jake atualizou os fãs do aracnídeo sobre a convivência entre todos em casa.

A conexão afetiva da família com a aranha é tão grande que eles dizem ter notado que ela cresceu durante a estada na casa.

À princípio, todos ficaram um pouco assustados com a presença do predador enorme na residência, especialmente as crianças. Hoje, Charlotte é uma das alegrias da casa.

“Vê-la comendo uma lagartixa asiática foi um destaque”, contou Jake ao site IFL Science.

A família australiana sempre faz questão de ressaltar que, apesar do tamanho gigante — a envergadura das patas chega a 30 cm —, as aranhas-caçadoras são “tímidas” e costumam evitar humanos.

O veneno delas não oferece nenhum risco aos humanos — geralmente causa vermelhidão no local e ocasiona reações como diarreia e vômito.

***
Redação Conti Outra, com informações de R7.
Fotos: REPRODUÇÃO/FACEBOOK/JAKE GRAY

The post Família cria aranha gigantesca como pet; a chamam de Charlotte appeared first on CONTI outra.

✇ Wilder

Descubra esta forma simples de ajudar a águia-de-bonelli

Por Inês Sequeira — 5 de Maio de 2022, 15:44

A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) lançou esta quinta-feira a campanha “Seja um Embaixador das Águias”, no âmbito do projecto de conservação LIFE LxAquila.

O desafio consiste em ir ao site sosaguias.spea.pt e fazer um juramento de bandeira, em que a pessoa se compromete “a ajudar a proteger a ameaçada águia-de-bonelli, que na Área Metropolitana de Lisboa vive numa situação inusitada”, explica a SPEA, numa nota de imprensa enviada à Wilder.

Em Portugal, a águia-de-bonelli (Aquila fasciata), também chamada de águia-perdigueira, é uma espécie Em Perigo de extinção, segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados (2005). A última estimativa nacional é de 2011 e aponta para um total de 116 a 123 casais.

Apesar de se tratar de uma espécie esquiva, na região lisboeta estas aves vivem “excepcionalmente perto das pessoas” e estão por isso “especialmente vulneráveis”. Estima-se que vivam entre 12 a 14 casais na Área Metropolitana de Lisboa.

“Nesta região as águias-de-bonelli estão no limite, qualquer perturbação adicional pode ser desastrosa”, explica Joaquim Teodósio, da SPEA, coordenador do projecto. “Por isso precisamos de todos para ajudar a detectar situações que ponham estas aves em perigo, e para passar a palavra sobre a importância desta espécie para o ambiente que nos rodeia.”  

Casal de águias-de-bonelli no ninho, na região de Lisboa, filmado por uma câmara oculta. Fonte: SPEA

Tal como outros predadores, estas aves são importantes devido à forma como ajudam a controlar os números de animais que causam problemas quando as suas populações crescem muito. As águias contribuem também para controlar doenças nalgumas espécies, como o coelho e a perdiz, pois capturam aqueles que ficam doentes e enfraquecidos.

Alguns deveres. E também direitos

Uma das principais ameaças à espécie é a perturbação durante a época em que estas águias se reproduzem, em relação à qual são muito sensíveis.

E por isso, os Embaixadores das Águias têm de assumir alguns compromissos: “comprometem-se a não divulgar a localização de ninhos, a manter a distância para não perturbar estas aves, a denunciar se detectarem algum crime contra o ambiente, e a ser embaixadores da espécie junto dos seus amigos, colegas e familiares”, explica a organização não governamental de ambiente.

Em contrapartida, passam a receber por email diversas novidades vindas dos “bastidores” do projeto, além de informação sobre as águias, e ainda várias dicas e conselhos para contribuirem para a conservação da espécie.

Águia-de-bonelli. Foto: Rita Ferreira/SPEA

Por outro lado, “com a ajuda dos Embaixadores, o projeto LIFE LxAquila pretende reduzir ameaças como o uso ilegal de veneno e o risco de incêndio, zelando assim também pela saúde pública e pelo bem-estar das pessoas.”

Este projecto é coordenado pela SPEA e co-financiado por fundos europeus, através do programa LIFE, e vai prolongar-se até Setembro de 2025. Até lá, pretende demostrar que a conservação de predadores – como esta águia – pode ser compatível com as actividades humanas. Para isso, está a trabalhar na criação de “uma rede de custódia composta por proprietários de terrenos privados e entidades públicas e privadas, que serão guardiões dos valores naturais da região, e em particular das águias-de-bonelli”.  

Desde Fevereiro, uma câmara permitiu a todos os interessados vigiarem através da Internet o crescimento de uma cria de águia-de-bonelli, que “recentemente abandonou o ninho”, lembra ainda a SPEA.

O conteúdo Descubra esta forma simples de ajudar a águia-de-bonelli aparece primeiro em Wilder.

✇ Wilder

Edna Correia está a investigar como vivem as aves selvagens nos arrozais do Tejo

Por Inês Sequeira — 5 de Maio de 2022, 13:00

A investigadora do CESAM – Centro de Estudos do Ambiente e do Mar ganhou uma Medalha de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência, cujo dinheiro lhe vai permitir usar aparelhos de GPS para seguir as íbis-pretas.

Esta bióloga de 34 anos, que trabalha numa equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa ligada ao estudo das aves aquáticas, foi uma das quatro premiadas com uma Medalha de Honra L’Oreal Portugal para as Mulheres na Ciência. O dinheiro do prémio, 15.000 euros, vai ser aplicado a investigar “até que ponto os arrozais podem servir de alternativa para as aves que tradicionalmente dependem de zonas húmidas naturais”, disse à Wilder.

Edna Correia a transportar varas de anilhagem no estuário do Tejo. Foto: Teresa Catry

É que por todo o mundo já se perderam “mais de metade das zonas húmidas” – ecossistemas que têm “uma elevada importância para a biodiversidade” – especialmente “devido à expansão agrícola”, lembra esta cientista. O arroz é precisamente uma das principais culturas ligadas a essa mudança e além do mais “a base alimentar de cerca de metade da população humana”, pelo que é um produto importantíssimo.

Mas muitas vezes, aves como as íbis-pretas deixam de ter lugar nestes novos espaços, afastadas por exemplo através de “espantamentos baseados em perturbação sonora”. Isto porque os produtores de arroz têm “a percepção de que os prejuízos que as aves estão a causar à produção são importantes”.

Íbis-preta (Plegadis falcinellus). Foto: Bernard DUPONT/Wiki Commons

A resposta a esta incompatibilidade, acredita Edna Correia, começa pela investigação. “Queremos quantificar esses prejuízos de forma rigorosa, de forma a contribuir para reconciliar as preocupações dos produtores de arroz com uma gestão dos arrozais em conformidade com a conservação da biodiversidade”, sublinha.

O próximo passo? A partir de Agosto, está prevista a colocação de aparelhos GPS em pelo menos 15 íbis-pretas que frequentam os arrozais do Estuário do Tejo, que assim vão ser seguidas no seu dia-a-dia. A equipa à qual pertence a investigadora está interessada em estender o trabalho a outras espécies, “assim que surjam oportunidades de financiamento”.

Arroz e lagostins

A íbis-preta (Plegadis falcinellus) é uma ave “de aspecto exótico” e “com reflexos esverdeados nas asas”, descreve o portal Aves de Portugal. Permanece em Portugal ao longo de todo o ano, embora seja mais frequente nos meses de Inverno, e chega a formar bandos de algumas centenas.

Apesar de já dispor de informação sobre os hábitos alimentares da espécie, Edna Correia nota que “ainda há muito trabalho a fazer”.

Edna Correia a abrir redes de anilhagem nos arrozais. Foto: Teresa Catry

“O que sabemos é que se alimentam de arroz – tanto arroz caído no solo como directamente da planta – mas também de vários invertebrados, como o lagostim-vermelho-do-Louisiana Procambarus clarkii [espécie invasora]; mas também insectos, minhocas, caracóis.”

A marcação com aparelhos de GPS vai ajudar também a saber “com que intensidade é que as íbis-pretas usam os arrozais e os habitats adjacentes e quais são os principais usos que fazem desses diferentes habitats”.

Certo é que tanto o arroz e o lagostim são “fontes de alimento transversais para grande parte da comunidade de aves que usam os arrozais do Tejo” e são por isso considerados elementos centrais para estas espécies que ali passam os seus dias.

Ao longo das estações do ano, estas áreas do estuário estão cheias de vida. “Os arrozais tendem a ser importantes durante grande parte do ano, mas a sua utilização varia de espécie para espécie. Por exemplo, durante o Verão e Outono há grandes concentrações de íbis e cegonhas nos arrozais, mas os patos e as aves limícolas tendem a ser mais abundantes no Outono e Inverno. Apenas durante a Primavera, quando a maioria das espécies escolhem outras áreas para se reproduzir, é que os arrozais parecem ficar mais pobres.”


