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Julho é o mês de participar no concurso fotográfico Wiki Loves Earth

Por Helena Geraldes — 30 de Junho de 2022, 18:38

Durante o mês de julho, fotógrafos amadores e profissionais são convidados pelo Movimento Wikimedia a concorrer ao Wiki Loves Earth, com as suas fotografias de natureza. O concurso, que começou em 2013, tem este ano uma nova categoria: Oceanos.

De 1 a 31 de Julho pode participar com as suas fotografias de natureza neste concurso internacional de fotografia de espaços naturais protegidos e fauna e flora locais. Desde 2015 que a Wikimedia Portugal se juntou à iniciativa, ao lado das suas congéneres de outros países.

“O objectivo é angariar fotografias de todo o património natural do mundo, sob uma licença livre, de modo a que fiquem acessíveis a todos no Wikimedia Commons e possam ilustrar os respectivos artigos enciclopédicos na Wikipédia”, explicam os organizadores.

Este ano, em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, o concurso tem como tema o impacto da ação humana no património natural.

Também este ano é criada uma nova categoria especial, “Oceanos”, para fotos de vida e habitats marinhos, em colaboração com o CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental. Esta categoria terá um troféu especial para as melhores fotos alusivas ao tema.

O Wiki Loves Earth é um concurso anual organizado pelo Movimento Wikimedia, de que faz parte a Wikipédia e o Wikimedia Commons, que pretende despertar interesse pelas paisagens naturais e vida selvagem de todo o mundo.

O concurso decorre em duas fases distintas: numa primeira fase são selecionados e premiados os vencedores nacionais; numa segunda fase selecionam-se os vencedores por entre os
melhores de cada país. Em Portugal serão premiados as três melhores fotos, havendo uma menção especial para a melhor foto de uma espécie da flora ou fauna portuguesa.

Pede-se aos concorrentes para respeitarem o habitat natural quando forem tirar as fotos.

A primeira edição do concurso teve lugar em 2013 na Ucrânia e no ano seguinte o concurso tornou-se internacional. Em 2020, o concurso envolveu 34 países.

Na edição de 2021, o prémio de melhor fotografia de paisagem do concurso internacional Wiki Loves Earth foi atribuído à fotografia “Praia do Abano at Sunset” tirada por Luís M. Afonso. 

“Praia do Abano at Sunset” Foto: Luís Afonso

Em Portugal, a primeira edição teve lugar em 2015, com posteriores edições em 2018, 2019, 2020, 2021 e agora em 2022. Desde a primeira edição em Portugal, os participantes contribuíram com cerca de 8.000 fotos.

Na edição nacional de 2021, um total de 106 participantes carregaram 3.321 imagens.

Na edição deste ano, as fotos a concurso devem ser submetidas entre 1 e 31 de julho, seguindo as instruções disponíveis no site do evento. As áreas protegidas abrangidas pelo concurso constam do mapa presente no site, onde é possível descobrir também que áreas ainda não foram fotografadas.

Cada concorrente pode submeter quantas fotografias quiser, desde que respeitem as regras do concurso e do Wikimedia Commons. Todas as imagens devem ser propriedade dos participantes e devem ser licenciadas sob uma licença livre. As fotos podem ter sido tiradas a qualquer momento, tanto no próprio mês de Julho, ou em meses ou anos anteriores.

As imagens serão analisadas por um júri, em Agosto, e os vencedores serão anunciados e contactados pela organização.

As Estufas do Jardim Botânico da Universidade do Porto irão acolher, de 29 de Julho a 15 de Setembro, uma exposição dedicada à riqueza das paisagens protegidas de todo o mundo. Esta exposição resulta de uma parceria entre o CIIMAR e a Wikimedia Portugal e têm o apoio da Fundação Wikimedia, Câmara Municipal de Cascais e Museu de História Nacional da Universidade do Porto. Esta exposição, a decorrer em simultâneo com uma exposição semelhante no paredão de Cascais até ao próximo dia 5 de Julho,  dará a conhecer algumas das melhores fotografias do concurso Wiki Loves Earth, a nível mundial.

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Que espécie é esta: anelídeo poliqueta Arenicola marina

Por Helena Geraldes — 30 de Junho de 2022, 18:01

A leitora Gabriela Costa viu estes montinhos de areia na foz do Rio Minho a 28 de Junho e pediu para saber a espécie. Roberto Martins responde.

Trata-se do anelídeo poliqueta Arenicola marina.

Espécie identificada e texto por: Roberto Martins, biólogo marinho e investigador do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, da Universidade de Aveiro.

Os montes de areia são realizados pelo anelídeo poliqueta Arenicola marina

Estes organismos medem cerca de 15 a 20 cm de comprimento e fazem tubos em U, ingerindo sedimentos pela boca e expelindo-os na outra extremidade, originando montinhos de areia como se vêm nas fotos. A epiderme é espessa e rugosa, apresentando vários “anéis” nos seus segmentos, cada qual apresentando sedas e ganchos (estruturas quitinosas que usam principalmente para locomoção) e tufos de brânquias (apenas no abdómen). 

A espécie A. marina é amplamente (re)conhecida no norte da Europa e pontualmente nalguns locais de Portugal. 

Recentemente, uma equipa de biólogos da Universidade de Aveiro recenseou não uma, mas duas espécies deste género, a Arenicola marina e A. defodiens na Ria de Aveiro, local no qual se desconhecia a ocorrência destes animais. Tratou-se do primeiro registo da espécie A. defodiens em toda a Península Ibérica. Concluiu-se que as espécies não co-existem nos mesmos habitats, sendo a densidade populacional igualmente muito distinta (até 1 indivíduo por m2 vs. até >40 por m2 no caso da A. marina em zonas de ostriculturas). 

Resta destacar que a recente colonização dos habitats da Ria de Aveiro (e de outros locais em Portugal, ex. Ria Formosa) por organismos do género Arenicola poderá estar precisamente ligado à proliferação das ostriculturas no país, potenciado por alterações globais. O impacto ecológico, decorrente da competição com espécies nativas, ainda é desconhecido. 

A verdade é que, por serem bioturbadores, os organismos do género Arenicola desempenham uma função ecológica muito importante ao promoverem a oxigenação dos sedimentos superficiais onde habitam, o que pode alterar os habitats intertidais. Por outro lado, a sua proliferação poderá ter um impacto socioeconómico positivo, uma vez que estes organismos são amplamente utilizadas como isco na pesca desportiva (ex. robalo, sargo, dourada ou solha), ao longo da costa Atlântica, incluindo recentemente em Portugal, onde se conhece como “bicho preto” ou “cagão”.


Agora é a sua vez.

Encontrou um animal ou planta que não sabe a que espécie pertence? Envie para o nosso email a fotografia, a data e o local. Trabalhamos com uma equipa de especialistas que o vão ajudar.

Explore a série “Que espécie é esta?” e descubra quais as espécies que já foram identificadas, com a ajuda dos especialistas.

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Que espécie é esta: mosca das flores Eristalis tenax

Por Helena Geraldes — 30 de Junho de 2022, 17:35

A leitora Dulce Vasconcelos fotografou este insecto em Junho em Lisboa e quis saber qual a espécie a que pertence. Albano Soares responde.

“Desde há alguns dias que recebo esta visita no meu pátio, em pleno centro de Lisboa, e notei que, entretanto, as abelhas que por aqui costumavam “trabalhar”, desapareceram… Por recear que se trate de uma vespa asiática, resolvi pedir a vossa ajuda, no sentido da sua identificação”, escreveu a leitora à Wilder.

Trata-se de uma mosca das flores (Eristalis tenax). 

Espécie identificada por: Albano Soares, Rede de Estações da BiodiversidadeTagis – Centro de Conservação das Borboletas de Portugal.

Segundo o Museu Virtual da Biodiversidade da Universidade de Évora, esta é uma mosca polinizadora com 15 a 16 mm de comprimento.

Tem um corpo oval que faz lembrar o das abelhas e vespas.

Os machos têm os olhos contíguos e nas fêmeas, os olhos estão separados.

“Os adultos visitam flores de todas as cores, alimentando-se de néctar e de pólen.”

Voam de Março a Setembro.

Estas moscas hibernam em estado adulto.


Agora é a sua vez.

Encontrou um animal ou planta que não sabe a que espécie pertence? Envie para o nosso email a fotografia, a data e o local. Trabalhamos com uma equipa de especialistas que o vão ajudar.

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Porto organiza Noites de Morcegos nos jardins da cidade

Por Helena Geraldes — 30 de Junho de 2022, 17:21

De Julho a Agosto, a cidade do Porto organiza seis noites em que poderá conhecer, ver e ouvir os morcegos em vários jardins da cidade. A primeira sessão é a 8 de Julho.

“São seis noites para conhecer, ver e ouvir os morcegos, num roteiro que nos leva até aos mais importantes espaços verdes da cidade”, explica o Departamento de Ambiente da Câmara Municipal do Porto.

Estes passeios destinam-se a todos os interessados e são adequados para famílias. Ao cair da noite, poderá ver morcegos a procurar e a caçar insectos, uns junto à copa das árvores, outros mais ao nível do solo.

Todos caçam através de ultra-sons, em frequências demasiado altas para as conseguimos ouvir sem recorrer a aparelhos de conversão.

Esta iniciativa acontece numa altura em que, a maioria das 26 espécies de morcegos de Portugal, já tem crias que nasceram há cerca de um mês. A maioria está a aprender a voar e a caçar sozinha.

O programa Noites de Morcegos acontece já há 13 anos, organizado pela Equipa de Educação para a Sustentabilidade para celebrar o Acordo EUROBATS – Acordo sobre a Conservação das Populações de Morcegos Europeus.

“Os morcegos polinizam várias espécies de plantas, permitindo que tenhamos fruta e florestas saudáveis. Além disso controlam as populações de insetos, que são potenciais destruidores de culturas agrícolas e transmissores de doenças.”

A primeira sessão é no dia 8 de Julho às 20h15, no novo Parque Central da Asprela. As inscrições para esta sessão abrem a 1 de Julho às 21h00.

A 15 de Julho, o passeio é no Palácio de Cristal (às 20h15); a 22 de Julho é no Parque Oriental (às 20h00) e a 29 de Julho é no Parque da Pasteleira (às 20h00).

Os passeios de Agosto acontecem a 5 de Agosto (no Parque de S. Roque, às 20h00) e a 19 de Agosto (no Parque da Cidade, às 19h30).

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Pode o urso-pardo voltar a Portugal? 

Por Daniel Veríssimo — 30 de Junho de 2022, 11:36

Daniel Veríssimo, um economista maravilhado com a vida selvagem, fala-nos sobre o urso-pardo, “o grande jardineiro dos bosques”, e sobre o seu possível regresso ao território português.

O urso-pardo (Ursus arctus) é um animal bastante adaptável, que sobrevive numa grande variedade de climas e diferentes tipos de habitat. Por isso, as dimensões e comportamento variam consoante as subespécies: alguns dos maiores ursos habitam a Ilha de Kodiak, no Alaska e na Península de Kamchatka, na Rússia; alguns dos mais pequenos as Montanhas do Centro de Itália e Norte de Espanha (1).

Os ursos em regiões mais frias tendem a ser maiores do que ursos que habitam regiões mais temperadas. Ursos em regiões frias hibernam, ursos em lugares mais temperados podem não hibernar (2). Nas populações do Sul da Europa, os machos podem pesar 180 quilos e as fêmeas 130 quilos, em quatro patas podem medir cerca de um metro de altura e dois metros de comprimento e podem viver entre 25 a 30 anos (3).

No passado, o urso-pardo tinha uma grande distribuição, desde as montanhas do Atlas com vista para o deserto no Norte de África, até às florestas densas com vista para os fiordes do Báltico, passando pelo Médio Oriente e Himalaias até à América do Norte (4). Cruzando desertos, terras altas, florestas húmidas, zonas costeiras e planícies interiores. 

Urso-pardo do estado do Alasca, nos EUA. Foto: Forest Service Alaska Region, USDA from Juneau, Alaska, USA

Na Península Ibérica era comum desde as montanhas frias e chuvosas do norte da Península, até às planícies quentes e secas do Alentejo e da Andaluzia (5). Deixou marcas na cultura: o símbolo de Madrid, a capital espanhola, é um urso a comer medronhos, ou ainda as silhas, os muros apiários no Gerês e, em menor escala, noutras partes do país (6).

Na toponímia, ficaram nomes de localidades e lugares como o Vale da Ursa na Malcata, Pia do Urso na Serra de Aire e Candeeiros ou Vale de Urso em Proença-a-Nova. Nos contos reais, reza a lenda que D. Dinis caçou um urso perto de Beja, no século XIII (7).

Existiram ursos na Serra da Arrábida que provavelmente comiam marisco, nos Montes Algarvios talvez alfarroba e figo e, no Minho, é provável que o alimento incluísse peixe, como os salmões (8). No século XV ainda existiam ursos ao longo da Raia, no vale e planalto do Côa e nas colinas e campos de Moura no Alentejo (9).

Urso-pardo da região da Cantábria, norte de Espanha. Foto: neusitas/Wiki Commons

A perda, destruição e simplificação de habitat e a caça levaram à quase extinção do urso na Península Ibérica e ao desaparecimento deste animal de grandes partes da sua distribuição histórica. Mas hoje, graças ao abandono de terras agrícolas marginais, à concentração de pessoas em cidades e medidas de restauro e proteção da natureza, há oportunidades para o urso recuperar territórios antigos (10). 

Nas regiões de clima mediterrâneo, o urso tem uma dieta variada que muda consoante a estação do ano (11). Alimenta-se de frutos frescos como cerejas, figos, medronhos, mostajos, abrunhos, pêras e maçãs bravas; bagas de arbustos, do sabugueiro, do aderno e do pilriteiro; frutos secos como bolotas, nozes, castanhas e avelãs; insetos, formigas e térmitas; mel, ervas e em algumas ocasiões também carne (12).

Há duas maneiras de o urso voltar a Portugal. Ou através da reintrodução de animais vindo de outros locais, como aconteceu nos Pirinéus, mais rápida mas mais desafiante socialmente (13), ou através de expansão natural, mais lenta mas mais aceite pela comunidades, como tem vindo a acontecer na Cantábria (14).

Em ambas é preciso preparar zonas core, para o urso habitar, e corredores para ligar populações existentes e garantir novas áreas de expansão. O urso precisa de espaço, zonas tranquilas onde possa viver sem ser perturbado, o que garante habitat para muitas outras espécies de animais e plantas. Na Cantábria o habitat de urso alberga populações de lobos, abutres e várias espécies de herbívoros (15). 

Para promover a expansão natural, é preciso criar corredores ecológicos através de ações como remover vedações e arame farpado, criar passagens em infraestruturas como estradas e linhas de comboio e ainda plantar árvores de fruto ao longo dos corredores, para incentivar os ursos a usarem as novas passagens (16).

Para criar zonas core para a vida selvagem, na Galiza e no Norte de Portugal, é imperativo trabalhar com as comunidades locais, uma vez que o Estado em ambas as regiões não tem propriedades próprias com área suficiente para albergar uma população viável de urso.

As maiores áreas estão nas mãos das comunidades locais, na forma de baldios, pelo que para o urso se estabelecer no Norte de Portugal esses baldios são m aspeto chave. Por norma, são terras pouco produtivas mas que para a conservação da natureza são boas. É uma oportunidade para criar um incentivo económico direto à presença do urso, através do aluguer de baldios por várias dezenas de anos para a conservação da natureza (17).

Trabalhar a coexistência com as comunidades locais para prevenir conflitos é fundamental – com os apicultores para proteger colmeias, com os agricultores de frutas para proteger pomares e com as pequenas explorações agrícolas por causa de hortas e galinheiros. Por exemplo, dar a conhecer o urso às populações que partilham o território com este animal com eventos de sensibilização, reforçar contentores e caixotes do lixo para evitar o acesso, apostar na educação ambiental e criar uma imagem positiva do urso como uma oportunidade e não como um problema (18).

