Noticias em eLiteracias

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Revisitando Maria Montessori

Por Miguel Horta — 1 de Outubro de 2021, 21:55

Ao tentar ensinar (ainda sem sucesso) uma criança do ensino básico a dar um laço nos sapatos, lembrei-me dos exercícios de abotoar e desabotoar de Maria Montessori, feitos em cartão, onde as crianças podiam treinar a destreza das mãos. Fiz, então, um pequeno modelo igualmente em cartão para que ela experimentasse a tarefa, já depois de lhe ter dado um dos seus futuros sapatos, que mesmo pousado no colo não contribuiu para que vencesse essa dificuldade. A motricidade fina e a mobilidade manual são campos onde devemos trabalhar a destreza e a coordenação visomotora pois são ferramentas essenciais para a expressão futura dos nossos pequenos Homo Faber. Também nos livros encontramos edições que ajudam a criança a desenvolver este conjunto de competências; veja-se o “Tirar e Por” de Lucie Felix (Orfeu Mini ISBN:9789898327536)e o “Voa” de Xavier Deneux (Edicare ISBN: 9789896794774).


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Contando em Valongo

Por Miguel Horta — 29 de Setembro de 2021, 22:14

Rumei ao Norte por causa dos contos. Agora dou-vos conta, neste blogue, de uma bela sessão de conto que fiz a meias com o Thomas Bakk no ENTREtanto Teatro, em Valongo, durante a “XXIV Mostra Internacional de Teatro”. Fomos muito bem tratados pela equipa do teatro (obrigado Júnior Sampaio!) e estivemos na boa companhia de outros companheiros/as da Narração. Aqui fica uma pose com o Thomas, para a posteridade... 



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Rio de Contos adiado

Por Miguel Horta — 11 de Setembro de 2021, 08:53

Este Rio de Contos, por luto nacional, cumprindo indicações oficiais, via Câmara Municipal de Almada, conforme indicação da Presidência da República, foi adiado para data a anunciar. Pedimos desculpa por este adiamento, e esperamos por vós nesse dia, que anunciaremos em breve.

Como Jorge Sampaio, não somos de desistir.
Agradecemos a compreensão.
Laredo Associação Cultural

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Programa RIO de CONTOS 2011

Por Miguel Horta — 6 de Setembro de 2021, 16:37


 

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2ª Edição do livro "Rimas Salgadas"

Por Miguel Horta — 22 de Agosto de 2021, 18:59

Acaba de sair a 2ª edição do meu livro “Rimas Salgadas” (Plano Nacional de Leitura). Podem calcular o meu contentamento... Neste dia relembro o meu primo José Filipe Mira Nunes, o Professor Mário Ruivo que juntamente com Rui Grácio protagonizaram uma fantástica apresentação do livro em 2015. Na memória, também António da Glória, companheiro de pesca e sábio do Mar. Não pode faltar, igualmente, um abraço salgado à minha amiga Ana Pêgo.

Relembro a todos os interessados que podem pedir-me o livro que enviarei de seguida. Ao longo deste ano letivo estou disponível para ir a Escolas, Bibliotecas Escolares e Leitura Pública, bem como Bibliotecas comunitárias e Barcos. Divirto-me imenso nestes encontros com os leitores, jovens e todos os outros, que queiram saber mais sobre o nossas espécies e águas. Ah... As ilustrações podem ir junto...Perguntem-me.



A Laredo Associação Cultural também tem disponível um conjunto de oficinas pedagógicas ligadas ao nosso mar, que se cruzam com este livro.

Para contacto: horta700@gmail.com  


 

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Caça-Texturas em Constância - Um registo vídeo

Por Miguel Horta — 20 de Agosto de 2021, 18:20
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Penamacontos

Por Miguel Horta — 20 de Agosto de 2021, 16:37

Penamacontos

Um encontro de narração oral

esperamos que perdure

levando histórias ao interior do País


A narradora (e escritora) Rosa Gonçalves (lembram-se dos “Contos d'algibeira”?) convidou-me para esta primeira edição do Penamacontos, um encontro de narração oral que promete vir a mexer Penamacor. Foi um fim de semana de canícula atmosférica e calor humano nos lugares por onde passei. A sessão de contos teve lugar no lar da Senhora do Incenso nos arredores da Vila. Protegidos da temperatura exterior, um grupo de gente mais velha escutou as nossas histórias. Bem, alguns estavam mais adormecidos, mas os outros participaram bem no nosso encontro. Gosto sempre de cantar uma modinha e o resultado foi a resposta que escutei – um fadinho de quadras singelas. Como insistiam em cantar o fado, entremeei a as tiradas das duas mulheres com quadras cantadas de António Aleixo, variando o tema de acordo com o conteúdo que elas iam desfiando. Pelo meio contei algumas histórias curtinhas. A Rosa levou o adufe e lá fizemos algumas brincadeiras em conjunto. Gostei muito do trato das funcionárias do lar; a comunicação e afeto com os idosos é muito boa, para além de terem sido muito afáveis connosco. É muito importante que o Município apoie este encontro; são eventos como este que, aos poucos, dão visibilidade ao interior e fazem acontecer com a população momentos de riqueza humana. Um cheiro de figueira prenhe chegava pela varanda. Perguntei se poderia levar alguns figos comigo e lá fomos cumprimentar as árvores do Lar; com a ajuda da Rosa e do Batiste (músico dos “Poémios”), rapidamente enchemos um saco. Senti-me um Djidiu (Griot – contador de histórias e tocador de kora) que, tradicionalmente na Guiné Bissau, recebe como paga simbólica pelo seu trabalho um balaio de djakatu (legume guineense); pois aqui em Penamacor recebi uns belos figos...