Foto: Teresa Catry

Retrato de uma investigadora: Edna Correia

Edna Correia ganhou uma Medalha de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência. Saiba mais sobre quem é esta investigadora e como passa os seus dias.

WILDER: Quando e porque é que decidiu ser bióloga?

Edna Correia: Penso que foi quando tinha cerca de 14 anos. Sempre tive uma relação próxima com a natureza e sabia que queria manter essa relação, e por isso a biologia surgiu como uma resposta natural a essa vontade!

W: E quais são os seus principais interesses de investigação?

Edna Correia: Principalmente estudar a ecologia das aves, o que no meu caso tem acontecido muito através do estudo da sua dieta e comportamento, mas também das suas migrações. Interessa-me também que a minha investigação possa ter alguma aplicabilidade na conservação das espécies ou dos habitats que estudo. E há uma forte componente de trabalho de campo na minha investigação, o que também é muito importante para mim. 

W: Como é que costuma passar os seus dias no trabalho? 

Edna Correia: São muito passados ao computador, quer seja a analisar os dados que recolho no campo, quer seja a transformar esses dados em artigos científicos para publicação. Há dias que passo no laboratório, por exemplo a identificar presas de que as aves se alimentam.

E também há alturas em que passo algumas temporadas a fazer trabalho de campo, que inclui a captura e a anilhagem de aves, ou observação, contagem e recolha de vários tipos de informações ou amostras. Há depois também uma parte do dia-a-dia dedicada à procura constante de financiamento e emprego, e por isso à escrita de propostas de projectos.

W: O que é que mais gosta de fazer neste trabalho? E quais são os maiores desafios?

Edna Correia: Acabo por ir gostando de todas as fases que o meu trabalho implica, mas sem dúvida o trabalho de campo é uma das minhas partes preferidas. É sempre desafiante tentar capturar aves, especialmente quando queremos trabalhar com determinadas espécies mais difíceis de capturar, em que o esforço tem de ser muitas vezes muito grande. Mas esse desafio também tem a sua piada, principalmente quando se supera!

W: Há diferenças de tratamento entre homens e mulheres na investigação em biologia?

Edna Correia: As diferenças infelizmente continuam a existir, como é o caso da predominância de homens em cargos de chefia, que tem a ver com o desigual acesso a oportunidades entre géneros ao longo da carreira. Penso que se têm feito muitos progressos, mas ainda há um longo caminho pela frente em direcção à igualdade entre mulheres e homens na ciência.

 

O conteúdo Edna Correia está a investigar como vivem as aves selvagens nos arrozais do Tejo aparece primeiro em Wilder.

✇ ALFINete

Dibujar nos ayuda a entender: los beneficios de estudiar haciendo infografías

Por Maria José Vitorino — 4 de Maio de 2022, 19:44



Dibujar nos ayuda a entender: los beneficios de estudiar haciendo infografías

Infografía y educación

Las infografías son utilizadas normalmente en el ámbito periodístico. Sin embargo, con ellas podemos exponer hechos, desarrollar situaciones, explicar historias, describir procesos, etc., por lo que su uso se está comenzando a esparcir a otros ámbitos, como el educativo.

Su empleo en la educación es muy novedoso aún, y presenta dos vertientes: por una parte, como un modo para presentar información en el aula y llamar la atención de los alumnos. Por otra parte, haciendo que el alumno realice una infografía para que desarrolle habilidades como la búsqueda, adquisición y asimilación de la información, ya que para plasmar una determinada información en la infografía hay que conocer en profundidad un determinado tema.

Nos enfrentamos a una realidad diferente, en la que hay que adaptarse a las circunstancias que puedan venir, y la covid-19 es muestra de ello. Debe haber una educación que llegue a las aulas, pero también a las casas, a los hospitales, a alumnos con necesidades especiales, etc. La educación visual y las tecnologías de la información y la comunicación son las grandes líneas del futuro de la educación capaces de conseguirlo.

✇ Blogue RBE

UNESCO: Currículo para a transição sustentável

4 de Maio de 2022, 08:00

2022-04-27.png

O que devemos continuar a fazer? O que devemos abandonar? Que necessidades podem ser criativamente inventadas de novo? são questões orientadoras do relatório global da UNESCO, Reimaginar os nossos futuros juntos: um novo contrato social para a educação [1].

No seu resumo, a IFLA levanta uma quarta questão: Qual é o papel das bibliotecas, bibliotecários e profissionais da informação a imaginar e cocriar este novo contrato social [2]?

Estas questões orientam a abordagem de todos os tópicos do relatório, inclusive do currículo, sobre o qual incidiremos esta reflexão [3], a última de uma série de três artigos já publicados.

 

5. Literacia matemática, científica e humanidades

A literacia matemática é útil para compreender relações, observar tendências e padrões, fazer projeções que impliquem decisões para o futuro e pode ser aplicada a diversos contextos e problemas: cálculo, saúde (ex. previsão de riscos sanitários), ambiente (ex. subida do nível do mar e poluição), computação com base no sistema numérico binário, economia (ex. rendimentos agrícolas).

No seu relatório global, a UNESCO recomenda que na educação formal se aprenda numeracia de forma significativa, ligando-a, por exemplo, à cultura (ex.  beadwork, arte com missangas ou cestaria ou jogos como o Maori), ligando ambiente familiar ao escolar.

 

2024-04-27.jpg

 

Literacia e investigação científica baseiam-se em “observar, questionar, predizer, testar, teorizar, desafiar e melhorar a compreensão”.

Ao longo da história da humanidade, a ciência mostrou que “a verdade é o resultado de procedimentos e acordos produzidos através de um esforço coletivo”, mas ao crescer tornou-se um campo especializado, desenvolvido acima de questões éticas sobre os efeitos das suas descobertas, gerando desconfiança. Por conseguinte, “Os currículos devem considerar os métodos, descobertas e ética da ciência como estando interligados”.

É a disseminação maciça de desinformação, sobretudo em períodos de crise como a do aquecimento global ou pandemia Covid-19, que leva a que conhecimentos científicos e factos sejam negados ou deturpados, gerando consequências no mundo real e alimentando a incerteza, medo e ódio.

Para reverter esta situação, “Os currículos devem fomentar um compromisso para defender a verdade científica e desenvolver capacidades para discernimento e investigação autêntica da verdade, que é complexa e variada” e contribuir para o bem-estar global.

Literacia científica e ética são urgentes sobretudo em populações desfavorecidas e marginalizadas, mais expostas à desinformação - por exemplo, regiões com grandes indústrias petrolíferas são pressionadas, inclusive ao nível dos currículos científicos oficiais, para minimizar efeitos ambientais da extração deste combustível fóssil altamente poluente.

As humanidades, na perspetiva “da nossa humanidade comum, de um planeta partilhado e com aspiração à justiça coletiva”, têm permitido compreender a construção do conhecimento e tomar consciência de que é “parcial e deformada”.

A aprendizagem da História “pode desenvolver uma perspetiva inestimável sobre mudança e sistemas sociais, incluindo discriminação e privilégio”, bem como sobre a “contingência, que as coisas poderiam ser diferentes do que são”, o que é fundamental para o futuro da democracia. Ela faz parte da “literacia para o futuro” que é a capacidade para “preparar, recuperar e inventar à medida que as mudanças ocorrem”.

 

“As tecnologias digitais devem ter como objetivo apoiar – e não substituir - as escolas. Deveríamos incentivar as ferramentas digitais para melhorar a criatividade e comunicação dos estudantes. Quando a inteligência artificial e os algoritmos digitais são trazidos para as escolas, temos de garantir que não se limitam a reproduzir os estereótipos e sistemas de exclusão.”

UNESCO, 2021

 

6. Competências digitais, artísticas e para uma cidadania ativa

Segundo a UNESCO “Não há nada de ‘nativo’ ou ‘natural’ nas competências digitais. Elas são construídas e aperfeiçoadas ao longo do tempo, através de intervenções educativas intencionais, ao lado de várias formas de aprendizagem informal e autodirigida.”

Mais do que competências digitais funcionais, é preciso desenvolver “literacia digital crítica” que pressupõe que os estudantes “reconheçam as motivações dos atores nos espaços digitais” e compreendam o ecossistema digital que manipula quem usa estas tecnologias para alcançar resultados que influenciam inclusive quem nunca usou estes meios.
A educação deve ainda incentivar o uso significativo de tecnologia em diversos contextos, o papel ativo do estudante sobre a tecnologia, a inovação tecnológica e a transformação digital das sociedades.
Também deve ser uma prioridade o acesso aberto com forte proteção de dados pessoais.