O urso é um dos grande cinco big five animais da Península Ibérica (19), um animal carismático, um símbolo de um ecossistema saudável e selvagem. Pode ser usado como solo fértil para o desenvolvimento económico local e para o turismo de natureza (20).

É o grande “jardineiro dos bosques”, pois dispersa sementes de árvores e arbustos, o que aumenta a disponibilidade de alimento para muitas outras espécies de animais (21). É ainda uma das vinte espécies identificadas como chaves para restaurar cadeias tróficas um pouco por todo o mundo, pelo seu papel no ecossistema (22).  

Em Portugal pode voltar a Montesinho e às serras da Peneda e Gerês, áreas que alguns animais já visitaram vindos do Norte de Espanha, mas onde ainda não se estabeleceram. No futuro pode usar os afluentes do Douro para chegar a novas áreas através do Sabor e do Côa, para chegar ao Sistema Central, às Serras da Estrela, do Açor, da Lousã, da Gardunha e da Malcata, até usar os afluentes do Tejo para chegar a São Mamede. 

O urso pode (e irá) voltar a Portugal, resta perguntar quando. E mais importante, o que será feito para preparar a chegada deste belo e carismático animal? 


Leia aqui outros artigos do mesmo autor sobre o regresso das espécies extintas a Portugal.

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Novo aeroporto de Lisboa: Organizações ambientalistas consideram decisão “ilegal” e “inaceitável”

Por Inês Sequeira — 30 de Junho de 2022, 10:37

Nove organizações ambientalistas portuguesas divulgaram a sua discordância face à decisão do gabinete do ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, de instalar um aeroporto provisório no Montijo “sem qualquer instrumento estratégico que o sustente”. António Costa revogou entretanto o despacho.

Muitas destas organizações de ambiente já tinham pedido a nulidade da Declaração de Impacte Ambiental relativa ao aeroporto complementar do Montijo, em Junho de 2020, e agora contestam a decisão divulgada esta quarta-feira de desistir do processo de avaliação ambiental estratégica relativo à localização do novo aeroporto de Lisboa.

O comunicado agora divulgado é subscrito pela Almargem, Associação Natureza Portugal/WWF, A Rocha, FAPAS, GEOTA, Liga para a Protecção da Natureza, Quercus, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves e Zero.

Numa decisão anunciada em despacho assinado pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Santos Mendes, determina-se o aumento da capacidade do aeroporto da Portela e a construção de um aeroporto complementar no Montijo, que avançaria no próximo ano, ficando concluído quatro anos depois. Mas para funcionar de forma provisória.

Numa segunda fase avançaria a construção de um aeroporto no campo de Tiro de Alcochete, para entrar em operação em 2035, altura em que se encerrariam as outras duas infraestruturas – tanto o aeroporto da Portela como o aeroporto complementar do Montijo. Anunciada foi ainda uma nova AAE relativa à nova localização do aeroporto, a ser realizada pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil.

No entanto, “uma infraestrutura aeroportuária como a prevista nunca poderá ser um aeroporto provisório dado o vultoso investimento que lhe estaria associado”, afirmam estas associações de defesa do ambiente, que também “duvidam que esse avultado investimento no Montijo, de centenas de milhões de euros, seja amortizável em tão poucos anos, receando que a infraestrutura na prática passe de provisória a definitiva”.

Os ambientalistas contestam também o alargamento das operações na Portela, “numa altura em que deveria estar a preparar a eliminação dos voos noturnos e a redução do sobrevoo da cidade de Lisboa e dos seus habitantes por centenas de aviões todos os dias”.

António Costa revoga decisão

Entretanto, o gabinete do primeiro-ministro divulgou na manhã desta quinta-feira uma nota de imprensa, na qual anuncia a revogação do despacho do ministro das Infraestruturas.

Segundo o chefe do Governo, a solução para o novo aeroporto “tem de ser negociada e consensualizada com a oposição, em particular  com o principal partido da oposição”, o PSD. Além do mais, a decisão final não pode ser tomada “em circunstância alguma, sem a devida informação prévia ao senhor Presidente da República”.

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Entrevista sobre a mineração do mar profundo: “A perda de biodiversidade vai ser irreversível”

Por Inês Sequeira — 29 de Junho de 2022, 22:42

“Podemos terminar esta história antes que ela comece”, apela Sian Owen, directora da Deep Sea Conservation Coalition, que junta mais de 100 ONGs, organizações de pescas e institutos preocupados com a protecção dos ecossistemas vulneráveis do mar profundo. A Wilder falou com esta activista canadiana em Lisboa, à margem da Conferência dos Oceanos da ONU, numa entrevista em que Sian Owen avisa que as operações de extracção mineira no leito do oceano podem começar já em 2023 e desvenda os dilemas ligados a esta exploração.

Wilder: O que sabemos hoje sobre a vida no oceano profundo?

Sian Owen: Estamos a falar de todo o oceano abaixo dos 200 metros de profundidade, que representa 95% de todo o espaço onde a vida pode existir na Terra.

Hoje, sabemos mais do que há 10 ou 15 anos. Tem havido um aumento na investigação e foram publicados muitos artigos científicos nos últimos anos. E de cada vez que uma expedição de pesquisa vai lá abaixo, traz pelo menos uma nova espécie. Sabemos que a vida no fundo do oceano é muito rica e biodiversa.

W: Que espécies é que podemos encontrar?

Sian Owen: Há corais e esponjas que podem ter 5.000, 6.000, 7.000 anos de idade; o peixe-relógio (Hoplosthetus atlanticas), [classificado como Vulnerável à extinção], que pode viver até aos 150 anos; existem polvos, como o polvo-dumbo (Grimpoteuthis spp.), que usam as esponjas para colocar os seus ovos, nos nódulos de manganésio [também chamados de nódulos polimetálicos] que algumas das companhias mineiras tencionam explorar.

Pormenor de um coral branco do mar profundo, no Golfo do México. Foto: Expedition to the Deep Slope 2007, NOAA-OE
Polvo-dumbo da espécie Grimpoteuthis bathynectes. As barbatanas fazem lembrar duas orelhas e inspirararam o nome comum destes polvos do mar profundo. Foto: NOAA Okeanos Explorer

Não há nada de muito sólido no fundo do oceano. Por isso, quando há uma esponja ou um coral, os outros animais dependem dessas estruturas. É por isso que cada um dos nódulos de manganésio é um ecossistema, porque cada uma das criaturas o utiliza para formar o seu próprio ecossistema.

W: Então não é tudo negro e sem vida no fundo do mar?

Sian Owen: Não, nada disso. Como já referi, de cada vez que há uma expedição de pesquisa descobre-se pelo menos uma espécie nova. O que sabemos é que há imensas coisas que não sabemos: de acordo com os cientistas do mar profundo, precisamos de pelo menos três ou quatro décadas para continuar a mapear e perceber a diversidade que está lá em baixo e também os serviços que o oceano profundo nos presta. 

Sabemos por exemplo que o oceano profundo é importante para o sequestro de carbono e que existe uma espécie de ciclo biológico do carbono, que envolve os animais marinhos mesopelágicos [que vivem em suspensão na coluna de água, entre os 200 e os 1000 metros de profundidade].

Organismos que habitam a zona mesopelágica do oceano. Foto: Drazen et al., 2019

Todos os dias há uma vasta migração dessas criaturas que sobem à superfície e depois voltam para baixo. Os animais alimentam-se e absorvem carbono no topo do oceano e este é depois trazido para baixo e fica armazenado no fundo do mar, quando morrem e ali ficam depositados.

Sabemos também que o oceano fornece 50% do oxigénio do planeta. Existem as florestas que são o pulmão verde do planeta, mas o oceano é o pulmão azul.

W: Mas porque é que as companhias mineiras estão tão interessadas em explorar esse território?

Sian Owen: Na verdade, a maior parte da indústria mineira que trabalha na superfície terrestre não está envolvida, está a assistir ao que se passa. Temos é três ou quatro empresas especialmente interessadas, que acredito que tenham motivações diversas.

Há uma ‘startup’, uma empresa que nunca trabalhou na extracção mineira, que é a The Metals Company (TMC), com capitais americanos e canadianos. Outra é uma subsidiária de uma empresa grande de dragagens belga, a GSR – Global Sea Mineral Resources. E a terceira companhia é britânica, mas subsidiária da americana Lockheed Martin, que entre outras actividades é fabricante de armas.

Também há companhias ligadas a Estados, como a China, Rússia e Japão, mas as principais são as primeiras. 

W: E o que é que descobriram no mar profundo que as motiva?

Sian Owen: Os principais minérios de que toda a gente fala são o chumbo, o cobalto, o manganésio e o níquel. São metais importantes para as energias renováveis, para o armazenamento de energia e para as baterias. Estamos a falar de turbinas eólicas, painéis solares, carros eléctricos, telemóveis e tablets… Estas companhias afirmam que a única maneira de descarbonizar o planeta é retirar estes minerais do leito do mar profundo.

W: E qual é a vossa posição? Existe alguma alternativa?

Sian Owen: Antes de tudo, entendemos que não podemos minerar a nossa saída da crise climática. Existe uma crise da biodiversidade e uma crise climática e caminhos alternativos para descarbonizar.

Em primeiro lugar, há minérios em terra que podem ser melhor explorados. O argumento dessas companhias é que a procura vai crescer tanto que não a conseguiremos sustentar apenas com as minas terrestres, mas sabemos que existem inúmeras fontes terrestres desses minérios que ainda não foram exploradas. Não estamos a dizer para haver uma corrida, mas sim que há uma forma responsável de continuar a explorar esses recursos em terra.

Em segundo, os desenvolvimentos tecnológicos são tão rápidos que podemos não necessitar de cobalto ou chumbo no futuro. As necessidades vão mudar imenso ao longo do tempo, à medida que a tecnologia de hidrogénio se desenvolve e que surgem novas formas de explorar o lítio, com a extracção de água do oceano por exemplo.

Em terceiro lugar temos a economia circular, que aposta no redesenho, reutilização e reciclagem e na diminuição da procura. E há uma grande pressão política sobre os governos que aqui estão [na Conferência dos Ocenos] para aumentarem os incentivos de investimento na economia circular. Hoje em dia estamos a reutilizar e a reciclar apenas uma percentagem minúscula dos metais que já estão a ser usados.

E por isso, acredito que alguma da pressa em começar a explorar o fundo do mar é especulativa – especialmente a TMC, essas pessoas nunca foram mineiros. 

W: Mas já se sabe quais vão ser os impactos dessa exploração?

Sian Owen: A perda de biodiversidade vai ser irreversível. Eles gostam de falar em “colher” os nódulos do leito do oceano. O que a extracção mineira na verdade significa é a remoção de 30 centímetros do topo do leito oceânico e essa parte não vai retornar durante milhares de anos. Devido ao longo tempo que demoram as coisas no mar profundo, não podemos falar de restauro de um ecossistema da mesma forma que numa zona costeira.

Nódulos de manganésio recolhidos do Pacífico Sul. Foto: Hannes Grobe/AWI

Ninguém pode aceitar a destruição (‘bulldozing’) de milhares de quilómetros quadrados: cada acordo [já firmado] para a prospecção dos nódulos de manganésio, por exemplo, prevê [a intervenção em] oito ou nove mil quilómetros quadrados. Uma vez que as autoridades internacionais comecem a aprovar a extracção mineira desses nódulos, não poderão dizer que não a outros pretendentes. Não há forma de dizerem que sim a um país ou promotor e que não a outro promotor diferente. Neste momento existem 31 licenças de prospecção mineira que foram aprovadas.

W: E qual é a parte do oceano que mais atrai as companhias?

Os nódulos de manganésio são considerados a fonte mais rica de metais. Estão localizados na Zona de Clarion-Clipperton, que fica situada entre o México e o Hawai, no Pacífico Sul. Dos 31 contratos de prospecção concedidos pela ISA – International Seabed Authority (em português, Autoridade Internacional para o Leito Marinho), 17 ficam nessa zona, e dirigem-se aos nódulos de manganésio. Estes têm, além de manganésio, também chumbo, cobalto e níquel. É com essa área do oceano que as pessoas estão mais excitadas.

Localização da Zona de Clarion-Copperty. Imgem: USGS

W: Em Junho do ano passado, o governo de Nauru, uma pequena nação da Oceania, fez uma parceria com a TMC e deu dois anos à ISA para regular a exploração mineira do mar profundo. Quais são as consequências?

Sian Owen: Na Convenção da ONU para a Lei do Mar, há uma cláusula que é a chamada regra de gatilho [em inglês, ’trigger rule’] dos dois anos. Qualquer um dos 167 Estados-membros da ISA podia accionar esta regra a qualquer altura, durante estes anos de negociação para a criação de um quadro regulatório. Havia sempre a possibilidade de um Estado acelerar o processo para avançar com a mineração. E isso aconteceu com Nauru, que accionou a regra dos dois anos no fim de Junho do ano passado, e assim impôs um prazo ao mundo inteiro. E agora ou concluímos as negociações para a regulação ou as companhias poderão avançar com um pedido de licença para extracção mineira, mesmo que haja apenas um quadro regulatório temporário.

W: Nauru e a TMC podem ser os primeiros a começar a extracção mineira na zona de Clarion-Clipperton?

Sian Owen: Existem imensas questões em aberto sobre as opções que temos, mas uma possibilidade é que a 1 de Julho de 2023 a TMC se candidate a converter a actual licença de prospecção numa licença de extracção mineira, na zona de Clarion-Clipperton.

W: Temos estado a falar sobre o mar profundo, mas isso parece tão longe da realidade das pessoas comuns. Porque é que as pessoas hão-de ficar preocupadas?

Sian Owen: Uma das coisas que aprendemos nos últimos cinco a 10 anos é que algo que acontece numa parte do planeta pode afectar-nos a todos.

Primeiro, tudo no mundo está conectado. Em segundo, sabemos que o oceano é o coração regulador do nosso planeta: fornece-nos segurança alimentar, segurança de subsistência, oferece-nos o sequestro de carbono. Já colocámos várias camadas de stress no oceano, com o aquecimento das águas e a acidificação, a sobrepesca, e agora queremos também extrair minérios? 

Se destruirmos o leito oceânico nem sequer sabemos o que estamos a destruir; pode ser uma fonte de recursos marinhos genéticos, podemos estar a destruir algo valioso que nem sequer conhecemos. O que sabemos é que se retirarmos todo este leito marinho teremos vários impactos, por exemplo com a produção de plumas de sedimentos. E também barulhos e luzes em zonas da Terra onde nunca tinham acontecido.

W: Isso pode afectar os animais marinhos?

Sian Owen: Sem dúvida. Os animais marinhos usam o som para comunicar e detectar as presas. Tudo isso vai ter um impacto que desconhecemos.

O que também sabemos é que os contratos têm um prazo de 30 anos e que a actividade mineira vai ser de 24 horas sobre 24 horas, sete dias por semana. Não vai haver paragens para este barulho e luzes no fundo do oceano. Estamos a falar de uma actividade mineira intensa numa altura em que devíamos estar a restaurar a saúde do oceano e não a levá-la noutra direcção.

Baleia-azul. Foto: NOAA Photo Library

A Lei dos Mares está “desactualizada”

W: Receia que assim que alguém inicie a extracção, todos os outros vão atrás?

Sian Owen: Existe certamente esse risco. Porque se começar a extracção estão a abrir essa porta. Não quer dizer que aconteça tudo ao mesmo tempo, mas isso será possível, e o problema é que não haverá maneira de regular essa actividade.

O apelo global para uma moratória que o governo de Palau lançou esta segunda-feira, à margem da Conferência dos Oceanos, pede várias condições [para o início das operações mineiras]: primeiro, o aprofundamento da investigação científica sobre este assunto e que seja reformulada a forma como funciona a ISA, que só tem estado focada na actividade mineira e não na proteção da biodiversidade do mar profundo, outro dos seus mandatos.

O problema é que a Lei dos Mares foi negociada há 40 anos. É muito importante mas está desactualizada no que respeita à forma como gerimos os oceanos. E por isso precisa de ser actualizada de acordo com o que conhecemos hoje.

Em terceiro lugar, pede-se que seja concedida uma licença da parte da sociedade, porque o leito do alto mar, fora das áreas de jurisdição nacionais, é um património comum da humanidade. É um recurso para todos nós e também para as gerações futuras. As decisões que estamos a tomar, sobre causar prejuízos irreversíveis com a exploração destes minérios, será apenas para benefício de uns poucos…

E por último, a moratória apela a que haja investimento adequado em alternativas, como a economia circular.

W: Mas quanto aos pequenos países como Nauru, que precisam de recursos financeiros, como é que resolvemos essa necessidade?

Sian Owen: Essa é uma parte da discussão que precisa de ser feita e faz parte do apelo desta moratória: montar uma agenda científica do oceano que responda a questões sobre a biologia e os serviços de ecossistema do oceano, mas que por outro lado procure alternativas sócio-económicas que beneficiem países como Nauru, para que não dependam da extracção de recursos marinhos. Existem alternativas possíveis como os recursos marinhos genéticos, as energias renováveis. É uma conversa que precisamos de ter, sobre como pode o mundo unir-se e apoiar estes países.

W: Esperam que seja aprovada alguma decisão nesta conferência de Lisboa?

Esta conferência não se dedica formalmente à exploração mineira do mar profundo, mas houve desenvolvimentos nessa área com o apelo do governo de Palau à moratória de que temos estado a falar, a que se juntaram Samoa e as ilhas Fiji. E sabemos que há outros países preocupados.

A nível regional também há um movimento interessante, que inclui o Território do Norte australiano e os estados da Califórnia e de Washington, nos Estados Unidos, que baniram a exploração de minérios nas suas águas. Em Espanha, a Galiza e as Canárias também adoptaram uma moratória quanto às águas regionais. E na Nova Zelândia, já houve três tentativas de companhias de obterem licenças para extrair minérios do mar profundo, que até agora têm sido sempre rejeitadas pelo tribunal.

Esperamos iniciativas e resultados semelhantes em próximos encontros, como a Convenção para a Diversidade Biológica em Dezembro deste ano. São diferentes fóruns em que os governos se comprometem com a saúde do planeta e o restauro da biodiversidade.

W: Muitos países não adoptaram ainda uma decisão, certo?

A não ser que seja um governo que esteja a pensar em extrair minérios das suas águas, como acontece aliás com Portugal, ou que seja um Estado patrocinador da ISA, muitos governos não tiveram ainda tempo para pensar no assunto, até porque os últimos dois anos foram difíceis. Mas agora a exploração mineira do mar profundo precisa de fazer parte das agendas, para que os países se informem sobre o assunto e definam as suas posições.

E quanto mais isto é debatido, mais países e entidades defendem uma moratória. Temos uma tomada de posição científica, subscrita por mais de 600 cientistas e especialistas em políticas públicas, que pedem uma moratória; uma outra tomada de posição do mundo empresarial no mesmo sentido subscrita por cada vez mais empresas como a BMW, a Samsung e a Microsoft; temos instituições financeiras que estão a avisar que não irão financiar estas actividades; grupos indígenas e regiões que rejeitam esse tipo de exploração nas suas águas.

W: E Portugal?

Sian Owen: O governo recém-empossado tem sido mais cauteloso do que o anterior, no qual o ministro do Mar [Ricardo Serrão] Santos tinha declarado que a exploração do fundo marinho deveria ser suspensa. Embora falasse como ministro e não pelo Governo, era uma indicação de que Portugal se inclinaria para apoiar uma moratória. Mas agora com a mudança governativa, o novo Governo ainda está a debater o assunto…

W: Embora se tenha mantido o mesmo primeiro-ministro… E quanto aos cidadãos em geral, o que podem fazer quanto a esta situação?

Sian Owen: Em primeiro lugar, podemos aprender mais sobre este assunto e divulgar o tema junto das pessoas que conhecemos, porque o mar profundo é ainda tão desconhecido…

E uma vez que a exploração mineira ainda não está a acontecer, isso é muito excitante. Sempre que avançamos com acções de conservação, estamos a correr atrás do prejuízo, mas desta vez temos a oportunidade de aprender com os erros do do século XX e decidirmos não os repetir. Podemos parar esta história antes que comece.

Segundo, devemos insistir e chamar a atenção dos decisores políticos, seja ao nível local, regional ou nacional, e explicar que o nosso voto depende de que eles tomem a decisão certa nesta matéria.

Em terceiro lugar, podemos actuar como consumidores e divulgar que estamos a comprar por exemplo equipamentos da Samsung ou da Microsoft porque estão contra a exploração do solo marinho. E devemos também tentar não substituir os nossos equipamentos todos os anos, utilizá-los com a consciência dos minérios que são usados no seu fabrico. Podemos também recorrer a empresas que recolhem equipamentos usados, na venda de novos, e reciclam esses metais.

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Que espécie é esta: abelha Halictus scabiosae

Por Helena Geraldes — 29 de Junho de 2022, 17:52

A leitora Isabel Vaz fotografou esta abelha a 26 de Junho na Cova da Piedade, Almada, e quis saber qual a espécie a que pertence. Albano Soares responde.

“Por favor, que espécie é esta? Encontrei num terraço, na Cova da Piedade, Almada”, escreveu a leitora à Wilder.

Trata-se de uma abelha Halictus scabiosae.

Espécie identificada e texto por: Albano Soares, Rede de Estações da BiodiversidadeTagis – Centro de Conservação das Borboletas de Portugal.

“É uma Halictus scabiosae, uma abelha que vive em sociedade (mas não produz mel)”, explicou Albano Soares. 

“Apesar de o seu nome aludir às plantas do género botânico das escabiosas, a espécie Halictus scabiosae é poliléctica (generalista). É uma espécie social: vive em sociedades em que uma ou mais fêmeas assumem o papel de rainhas.”


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Explore a série “Que espécie é esta?” e descubra quais as espécies que já foram identificadas, com a ajuda dos especialistas.

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Que espécie é esta: pirilampo do género Lampyris

Por Helena Geraldes — 28 de Junho de 2022, 19:58

O leitor Matias Pancho fotografou este animal a 27 de Junho em Pinheiro de Lafões e quis saber qual a espécie a que pertence. José Manuel Grosso-Silva responde.

“Vi este animal em Pinheiro de Lafões. Pensei que era um pirilampo mas disseram-me que não. O que é?”, perguntou o leitor à Wilder.

Trata-se de um pirilampo (Lampyris sp.).

Espécie identificada por: José Manuel Grosso-Silva, responsável pelas colecções entomológicas do Museu de História Natural e da Ciência (Universidade do Porto).

“É mesmo um pirilampo, concretamente uma fêmea de Lampyris“, explicou José Manuel Grosso-Silva.

Pode ser L. iberica ou L. noctiluca.

Há duas espécies confirmadas deste género em Portugal, a mais comum das quais foi descrita em 2008: o pirilampo-ibérico (Lampyris iberica). Mas pela foto não consigo identificar a espécie.

Descubra seis coisas a saber sobre os pirilampos em Portugal.


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Novas tecnologias estão a desvendar os segredos das baleias, tubarões e tartarugas em Portugal

Por Helena Geraldes — 28 de Junho de 2022, 16:54

Nos últimos anos tem sido feito um “esforço hercúleo” para colmatar a falta de informação sobre a ecologia da megafauna marinha em Portugal. A Wilder falou com os investigadores que estão no terreno a testar novas tecnologias para acompanhar a vida destes gigantes marinhos nos Açores e Madeira.

Portugal tem algumas das espécies de megafauna mais icónicas, desde baleias e golfinhos, tubarões e focas às mantas, espadartes ou tartarugas. Quem o diz são os investigadores Filipe Alves, Marc Fernandez e Rita Ferreira do MARE – Marine and Environmental Sciences Centre / ARDITI (Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação, Tecnologia e Inovação).

Cachalotes. Foto: Gabriel Barathieu/WikiCommons

Estes animais tiram proveito de “habitats tão diversos como estuários e planícies abissais”, numa das maiores Zonas Económicas Exclusivas (ZEE) da Europa.

“Para algumas espécies, as águas portuguesas constituem mesmo um habitat vital. Apesar da regulamentação nacional e internacional existente, faltam ainda planos específicos de conservação e algumas espécies (de tubarões e tartarugas) encontram-se vulneráveis a várias pressões antropogénicas. A mais recente expansão da Reserva das Selvagens foi uma óptima notícia para a recuperação destas espécies marinhas, dado que já foi demonstrado por muitos estudos científicos os efeitos positivos que as reservas integrais causam no ecossistema”, salientaram à Wilder. 

Mas pouco se sabe sobre a sua ecologia.

“Muitas das espécies de megafauna marinha são animais com grande mobilidade, que passam grande parte do tempo submersos e que se movem em águas longe de costa”, explicaram os investigadores.

“Isto representa desafios financeiros e logíticos complexos. Como normalmente recolhemos dados de uma pequena fração da vida destes animais, acabam por existir mais perguntas que respostas. Isto é especialmente gravoso quando se trata de espécies ameaçadas, pois ao não sabermos o que está por exemplo a causar o seu declínio, não conseguimos estabelecer um plano de acção para a sua conservação. É por isso que é de extrema importância a conjugação de esforços entre equipas de vários domínios científicos e que se implementem programas financeiros com visão a longo prazo, com a criação de bases de dados partilhas/abertas e na fixação de equipas.”

É precisamente o que tem vindo a acontecer nos últimos anos.

Foto: MARE/ARDITI

“Tem havido um esforço hercúleo no sentido de colmatar a falta de informação sobre a ecologia da megafauna marinha em Portugal que, até há duas décadas, tinha incidido principalmente sobre a descrição de novas espécies/registos e sobre a biologia destes animais.”

Parte desse esforço está na mão de investigadores como Filipe Alves, Marc Fernandez e Rita Ferreira, profundamente envolvidos nos projectos Whale Tales Project e INTERTAGUA, através do MARE (ARDITI, laboratório associado ARNET, e Observatório Oceânico da Madeira).

O Whale Tales Project dedica-se ao estudo do cachalote (Physeter macrocephalus) na Madeira, espécie classificada como Vulnerável naquele arquipélago da Madeira, região onde existe pouca informação sobre a utilização de habitat por esta espécie, em especial os seus padrões de movimento e as dinâmicas populacionais.

“Os cachalotes são mergulhadores profundos, ou seja, passam a grande maioria do seu tempo a grandes profundidades a procurar o seu alimento preferido – as lulas gigantes. Estas grandes profundidades ocorrem, normalmente, um pouco mais longe de costa, que por vezes é longe demais para serem avistados. Além disto, são animais cujas movimentações diárias podem atingir vários quilómetros, pelo que não são uma espécie fácil de ver frequentemente e de seguir ao longo de vários dias. Como tal, são necessários muitas horas passadas no mar a recolher dados para se conseguir obter informação científica válida”, explicaram os investigadores.

Foto: MARE/ARDITI

Este projecto – que em Novembro de 2018 recebeu 50.000 euros da 2ª edição do Fundo para a Conservação dos Oceanos, pelo Oceanário de Lisboa e pela Fundação Oceano Azul – está a estudar os movimentos dos cachalotes na Madeira, tentando perceber se estes grandes animais têm áreas de preferência e padrões de residência, por exemplo.

Para isso, os investigadores estão a usar biomarcadores de satélite minimamente invasivos (LIMPET – Low Impact Minimally Percutaneous Electronic Transmitter – tags).

“Tentou-se inovar o sistema de colocação de transmissores de satélite, dado que os transmissores mais comumente utilizados noutras regiões permaneciam relativamente pouco tempo nos indivíduos marcados”, segundo os investigadores.

“Foram colocados três transmissores de satélite na Madeira, que não foram bem-sucedidos a nível de longa duração, pelo que será necessário continuar a inovar e a trabalhar em conjunto com outras equipas no sentido de encontrar uma metodologia mais adequada.” Existem no mercado biomarcadores de satélite transdérmicos mas optou-se por não usá-los pois são muito invasivos.

Este projecto utiliza diversas metodologias inovadoras, de modo a obter a maior informação possível sobre o cachalote.

Foto: MARE/ARDITI

De momento, os investigadores usam telemetria de satélite para saber informação sobre movimentos e utilização de habitat e fazem a recolha de biópsias (pequena amostra de pele e gordura) para estudar parâmetros fisiológicos e ecotoxicológicos, assim como o estado de saúde da população. Estes trabalhos continuam a decorrer neste momento, com colaborações com outras equipas internacionais.

Além disso está a ser feita a “foto-identificação, que permite reconhecer cada indivíduo através de fotografias da barbatana caudal. Uma das maiores vantagens desta técnica é que as fotos podem ser recolhidas por qualquer pessoa, tais como turistas ou operadores de whale-watching, e permitem assim não só uma maior recolha de dados, mas também a participação dos cidadãos na ciência – a chamada citizen-science“. 

Na verdade, “a colaboração com os operadores de whale-watching tem sido de grande importância, não apenas pelas fotografias que nos cedem mas também por recolherem amostras de pele (os cachalotes libertam frequentemente pele “antiga”, que pode ser usada para análises) e restos de lulas encontrados a flutuar”.

Para já, o Whale Tales Project “possibilitou identificarmos a Madeira como uma área muito importante para a população de cachalotes do Atlântico Norte, juntamente com os Açores, sendo que um quarto da população (25%) utiliza estas ilhas de modo recorrente ao longo de vários anos; registámos já um máximo de 8 anos na Madeira”. 

De momento está a decorrer outro projecto, o INTERTAGUA (Deteção e Visualização da Megafauna Marinha Atlântica e Embarcações na Macaronésia usando Marcadores Rádio-transmissores), que abrange os Açores, a Madeira, Cabo Verde e Canárias.

A equipa em Porto Santo. Foto: MARE/ARDITI

“Um dos objetivos principais é na área da biotelemetria, nomeadamente na fabricação de marcas de seguimento remoto de baixo custo, quer para embarcações como para vida selvagem marinha”, explicaram.

Segundo os investigadores, “está a ser utilizada tecnologia IoT (Internet of Things) para a construção das marcas de seguimento de baixo custo. Uma das grandes novidades dos protótipos desenvolvidos é o uso do sistema de comunicação através de redes LORA, que permite comunicação a longas distâncias com um consumo mínimo de energia. Os dados são enviados para umas antenas na costa (Gateways) que conseguem receber informação num raio de 40 km, que os encaminham para servidores remotos. O uso desta tecnologia permitirá reduzir os custos operacionais associados à biotelemetria, especialmente quando comparado com os biomarcadores de satélite”. 

Neste momento ainda não existe nenhuma marca desenhada pelo INTERTAGUA já colocada num animal ou embarcação. “Já foram realizados testes em embarcações no arquipélago da Madeira e ainda este ano serão realizados mais testes nas Canárias e nos Açores.”

Os investigadores adiantaram que durante Julho e Agosto deste ano serão colocados dois biomarcadores em tartarugas (nas Canárias e em Cabo Verde) e um num cachalote (nos Açores) como prova de funcionamento da tecnologia desenvolvida. “Quando finalizados os testes, uma ou mais tartarugas serão também marcadas na ilha da Madeira.”

Estes dois projectos são apenas uma amostra do que está a ser feito para conhecer a megafauna marinha dos Açores e da Madeira. O trabalho de investigação em curso nestes arquipélagos já chamou a atenção internacional e “tem contribuído para colocar a Madeira ‘no mapa’ da investigação da megafauna marinha. Contudo, existe ainda um longo caminho pela frente…”


Mais de sete mil pessoas, provenientes de mais de 140 países, com cerca de uma centena de delegações representadas a nível político, estarão em Lisboa nos próximos dias para participar na 2ª Conferência dos Oceanos da ONU.