O relatório da UNESCO propõe a criação de currículos que incentivem a expressão criativa, proporcionando o desenvolvimento de novos meios e linguagens para dar sentido ao mundo, envolver-se no património cultural e “alargar os horizontes do conhecer, ser, comunicar dentro e fora das artes”. A educação através das artes “pode expandir muito o domínio de competências complexas e apoiar social e emocionalmente a aprendizagem”, para além de permitir “aceder à experiência dos outros, por empatia ou leitura de pistas não verbais”, pensar a mudança e o desconhecido.

O currículo deve integrar uma componente de cidadania, área de aperfeiçoamento ético e moral, que suscita “pensamento político e criativo e advocacia, monitorizando a injustiça e violações de direitos humanos” e estabelecendo ligação a diferentes atores, incluindo organizações não governamentais e a movimentos civis. Promove ainda pensamento crítico, cooperação e envolvimento social, através do diálogo e ações solidárias para o desenvolvimento sustentável e justo. Segundo a UNESCO, temas como igualdade de género e discriminação devem ser abordados em todos os currículos.

Esta visão do currículo apresentada pela UNESCO interpela educadores e professores bibliotecários à consciencialização e ação para um mundo mais justo e sustentável. Como é que localmente vai gerar esta mudança, é algo que gostaríamos que partilhasse connosco.

 

Referências

1. United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization [Comissão Internacional sobre os Futuros da Educação]. (2021, 10 nov.). Reimagining our futures together: a new social contract for education. France: UNESCO. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000379381

2. International Federation of Library Associations and Institutions. (2022, 24 Jan.). International Day of Education – Libraries Contributing to a New Social Contract for Education [Resumo da IFLA do Relatório Futuros da Educação]. Netherlands: IFLA. https://www.ifla.org/news/international-day-of-education-libraries-contributing-to-a-new-social-contract-for-education/

3. UNESCO, 2021: Part II, Chapter 4, pp. 63-78.

 

Fonte das imagens

1. El Correo de la UNESCO. (2021, nov.). Um nuevo contrato social opara la educación, Espanha; UNESCO. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000379764_spa

2. Espaço Ciência Viva. (2022). Jogos do Mundo: Mu Torere, Oceania. Portugal: ECV. http://cienciaviva.org.br/index.php/2021/07/19/jogos-do-mundo-mu-torere-oceania/

✇ Laredo

Autismo: Desculpem lá o desabafo...

Por Miguel Horta — 4 de Maio de 2022, 09:48

O discurso não está bem organizado...
Um episódio com uma criança está na origem
destas palavras que acabo de escrever.
De qualquer forma, servem para refletir 
e repor o debate sobre o autismo
e a inclusão real que nos vem faltando.

As pessoas não sabem o que é a PEA (aqui um dos possíveis pontos de vista). Falam disso cheias de boas intenções mas com um discurso paternalista, típico de quem desconhece a realidade do convívio. Chegam a achar que o autismo está na moda e acham graça às narrativas extraordinárias dos estranhos acontecimentos que os autistas protagonizam. Entender o ponto de vista das famílias com crianças com perfil autista é meio caminho andado para a inclusão. Só o convívio efetivo traz a inclusão natural. A educação para a inclusão deve acontecer desde a mais tenra idade e numa atitude informada, justa e adequada à pessoa diferente que se tem na frente. A escola pública tem dado passos importantes neste sentido, as equipas crescem em qualidade (mas não em meios) e vão surgindo "projetos que nos animam" (como diz a minha amiga Maria José Vitorino). Mas é evidente a falta de capacitação específica dos profissionais da escola (incluo os auxiliares de educação entre outros) neste campo educativo, tão pouco existem momentos de reflexão serenos que permitam, às equipas da escola, conferir o rumo educativo. "Os autistas não são especiais" (citando Alexandra Lobato), não têm necessidades educativas especiais, têm necessidades educativas específicas que todos deveremos conhecer para que a inclusão seja efetiva. Os autistas não vêm acompanhados de brinde, nem são de ouro, por isso não são especiais; não vêm de outro planeta, são mesmo deste, nossos vizinhos reais. Tão pouco vêm acompanhados de bula nem necessitam que os coloquem em gavetas taxonómicas para descanso da nossa ignorância coletiva. Ah, já agora, a sua cor favorita não é sempre o azul!


A escola pública, no geral, tenta cumprir a sua missão inclusiva, mas vem sacrificando a sua função educativa com o desempenho económico da estrutura; acentua ainda mais as diferenças sociais, económicas, de género, religiosas, funcionais e , neste caso, parece não ter consciência do conjunto de a perturbações do espectro do autismo e outras situações de desencontro interior. Pequenas grandes coisas contribuem para a melhoria do ambiente de acolhimento. Em primeiro lugar, é importante defender uma comunicação escorreita entre a escola e as famílias dos alunos com diversidade funcional, só assim se constitui uma verdadeira equipa para a inclusão, permitindo, até, a criação de momentos de formação parental, tão necessária nos meios sociais mais excluídos. Até mesmo a arquitetura da escola, em particular da sala de aula, pode ser amiga da diferença - um espaço aberto, de núcleos modulares, inspirado na 
Escola Moderna, tem provado eficácia. Uma irritante lâmpada de néon, com a sua luz fria e ruido subtil e constante, pode perturbar o dia de um aluno do espectro. A atenção aos detalhes é essencial querer conhecer o aluno e trabalhar com a criança numa regularidade fiel. É visível a falta de promoção dos meios tecnológicos e culturais, no campo da leitura e literacia, que promovam a fruição lúdica, o conhecimento e inclusão destas pessoas. As estruturas de apoio escolar aos alunos portadores desta perturbação interior, carecem do número suficiente de profissionais especializados e demonstram, ainda, pouca coragem na contratação de profissionais que podem contribuir grandemente para a inclusão: Mediadores culturais especializados, professores bibliotecários, psicomotricistas, pedopsiquiatras, terapeutas especializados, assistentes operacionais (1), entre outros. Claro que alguns agrupamentos de escolas possuem respostas efetivas em crescimento no seu interior e têm por perto IPSS (ou outras estruturas educativas/culturais) competentes neste campo, com quem podem estabelecer parcerias. A meu ver, a escola pública deverá poder corresponder a esta necessidade em plenitude, colocando-se na frente da pesquisa pedagógica. É bom que a escola, sobretudo as direções dos agrupamentos, não se esqueça que pode ter autonomia pedagógica, essa condição permite pequenas mudanças que constroem grandes futuros.


(1) Neste ponto, faço uma chamada de atenção para as assistentes operacionais da escola, que mantêm uma relação próxima de cuidadoras destas crianças, recebendo-as logo de manhã e tratando das suas necessidades básicas, o que lhes dá um ponto de vista singular sobre o comportamento destes alunos e uma ascendência quase familiar.

✇ Laredo

Leituras à solta

Por Miguel Horta — 3 de Maio de 2022, 11:35
A convite da Memoriamedia
vou realizar uma oficina em Torres Vedras
que une a palavra ao corpo
Esta iniciativa faz parte da Festa do Lugar
que docorre entre 13 e 22 de Maio

17 de Maio . 17.00h .
Centro de Artes e Criatividade de Torres Vedras  
O corpo do grupo
90 minutos em que o corpo se move e a palavra se diz. A partilha de pequenas dinâmicas que uso nos meus encontros com o outro, destinadas a criar grupo, comunicação e criatividade. Ao longo desta oficina descontraída vamos mover o corpo daqui para ali, tocar, cooperar, agarrar, dizer e expressar tudo em conjunto. Sentir o efeito das palavras no nosso movimento e ficar a conhecer melhor o nosso vizinho. Venham leves. Convidamos gerações distintas para este encontro. Pessoas diferentes numa oficina inclusiva. Reencontramos caras e fazemos novos amigos depois de um retorno do privado a que fomos obrigados pela lógica dos tempos. Ora, vamos lá acenar ao futuro.

Saber mais AQUI e também AQUI

Uma parceria com o projeto Somos Comunidade

#Laredo Associação Cultural
✇ Olhar Digital :: Olhar Digital Geral

Após eleição sindical, Amazon tenta anular votação em armazém nos EUA

Por Lauro Lam — 2 de Maio de 2022, 17:01

A Amazon está fazendo de tudo para impedir que seus colaboradores sejam sindicalizados. Nesta segunda-feira (2), houve uma eleição sindical histórica em um armazém da empresa em Nova York e a gigante da tecnologia entrou com um recurso que pretende anular a votação por meio de uma audiência interna. Segundo a varejista online, há fortes indícios de manipulações dos votos e pressões para que os trabalhadores participassem da eleição. O Sindicato nega as acusações. 