A Conferência deverá aprovar a Declaração de Lisboa, um documento que realçará as áreas de atuação inovadoras e baseadas na ciência que permitam apoiar a concretização do ODS 14: conservar e utilizar de forma sustentável os oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. 

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Que espécie é esta: tripa-de-ovelha

Por Helena Geraldes — 28 de Junho de 2022, 09:21

O leitor Valdemar Barbosa Leitão fotografou esta planta em Alcains, Castelo Branco, a 20 de Maio e pediu para saber a que espécie pertence. Carine Azevedo responde.

“Durante as minhas caminhadas encontro nas bermas da estrada uma grande variedade de plantas. Em 20 de maio de 2022 fotografei esta planta que fazia em lindo maciço à beira da estrada de Santa Apolónia, Alcains, Castelo Branco. Tem uma estrutura arborescente mas não é um arbusto. Qual o nome?”, perguntou o leitor à Wilder.

Tratar-se-á de uma tripa-de-ovelha (Andryala integrifolia).

Espécie identificada e texto por: Carine Azevedo, consultora na gestão de património vegetal ao nível da reabilitação, conservação e segurança de espécies vegetais e de avaliação fitossanitária e de risco. Dedica-se também à comunicação de ciência para partilhar os pormenores fantásticos da vida das plantas.

Tudo indica que se trata de Andryala integrifolia, uma espécie da família Asteraceae, vulgarmente conhecida como alface-do-monte ou tripa-de-ovelha.

É uma espécie nativa da Macaronésia e da região oeste e central do Mediterrâneo. Em Portugal continental é comum em todo o território. Também ocorre no arquipélago dos Açores, onde terá sido introduzida.

Esta planta é frequente em terrenos secos, arenosos ou pedregosos, na berma de caminhos, terrenos incultos ou em pousio, em campos agrícolas e pastagens.

Andryala integrifolia é uma planta herbácea, que pode crescer entre 30 a 70 cm de altura. Possui folhas basilares, mais ou menos persistentes, planas ou onduladas e oblongas a oblanceoladas.

As flores surgem entre junho e agosto, agrupadas em inflorescências – capítulos, dispostos em corimbos, mais ou menos frouxos. As flores são liguladas e amarelas.

O fruto é uma cipsela oblonga, com papilho de pêlos acinzentados.


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National Geographic premeia Costa Rica e Colômbia por liderança nas áreas marinhas protegidas

Por Helena Geraldes — 28 de Junho de 2022, 07:37

O antigo Presidente da Costa Rica, Carlos Alvarado Quesada, e o Presidente da Colômbia, Iván Duque Márquez, receberam ontem o prémio Planetary Leadership Award 2022 da National Geographic Society na Conferência dos Oceanos da ONU.

Ambos os países já conseguiram cumprir a meta de ter, pelo menos, 30% das terras e dos mares protegidos bem antes do prazo previsto, 2030 (o objectivo 30×30).

Até agora já são 100 os países que se juntaram à coligação que quer ver essa meta cumprida (30×30), onde se inclui Portugal.

O Planetary Leadership Award, atribuído ontem durante a Noite dos Oceanos da National Geographic, distingue líderes mundiais que conseguiram estabelecer, com sucesso, áreas protegidas significativas a nível mundial, como parques nacionais, áreas de vida selvagem ou áreas protegidas marinhas, vedadas à exploração.

Foram anteriores vencedores Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá, Michelle Bachelet, antiga Presidente do Chile e os antigos Presidentes das Seychelles Danny Faure e James Michel.

“Louvamos os compromissos do Presidente Alvarado e do Presidente Duque com a preservação da incrível biodiversidade dos seus países”, disse Jill Tiefenthaler, CEO of the National Geographic Society. “As suas palavras, decisões e acções são um exemplo planetário da liderança e protecção, ajudando a criar soluções sustentáveis e impactantes para o nosso oceano.”

Hoje, menos de 8% dos oceanos do mundo têm algum tipo de protecção legal e é preciso fazer mais para evitar a rápida perda de biodiversidade e mitigar as alterações climáticas, entende a National Geographic Society.

Alvarado e Duque têm dado o seu contributo para a meta 30×30, oito anos mais cedo do que o prazo definido.

Alvarado aumentou o Parque Nacional da Ilha Cocos 27 vezes, protegendo-o totalmente da pesca e de outras actividades extractivas. A área é hoje de 54.000 quilómetros quadrados em redor da jóia da coroa das águas da Costa Rica, incluindo uma cadeia de montes submarinos por onde migram espécies ameaçadas de grandes predadores, como os tubarões. Além disso, também designou uma nova área, Bicentennial Marine Managed Area, em redor do parque nacional aumentado, conseguindo a meta dos 30% de protecção para as águas marinhas da Costa Rica.

O Presidente Duque aumentou o Santuário Malpelo da Flora e Fauna enquanto zona de pesca zero, protegendo uma cadeia montanhosa subaquática que é a casa de ecossistemas únicos de profundidade e que funciona como uma auto-estrada marinha para espécies ameaçadas de tubarões. Também designou outra área totalmente protegida nas Caraíbas e duas áreas marinhas no Pacífico, chegando assim aos 30% de protecção para as águas marinhas da Colômbia.

“Um oceano saudável é tão vital para o futuro da humanidade como o respirar é vital para cada um de nós, já que gera pelo menos 50% do oxigénio da Terra e absorve um quarto das emissões de dióxido de carbono”, comentou Carlos Alvarado Quesada. “Por isso, precisamos ser muito ambiciosos quanto à protecção do oceano e da sua biodiversidade.”

“A Costa Rica acredita na liderança pelo exemplo e, por isso, a minha administração lançou, juntamente com a França e o Reino Unido a High Ambition Coalition for Nature and People e a meta 30×30. Em Dezembro passado assinei a ordem executiva para aumentar a protecção do nosso mar de 2.7 para 31% de uma só vez. A humanidade tem a oportunidade e a responsabilidade de promover um oceano saudável e resiliente. Vamos a isso.”

Já o Presidente da Colômbia, Iván Duque Márquez, recordou que “as alterações climáticas são uma realidade e uma ameaça ao nosso futuro. É por isso que a Colômbia decidiu agir e fazer parte da High Ambition Coalition for Nature and People”.

“Antes de Agosto deste ano, 30% do nosso território nacional será declarado uma área protegida, oito anos antes do prazo. Não iremos esperar até 2030 para o fazer. Este ano 17 milhões de hectares marinhos farão parte do nosso sistema de áreas protegidas. Já começámos com a expedição à cadeia montanhosa de Beata e com a declaração da Ilha Ají como área protegida. O nosso compromisso é inevitável, não há planeta B. O nosso dever moral é agir agora”, acrescentou.

Ontem à noite foi anunciado que 100 países já se juntaram à High Ambition Coalition for Nature and People, um grupo de países que estão a promover o objectivo 30×30. A ideia é travar a perda acelerada de espécies e proteger habitats em nome das pessoas, das economias, da biodiversidade e do clima. Deverá ser uma peça crucial das negociações em curso no âmbito da Convenção da ONU para a Diversidade Biológica.

“A Costa Rica, França e Reino Unido lançaram um sonho: uma coligação de países que apoiam a protecção de, pelo menos, 30% do nosso planeta até 2030”, disse Enric Sala, explorador residente da National Geographic e fundador da National Geographic Pristine Seas. Desde 2008, este programa fez 35 expedições e apoiou a criação de 26 áreas marinhas protegidas que cobrem 6.5 milhões de quilómetros quadrados de oceano.

“Hoje, esse sonho tornou-se mainstream. A coligação tem 100 nações como membros e continua a crescer.”

Mais de sete mil pessoas, provenientes de mais de 140 países, com cerca de uma centena de delegações representadas a nível político, estão em Lisboa para participar na Conferência dos Oceanos da ONU, de 27 de Junho a 1 de Julho.

A Conferência deverá aprovar a Declaração de Lisboa, um documento que realçará as áreas de atuação inovadoras e baseadas na ciência que permitam apoiar a concretização do ODS 14: conservar e utilizar de forma sustentável os oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. 

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Saiba quais os compromissos que Portugal fez na Conferência dos Oceanos da ONU

Por Helena Geraldes — 27 de Junho de 2022, 21:34

Classificar 30% das áreas marinhas nacionais até 2030 e manter 100% dos stocks dentro dos limites biológicos sustentáveis são só dois dos compromissos que António Costa deixou hoje na cerimónia de abertura da Conferência, em Lisboa.

“Estamos aqui, Estados, organizações internacionais, comunidade científica, ONG, empresas, para assumirmos os Oceanos como uma causa global no combate às alterações climáticas, na promoção da biodiversidade, no desenvolvimento sustentável e na garantia da segurança marítima e da liberdade de circulação”, disse o primeiro-ministro na cerimónia de abertura da 2.ª Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, coorganizada por Portugal e pelo Quénia, na Altice Arena, em Lisboa.

No evento são esperados compromissos da parte dos líderes mundiais para travar a crise dos oceanos.

Pela sua parte, Portugal, na voz de António Costa apresentou os seus.

Um deles é proteger a biodiversidade marinha, já que Portugal terá a maior riqueza de espécies marinhas da Europa. Portugal compromete-se a “assegurar que 100% do espaço marítimo sob soberania ou jurisdição portuguesa seja avaliado em Bom Estado ambiental e, até 2030, classificar 30% das áreas marinhas nacionais”.

António Costa lembrou que ainda este ano “demos um passo nesse sentido ao ser aumentada em 27 vezes o tamanho da Reserva Natural das Ilhas Selvagens, tornando-a na maior área marinha protegida do Atlântico Norte”.

Outro dos compromissos é dar ao conhecimento científico sobre os oceanos um lugar central. Nesse sentido, o primeiro-ministro garantiu a continuidade do investimento à Air Center, rede de colaboração científica entre países e institutos de investigação sobre áreas como o espaço, a observação da atmosfera, os oceanos, o clima e a energia. 

Além disso, acrescentou, “até ao final deste ano iremos criar o gabinete da Década das Nações Unidas das Ciências do Oceano para o Desenvolvimento Sustentável”.

Um terceiro compromisso é “transformar a pesca nacional num dos setores mais sustentáveis e de baixo impacto a nível mundial, mantendo 100% dos stocks dentro dos limites biológicos sustentáveis”.

Outro compromisso assumido por António Costa é a aposta “na produção de energias renováveis oceânicas com vista a atingir 10 gigawatts de capacidade até 2030 e criar, em parceria com a Agência Europeia de Segurança Marítima, uma zona piloto de emissões controladas no mar português”.

Isto porque, lembrou, os oceanos são “o principal regulador climático e sumidouro de carbono” e essenciais no combate às alterações climáticas.

Por fim, António Costa comprometeu-se a promover a economia azul. “Com este objetivo vamos operacionalizar o Campus do Mar, incluindo a criação de um Hub Azul, para duplicar o número de startups na economia azul, bem como o número de projetos apoiados por fundos públicos.”

Além dos compromissos de Portugal, o primeiro-ministro defendeu ainda a importância de definir uma agenda global dos oceanos, focada em soluções práticas, baseadas na ciência e dotada de recursos financeiros.

“Só conseguiremos lidar com os maiores desafios da Humanidade se assumirmos que o futuro dos seres humanos e dos oceanos está interligado. Esta Conferência dos Oceanos é uma ocasião única para acordarmos soluções concretas, como o acordo global para combate à poluição por plásticos e lixo marinho, ou a meta internacional de proteção de 30% do meio marinho.”

“Com os compromissos concretos que assumimos e com o forte ímpeto político da Declaração de Lisboa, que será adoptada no final desta semana, podemos dar passos decisivos em prol do Desenvolvimento Sustentável que todos ambicionamos.”

Para o primeiro-Ministro, “com a mesma ambição com que procurámos chegar à Lua ou a Marte, é tempo de descer à Terra, o planeta que é azul, porque é o planeta dos Oceanos, o nosso planeta”.

“Espero que, mais uma vez, Lisboa seja um marco no reencontro da Humanidade com os Oceanos.”

Mais de sete mil pessoas, provenientes de mais de 140 países, com cerca de uma centena de delegações representadas a nível político, estarão em Lisboa nos próximos dias para participar na Conferência dos Oceanos da ONU.

A Conferência deverá aprovar a Declaração de Lisboa, um documento que realçará as áreas de atuação inovadoras e baseadas na ciência que permitam apoiar a concretização do ODS 14: conservar e utilizar de forma sustentável os oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. 

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Que espécie é esta: toutinegra-do-mato

Por Helena Geraldes — 27 de Junho de 2022, 16:41

O leitor Manuel Silveira fotografou esta ave a 24 de Junho no Vale do Rossim, Serra da Estrela, e quis saber qual a espécie. Gonçalo Elias responde.

“Fotografei esta ave no dia 24-6-2022 perto do Vale do Rossim na Serra da Estrela. Parece-me ser da família das tourinegras mas não consigo saber qual. Agradeço a vossa opinião. Ambas as fotos são da mesma ave”, escreveu o leitor à Wilder.

Trata-se de uma toutinegra-do-mato (Curruca undata).

Espécie identificada por: Gonçalo Elias, responsável pelo portal Aves de Portugal.

“É uma toutinegra-do-mato Curruca undata, juvenil. Esta espécie é frequente em matagais em zonas de altitude”, explicou Gonçalo Elias.

A toutinegra-do-mato é uma pequena ave – na verdade, é uma das mais pequenas toutinegras – que se alimenta de insectos e vive em zonas de matos e arbustos.

Tem uma auréola vermelha em torno do olho e as penas cinzentas e de um vermelho escuro.

“O seu voo é ondulado, como se fosse bastante esforçado, com a sua cauda comprida a contrastar com o corpo diminuto”, segundo o portal Aves de Portugal.

Esta toutinegra é uma espécie residente e pode ser encontrada ao longo de todo o ano. Ainda assim, segundo o portal Aves de Portugal, é “mais fácil de detectar durante a Primavera, altura em que a actividade vocal se torna mais intensa”.

Tem estatuto de conservação Pouco Preocupante em Portugal.


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Que espécie é esta: pombo-doméstico?

Por Helena Geraldes — 27 de Junho de 2022, 15:35

O leitor Rui Francisco encontrou esta ave a 11 de Maio no Cartaxo/Vale Santarém/Pombalinho (Ribatejo) e quis saber qual a espécie. Gonçalo Elias responde.

“Peço por favor a vossa ajuda para me ajudarem a confirmar que animal é este nas fotos. Será uma cria de pombo?”, perguntou o leitor à Wilder.

Trata-se de um pombo-doméstico (Columba livia).

Espécie identificada por: Gonçalo Elias, responsável pelo portal Aves de Portugal.

“É um columbiforme, muito provavelmente um pombo doméstico. A forma do bico é característica”, explicou Gonçalo Elias.

O pombo-doméstico, espécie que pertence à família Columbidae, tem uma grande variação no padrão de cores, aves brancas, castanhas, manchadas e acinzentadas.

Tem cerca de 70 centímetros de envergadura de asa e até 37 centímetros de comprimento.

Alimenta-se de grãos, pequenos insectos e restos de alimentos e resíduos que encontra no chão (principalmente os pombos que vivem nas grandes cidades).


Agora é a sua vez.

Encontrou um animal ou planta que não sabe a que espécie pertence? Envie-nos para o nosso email a fotografia, a data e o local. Trabalhamos com uma equipa de especialistas que o vão ajudar.

Explore a série “Que espécie é esta?” e descubra quais as espécies que já foram identificadas, com a ajuda dos especialistas.

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Zoomarine anuncia nascimento de duas crias da rola-de-Socorro, ave já extinta na natureza

Por Helena Geraldes — 27 de Junho de 2022, 15:21

Duas crias de rola-de-Socorro (Zenaida graysoni) nasceram no Zoomarine, em Albufeira. Esta espécie, que já está extinta na natureza, apenas tem 170 indivíduos em todo o mundo, todos em zoos que tentam resgatar a espécie.

O anúncio foi feito hoje em comunicado enviado à Wilder. Segundo o Zoomarine, as “duas crias nasceram após o cruzamento de Zelensky e Esperanza“, um dos dois casais que actualmente vivem naquele espaço, que faz parte do EEP – European Endangered Species Programme [EAZA Ex situ Programme] para a espécie.

Rola-de-Socorro. Foto: Zoomarine

“Outrora muito comum no arquipélago de Revillagigedo, localizado a cerca de 600 km a oeste da costa do México, esta espécie, Zenaida graysoni, está extinta no meio selvagem desde 1972. Em 2022 sobrevivem apenas cerca de 170 indivíduos desta espécie em todo o mundo, distribuídos por apenas 35 zoos progressistas (30 na Europa e 5 na América do Norte)”, explica o Zoomarine.

Estes zoos trabalham para tentar reintroduzir a espécie na natureza, mais concretamente na Isla Socorro, do arquipélago mexicano de Revillagigedo.

Os dois novos casais do Zoomarine apenas se começaram a formar em Fevereiro deste ano. Os machos (agora com cerca de dois anos) chegaram ao Zoomarine em Setembro de 2021, provenientes do Zoo de Ostrava (Chéquia, antiga República Checa); as fêmeas, transferidas do Zoo de Barcelona (Espanha), chegaram pouco antes do Natal.

Rola-de-Socorro. Foto: Zoomarine

“Desde então, o Zoomarine passou a fazer parte do muito honroso e altamente restrito grupo que tem a árdua e delicada tarefa de ser uma “Arca de Noé” para uma das espécies mais ameaçadas no mundo.”

O nome da rola-de-Socorro Zelensky, um dos progenitores das duas pequenas crias, foi dado pela escritora canadiana Margaret Atwood, que recentemente esteve no Zoomarine. Justificou-o pela “intensa defesa que faz dos seus”.

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Esta família escolheu viver num veleiro e há 38 anos que se dedica aos oceanos

Por Helena Geraldes — 27 de Junho de 2022, 12:33

Mãe, pai e três filhos estão a dar a quarta volta ao mundo, a bordo do veleiro Kat, na expedição “Voz dos Oceanos”. O projecto desta família brasileira de velejadores e defensores dos oceanos, os Schurmann, com o apoio da ONU, é um dos projectos que participa na Conferência dos Oceanos da ONU, em Lisboa a partir de 27 de Junho.

David Schurmann, 48 anos, cineasta e CEO da “Voz dos Oceanos”, movimento mundial de combate à poluição por plásticos, está em Lisboa para apresentar o projecto e para participar na 2ª Conferência dos Oceanos da ONU, de 27 de Junho a 1 de Julho.

À Wilder explicou como começou esta história da “família dos oceanos”, a primeira família latino-americana a circunavegar o mundo num veleiro, o que já conseguiram fazer e o que pretendem.

WILDER: Quando e porquê começou a relação da vossa família com a conservação dos oceanos?

David Schurmann: Acredito que essa é uma questão que permeia, naturalmente, a nossa história. Logo após o meu nascimento, meus pais fizeram uma viagem durante a qual surgiria um sonho que transformaria para sempre a vida de todos nós. Com poucos meses de idade, meu destino – e de todos os Schurmann – foi traçado. Nós seriamos uma família dos oceanos! Minha primeira década de vida foi marcada pelo planejamento e preparação para a nossa grande navegação. Durante esse processo, já tínhamos naturalmente uma atenção e um cuidado especial com o ambiente marinho.

Família Schurmann. Foto: Emmanuel Schurmann

O meu 10º aniversário foi o momento escolhido para começarmos nossa grande aventura! Como não se inicia uma navegação numa sexta-feira 13, no dia 14 de abril de 1984, aos 10 anos e 1 dia de idade, zarpei com meus pais e irmãos (Pierre com então 15 anos e Wilhelm com 7 anos) rumo ao mundo, fazendo dos mares e oceanos o nosso lar. A partir desse momento, consagra-se nosso comprometimento com aquele imenso ambiente marinho. Ele, de fato, passou a ser nossa moradia, minha escola e dos meus irmãos, local de trabalho dos meus pais, nosso espaço de lazer! Como não cuidar de tão amplo e rico ambiente? Foram dez anos navegando até concluirmos nossa primeira volta ao mundo, retornando ao Brasil em 1994. A partir deste fato, o veleiro passou a ser a residência oficial da Família Schurmann. 

David e e Wilhelm Schurmann. Foto: Família Schurmann

Em 1997, içamos as velas novamente, dessa vez com nossa irmã caçula Kat Schurmann a bordo, para a Magalhães Global Adventure que foi acompanhada por milhões de pessoas no Brasil e em mais 43 países, via Internet e TV. Mas naquela época o que apenas nós vimos, com surpresa, foi o lixo que invadia a deserta e paradisíaca Henderson Island, no Oceano Pacífico. Isso em 1998! Uma cena que nos impressionou, deixando toda a Família intrigada com aquele fato, até então, inédito e inesperado. Humildemente, tratamos de exercer nosso papel e recolhemos aquele lixo que encontramos, buscando assim conservar e preservar aquele ambiente.

Em 2014, partimos para nossa terceira volta ao mundo a bodo do nosso novo – e sustentável – veleiro, o Kat, com a nossa Expedição Oriente. Novamente, nossa jornada era transmitida na TV aberta e nas fortalecidas e populares mídias digitais. Durante essa jornada, em 2015, na também deserta e paradisíaca West Fayu, outra ilha no Oceano Pacífico, nos deparamos com uma quantidade assustadora de lixo espalhado por quilômetros de areia clara. Eram resíduos, a maioria plásticos, que vinham de todas as partes do mundo.

Recolha de lixo na ilha de West Fayu. Foto: Família Schurmann

Dessa vez, levamos essa preocupante realidade para os nossos canais no Facebook e no YouTube, além de compartilhar as imagens e o alerta com a mídia tradicional. Nosso “grito” alcançou milhões de pessoas do Brasil e do mundo. Mas, acima de tudo, despertou em nós a urgência por ações mais amplas e coletivas, capazes de reverter aquele cenário. Ao ancorar de volta no Brasil, em 2016, nossa próxima missão ainda não tinha uma rota definida, mas já estava determinada a ser moldada dentro de um propósito: salvar os nossos oceanos.

Em três décadas de história, testemunhamos um movimento crescente e preocupante de invasão absurda de plástico no nosso Planeta Água. Como mencionei, os oceanos são nosso lar e também a área de lazer, de praticar esporte, o local de trabalho, de produção, a estrada que nos leva ao redor do mundo… Nele, estamos em literalmente constante movimento. Por isso, diante desse desafio, jamais ficaríamos parados! Assim, criamos e iniciamos nossa atual missão: a Voz dos Oceanos!

W: Pode descrever um pouco do vosso dia-a-dia a bordo do veleiro Kat e quem são?

David Schurmann: Além das atividades domésticas e das navegadas em si, que demandam dividir a tripulação em turnos para muitas vezes cobrir 24 horas ou mais de navegações contínuas, temos nossas missões pelos destinos onde passamos, como as gravações e pautas em centros universitários e de pesquisas, ONGs e iniciativas de combate ao plástico, escolas e instituições de ensino, comunidades e regiões afetadas pela invasão plástica, pólos de inovação, entre outras áreas que possibilitem ações de conscientização e engajamento, além de revelarem soluções capazes de recuperar e preservar nossos oceanos.

São dias bem dinâmicos e distintos, em constante movimento, sempre com novidades e com momentos incríveisde intensa integração com os oceanos e a natureza.

Além de mim, David Schurmann, 48 anos, cineasta e CEO da Voz dos Oceanos, nossa família de velejadores e defensores dos oceanos é formada por meus pais Vilfredo Schurmann, 74 anos, economista; Heloisa Schurmann (que completou 76 anos a 22 de junho), escritora, palestrante e pesquisadora, e meus irmãos Pierre Schurmann, 52 anos, investidor em startups, e Wilhelm Schurmann, 45 anos, campeão mundial de windsurf e capitão do veleiro Kat.

Família Schurmann. Foto: Emmanuel Schurmann

Vale mencionar que o nome do nosso veleiro é uma homenagem à nossa amada irmã, Kat Schurmann, que foi adotada aos 3 anos e faleceu perto de completar 14 anos, em 2006, devido a complicações decorrentes do vírus HIV, do qual era portadora desde seu nascimento (essa história de amor incondicional está no filme que dirigi “Pequeno Segredo”, selecionado para representar o Brasil no Oscar 2017).

Parceiros da campanha Mares Limpos do Programa da ONU para o Meio Ambiente, apoiador mundial da “Voz dos Oceanos”, nós, da Família Schurmann, lideramos essa iniciativa que tem a bordo do veleiro Kat os tripulantes: Erika Ternex, que embarcou durante a Expedição Oriente, nossa terceira volta ao mundo, chef de cozinha e responsável pela compra e envio de espécies marinhas que serão analisadas por nosso parceiro científico, a Universidade de São Paulo (USP); Alex Najas, diretor de fotografia; Carmina Reñones, assistente de câmera, e Rodrigo Gomes, criador de conteúdo digital.

Para realização da expedição, “Voz dos Oceanos” conta ainda com uma tripulação em terra com cerca 15 profissionais dedicados a áreas como Eventos, Logística, Jurídico, Audiovisual, Comunicação, Marketing, Parcerias e Licenciamento.

W: Nas três voltas ao mundo feitas nos últimos 38 anos, o que mais vos impressionou?

David Schurmann: Em termos ambientais, essa crescente invasão de resíduos a lugares tão remotos, inabitados, que mencionei acima. Henderson Island, por exemplo, fica próxima ao famoso Ponto Nemo do planeta, que é o local mais distante de qualquer outro território, seja continente ou ilha, habitada ou não. Ainda assim, é invadida por lixo de todas as partes do mundo. Isso é fato. Somos testemunhas oculares disso. Por isso, sempre reforçamos que não existe o “jogar fora”, como se um resíduo eliminado da nossa frente desintegrasse, desaparecesse. Ele vai para em algum ponto desse nosso planeta. Por isso, é fundamental a conscientização de todos, incluindo sociedade civil, indústria e governos, sobre a produção e gestão de resíduos. Precisamos repensar nossos hábitos de consumo, enquanto a indústria repensa a cadeia produtiva e órgãos públicos a gestão de resíduos.

David Schurmann. Foto: Emmanuel Schurmann

Em quase 40 anos de navegações já passamos por mais de 65 países e territórios, de grandes nações como a China a pequenas e isoladas ilhas do Pacífico. E como nosso planeta é diverso e lindo! São tantos lugares maravilhosos, riquíssimos em belezas naturais com culturas tão distintas e fascinantes! A gente precisa cuidar desse planeta! Quando falamos do ambiente marinho, especificamente, e das espécies ameaçadas, sabemos que todas são potenciais vítimas dessa invasão plástica. De tartarugas a baleias e até aves como albatrozes, por exemplo, vêm sofrendo e morrendo sufocados pelo lixo nos oceanos. E esse plástico que invade os oceanos também já afeta a nossa saúde. Nós, seres humanos, também somos vítimas desse plástico que entra na cadeia alimentar. Os peixes comem esse material e nós consumimos esses mesmos peixes. Pesquisas e estudos já identificam a presença de plástico no organismo humano e associam algumas doenças à presença desse material.

W: Na expedição “Voz dos Oceanos”, que começou em Agosto de 2021, por onde já passaram e o que conseguiram fazer?

David Schurmann: Até novembro de 2023, nossa “Voz dos Oceanos” passará por mais de 65 locais estratégicos no planeta, incluindo pontos dos mares onde os mais variados itens de plástico se acumulam, vindos de diferentes partes do mundo por meio das correntes marítimas. Como mencionou, começamos em agosto de 2021 com uma primeira etapa por praticamente toda a costa brasileira: Balneário Camboriú/SC, Santos/SP, Ilhabela/SP, Ubatuba/SP, Ilha Grande/RJ, Rio de Janeiro/RJ, Búzios/RJ, Vitória/ES, Abrolhos/BA, Salvador/BA, Recife/PE,  Fernando de Noronha/PE, Natal/RN, Ilhas de Lençóis/MA e cerca de 15 locais do estado do Pará, entre eles, Soure, Belém, Monte Alegre, Santarém – Alter do Chão e Afuá. Concluímos essa etapa brasileira com a inclusão da navegação fluvial por rios como Amazonas, Pará e Tapajós, ressaltando a interconexão entre rios e mares, que acontece em todo o planeta.

Em abril deste ano, iniciamos nossa etapa internacional, passando pelas Ilhas Virgens Britânicas e Bahamas, antes de chegar nos Estados Unidos, onde realizaremos uma jornada de cinco meses pela costa leste. Começamos por Miami e Fort Lauderdale, na Flórida, e a 24 de junho nossa tripulação deve iniciar a navegação rumo a Nova York. Próximos destinos nos Estados Unidos são: Hampton & Cape Cod, Boston, Maine, Nova Hampshire, Newport e Rhode Island. No final de outubro, nos despedimos dos Estados Unidos com a “Voz dos Oceanos” indo rumo ao Caribe, México e Panamá. Depois, navegará pelo Oceano Pacífico Sul até a Polinésia e terminará na Nova Zelândia, em novembro de 2023.

Começar essa jornada num cenário de pandemia da covid foi ainda mais desafiador. Mas, com criatividade e segurança, temos conseguido ótimos impactos. Na primeira fase da nossa jornada, pela costa brasileira, entre os estados brasileiros de Santa Catarina e Pará, estimamos ter impactado, no mínimo, 60 milhões de pessoas por meio dos nossos canais digitais oficiais, quadro mensal exibido aos domingos no programa Fantástico da TV Globo (líder entre as TVs abertas do Brasil), entrevistas e reportagens na mídia espontânea e collabs nas redes sociais. 

Foto: Família Schurmann

Nessa jornada de informação, conscientização e engajamento, ainda alcançamos os usuários de ônibus no Rio de Janeiro com a exibição de vídeo dentro dos veículos e as pessoas que caminhavam ou corriam na orla carioca com nossas intervenções urbanas. Vale destacar ainda que nossa causa ganhou grande destaque com iluminação e/ou projeções em importantes monumentos do país: Cristo Redentor (Rio de Janeiro); Farol da Barra, Elevador do Taboão e Elevador Lacerda (Salvador); Marco Zero (Recife), e Estação das Docas, Igreja Santo Alexandre, Theatro da Paz, e Samaumeira do Parque do Utinga (Belém). E ainda tivemos ações junto a escolas públicas e privadas, limpezas de praias e participação em eventos diversos que seguramente ampliaram ainda mais essa mobilização social. A conscientização de gestores públicos para governos comprometidos também é fundamental.

A Nova Economia do Plástico vem aí. Este ano, a Assembleia de Meio Ambiente da ONU avançou com os debates para um tratado global para frear a poluição plástica e foi encerrada com a aprovação de uma resolução histórica “para acabar com a poluição plástica e estabelecer um acordo internacional juridicamente vinculante até 2024”, aprovada por chefes de Estado, Ministros e Ministras do Meio Ambiente e outros representantes de 175 nações.

Nossa “Voz dos Oceanos” também vem fazendo a sua parte! Além de abrir importantes debates com Secretários Municipais, Vice-Prefeitos e/ou Prefeitos de Balneário Camboriú, Santos, Ilhabela, Paraty, Rio de Janeiro, Niterói, Vitória, Igarassu, Recife, Fernando de Noronha, Natal e do estado do Pará, nossa iniciativa foi a motivação para ações promissoras.