Vitória sindical em Staten Island 

Esse é o segundo armazém da Amazon que tenta a sindicalização. No instalado no bairro de Staten Island, houve a participação de 55% dos colaboradores, todos já inscritos no Sindicato Trabalhista. 

A principal luta é por melhores salários e segurança no ambiente de trabalho. A eleição foi um marco histórico e obteve uma vitória nos quase 28 anos da empresa, que é a segunda maior dos EUA, ficando atrás somente do WalMart

Leia mais:

Em busca do cancelamento 

Em sua tentativa de anular a segunda eleição sindical ocorrida em seus armazéns, a Amazon apresentou 25 objeções que podem ser significativas para invalidar o resultado. Para registrar as objeções, depoimentos serão colhidos a partir do dia 23 de maio, processo que deve levar semanas. 

eleição sindical amazon
Amazon sofre constantes protestos por conta das más condições de trabalho, racismo, entre outros. Agora, empresa está tentando barrar a sindicalização dos seus trabalhadores. Imagem: Shutterstock

No entanto, o advogado do Sindicado, Eric Milner, acredita que a Amazon não obterá êxito na tentativa de anular a eleição sindical. 

“Embora estejamos desapontados com qualquer atraso da Amazon em suas obrigações de negociação, continuamos confiantes de que todas as objeções serão anuladas”, disse.

Transparência? 

A porta-voz da Amazon, Kelly Nantel, informou que todos os funcionários terão liberdade para falarem e que serão devidamente ouvidos. 

“Queremos que nossos funcionários tenham suas vozes ouvidas e, neste caso, isso não aconteceu – menos de um terço dos funcionários do local votaram no sindicato”, informou a representante da empresa.

Via: Reuters

Já assistiu aos novos vídeos no YouTube do Olhar Digital? Inscreva-se no canal!

O post Após eleição sindical, Amazon tenta anular votação em armazém nos EUA apareceu primeiro em Olhar Digital.

✇ CONTI outra

Claro é condenada a indenizar cliente que recebeu mais de 100 ligações de cobrança

Por CONTI outra — 29 de Abril de 2022, 22:35

Em decisão da 7ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, a operadora de telefonia Claro terá que indenizar uma cliente que recebeu mais de 100 ligações de cobrança em apenas dois dias.

Foi estipulada pela Justiça uma indenização no valor de R$ 2 mil a título de danos morais, visto que o recebimento de telefonemas em excesso caracteriza “abuso do direito de cobrar”.

Segundo os autos do processo judicial, a consumidora solicitou o cancelamento da internet e da TV a cabo em janeiro de 2021, mas não pôde se desligar do contrato por causa de um programa de fidelização, que estabalecia um vínculo até março do mesmo ano. De acordo com a autora do processo, os serviços foram suspensos e os telefones deixaram de funcionar.

Depois disso, a consumidora passou a receber ligações frequentes com cobranças pelo período em que não houve prestação de serviço. Ela relatou à Justiça que foram mais de 100 ligações apenas entre os dias 19 e 20 de maio de 2021.

A Claro, por sua vez, afirmou que a cliente havia solicitado a suspensão apenas da TV a cabo pelo prazo de 60 dias e que a cobrança se referia somente ao serviço de internet. A operadora ainda alegou que não havia como confirmar quem fez os telefonemas com as cobranças. Apesar disso, a empresa não contestou os números de telefone apresentado pela cliente.

Em primeira instância, a 2ª Vara Cível de Taguatinga declarou a inexistência da dívida sobre serviços prestados no período de janeiro a março, mas não estipulou indenização. A autora recorreu, solicitando o pagamento por danos morais sob alegação de que as ligações causaram constrangimento no trabalho e interferiram no descanso e lazer.

Para os juízes da 7ª Turma Cível, a Claro não poderia exigir o pagamento, pois uma resolução da Anatel veda a “cobrança de assinatura ou qualquer outro valor referente ao serviço durante o período de suspensão total”.

“As circunstâncias da falha do serviço prestado pela empresa ré constituem-se causa suficiente para ocasionar abalo emocional operado. É devida a indenização moral pretendida, pois a autora sequer deveria ter recebido os boletos de cobrança, haja vista que o serviço estava suspenso”, consta na sentença.

Os julgadores do processo registraram que “considerando a vulnerabilidade do consumidor, mostram-se aceitáveis, críveis, e, portanto, verossímeis, diante da realidade fática, as alegações da autora”. “O entendimento de modo diverso possibilita às empresas que utilizam prepostos para efetivar a cobrança e continuar realizando a prática de intimidação exacerbada; não havendo como o consumidor efetivar a prova do desconforto se não através das ligações recebidas.”

***
Redação Conti Outra, com informações de R7.
Fotos: Reprodução/JF DIORIO/ESTADÃO CONTEÚDO.

The post Claro é condenada a indenizar cliente que recebeu mais de 100 ligações de cobrança appeared first on CONTI outra.

✇ Laredo

Outra tempestade no Museu

Por Miguel Horta — 2 de Maio de 2022, 11:02

 


Folhas e minas de grafite espalhadas pelo chão do Museu. O olhar curioso de quem vista o Museu Gulbenkian, desviando por momentos os olhos das obras expostas para observar aqueles artistas improváveis criando sobre o tabuado do chão. Assim vai decorrendo a visita desenhada “A Tempestade” dedicada ao público com doença mental. Desta vez tivemos a participação de “velhos amigos”, os utentes do Pisão (Alcabideche). Duas peças da coleção do fundador chamam a nossa atenção na galeria, onde pontuam retratos contemporâneos de Turner o autor eleito para esta oficina; Quillebeuf (Foz do Sena)e Naufrágio de um cargueiro. A primeira abordagem das obras parte da experiência pessoal dos visitantes; neste caso, a declaração de “alerta amarelo” pela meteorologia, serviu de mote para a aproximação à obra. Falámos de tempestades. Um senhor Cabo-verdiano, já de uma boa idade, recordou um grande dilúvio na sua ilha (Santiago) que arrastou tudo montanha abaixo, vacas incluídas. Eu confessei que gosto bastante de relâmpagos. Fui apelando à memória de cada um.

Fonte: Museu Gulbenkian

“E quando termina a tempestade o que aparece no céu?” Aqui surge o sol, por vezes um arco íris e assim começamos a falar da obra introdutória da oficina, Quillebeuf. “Costumamos dizer gaivotas em terra, temporal no mar,mas eu não vos sei dizer se esta pintura retrata o início ou o fim de uma tempestade. Qual a vossa opinião? O temporal já foi?  Quem me consegue explicar o que estamos a ver? Surgem várias opiniões e vamos acordando a mente e os sentidos – por vezes este público aparece muito medicado e faz parte do nosso trabalho estimular o contacto com as peças da coleção. Falamos do remoinho de água luminosa que o vento ergue para o céu. “Ao longe vê-se um cais” - comenta um dos participantes - “talvez seja uma igreja...” Depois de ter conseguido um foco mais apurado, começo a falar da grande tela de William Turner, na parede oposta. Começámos a falar do quadro que “reporta” um naufrágio antes do aparecimento da fotografia; um tema muito escolhido pelos pintores da época. Neste ponto interrogo-me sempre sobre a possibilidade de aprofundar os conteúdos convocados pela peça. As características específicas do grupo que nos visita ditam sempre o grau de profundidade que utilizamos na abordagem da História de  Arte, em contexto de visita ou oficina em Museu. 

Fonte: Wikipédia
Depois,  mergulhámos na peça, primeiro num jogo de   adivinhas  visuais, para promoção da perceção: Quantos   mastros tinha o navio? Que tipo de navio seria. Neste   momento mostro uma imagem de um cargueiro Inglês da   época (também conhecidos como “navios de linha”); refiro   a  batalha de Trafalgar e o almirante Nelson. Em certos   grupos com estas características, surgem visitantes que se   interessam muito por História, o que permite fazer algumas   ligações interessantes – temos sempre que intuir no   momento até onde podemos ir... Depois continuo a   brincadeira. Quem consegue ver a única ave da pintura?   Quantos escaleres estão de volta do navio? “Ai querida! Lá   se vai o baú da nossa fortuna...” - Quem consegue ver a   arca? Seguem-se outras pequenas histórias que a pintura   possa conter - “Jonh, agarra-te a mim! Não te afogues!” .   Ainda outro tipo de desafios como: Conseguem entrever os   rochedos? Que hora do dia está representada na peça? De   que lado vem o vento? Quem já viu ondas bem grandes?   Neste ponto lanço outro desafio: vamos desenhar a tempestade; primeiro o vento, depois a ondulação e por fim, o vento. O chão do museu torna-se o nosso ateliê1. Aproveito para agradecer a colaboração ativa da Inês e da Lúcia, técnicas/animadoras do Centro Social do Pisão.


1 Nestas últimas oficinas, na fase de desenho, tenho introduzido uma proposta disruptiva quase no final da atividade - a utilização uma folha de papel circular.

✇ Mundo de Livros

10 formas de aperfeiçoar as suas habilidades em casinos

Por beatdigital — 29 de Abril de 2022, 14:06

Não existem técnicas que garantam a vitória em um jogo de casino. No entanto, é possível evitar alguns erros básicos. E isso pode fazer uma grande diferença para quem deseja ganhar em um casino online dinheiro real. No mínimo, você aumentará suas chances de ganhar. Com isso, restará confiar na sorte! Para ajudar nessa missão, listamos 10 formas pelas quais você pode aperfeiçoar suas habilidades em casinos online. Vamos lá!

O post 10 formas de aperfeiçoar as suas habilidades em casinos aparece primeiro no Mundo de Livros.

✇ Olhar Digital :: Olhar Digital Geral

Divórcios batem recorde no Brasil; veja como solicitar certidão online!

Por Lauro Lam — 28 de Abril de 2022, 23:51

Os brasileiros estão se divorciando como nunca. Em 2021, houve um aumento de 4% nos divórcios em comparação ao ano anterior, com o registro de 80.573 escrituras nos tabelionatos de notas, um recorde na série histórica iniciada em 2007. Se você está em um momento delicado no relacionamento afetivo, saiba que existe uma plataforma que simplifica o processo de separação. Trata-se da e-Notariado, o caminho mais rápido para quem quer se divorciar no Brasil. 

Como funciona o processo 

Para efetivar o divórcio em um cartório de notas no formato virtual, o casal deve estar em comum acordo com a decisão e não ter pendências judiciais com filhos menores ou incapazes. 

O processo é realizado de forma online, por meio da plataforma, onde o casal, de posse de um certificado digital emitido de forma gratuita por um cartório de notas, poderá declarar e expressar sua vontade em uma videoconferência conduzida por um tabelião.

Depois de entrar em contato com o cartório de notas de sua escolha, o casal tem agendada uma videoconferência com o tabelião para realizar a escritura, que é assinada digitalmente com certificado digital notarizado ou por ICP-Brasil, assinatura digital de padrão nacional utilizada, por exemplo, para declarar o Imposto de Renda. Os serviços dessa plataforma também estão disponíveis em smartphones.

O Distrito Federal liderou o crescimento dos divórcios no ano passado, com uma alta de 40%, seguido pelo Amapá e Acre. Imagem: Shutterstock

Leia mais:

Quais os documentos necessários? 

Para efetuar o processo online, serão exigidos alguns documentos, tais como: 

  • Fotocópia do RG e CPF, (e apresentação do original);
  • Certidão de Casamento: apresentar a original ou fotocópia autenticada; Quando se tratar de cartório de outra cidade é necessário ter firma reconhecida do oficial que a expediu. Prazo da certidão: 90 dias;
  • Certidão de óbito (se viúvo): apresentar a original ou fotocópia autenticada. Quando se tratar de cartório de outra cidade deve ser com firma reconhecida do oficial que a expediu. Prazo da certidão: 90 dias;
  • Regime de bens;
  • Registro de profissão;
  • Comprovante de endereço.

Existem taxas estaduais que variam de região para região e também é necessária a presença de um advogado para ambas as partes. 

Via: Agência Brasil 

Já assistiu aos novos vídeos no YouTube do Olhar Digital? Inscreva-se no canal!

O post Divórcios batem recorde no Brasil; veja como solicitar certidão online! apareceu primeiro em Olhar Digital.

✇ CONTI outra

Garotinho diz à mãe que é a reencarnação de bebê abortado e voltou “porque sentia saudade dela”

Por CONTI outra — 28 de Abril de 2022, 23:01

Um menino australiano de apenas quatro anos deixou sua mãe boaquiaberta ao falar sobre um aborto que ela sofreu antes de ele vir ao mundo. Em seu perfil nas redes sociais, Laura Mazza compartilhou o curioso relato sobre como o pequeno Luca lhe disse que já morou em sua “barriga” e se tornou um anjo.

“Antes de eu engravidar de Luca, tive uma hemorragia intensa. Lembro-me de ter feito um teste de gravidez positivo e, depois de alguns dias, senti dores intensas e passei por um período ruim. Eu não tinha certeza do que era e só agora tenho uma ideia. Eu fiquei grávida de Luca praticamente de imediato. Eu sabia que Luca tinha andado por aqui antes. Eu poderia apenas dizer que ele parecia um velhinho – ele sempre foi sábio e diz algumas coisas realmente engraçadas, cantando canções antigas que ele não teria ouvido em seus 4 anos. Mas esta noite, no banho, ele disse algo que realmente me chocou e me fez acreditar que ele é uma alma antiga.”, iniciou a mãe.

Ele perguntou: ‘mamãe, nós moramos na Austrália?’ Eu disse: ‘sim nós moramos na Austrália’. E ele: ‘Eu não. Eu vivi em sua barriga’. E eu disse ‘sim, você morou, mas agora você mora na Austrália’. E ele ‘sim, mamãe, eu vivi em sua barriga, eu estava lá, mas depois eu morri’. Fiquei chocada e disse ‘o que você quer dizer com isso?’. Ele disse ‘sim, mamãe, eu fui até sua barriga e depois morri. Eu fui procurar por você, mas não consegui encontrar. Fui à sua casa, fui a todos os lugares, mas você não podia me ouvir. Então, fiquei triste, mas depois me tornei um anjo. Eu senti sua falta, então eu queria voltar para você. Então, virei um bebê em sua barriga novamente e, então, nasci de novo. Eu não estava no paraíso, eu estava na Austrália e eu era seu bebê de novo. E agora estou feliz por ser seu bebê de novo. Estou feliz porque posso crescer agora’.”, continuou.

Leia também:Seu filho te escolheu para que você fosse sua mãe

Laura contou ainda que não conseguiu ouvir o relato do filho sem cair aos prantos: “Eu apenas olhei para ele e chorei. Eu nunca tive uma conversa com ele sobre anjos ou algo assim”, disse ela, emocionada. “Nossos bebês sabem quem eles querem que sejam suas mamães muito antes de sabermos que eles existem. É a prova de que eles realmente nos escolhem e suas almas estão sempre conosco, nesta vida ou na próxima”, afirma.

O relato de Laura rapidamente viralizou nas redes sociais e fez muita gente se incentivou outras pessoas a compartilharem também suas histórias. “Isso é tão bonito. Sempre senti que nossa pequenina nos escolheu. Ela sempre quis ser minha garotinha”, comentou uma mãe. “Temos a certeza de que aconteceu com nosso terceiro bebê”, escreveu outra.

***
Redação Conti Outra, com informações de Crescer.
Fotos: Reprodução/Instagram.

The post Garotinho diz à mãe que é a reencarnação de bebê abortado e voltou “porque sentia saudade dela” appeared first on CONTI outra.

✇ Wilder

Há duas novas abelhas registadas para Portugal. E ambas são uma surpresa

Por Inês Sequeira — 28 de Abril de 2022, 16:26

Um grupo de 10 investigadores portugueses publicou a citação científica destas abelhas, que se vêm somar aos 722 insectos do mesmo grupo já registados em território nacional.

Uma das novas abelhas, com o nome científico Hylaeus bifasciatus, “tem uma vasta área de distribuição na Europa, ocorrendo desde a França à Ucrânia e chegando ao Médio Oriente”, descreve o artigo publicado na revista científica “Arquivos Entomolóxicos” a 27 de Abril.

Mas apesar disso, a descoberta desta espécie em Junho passado causou “alguma surpresa”, explica Albano Soares, entomólogo que encontrou a abelha e é o autor principal do artigo, e que está ligado ao Tagis – Centro de Conservação das Borboletas de Portugal.

É que até hoje a Hylaeus bifasciatus só tinha um registo na Península Ibérica, num local “completamente distante e com características distintas” do sítio onde foi agora encontrada: em Espanha, tinha sido registada em 2008 na serra de Gredos, no centro da Península Ibérica, a uma altitude de 1.100 metros; passados 14 anos, Albano Soares detectou-a em Vila Velha de Ródão (Castelo Branco), a dois quilómetros do rio Tejo.