Durante passagem da expedição pelo Litoral Norte do estado de São Paulo, as Prefeituras de Ilhabela, Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba assinaram uma carta de compromisso em defesa do “Oceano sem Plástico”.  Em Búzios, litoral do estado do Rio de Janeiro, “Voz dos Oceanos” foi o incentivo para que o poder público colocasse um projeto de reciclagem para funcionar já a partir deste ano. No estado de Pernambuco, nossa iniciativa foi o estímulo para a elaboração e a assinatura de um pacto entre os municípios do Litoral Norte (Abreu E Lima, Goiana, Igarassu, Itamaracá, Itapissuma, Olinda, Paulista e Recife), visando o comprometimento com as ações voltadas à preservação e conservação ambiental. A “Voz dos Oceanos” já cruzou o caminho de pessoas tão diversas, comprometidas com o bem-estar das outras pessoas e a saúde do entorno e do planeta. De jovens que refletem uma geração que quer e acredita na transformação capaz de recuperar e preservar os oceanos a pessoas “mais experientes” e que já vêm transformando o seu entorno, as suas comunidades, liderando ONGs, iniciativas e projetos, nossa Voz dos Oceanos vem destacando ações individuais e coletivas inspiradoras.

W: Já têm ideia de algumas soluções inovadoras para combater a poluição nos mares?

David Schurmann: Esse é um grande desafio, de fato. Mas já cruzamos com iniciativas que reforçam nossas esperanças! Costumamos dizer que a transformação acontece a partir de ações individuais e coletivas. O combate a poluição dos mares está nas mãos de todos, incluindo nós mesmos, como cidadãos e consumidores conscientes.

Foto: Família Schurmann

Na busca por soluções ficamos felizes em ver que o futuro é agora com jovens comprometidos e criativos, que surpreendem o mundo! No início da nossa expedição, ainda em Santa Catarina, conhecemos, por exemplo, o Gabriel Fernandes Mello Ferreira. Estudante do Ensino Médio em Itajaí, com apenas 17 anos, ele se consagrou como o primeiro brasileiro a ganhar o Prêmio Jovem da Água de Estocolmo, que reconhece iniciativas que melhorem a qualidade da água. O Gabriel inventou um filtro que retira micro plásticos da água e foi assim que ele superou outros 32 estudantes de todo o mundo em uma votação popular com 26 mil votos. A invenção dele já estava sendo analisada para ser adotada no sistema de saneamento da cidade.

Depois, em Salvador, no estado da Bahia, encontramos os estudantes de Administração Pedro Dantas, Antonio Rocha e Genilson Brito, de Análise de Desenvolvimento de Sistemas, Thiago Barbosa, e de Engenharia Química, Ramon de Almeida. Eles formam a equipe da Cafeína, que participou do NASA Space Apps Challenge International 2019, o maior hackathon do mundo. Com o projeto Ocean Ride, um dispositivo para recolher partículas de micro plásticos das águas, eles venceram a competição mundial e, este ano, devem finalmente visitar a NASA, na Flórida, Estados Unidos, onde apresentarão pessoalmente a solução aos representantes da instituição. Quando estivemos juntos, a bordo do veleiro Kat, eles já tinham novos e atualizados protótipos.

A criatividade e o empenho desses jovens refletem uma geração que quer e acredita na transformação capaz de recuperar e preservar os oceanos.

W: Como vão participar na Conferência dos Oceanos da ONU, em Lisboa?

David Schurmann: A Conferência Mundial dos Oceanos é um dos eventos mais importantes para iniciativas como a “Voz dos Oceanos”, ainda mais nesta que é a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável. Estamos em uma jornada em busca de soluções e transformações capazes de reverter e preservar os oceanos do planeta que, como mencionado anteriormente, vêm sendo crescentemente invadido por plástico e micro plástico. O líder do pilar Científico da “Voz dos Oceanos”, Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico (IO) da USP – Universidade de São Paulo e coordenador da Cátedra Unesco para Sustentabilidade do Oceano será palestrante de alguns side events. Além disso, eu, David Schurmann, CEO da Voz dos Oceanos, e João Amaral, COO da nossa iniciativa, estaremos nesses eventos e em outras importantes apresentações, conferindo ações transformadoras e apresentando também, sempre que oportuno, nossa “Voz dos Oceanos”. A 26 de junho apresentamos nossa iniciativa e os primeiros impactos gerados a convidados reunidos na Atlantic Station, em Lisboa.

W: Como será o resto da vossa expedição? Onde vão a seguir?

David Schurmann: Neste momento, nossa tripulação e veleiro Kat está nos Estados Unidos, onde realizaremos uma jornada de cinco meses pela costa leste. Começamos por Miami e Fort Lauderdale, na Flórida, e a 24 de junho iniciamos a navegação rumo a Nova York. Próximos destinos nos Estados Unidos são: Hampton & Cape Cod, Boston, Maine, Nova Hampshire, Newport e Rhode Island. No final de outubro, nos despedimos dos Estados Unidos com a “Voz dos Oceanos” indo rumo ao Caribe, México e Panamá.

Depois, navegará pelo Oceano Pacífico Sul até a Polinésia e terminará na Nova Zelândia, em novembro de 2023.

Foto: Família Schurmann

Entre agosto de 2021 e novembro de 2023, nossa “Voz dos Oceanos” deverá passar por mais de 65 locais estratégicos no planeta, incluindo pontos dos mares onde os mais variados itens de plástico se acumulam, vindos de diferentes partes do mundo por meio das correntes marítimas.

W: E quando esta expedição terminar, em Dezembro de 2023 na Nova Zelândia, pretendem continuar a defender os oceanos? Se sim, já têm projectos para o futuro?

David Schurmann: Até a Nova Zelândia concluiremos a primeira das três etapas dessa nossa quarta volta ao mundo que assume essa missão coletiva chamada “Voz dos Oceanos”. Ou seja, seguiremos defendendo os oceanos com essa nossa iniciativa que contará com mais duas etapas de aproximadamente dois anos de navegações cada uma. A segunda parte da “Voz dos Oceanos” deverá navegar pela Ásia e África. A terceira levará nosso veleiro Kat e tripulação para a Europa, incluindo, claro, Portugal, e será concluída com o retorno ao Brasil. No total serão mais de 6 anos de “Voz dos Oceanos” navegando pelos mares do planeta, buscando e motivando soluções transformadoras, capazes de recuperar e preservar nossos oceanos.


Conheça mais histórias sobre os oceanos aqui.

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Conferência dos Oceanos: “Enfrentamos uma emergência oceânica”, alerta António Guterres

Por Inês Sequeira — 27 de Junho de 2022, 12:26

Durante a abertura da Conferência dos Oceanos, em Lisboa, o secretário-geral das Nações Unidas apresentou quatro medidas que pretende que sejam apoiadas pelos Estados.

António Guterres, que discursou na abertura da Conferência dos Oceanos, realçou que “tomámos o oceano como garantido”, mas hoje o mundo enfrenta uma “emergência oceânica” e que é necessário agir e mudar a situação. O encontro promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU) realiza-se no Parque das Nações até sexta-feira, juntando mais de 7.000 pessoas de 142 países.

“O nosso falhanço em cuidar do oceano vai ter efeitos em cascata sobre toda a Agenda 2030”, alertou o secretário-geral da ONU, lembrando que “o oceano produz mais de metade do oxigénio que respiramos” e que é “a principal fonte de sustento de mais de mil milhões de pessoas”.

Guterres apelou a quatro medidas que deseja que recebam apoio dos Estados:

  • Todas as partes interessadas (‘stakeholders’) devem investir numa economia sustentável do oceano, assegurando financiamento a longo prazo no que respeita à alimentação, energias renováveis e subsistência. Se assim fosse, haveria seis vezes mais comida e 40 vezes mais energia renovável com origem no oceano;
  • O oceano deve tornar-se num modelo para a forma como gerimos o património comum do planeta, o que significa eliminar todos os tipos de poluição;
  • Proteger os oceanos e as populações que deles dependem dos efeitos das alterações climáticas;
  • Proteger todas as comunidades ligadas ao oceano através de um sistema de aviso precoce (‘early warning’) quanto eventos climáticos externos, como ondas de calor.

O secretário-geral lembrou que “o aquecimento global está a aquecer a temperatura do mar a níveis recorde”, dando origem a “tempestades mais assustadoras e frequentes”, enquanto que “o nível do mar está a subir”, o que coloca várias nações e cidades costeiras do mundo “sob perigo de serem inundadas”.

Mas não só. “A crise climática está também a tornar mais ácida a água do oceano, o que está a desregular a cadeia alimentar”, e por outro lado “cada vez mais corais estão a ficar ‘lixiviados’ e a morrer”.

Quanto aos ecossistemas costeiros como os mangais, pradarias marinhas e zonas húmidas, “estão a degradar-se”, e “a poluição vinda da terra está a criar vastas zonas costeiras mortas”. “Quase 80% da água usada chega ao mar sem qualquer tratamento.”

Por outro lado, acrescentou Guterres, “cerca de oito milhões de toneladas de plástico entram no oceano todos os anos”. “Se não fizermos nada, em 2050 o plástico no oceano terá um peso maior do que os peixes”, sublinhou o secretário-geral.

Guterres lembrou que estes lixos já chegaram a todos os locais do oceano, incluindo os mais recônditos, e que afectam fortemente as comunidades que dependem da pesca e do turismo. “Uma massa de plástico no Pacífico está agora maior do que a França”, exemplificou, alertando ainda para o problema das técnicas de pesca insustentáveis e da sobrepesca.

Ainda assim, contrapôs o responsável da ONU, nos últimos cinco anos têm sido dados vários passos positivos, incluindo a realização de “parcerias internacionais para a criação de áreas marinhas protegidas”, com a recuperação das pescas em locais onde foram tomadas essas medidas de gestão.

Foram também dados “passos significativos” na criação de instrumentos legais relativos à conservação e uso sustentável da diversidade biológica marinha, acrescentou Guterres, lembrando ainda a adopção de novas medidas relativas ao combate contra os plásticos e proibição de subsídios à pesca insustentável que está a tomar forma na Organização Mundial do Comércio.


Saiba mais.

Recorde aqui o que está previsto acontecer durante a Conferência dos Oceanos da ONU.

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Estas são as fotografias de natureza vencedoras do Rewilding Photo Contest

Por Helena Geraldes — 27 de Junho de 2022, 09:56

Os fotógrafos Norberto Esteves, Guilherme Limas, Margarida Marreiros e Jorge Macedo venceram nas quatro categorias a concurso na 2ª edição do Rewilding Photo Contest. Conheça as imagens vencedoras.

O grande objectivo deste concurso é “promover o património natural português e a sua respetiva valorização e proteção, através da fotografia de natureza”, explicam, num comunicado enviado à Wilder, os organizadores, a organização Rewilding Portugal e o Município do Sabugal.

A fotografia de natureza é uma forma de “dar a conhecer à comunidade os magníficos ecossistemas e respetivas espécies de fauna e flora selvagem que temos no nosso país”, acrescentam.

Este ano, a categoria Fauna teve como grande vencedor o fotógrafo Norberto Esteves, com a imagem de uma coruja-do-nabal (Asio flammeus).

Foto: Norberto Esteves

Nesta categoria, o segundo lugar foi para Daniel Santos e o terceiro a Brais Palmás.

Na categoria Flora e Fungos, o grande vencedor foi Guilherme Limas, seguido de Pedro Esteves e Carlos Silva.

Foto: Guilherme Limas

Em Paisagens Naturais, a vencedora foi Margarida Marreiros, seguida de Pedro Silva e Francisco Coimbra, este último o único repetente respetivamente aos prémios do último ano.

Foto: Margarida Marreiros

Na categoria Grande Vale do Côa, o primeiro lugar foi entregue a Jorge Macedo, o segundo a Agnes Sobon e o terceiro a José Amaral. 

Foto: Jorge Macedo

Os primeiros lugares levarão para casa um prémio monetário de 250 euros, os segundos lugares um prémio de 150 euros e os terceiros lugares de 75 euros, além de uma garrafa Altano Rewilding, da revista Wild 2021 e de certificado para todos os premiados por igual.

A entrega de prémios acontecerá a 1 de Outubro no concelho do Sabugal. Além da cerimónia, contará com uma visita guiada da equipa da Rewilding Portugal à área rewilding do Vale Carapito, em Vilar Maior. Esta foi a primeira área rewilding da Rewilding Portugal aberta a visitação no Grande Vale do Côa.

Neste momento, a Rewilding Portugal está a promover a renaturalização do Grande Vale do Côa, reforçando um corredor natural de vida selvagem, e a reduzir as barreiras à conectividade da população de lobo-ibérico a Sul do Douro.

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Estudo confirma que muitas tartarugas “enganam” o relógio do envelhecimento

Por Inês Sequeira — 24 de Junho de 2022, 17:36

Uma equipa liderada por uma cientista portuguesa analisou os dados relativos a 52 espécies de tartarugas em zoos de todo o mundo e chegou a conclusões surpreendentes.

A senescência, que se traduz no aumento do risco de mortalidade associada ao envelhecimento do organismo, começa em muitos animais quando é atingida a maturidade reprodutiva. É o caso dos humanos e dos outros mamíferos, por exemplo. É como se o relógio do envelhecimento começasse a funcionar quando ganham a capacidade de se reproduzir.

Todavia, essa não é a história de muitas tartarugas: à medida que os anos passam mantêm praticamente o mesmo risco de morrer, ou conseguem mesmo diminuir esse risco, confirmou uma equipa de cientistas liderada por Rita Silva, do centro de investigação CIBIO-InBIO/BIOPOLIS, da Universidade do Porto. Os resultados do estudo foram esta semana publicados na Science.

“O que fizemos foi medir a taxa de envelhecimento das populações de 52 espécies de tartarugas guardadas em zoos”, descreveu a investigadora à Wilder, que na altura do estudo trabalhava na Universidade de Southern Denmark. A partir das datas de nascimento e morte das tartarugas analisadas, com uma grande variedade de tamanhos e características, a equipa desenhou a trajectória de mortalidade dos machos e fêmeas de cada espécie. Objectivo: perceber qual o risco de morrer dessas tartarugas ao longo que o tempo passava.

“Em traços gerais, analisámos quantos indivíduos ainda estavam vivos quando tinham 10 anos de idade; quantos desses estavam vivos aos 20 anos de idade; e assim por diante”, explicou Rita Silva.

Os resultados confirmaram que as tartarugas envelhecem mais devagar: 75% registaram uma senescência extremamente baixa e 80% com valores abaixo dos humanos. Ainda assim, isso não impede que acabem por morrer, por exemplo devido a doenças ou a predadores.

Rita Silva lembra que o ser vivo mais velho em todo o mundo é uma tartaruga gigante das Seicheles, Jonathan, que terá cerca de 190 anos, embora ninguém saiba realmente quantos anos tem, uma vez que o nascimento não foi devidamente registado.

Foto: Kevsten/Wiki Commons

Uma das teorias que ajuda a explicar o envelhecimento mais lento destes répteis é o facto de continuarem a crescer ao longo da vida, à semelhança de alguns peixes e árvores. Dessa forma, “alocam energia na reparação celular e dos tecidos, enquanto outros organismos perdem essa capacidade”.

Os investigadores fizeram ainda duas comparações. Em primeiro lugar, compararam os resultados obtidos com as tartarugas em zoos com tartarugas no meio natural, a partir de dados disponíveis para três espécies.

Como resultado, perceberam que as tartarugas em cativeiro “ficam vivas até mais tarde”. “Isso pode ser explicado por terem mais acesso a alimento e estarem mais protegidas, pelo que acabam por investir mais energia no não envelhecimento”, nota Rita Silva.

Nos humanos, em contrapartida, diversos estudos já realizados indicam que o facto de estarem em ambientes mais protegidos não impede que comecem a envelhecer, embora diminua por exemplo a taxa de mortalidade em bebés e juvenis.

A equipa comparou também a longevidade de machos e fêmeas e concluiu que eles vivem em média mais tempo do que elas, enquanto nos humanos e em muitos outros mamíferos é ao contrário.

Ainda assim, nalgumas espécies de tartarugas em que as fêmeas são maiores do que os machos, são elas que têm uma esperança média de vida maior. “Uma hipótese apontada para esta vantagem evolutiva das fêmeas, ou seja, terem maior longevidade do que os machos quando são fisicamente maiores, é o facto de serem capazes de atrasar a maturação sexual e desta forma terem um crescimento mais lento, vivendo mais anos”, considera a investigadora.

Rita Silva acredita que são necessários ainda mais estudos nesta área. “Para desvendar os segredos da longevidade precisamos ainda de mais estudos comparativos e em grupos filogenéticos historicamente menos estudados, como é o caso dos répteis”, sublinha.

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Entrevista com Nuno Sá: A vida de um “cameraman” subaquático

Por Helena Geraldes — 24 de Junho de 2022, 16:19

Responsável pelas imagens dos tubarões-baleia do documentário “A Ilha dos Gigantes”, que estreou a 20 de Junho na RTP1 e RTP Play, Nuno Sá descreve como é esta profissão de se ser um apaixonado pelos mares e espécies marinhas. Um testemunho feito nas vésperas da Conferência dos Oceanos da ONU, de 27 de Junho a 1 de Julho em Lisboa.

WILDER: O que faz?

Nuno Sá: Sou ‘cameraman’ subaquático. Trabalho principalmente para produções internacionais de História Natural, as chamadas blue-chip (normalmente documentários sobre megafauna carismática em estado selvagem, com imagens espectaculares, sem a presença de pessoas e evitando questões controversas). São histórias subaquáticas de comportamento animal, da vida selvagem, em que não existem intervenientes humanos.

Hoje em dia, 90% do meu tempo é passado a trabalhar para produções da Netflix, BBC, National Geographic e por aí afora. E sempre que tenho tempo tento desenvolver documentários sobre a vida marinha portuguesa para dar a conhecer aos portugueses a nossa riqueza e biodiversidade marinhas.

W: Onde e quando começou?

Nuno Sá: Não tive, e continuo a não ter (risos), um rumo muito definido em termos de carreira. Tem sido muito ir ao sabor das oportunidades mas principalmente motivado por uma paixão pelo mar, por descobrir a sua vida marinha.

Sou formado em Direito na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, e só tive contacto com a vida marinha durante a minha licenciatura, período durante o qual tirei o meu primeiro curso de mergulho. A seguir, a primeira viagem de mergulho que fiz foi à Ilha das Flores, nos Açores. Foi muito aí que começou a crescer este meu interesse pela vida marinha e por explorar os oceanos.

E realmente nessa altura, há mais de 20 anos atrás, os Açores ainda estavam muito por explorar. Em termos subaquáticos havia imensas oportunidades para encontrar histórias novas e comportamentos desconhecidos. De maneira que, ao longo do meu curso de Direito, fui sendo sempre influenciado por produções tipo Blue Planet e pelos documentários de Cousteau. Foi sempre crescendo em mim o sonho de um dia me tornar fotógrafo ou videógrafo subaquático, mas acima de tudo o objectivo de viver uma vida em contacto com o mar.

Quando acabei a licenciatura achei que realmente o sítio que tinha visitado nos Açores era o sítio onde poderia atingir esse objectivo de viver uma vida de aventuras constantes de descoberta da nossa vida marinha. Achei que a ilha das Flores talvez fosse um pouco pequena demais e então decidi ir viver para a ilha de São Miguel onde vivi durante 11 anos.

Foi aí que tudo começou. Comecei com a fotografia como hobby para mostrar à família e aos amigos esta nova vida, estas primeiras aventuras a descobrir o mar dos Açores. Tive imensa sorte, arranjei logo um emprego numa empresa de observação de cetáceos e comecei também a estudar Biologia Marinha. Fui levando cada vez mais a sério a fotografia até que em 2008 decidi tornar-me fotógrafo subaquático a tempo inteiro.

Em 2013 acabei por trocar a fotografia pelo vídeo, muito por causa da tecnologia ter evoluído e permitir que as câmaras fotográficas da altura fizessem vídeo também mas acima de tudo porque o meu objectivo máximo era ser videógrafo subaquático, profissão que dá oportunidade de ir mais longe, a sítios mais remotos.

W: O que o faz apaixonar-se pelo mundo natural e a querer dedicar-lhe a sua vida? Houve algum momento decisivo?

Nuno Sá: Nos Açores fui-me apercebendo que tinha o privilégio de viver num sítio com uma riqueza e biodiversidade únicas a nível mundial. E foi crescendo em mim a ideia de que se eu realmente conseguisse estar tecnicamente preparado para fotografar e fazer vídeo, poderia entrar num mercado internacional dessas actividades. Poderia explorar este meu quintal, que na altura eram os Açores, de uma maneira que os outros não poderiam.

E houve vários momentos marcantes para tomar essa decisão. Um deles foi em 2008. Nessa altura tinha acabado de publicar o meu primeiro artigo na revista National Geographic Portugal, tinha acabado de ser premiado pela primeira vez no Wildlife Photographer of the Year, já tinha alguma visibilidade e já começava a fazer as minhas primeiras saídas de mar especificamente para fotografar – tinha comprado um pequeno barco, muito velhinho – e quando tinha tempo e dinheiro saía para o mar para tentar descobrir histórias.

Houve um dia que estava a fotografar um grupo de sardinheiras. As sardinheiras são baleias-de-barbas, filtram água para se alimentar. Aquelas tinham metade da sua boca com as barbas penduradas à superfície a filtrar água, uma coisa excepcional, mesmo em frente da casa onde eu vivia, numa vilazinha chamada Alagoa.

De repente, no meio daquelas baleias, vejo uma barbatana que me pareceu ser não de uma baleia, mas de um tubarão muito grande, pareceu-me ser um tubarão-frade.

E eu, curiosamente, nesse mesmo ano tinha feito parte de um grande projecto de fotografia chamado Wild Wonders of Europe, em que tinha sido contratado para ir fotografar tubarões-frade na Escócia. Tinha andado no melhor sítio do mundo para tubarões-frade mas nunca tinha tido uma fotografia que queria, que era um tubarão-frade de boca aberta.

Foto: Atlantic Ridge Productions

O tubarão-frade é uma espécie filtradora, é o segundo maior tubarão do mundo, pode ter até 8 ou 9 metros de comprimento, e não tinha conseguido a fotografia que eu queria. E realmente aquilo parecia-me um tubarão-frade mas nunca ninguém tinha ouvido falar de tubarões-frade nos Açores.

Então atirei-me para dentro de água e lá estava um tubarão-frade que veio direito a mim de boca aberta. Um tubarão-frade quando abre a sua boca é uma coisa impressionante, cabem vários seres humanos lá dentro. E consegui a fotografia que não tinha conseguido na Escócia.

Isto pôs-me a pensar que realmente não valeria a pena fazer o que todos os outros fotógrafos andavam a fazer, que era tentar ir às Galápagos, à Grande Barreira de Coral, ao Mar Vermelho e fotografar tudo o que eles já andavam a fotografar e que, realmente, o que deveria fazer era explorar aqui o meu quintal nos Açores.

Curiosamente no mesmo ano consegui fotografar, pela primeira vez nos Açores, o tubarão-baleia, que é o maior peixe do mundo, e o tubarão-frade, que é o segundo maior tubarão do mundo. Se consegui ser a primeira pessoa a mostrar dois dos maiores peixes do mundo, queria dizer que havia uma infinidade de histórias por revelar nos Açores. E foi então que tomei essa decisão de ficar pelos Açores e dedicar-me a descobrir e a mostrar aos portugueses estas histórias. E isto levou a que tivesse conseguido entrar no mercado internacional de vídeo subaquático uns anos mais tarde.

W: Como aprendeu a fazer o seu trabalho?

Nuno Sá: Acho que, acima de tudo, tive uma sorte tremenda. Sinceramente, o meu sonho tinha sido sempre ser um videógrafo subaquático, porque no fundo os videógrafos subaquáticos têm mais oportunidades para fazer parte de grandes expedições com muitos meios à sua disposição e ir a sítios mais remotos.

Acabei por comprar uma câmara muito boa, uma câmara profissional de vídeo, e decidi dedicar parte de um Verão a mostrar o melhor que os Açores tinham. Todos os anos, marcas como a BBC, o Discovery Channel e por aí fora vinham aos Açores produzir porque sabiam que era um hotspot de vida no meio do Atlântico.

Se eu conseguisse mostrar que conseguia filmar bem, talvez conseguisse entrar dentro desse mercado e que me contratassem a mim em vez de enviarem equipas de fora.

E foi isso que aconteceu. Por incrível que pareça, no ano seguinte fui contratado pela BBC para fazer uma das histórias do Blue Planet 2 (o Blue Planet 1 foi a série mais icónica de todos os tempos sobre os oceanos, foi vista por mais de mil milhões de pessoas). Como correu bem, contrataram-me para fazer mais algumas e isto era realmente o meu sonho, era fazer parte das mesmas séries que me influenciaram tanto e fazer parte das equipas que iriam influenciar as gerações futuras de jovens preocupados com os nossos oceanos. E entrei no mercado internacional de ‘cameramen’ subaquáticos.

Foto: Atlantic Ridge Productions

Hoje em dia trabalho muito mais fora de Portugal do que cá e já tenho percorrido um bocadinho o mundo todo, desde o Círculo Polar Ártico até às zonas mais quentes do planeta.

Trabalho para produções chamadas landmark series, que são produções de grande dimensão com muitos meios à sua disposição, especialmente da Disney, National Geographic, BBC e Netflix, e que me têm levado de uma ponta à outra do globo.

O que é certo é que foi graças aos Açores que acabei por ficar conotado como uma pessoa que trabalha com espécies pelágicas como baleias e tubarões, e acaba por ser por isso que me contratam pelo mundo fora.

A aprendizagem tem sido muito através do contacto com equipas. Por exemplo, no ano passado estive cinco meses a bordo do navio Ocean Explorer, que é o maior navio de produção de documentários a nível mundial; tem dois submarinos, um helicóptero e um ROVE. Estávamos a fazer uma série para a Disney e National Geographic, realizada pelo James Cameron, que é um realizador de topo de Hollywood, que fez o Titanic e por aí fora. Tínhamos uma grande equipa de filmagens e consegui aprender e partilhar experiências.

E tive experiências incríveis. Tínhamos um submarino só para nós, para a equipa de filmagens. Muitos dos dias tinha que operar um submarino com duas câmaras exteriores que eu operava de dentro do submarino e que filmava o outro submarino onde seguiam os actores. E há umas semanas vim de uma expedição ao Árctico. Têm sido muitas expedições, sempre com equipas grandes em que há muita aprendizagem e partilha de conhecimentos.

W: O que ainda lhe falta fazer?

Nuno Sá: Acho que nunca vão acabar as histórias que gostaria de explorar e sempre que tenho um objectivo que alcanço há sempre outros à espera para o substituir.

Já tenho feito várias histórias no Árctico, como uma das histórias que fiz para o Blue Planet 2, 300 quilómetros acima do Círculo Polar Árctico nos fiordes da Noruega a filmar baleias-de-bossa e orcas a alimentarem-se de arenque.

Nesta altura do ano há uma grande migração do arenque para os fiordes da Noruega e há ali mais arenques do que seres humanos no nosso planeta. É um dos grandes espectáculos da natureza. Recentemente também vim de uma expedição ao Árctico para a Netflix e já estive várias vezes nestas águas.

Mas nunca me contrataram para o Sul. Ir à Antárctica está no topo da lista de experiências que gostaria de ter. Quanto a espécies, gostava de trabalhar com a foca-leopardo, apesar de ser uma espécie que impõe algum respeito e poder ser relativamente agressiva. Esse é um dos meus grandes objectivos, mas há tantos outros.

Foto: Atlantic Ridge Productions

Ainda assim, não viajo por minha iniciativa, viajo para onde sou contratado. Depende de termos a sorte de sermos contratados para os sítios onde mais gostaríamos de ir. Mas tenho tido expedições a sítios a que eu nunca estaria à espera de ir.

Por exemplo, tenho feito algumas histórias no Médio Oriente. Ainda há uns meses vim do Qatar onde estivemos a filmar manatins; estive a filmar num dos maiores lagos do mundo em África, o lago de Tanganica, e vou lá voltar daqui a três semanas para filmar comportamentos incríveis de peixes de água doce que evoluíram de maneira diferente dos de água salgada.

Muitas vezes até são histórias que eu desconhecia completamente, são os pesquisadores destas grandes produções que as encontram e que nos dão a conhecer. Penso sinceramente que haverá sempre mais histórias por contar. Nunca chega ao fim a vontade de descobrir um pouco mais sobre a vida marinha ou sobre os nossos oceanos.

W: Como é o seu dia-a-dia, enquanto documentarista de grandes animais marinhos?

Nuno Sá: Depende muito dos anos. Tenho três filhos, mulher e dois cães, e quando estou em casa passo imenso tempo com eles porque tenho muitas saudades. É muito difícil equilibrar a minha vida pessoal com o meu trabalho, uma vez que grande parte é feito fora de Portugal.

O ano passado terá sido o mais ocupado de todos, em que passei 80% do tempo fora de casa, o que é demasiado. Mas por vezes tenho dificuldade em recusar trabalhar para grandes landmark series ou em sítios remotos a que eu adorava ir.

Devo confessar que na maioria das expedições para que sou contratado iria de bom grado de graça (risos), porque são objectivos de vida e não de carreira ou de trabalho. Mas tento não aceitar expedições com duração superior a um mês e ter sempre entre as expedições pelo menos uma semana em casa para matar saudades da família.

E em casa, muito do trabalho é preparar equipamentos para a próxima expedição, manter a forma física para estar em forma entre expedições e tratar de logística. Cada vez mais as minhas expedições dependem muito de tecnologia, muito equipamento e muitas peças que têm de ter a manutenção feita, desde o mergulho à filmagem.

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Cientistas descobrem nas Caraíbas a maior bactéria do mundo, que pode ser vista a olho nu

Por Inês Sequeira — 24 de Junho de 2022, 16:18

Baptizada de Thiomargarita magnifica, esta bactéria gigante foi encontrada pelo biólogo marinho Olivier Gros nos mangues da ilha de Guadalupe, nas Caraíbas.

Normalmente as bactérias não são visíveis sem ajuda de um microscópio, mas esse não é o caso da nova Candidatus (Ca.) Thiomargarita magnifica, a maior bactéria até hoje encontrada, que faz lembrar massa de arroz e foi descrita para a Ciência esta semana na Science.

“É 5.000 vezes maior do que a maioria das bactérias”, explica Jean-Marie Volland, um dos cientistas envolvidos, investigador no Joint Genome Institute e no Laboratory for Research in Complex Systems, na Califórnia. “É como se um ser humano encontrasse outro ser humano que fosse tão alto como o Monte Evereste.”

Um único filamento da nova bactéria, a maior até hoje descoberta. Foto: Jean-Marie Volland

A bactéria foi encontrada em 2009 por um biólogo marinho, Olivier Gros, enquanto explorava os sistemas de mangues na ilha de Guadalupe nas Caraíbas, no Oceano Pacífico, explica uma notícia publicada pelo Joint Genome Institute. Os mangues são ecossistemas costeiros em regiões tropicais e subtropicais, em locais onde rios se encontram com o mar, sobretudo junto ao Atlântico e ao Pacífico.

Gros ficou curioso ao encontrar alguns filamentos brancos na água, recolheu uma amostra e passou-a a uma investigadora da Universidade das Caraíbas, onde era professor. Foi Silvina Gonzalez-Risso, através de estudos genéticos, que ficou surpreendida ao descobrir que se tratava de bactérias.

“Não pensei que fossem bactérias porque eram tão grandes, com o que parecia serem imensos filamentos”, recorda a cientista. “Descobrimos que eram únicas porque pareciam ser uma única célula. O facto de serem um ‘macro’-micróbio foi fascinante!”

Através dos estudos realizados, a equipa percebeu que os filamentos desta bactéria gigante chegam aos 9,66 milímetros de comprimento, mas na verdade formam células gigantes e não filamentos multicelulares. Outra descoberta que fascina os cientistas é a complexidade do seu genoma, em comparação com a maioria das outras bactérias.