Abelha Hylaeus bifasciatus. Foto: Albano Soares

“Para melhor se compreender a sua distribuição na Península Ibérica, esta espécie deveria ser procurada entre as duas localizações conhecidas”, sugerem os autores do artigo, liderados pelo investigador do Tagis.

Um achado em Constância

Já a espécie Andrena praecox, que pertence a um grupo de abelhas grandes, “costuma começar a voar aos primeiros sinais de Primavera” e tem uma “vasta distribuição europeia”, mas pode ser encontrada mais facilmente nos países do centro e norte do continente.

Abelha Andrena praecox. Foto: Albano Soares

Em Espanha foi registada em quatro locais diferentes, incluindo Ávila e Madrid, “em áreas com maior influência continental” do que acontece em Constância (Santarém) – local onde Albano Soares encontrou duas fêmeas desta mesma espécie, em Fevereiro de 2020, a cerca de 2,5 quilómetros do rio Tejo.

Devido às características dos sítios onde fora detectada em Espanha, “também era uma espécie que esperaríamos encontrar no Norte, em locais mais próximos do distrito de Bragança, por exemplo”, disse este entomólogo à Wilder.

No artigo, a equipa sugere que a Andrena praecox pode estar presente no Centro e Norte de Portugal e que deverá “ser procurada nos primeiros meses do ano”. Além do Tagis, o trabalho contou com investigadores ligados ao cE3c – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa), ao Instituto Superior de Agronomia e à agência Ciência Viva.

Há ainda muito para descobrir

É certo que existe um grande caminho a fazer quanto ao conhecimento sobre as abelhas de Portugal, acredita a equipa, que lembra que “o conhecimento sobre a fauna de abelhas é ainda incipiente, com poucos investigadores dedicados a este grupo, áreas naturais por registar e várias lacunas na distribuição de espécies”.

“Achamos que poderão ocorrer em Portugal um número próximo das 750 espécies”, adianta Albano Soares, que salienta que “as abelhas são um grupo cujo conhecimento tem evoluído bastante nos últimos tempos”.

“Além das novas espécies a adicionar à lista de Portugal, há também muito a fazer no que concerne à distribuição e ecologia dessas espécies, um longo caminho a percorrer que ganha cada vez mais ímpeto e entusiasmo”, acredita o entomólogo português.


Saiba mais.

Na Mata de Alvalade, em Lisboa, Albano Soares já descobriu mais de 100 espécies de abelhas. Recorde também estas espécies que pode ver nos meses de Primavera.

O conteúdo Há duas novas abelhas registadas para Portugal. E ambas são uma surpresa aparece primeiro em Wilder.

✇ Blogue RBE

UNESCO: O currículo deve trabalhar o ser humano completo

28 de Abril de 2022, 08:00

2022-04-26.png

O que devemos continuar a fazer? O que devemos abandonar? Que necessidades podem ser criativamente inventadas de novo? são questões orientadoras do relatório global da UNESCO, Reimaginar os nossos futuros juntos: um novo contrato social para a educação [1].

No seu resumo, a IFLA levanta uma quarta questão: Qual é o papel das bibliotecas, bibliotecários e profissionais da informação a imaginar e cocriar este novo contrato social [2]?

Estas questões orientam a abordagem de todos os tópicos do relatório, inclusive do currículo, sobre o qual incidiremos esta reflexão [3], que reúne três artigos: um já publicado e outro que será publicado proximamente neste blogue da Rede de Bibliotecas Escolares.

 

3. Currículos que trabalham emoções

Os sentimentos estão na base da “criatividade humana, moralidade, julgamento e ação para enfrentar os futuros desafios”, bem como do discurso de ódio e prática de violência e conflitos. Por sua vez, “As neurociências mostram que conhecimento e sentimento fazem parte dos mesmos processos cognitivos e se desenvolvem, não em isolamento individual, mas através de relações diretas e alargadas com os outros”. Por conseguinte, escolas e bibliotecas são primeiramente lugares de diálogo e troca de aprendizagens entre pessoas, de criação e aprofundamento de relações sociais que têm por base o conhecimento (comunidades de aprendizagem).

“Os currículos precisam de tratar os estudantes como seres humanos completos”, dotados de pensamento e emoções (medo, paixão, confiança, insegurança) e de valorizar e integrar nas matérias a aprendizagem socio-emocional que, na sua melhor abordagem, tem uma componente cognitiva, de investigação crítica e ética, refletindo sobre as implicações dos comportamentos para a formação da identidade pessoal e coesão social – “Aprender a gerar empatia, cooperar, lidar com os preconceitos e gerir conflitos são valiosos em todas as sociedades, particularmente aquelas que lidam com divisões de longa data.”

A aprendizagem socio-emocional requer contextualização, partilha de experiências positivas intergeracionais e entre pares, envolvimento da comunidade e que o educador seja apoiado na sua intervenção.

Respondendo a todas as necessidades e capacidades do ser humano, o currículo deve também incentivar uma “educação física de qualidade que promova aptidões fundamentais de movimento” que “podem aumentar a autoconfiança, coordenação e controlo, trabalho de equipa […] e comunicação verbal e não verbal.”

Uma educação que não seja focada unicamente na cabeça e no cognitivo e que promova uma abordagem holística, deve ainda ter em conta a sexualidade humana, discutindo questões de respeito, consentimento e igualdade de oportunidades, bem como saúde materna e infantil e bem-estar.

 

4. Currículos plurilingues e que trabalham múltiplas literacias

Devem fazer parte do currículo “de forma muito mais decisiva” literacias que “reforcem capacidades de compreensão e expressão em todas as suas formas – oralmente, textualmente e através de uma diversidade crescente de meios de comunicação, incluindo narração de histórias e artes”.

Também é importante trabalhar “textos complexos em todas as disciplinas”, bem como “leitura aprofundada, ampla e crítica, para comunicar clara e eficazmente através da fala e escrita, para escutar com cuidado, desenvolver relações empáticas e compreender”. A UNESCO acalenta o ideal d’“A educação literária poder ir além das salas de aula e escolas, tornando-se um compromisso de toda a sociedade.”

Outra tendência dos currículos é “a mudança do monolinguismo nacional para o plurilinguismo, através do ensino de línguas estrangeiras, indígenas e gestuais, entre outras. Esta é uma mudança que precisa de ser sustentada e expandida”, pois as línguas trazem perspetivas únicas sobre o mundo, reforçam a identidade e permitem a comunicação. “A educação plurilingue cria mais oportunidades de participação em conversas globais, no trabalho e na cultura. Num mundo cada vez mais interdependente, há um valor óbvio para a aprendizagem em diferentes línguas” e para sermos tradutores ativos ao longo da vida.

Paralelamente, é importante que os estudantes tenham “opções educacionais da mais alta qualidade nas suas línguas de origem e ancestrais”, para que possam conhecer e envolver-se socialmente e com o seu património. Os sistemas educativos em todo o mundo devem “apoiar as identidades culturais dos aprendentes” e “respeitar e sustentar a diversidade”.

As línguas minoritárias exigem apoio de todos os falantes e comunidade internacional. Neste contexto, celebra-se 2022-2032 - Década Internacional das Línguas Indígenas.

 

Referências

1. United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization [Comissão Internacional sobre os Futuros da Educação]. (2021, 10 nov.). Reimagining our futures together: a new social contract for education. France: UNESCO. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000379381

2. International Federation of Library Associations and Institutions. (2022, 24 Jan.). International Day of Education – Libraries Contributing to a New Social Contract for Education [Resumo da IFLA do Relatório Futuros da Educação]. Netherlands: IFLA. https://www.ifla.org/news/international-day-of-education-libraries-contributing-to-a-new-social-contract-for-education/

3. UNESCO, 2021: Part II, Chapter 4, pp. 63-78.

✇ Blogue RBE

UNESCO: Conhecimento como herança da humanidade

21 de Abril de 2022, 08:00

2022-04-21.png

O relatório global sobre educação da UNESCO, Reimaginar os nossos futuros juntos: um novo contrato social para a educação, considera que é necessário um novo paradigma da educação que permita transformar o mundo, tornando-o mais inclusivo, pacífico e sustentável.

Coloca três questões que exigem reflexão e ação por parte dos profissionais da educação e professores bibliotecários:

A. O que devemos continuar a fazer?

B. O que devemos abandonar?

C. Que necessidades podem ser criativamente inventadas de novo?

 

O resumo deste relatório, elaborado pela IFLA [1], propõe uma quarta questão:

D. Qual é o papel das bibliotecas, bibliotecários e profissionais da informação a imaginar e cocriar este novo contrato social?

Estas questões orientam a abordagem de todos os tópicos do relatório, inclusive do currículo, sobre o qual incidiremos esta reflexão [2] que continua em próximos artigos do blogue da Rede de Bibliotecas Escolares.

O currículo exige uma abordagem crítica, sobre “O que deve ser aprendido” e “O que deve ser desaprendido”, de modo a construir uma base comum de conhecimento que permita reimaginar (construir uma visão futura partilhada) rotinas e práticas para a transição sustentável.

Até 2050, horizonte temporal para pôr em prática as principais ideias do relatório, literacias, numeracia, artes, tecnologias digitais e cidadania, focadas nas alterações climáticas, ciência e direitos humanos, são as principais áreas de trabalho da educação para todos ao longo da vida.

A reconceptualização do currículo leva a considerar simultaneamente o conteúdo (o que) e a forma (competências) como o conhecimento é gerado, documentado, reexaminado e posto em prática.

Neste artigo consideraremos o currículo no seu propósito de justiça, inclusive ambiental, da ecocidadania.

 

“A educação deve capacitar as pessoas para corrigir omissões e exclusões nos conhecimentos comuns e assegurar que é um recurso duradouro e aberto que reflete a diversidade de formas de conhecer e ser no mundo.”

UNESCO, 2021

 

1. Currículos para a co-construção de um modelo de conhecimento justo e reparador

Segundo a UNESCO, historicamente a formação tradicional do conhecimento tem contribuído para “a construção de barreiras/ divisões e reprodução de desigualdades” geradoras de discriminação, ódio e conflitos. Propriedade de uma elite que, através dele, mantém a sua hegemonia nos diversos setores da sociedade, o conhecimento tradicional é intencionalmente incompleto (apresenta “exclusões”) e “requer correções”.

2022-04-21.jpg

“Rica tapeçaria de diferentes caminhos para saber e ser” [3].

 

Na sociedade cosmopolita em que vivemos, o conhecimento deve constituir “herança de toda a humanidade” e contribuir para “o enriquecimento e bem-estar coletivo”

Porém, para que reúna as perspetivas epistemológicas de todos, é necessária a cocriação de “justiça epistémica, cognitiva, reparadora”, que exige envolvimento de todos.

Este é um processo libertador, que passa pela discussão crítica de preconceitos, hierarquias e formas de exploração, herdadas e arbitrárias, bem como pela valorização de novas abordagens que alarguem o modelo lógico-verbal de raciocínio, através da crítica, experimentação, criatividade, cooperação, projetos e resolução de problemas.

O currículo decorrente desta visão unificadora do conhecimento é aberto e comum/ partilhado - resulta da interação e envolvimento de todos, não tem limites fixos essenciais - as diversas disciplinas refletem a complexidade do mundo e “nunca é organizado como ‘conhecimento completo’, mas sim informado por um conhecimento que liga diferentes gerações, transmite o património cultural e dá espaço para revisão e atualização.”

A lecionação das suas diferentes áreas deve iniciar-se com enquadramento histórico e diálogo intergeracional e a aprendizagem deve entender-se como re-significação de conteúdos e abordagens.

 

“Ele [o relatório] imagina salas de aula quebrando muros e ligando-se ao mundo lá fora, a escola sendo aberta e flexível e ajudando aprendentes a aceder a recursos sociais, culturais e ambientais mais vastos.”

IFLA, 2022

 

2. Currículos de reconstrução ambiental

Todas as áreas da educação devem preparar os estudantes para responderem à “urgência da sustentabilidade ambiental”, devendo abandonar três ideias centrais da fabricação do conhecimento moderno:

- O mundo é objeto exterior (“lá fora”) ao ser humano, destinado simplesmente a ser conhecido;

- O homem ocupa posição privilegiada (“excecionalismo”), de domínio face aos outros seres;

- O homem tem uma atitude de arrogância perante a natureza - “dono e senhor” (Descartes).

 

“Devemos repensar e reimaginar os currículos” para que os estudantes possam aprender que:

- O ser humano pertence e está ligado aos ecossistemas naturais;

- Deve manter para com eles uma atitude respeitosa e responsável (ética do cuidado);

- Modelos económicos baseados no aumento da produção e consumo são incompatíveis com os limites do planeta e futuro da vida na Terra;

- Há formas de adaptação, mitigação e inversão da crise ambiental que se traduzem na mudança de valores, hábitos, práticas e estilos de vida;

- Os países ricos contribuem em muito maior escala para alterações climáticas irreversíveis e destruição maciça de biodiversidade e os países pobres sofrem desproporcionalmente mais os seus efeitos.

 

“Mudar a forma como discutimos o mundo vivo nos currículos educativos é uma estratégia importante para reequilibrar as nossas relações com o planeta”. Inclui:

- Abordagem intersecional do ambiente (todos os setores em simultâneo);

- “Pensamento crítico e envolvimento cívico ativo”;

- “Conversas intergeracionais sobre práticas relevantes para viver com o planeta, como as que ocorrem em numerosos movimentos liderados por jovens e comunidade”.

 

Porque vivem há milénios em harmonia com a “comunidade natural”, os povos indígenas experienciam o papel insubstituível de cada ser vivo e cultivam a ideia de que cada um só tira da Terra estritamente o que necessita para sobreviver. Podem dar um importante contributo ao reequilíbrio entre “humano e mundo mais do que humano”, evidenciando que “aprendizagem ecológica, intercultural e interdisciplinar” são indissociáveis.

Aprender a cuidar do Planeta significa aprender a cuidar uns dos outros: “Justiça social é inseparável de justiça ecológica”. O cuidado é uma atitude ética que se aprende e tem uma componente afetiva e comunicacional e cognitiva. É importante que o currículo faça uma abordagem profunda, científica e técnica, de como a Terra é documentada e compreendida e de “como estas práticas de conhecimento [objetivo e neutro] se entrelaçam nas práticas da vida neste planeta degradado”.  A ética do cuidado ensina-nos a sentir e a ter consciência da interligação entre todos os seres e o mundo, do seu poder e vulnerabilidade – “Cuidar, cuidar, dar e receber cuidados deve ser incluído nos currículos que nos permitem reimaginar juntos os nossos futuros interdependentes.”

Propondo a “ecologização do setor da educação”, o relatório da UNESCO sugere o alargamento do espaço tradicional de sala de aula, afirmando a possibilidade de a aprendizagem dever ocorrer em sítios naturais - a biosfera é contexto de aprendizagem - espaços construídos e virtuais. Este ecossistema educacional mais vasto pode ser imaginado como “uma grande biblioteca”:

“Podemos imaginar estes novos ambientes escolares como uma grande biblioteca onde alguns estudantes estudam sozinhos, ligados à internet ou não, e outros apresentam o seu trabalho a colegas da turma e professores. Outros estão fora da biblioteca em contacto com as pessoas e mundos fora da escola, possivelmente em lugares longínquos. A biblioteca suporta uma imensa diversidade de situações e tempos espaciais. É um ambiente completamente novo diferente da estrutura habitual da escola e da sala de aula. Esta biblioteca pode ser tomada literalmente ou como uma metáfora. Lembra-nos que os tempos e espaços escolares precisam de servir como portais ligando os alunos com os conhecimentos comuns [partilhados por todos]” [4].

 

Referências

1. International Federation of Library Associations and Institutions. (2022, 24 Jan.). International Day of Education – Libraries Contributing to a New Social Contract for Education [Resumo da IFLA do Relatório Futuros da Educação]. Netherlands: IFLA. https://www.ifla.org/news/international-day-of-education-libraries-contributing-to-a-new-social-contract-for-education/

2. United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization [Comissão Internacional sobre os Futuros da Educação]. (2021, 10 nov.). Reimagining our futures together: a new social contract for education [Part II, Chapter 4, pp. 63-78]. France: UNESCO. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000379381

3. Rede de Bibliotecas Escolares. (2022, 7 abr.). UNESCO: A expansão do direito à educação até 2050. Portugal: RBE. https://blogue.rbe.mec.pt/unesco-a-expansao-do-direito-a-educacao-2579064

4. UNESCO, 2021, p. 97.

 

Fonte das imagens:

1. UNESCO. (2021). “Reimagining our futures together: a new social contract for education [Vídeo]”, in: United Nations. (2022, 24 jan.). Dia Internacional da Educação. EUA: UN. https://www.un.org/en/observances/education-day

2. Hendry, P. (2018, 6 Nov.). Unplash. India: @worldsbetweenlines. https://unsplash.com/photos/oaaRPhOz5Dg

✇ Laredo

Pegar pela palavra

Por Miguel Horta — 20 de Abril de 2022, 17:47

 