Sistema de mangues onde a bactéria foi encontrada. Foto: Hugo Bret

Um dos próximos passos dos investigadores é estudar o papel desta bactéria no ecossistema dos mangues, que têm um papel importante na captura de carbono. “Sabemos que está a crescer e a prosperar no topo dos sedimentos do ecossistema dos mangues das Caraíbas”, indica Jean-Marie Volland.

Outra questão é saber se a complexidade encontrada a nível genético acontece também noutras bactérias. Para encontrar respostas, a equipa tem estado a cultivar a Thiomargarita magnifica em laboratório, com sucesso.

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Que espécie é esta: sardão

Por Helena Geraldes — 24 de Junho de 2022, 12:26

A leitora Matilde Morgado fotografou este lagarto a 23 de Maio de 2021 em Lagos e quis saber qual a espécie. Guilherme Caeiro-Dias responde. 

“Na nossa quinta em Lagos, no jardim, temos avistado um réptil (sardão?). Agradecíamos identificação e mais informação”, escreveu a leitora à Wilder.

Trata-se de um sardão (Timon lepidus).

Espécie identificada por: Guilherme Caeiro-Dias, primeiro autor do estudo que elevou ao estatuto de espécie a lagartixa-lusitânica (Podarcis lusitanicus), antigo aluno de doutoramento no CIBIO-InBIO, agora a trabalhar na Universidade do Novo México, nos Estados Unidos.

“É um sardão (Timon lepidus). Apesar de ser difícil identificar pela foto, nesta região e com estas dimensões, só poderá ser um sardão”, explicou Guilherme Caeiro-Dias.

Este é “o maior e o mais robusto dos lagartos europeus”, segundo o guia Anfíbios e Répteis de Portugal. É verde com pintas escuras e ocelos azuis nos flancos. O ventre é branco ou amarelo.

Está activo da Primavera ao Outono.

Podemos vê-lo de Norte a Sul de Portugal continental mas é mais abundante nas zonas montanhosas e rochosas do Norte do país, segundo o Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal.

A espécie está em regressão por causa da destruição do habitat, fragmentação do habitat e pela actividade agro-florestal intensiva.


Agora é a sua vez.

Encontrou um animal ou planta que não sabe a que espécie pertence? Envie para o nosso email a fotografia, a data e o local. Trabalhamos com uma equipa de especialistas que o vão ajudar.

Explore a série “Que espécie é esta?” e descubra quais as espécies que já foram identificadas, com a ajuda dos especialistas.

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Que espécie é esta: lagartixa-de-dedos-denteados

Por Helena Geraldes — 24 de Junho de 2022, 12:13

A leitora Isabel Vaz fotografou este lagarto a 24 de Maio de 2020 na Mata dos Medos, Almada, e quis saber qual a espécie. Guilherme Caeiro-Dias responde. 

“Encontrei na Mata dos Medos, Almada. Por favor, podem identificar? É apenas uma lagartixa ou tem outro nome?”, perguntou a leitora à Wilder.

Trata-se de uma lagartixa-de-dedos-denteados (Acanthodactylus erythrurus).

Espécie identificada e texto por: Guilherme Caeiro-Dias, primeiro autor do estudo que elevou ao estatuto de espécie a lagartixa-lusitânica (Podarcis lusitanicus), antigo aluno de doutoramento no CIBIO-InBIO, agora a trabalhar na Universidade do Novo México, nos Estados Unidos.

É uma lagartixa-de-dedos-denteados (Acanthodactylus erythrurus).

Respondendo à pergunta da leitora, lagartixa é o nome geral que se dá a qualquer lagarto diurno de pequenas dimensões.

Em Portugal continental  existem nove espécies de lagartixas nativas.

Em particular, a lagartixa-de-dedos-denteados apresenta uma distribuição muito fragmentada em Portugal. No entanto, é comum em algumas zonas do país, como por exemplo, na zona litoral a sul do Tejo, onde a espécie apresenta uma distribuição mais ou menos continua.


Agora é a sua vez.

Encontrou um animal ou planta que não sabe a que espécie pertence? Envie para o nosso email a fotografia, a data e o local. Trabalhamos com uma equipa de especialistas que o vão ajudar.

Explore a série “Que espécie é esta?” e descubra quais as espécies que já foram identificadas, com a ajuda dos especialistas.

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O que procurar no Verão: as avencas

Por Carine Azevedo — 24 de Junho de 2022, 09:05

O verão, que já começou, é sinónimo de calor mas também de ambientes frescos para contrastar. Por isso, a botânica Carine Azevedo fala hoje da avenca, em especial da única espécie nativa de Portugal Continental.

Algumas pessoas acreditam que as avencas têm a capacidade de absorver energias negativas e espantar o mau-olhado. Segundo elas, quando isso acontece, as folhas murcham e a planta pode acabar por morrer. 

Foto: Len Worthington/WikiCommons

A verdade é que as avencas são plantas muito delicadas. Certamente já ouviu a expressão “frágil como uma avenca”, que se refere a algo que é extremamente vulnerável e que necessita de particular atenção.

A Adiantum capillus-veneris é a única avenca nativa de Portugal Continental, que também ocorre nos Arquipélagos da Madeira e dos Açores, em ambientes geralmente húmidos e sombrios.

Pteridófitas

A avenca pertence ao grupo das pteridófitas, que engloba as plantas vasculares que apresentam raízes, caules e folhas verdadeiras mas que, ao contrário das restantes plantas, em vez de sementes usam os esporos para dar origem a novos indivíduos.

A este grupo de plantas pertencem espécies que podem possuir porte herbáceo, arbustivo e até arbóreo. Algumas são bem conhecidas, como é o caso do feto-pente (Blechnum spicant subsp. spicant), do feto-dos-montes (Pteridium aquilinum subsp. aquilinum), do polipódio (Polypodium vulgare), do feto-fêmea (Athyrium filix-femina), da cavalinha (Equisetum arvense), entre outras.

Todas estas espécies são nativas em Portugal Continental, fáceis de encontrar, no subcoberto de bosques húmidos e sombrios, na fenda de pedras e rochas ou junto à margem de linhas de água.

Outras espécies conhecidas, muito comuns em jardins e outros espaços verdes em Portugal Continental, são o feto-arbóreo-da-Tasmânia (Dicksonia antarctica) e o feto-arbóreo-australiano (Cyathea cooperi). 

Quem nunca visitou o vale dos fetos na Mata Nacional do Buçaco ou nos Parques de Sintra, com notáveis coleções de fetos-arbóreos oriundos da Austrália e da Nova Zelândia? Estas espécies exóticas, embora sem registos de descontrolo das populações no Continente, possuem estatuto de espécies invasoras no arquipélago dos Açores.

Pteridaceae

A família Pteridaceae está representada por mais de 1.300 espécies, distribuídas por 33 géneros botânicos, espalhados por todo o mundo, especialmente em regiões tropicais e de clima quente.

Foto: Ziegler175/WikiCommons

Em Portugal, são seis os géneros representativos da família Pteridaceae, com 12 espécies nativas que ocorrem maioritariamente em fendas de rochas, muros e paredes, em ambientes frescos e sombrios.

O género Adiantum, a que pertence a avenca, é o segundo mais representativo desta família botânica, com cerca de duas centenas de espécies. As espécies pertencentes a este género botânico são facilmente reconhecidas pelas suas folhas, normalmente em forma de leque e pecíolos enegrecidos e brilhantes.

A avenca (Adiantum capillus-veneris) – também vulgarmente conhecida como aivenca, avenca-das-fontes, avenca-de-Montpellier, cabelo-de-Vénus, capilária, capilária-de-Montpellier ou lágrima-de-sangue – é a única espécie do género Adiantum que ocorre de forma espontânea em Portugal Continental. No arquipélago da Madeira também ocorrem as subespécies Adiantum reniforme ssp. pusillum. e Adiantum reniforme  ssp. reniforme, ambas conhecidas vulgarmente como feto-redondo.

Avenca

A avenca é uma planta perene, herbácea, que pode crescer entre 10 a 40 centímetros de altura, raramente até 60 centímetros.

É uma planta rizomatosa, com um rizoma prostrado e curto, densamente coberto revestido por escamas estreitas e por pêlos acastanhados. Forma uma touça que aumentará gradualmente de tamanho se houver espaço para se desenvolver.

As frondes, termo usado para denominar a folhagem das avencas e dos fetos no geral, surgem pendentes sobre caules finos, eretos, rijos, de cor castanha, avermelhada ou negra.

Essas frondes são delicadas e rendilhadas, mais ou menos persistentes, que podem medir até 55 cm de comprimento. São compostas por vários folíolos, são pecioladas, alternas, finas e polimorfas. Os folíolos são formados por limbos de tamanho e forma muito variável.

O limbo é geralmente glabro, de textura delicada e de cor verde-clara e pode possuir forma ovada, ovada-lanceolada ou flabelada, ou seja, limbo estreito na base e largo na parte superior – em forma de leque. A margem do limbo é ligeiramente crenada ou dentada e o pecíolo é de cor avermelhada, castanha ou negra e brilhante, geralmente menor que o limbo.

Foto: El Funcionario/WikiCommons

As estruturas reprodutoras de esporos – soros – da avenca, são visíveis agora, durante o início do verão. Estão dispostas na página inferior das folhas, ao redor da margem. Os soros são formados por grupos de esporângios, que surgem em duas a dez linhas paralelas à borda da folha, e estão cobertos por uma “aba” formada pela própria folhagem, formando um falso indúsio cartilaginoso. Os esporos são muito pequenos, globulares, triletes, granulares e quando maduros possuem um tom acastanhado.

A dispersão dos esporos ocorre após a sua maturação e é o vento o principal agente de dispersor dos mesmos que, após caírem sobre o substrato e em condições favoráveis, brotam facilmente dando origem a uma nova planta.

Espécie que ocorre em quase todo o planeta

A avenca é uma planta cosmopolita, que se distribui por todos os continentes, excepto nas regiões polares.

É comum encontrar esta planta em ambientes húmidos e sombrios, em associação com fetos e musgos, colonizando fendas de rochas e muros, fontes, cascatas e outros locais onde os níveis de humidade atmosférica são altos.

O habitat preferencial da avenca passa por locais com exposição solar muito reduzida, embora necessite de luz difusa para se desenvolver. A nível edáfico requer solos húmidos, não encharcados e bem drenados e preferencialmente com pH básico (superior a 7).

Esta planta é intolerante a baixas temperaturas e também não suporta ventos diretos e excessivos.

A avenca é mundialmente conhecida como planta ornamental, sendo muito utilizada em jardins e em projetos paisagísticos para embelezamento de espaços.

É uma excelente escolha para complementar jardins de pedra e jardins de chuva, para cobertura de solo em áreas sombrias, para canteiros e bordaduras sombreadas, para revestimento de paredes de rocha, onde a humidade está presente, em bosques, ou simplesmente em vasos, suspensos ou não, no interior das casas.

Em condições mais desfavoráveis de desenvolvimento, nomeadamente no verão, quando as temperaturas são muito elevadas e há escassez de água, a avenca pode tornar-se dormente, ficando apenas o rizoma subterrâneo ativo durante esse período mais desfavorável, retomando o desenvolvimento de frondes quando as condições favoráveis ​​retornarem.

Foto: Ana Júlia Pereira/Flora-On

Um cuidado muito particular com estas plantas, para que se mantenham saudáveis e frondosas, é o da eliminação regular das frondes secas, cortando pela base os seus caules de forma a estimular o surgimento de novos rebentos a partir do solo.

Repleta de propriedades terapêuticas

A origem etimológica do nome científico desta espécie – Adiantum capillus-veneris – está relacionada com algumas das suas propriedades terapêuticas.

O termo genérico Adiantum deriva do termo grego adianton, nome dado às espécies de avenca, formado pelo prefixo a- (sem) e o termo -diainen (molhar), que significa “não se molha”, em referência às suas folhas (frondes), que em contacto com a água não se molham – repelem a água.

O restritivo específico capillus-veneris deriva de capillus = cabelo e do genitivo de Vênus, que combinados significam “Cabelo de Vénus”. Segundo a mitologia grega e romana, quando a Deusa Vênus saiu da espuma do mar, tinha os cabelos completamente secos, referência às propriedades hidrófugas das frondes.

A avenca também tem aplicação em fitoterapia, sendo popular a sua utilização na medicina tradicional. Esta planta tem diversas propriedades terapêuticas, tais como: anti-inflamatória, depurativa, expectorante, vermífuga, antifúngica e antibacteriana.

Segundo referências etnofarmacologicas, a avenca é indicada para tratar problemas de caspa, queda e crescimento de cabelo e para favorecer a sua cor escura. Também é utilizada no tratamento de eczemas, dismenorreia, no tratamento de resfriados, tosse, catarro, e outras inflamações das vias respiratórias, nomeadamente bronquite, laringite, faringite e asma.

Como acontece com qualquer planta que possua propriedades medicinais, é importante reter que a avenca não substitui o aconselhamento e acompanhamento médico.

Durante centenas de anos, estas plantas foram vistas como plantas enigmáticas, sobretudo pelo facto de não produzirem flores e não formarem sementes. Era enorme o mistério que as envolvia e, talvez por isso, ainda hoje carregam a fama de espantar o mau-olhado.

Esta planta elegante, de aspeto sensível, delicado e irregular, é perfeita para dar aquele charme e leveza aos espaços. Fica bem em qualquer jardim, ou até no interior de uma casa, desde que sejam atendidas as suas principais necessidades: calor, humidade e luz difusa. 

E energia positiva. 


Dicionário informal do mundo vegetal:

Perene – planta que tem um ciclo de vida longo e que viver três ou mais anos. Herbácea – planta de consistência não lenhosa e verde.

Rizomatosa – planta cujo caule é subterrâneo (rizoma).

Rizoma – caule subterrâneo, que cresce geralmente na horizontal, com aspeto de raiz, composto de escamas e gemas, como se de um caule aéreo se trata-se.

Touça – parte da planta que compreende a base do caule e da raiz).

Fronde – Folhas típicas dos fetos e de outras plantas (ex. palmeiras).

Folíolo – cada uma das partes em que o limbo, de uma folha composta ou recomposta, se divide.

Peciolada – provida de pecíolo – “pé” da folha que liga o limbo ao caule.

Alterna – folha que ao longo do caule se insere de forma alternada, uma em cada nó.

Polimorfa – órgão que se apresenta sob formas diferentes, numa mesma planta.

Limbo – parte larga de uma folha normal.

Glabra – sem pelos.

Ovada – folha com a forma de um ovo mais larga perto da base.

Ovada-lanceolada – folha com base atenuada e à medida que chega ao ápice vai ficando com forma oval.

Flabelada – folha em forma de leque.

Crenada – margem com recortes arredondados.

Esporo – célula reprodutora de algumas plantas, como por exemplo os fetos, que dão origem ao protalo – indivíduo de corpo simples, sem estrutura vascular, formado a partir da germinação do esporo e que ocorre em plantas que não produzem semente.

Soro – Agregados densos de esporângios.

Esporângio – Estrutura membranosa ou cápsula em forma de saco, onde se formam e se armazenam os esporos.

Indúsio – formação, geralmente laminar, que protege e cobre os soros de certos fetos.

Trilete – esporos com forma triangular.


Todas as semanas, Carine Azevedo dá-lhe a conhecer uma nova planta para descobrir em Portugal. Encontre aqui os outros artigos desta autora.

Carine Azevedo é Mestre em Biodiversidade e Biotecnologia Vegetal, com Licenciatura em Engenharia dos Recursos Florestais. Faz consultoria na gestão de património vegetal ao nível da reabilitação, conservação e segurança de espécies vegetais e de avaliação fitossanitária e de risco. Dedica-se também à comunicação de ciência para partilhar os pormenores fantásticos da vida das plantas. 

Para acções de consultoria, pode contactá-la no mail carinea.azevedo@gmail.com. E pode segui-la também no Instagram.

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