E por onde começar?
-Pegamos pela palavra

Foi com muito gosto que aceitei, em nome da Laredo Associação Cultural, o convite para participar no projeto A Cultura sai à Rua, uma parceria da Câmara Municipal de Sintra com a Fundação Aga Khan Portugal, inscrita no Plano Municipal para o Envelhecimento Ativo, Saudável e Inclusivo, que tem como eixo prioritário o combate ao isolamento através de respostas sociais.1

Pegar pela palavra, foi assim que batizámos a nossa intervenção que parte do universo das palavras ditas para vencer a solidão criando um pequeno grupo de seniores dinâmicos em duas freguesias do Concelho de Sintra. O projeto passará por diversos lugares como Montelavar, Vale de Lobos e Tapada das Mercês, tendo apresentação pública, junto com outras propostas artísticas, em Novembro no Centro Cultural Olga Cadaval. Pretendemos com esta intervenção dar a palavra a quem muitas tem para partilhar - os mais velhos. Queremos valorizar o seu papel no seio da família e junto da comunidade. A Narração Oral será a primeira ferramenta para a aproximação das pessoas; mas também são bem vindos os provérbios, os ditos populares, as adivinhas, a poesia e as histórias vivas das freguesias.
A partilha destas palavras faz-nos sentir como parte de um todo que tem identidade e um caminho já percorrido. A nossa proposta, embora centrada nos mais velhos, pretende ir juntando outras gerações neste trabalho de comunicação e criatividade que contribuirá para o  desenvolvimento da escuta ativa, de dinâmicas colaborativas, das literacias, em encontros não formais que vão acontecer ao longo deste ano.

No dia 12 de Abril, teve lugar um primeiro encontro no edifício da Junta (União das Freguesias de Almargem do Bispo, Pêro Pinheiro e Montelavar) – e que belo encontro! Escutámos poemas, histórias locais onde não faltaram personagens marcantes, lugares de reis e mouras encantadas, anedotas do Alentejo (…). Foi uma bela conversa. Fiquei a conhecer a equipa local e os participantes, cada um com a sua individualidade criativa bem marcada. Rapidamente se constatou que faltavam ali alguns narradores locais, mais reservados e, já agora, poderíamos ter um maior equilíbrio de género? Esperamos a todo o momento a chegada de muitas outras histórias deste interior Saloio. O próximo encontro terá lugar em Vale de Lobos, estando agendado outro para Tapada das Mercês (Junta de Freguesia de Algueirão -Mem Martins). De repente lembrei-me do belo trabalho de Cristina Taquelim junto das mais velhas em Santa Vitória, da metodologia de recoleção de contos tantas vezes pacientemente explicada por António Fontinha, do recente trabalho do projeto “De Boca em Boca” ou a comovente intervenção de Jorge Serafim junto dos seniores da Mouraria de Beja – “Candeia que vai à frente ilumina duas vezes”... Por aqui vos darei conta deste caminho clareado.

1 “O projeto “A Cultura sai à Rua” surge através da candidatura Cultura para Todos, entretanto integrada na Ação 11 da operação Lisboa-06-4538-FSE-000016 - Idade Mais - Estratégia Municipal para o Envelhecimento Ativo e Saudável, cofinanciada pelo Fundo Social Europeu. O presente projeto vem contribuir para o combate/ redução da exclusão social, nomeadamente da população sénior do concelho, na medida em que visa dar mais voz aos seniores, melhorar a sua qualidade de vida e promover uma maior igualdade de oportunidades (perspetiva etária, diferentes características/perfis, diferentes territórios, nomeadamente de maioria vulnerabilidade social e económica).”



✇ Blogue RBE

PesquisOAz - 3.ª edição

19 de Abril de 2022, 08:00

2022-04-19-4.png

O PesquisOAz, campeonato de pesquisa, seleção e avaliação de fontes de informação em linha, voltou a marcar presença este ano letivo, sendo esta a 3.ª edição. Promovido pelas bibliotecas escolares do concelho de Oliveira de Azeméis, em parceria com o CFAE AVCOA, a Biblioteca Municipal Ferreira de Castro e a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, que o patrocina, a equipa responsável pela sua implementação continua a estar centrada na Biblioteca Escolar da escola sede do Agrupamento de Escolas Ferreira de Castro, mentora do projeto.

Manteve a abrangência da edição anterior, nomeadamente visou os concelhos de S. João da Madeira, Arouca, Castelo de Paiva, Espinho, Vale de Cambra e Santa Maria da Feira, além de, obviamente, o de Oliveira de Azeméis. O formato de participação singular e totalmente em linha também se manteve, pela atual conjuntura mas, igualmente, porque o formato totalmente em linha se enquadra perfeitamente na transição digital que está em curso em todas as escolas/ bibliotecas escolares.

2022-04-19-2.png

Atualmente, já teve lugar a fase de escola e estão apurados todos os alunos para a fase final, a acontecer no dia 7 de maio. O saldo é francamente positivo, dado que o campeonato contou com a participação de 19 escolas de 13 Agrupamentos de Escolas, distribuídos por 5 concelhos, num total de 4 476 participações de alunos do 2.º, 3.º ciclo e ensino secundário. O maior número de participações registou-se no 2.º e no 3.º ciclos, com números muito equilibrados.

Nesta edição, muitos Professores Bibliotecários trabalharam de forma bastante estreita com docentes de TIC e o campeonato integrou mesmo, em alguns casos, as planificações curriculares desses docentes, em articulação com a biblioteca escolar, numa aplicação mais próxima e estruturada do referencial Aprender com a Biblioteca Escolar.

Tal como nas edições anteriores, as bibliotecas escolares participantes receberam um Guião de Formação PesquisOAz, para formação prévia com os alunos, e um bloco de treino (com desafios distintos dos que enfrentaram e enfrentarão mas de estrutura idêntica). As provas de escola decorreram na plataforma Quizizz, indo o mesmo acontecer na fase final. Os conteúdos abordados nos desafios contam já com o trabalho colaborativo de Professores Bibliotecários dos concelhos participantes e não apenas com as propostas dos de Oliveira de Azeméis, tendo sido criada dinâmica que permite essa ação conjunta. Também já está em preparação a efetiva integração do 1.º ciclo neste campeonato, que continua a ser um objetivo a atingir.

site de apoio ao projeto  continua a agregar módulos e provas e, novidade a partir do próximo ano letivo, é o apoio do CFAE AVCOA que garantirá a licença da plataforma Quizizz, uma vez que o universo de participação se está a expandir de forma muito significativa, obrigando a trabalhar com versões que ofereçam mais funcionalidades e capacidade. Sendo um dos parceiros deste projeto, fica o agradecimento pela disponibilidade e interesse em o viabilizar com o máximo de qualidade possível.

Feitas as provas e apurados vencedores, a entrega de prémios terá lugar a 20 de maio, no evento Palco das Letras, da responsabilidade do município de Oliveira de Azeméis.

✇ Olhar Digital :: Olhar Digital Geral

Samsung Galaxy S22 5G tem modo especial para fotografar pets

Por Marina Schnoor — 12 de Abril de 2022, 21:56

Os novos celulares da Samsung Galaxy S22 5G contam com um modo especial para fotografar pets, que permite fazer aquele efeito de fundo borrado já popular em retratos de pessoas nas redes sociais. O modo está disponível para os modelos S22 5G, S22+ 5G e S22 Ultra 5G.

Segundo a Samsung, o modo de fotos do S22 para animais de estimação utiliza uma combinação de IA e do processamento do chip Snapdragon 8 Gen 1. A IA faz um mapeamento de profundidade para fazer fotos e vídeos com os mínimos detalhes e alta nitidez. Essa AI consegue identificar quando um animal está sendo fotografado, e faz um recorte mais suavizado e natural da pelagem do pet, evitando que ela se misture ao fundo da fotografia.

Além de permitir fotografar seus pets com todos os detalhes, a linha Galaxy S22 5G oferece ao usuário mais controle do resultado final da imagem com o app Expert RAW 2. O app possui várias ferramentas de edição na câmera, que permitem fazer imagens estilo câmeras DSLR. Com ele é possível clarear ou escurecer fotos com configurações ISO e de velocidade de obturador, ajustar o balanço de branco para deixar a foto com tons mais quentes ou frios, e controlar manualmente o foco.

Leia mais:

A linha Galaxy S22 5G com modo de retrato para pets foi lançada no Brasil em 15 de fevereiro. E como o celular é o sucessor da linha Note da Samsung, ele já vem com S Pen que pode ser guardada no próprio aparelho.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

O post Samsung Galaxy S22 5G tem modo especial para fotografar pets apareceu primeiro em Olhar Digital.

❌