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Caçando texturas em Constância

Por Miguel Horta — 18 de Agosto de 2021, 16:36

 

Ter um Presidente de Câmara a acompanhar a oficina Caça-Texturas (uma iniciativa dos “Caminhos" – Programação cultural da Rede intermunicipal do Médio Tejo/CIM), não é todos os dias... Pois, assim foi em Constância, tivemos a companhia do autarca Sérgio Oliveira numa sessão discreta, com pouca gente, quase familiar. Lá fomos pela vila, sempre com apoio do Bibliotecário Nuno Ferreira, riscando aqui, tateando acolá e, sobretudo, com tempo para conversar. Constância é muito bonita, tranquila - um potencial de oportunidades, para além do turismo de habitação. Uma estrela do médio Tejo.

Próxima “caçada” às Texturas em Ourém 24 e 25 de Setembro

Foi assim na Sertã

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Centenário do nascimento de Matilde Rosa Araújo

Por Miguel Horta — 26 de Julho de 2021, 11:56




Cortar


Cortaram uma árvore

E a terra chorou


Cortaram outra árvore

E a terra chorou


E tantas árvores mais…


E a terra chorou

Chorar tanto também cansa

Quem pode enxugar as lágrimas

Da terra cansada?


Nem as mãos de uma criança…



Matilde Rosa Araújo in "As Fadas Verdes" 


Muito mais, Aqui

Em cima: Pintura de Miguel Horta 2011, (exposição "Troncos e marés")!

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Não há fumo sem fogo

Por Miguel Horta — 24 de Julho de 2021, 12:02

 


“Portugal Chama”. Muita atenção com os fogos, este verão. Com tanto confinamento a ignição é fácil... Cuidado com as contos e leituras inflamáveis. Perguntem a Lídia o que lhe aconteceu lá para os lados da Felgueira. Atenção, moças e moços ... todo o cuidado é pouco!

Ora aqui fica mais o conto “Não há fumo sem fogo” (ver “Dacoli e Dacolá”- Grácio Editor – Plano Nacional de Leitura) gravado para o programa “Quem conta um conto” (Mário Romão RTP África).

Pedidos para o livro "Dacoli e Dacolá", que contém contos que costumo narrar - horta700@gmail.com 

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Sertã: Uma pausa na oficina Caça-Texturas

Por Miguel Horta — 23 de Julho de 2021, 14:20
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Abriu a temporada de "Caça" às texturas!

Por Miguel Horta — 23 de Julho de 2021, 13:09


16 e 17 de Julho 2021

Tiveram lugar na vila da Sertã

as primeiras quatro oficinas do “Caça-Texturas”

incluídas no programa “Caminho das Pessoas”

promovido pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo

Foram dois dias muito quentes passados na Sertã; não me refiro apenas ao clima, mas também ao calor da hospitalidade de que desfrutei. De qualquer forma, tivemos de alterar o percurso para zonas de sombra, para que a “caçada” decorresse confortavelmente. Esta oficina, que continua a fazer estrada ao logo dos últimos 18 anos, aborda os espaços urbanos como matéria para o seu desenvolvimento. Pequenos grupos de “caçadores artistas” percorrem as ruas, praças, jardins, lojas, lugares de património, à procura de diferentes texturas que se podem encontrar um pouco por todo o lado; constroem-se coleções de texturas de vários tamanhos em papeis de formatos variados. Usamos lápis de cera e grafites gordos para fazer essa recoleção, guardada sobre papel. Ao longo do percurso, promovemos o trabalho em tandem (par/bicicleta de dois lugares) e também em grande grupo, propondo métodos colaborativos para se obter um belo e grande resultado artístico. À medida que a caminhada de faz pela vila ou cidade, o olhar apura-se, identificando detalhes que passam desapercebidos no quotidiano; ficamos a entender que existe, mesmo, uma diferença entre olhar e ver... Esta oficina é naturalmente inclusiva e transversal nas idades e origens dos públicos. 


Contei com o apoio e o profissionalismo de Dora Vitória, Mediadora Cultural e Turística (Casa da Cultura da Sertã), que coordenou e desenvolveu comigo esta oficina, não perdendo a oportunidade para referir e explicar alguns pontos de grande interesse pelos quais passámos, e sempre carregada com papel e lápis, acorrendo aos pedidos das crianças e professores... No primeiro dia, contámos com a presença das crianças, professores e monitores da oferta de férias promovida localmente. Um menino especial chamou-me a atenção: foi um gosto vê-lo a cooperar com o seu par e participando com empenho ao longo do caminho. O Sábado de manhã foi dedicado às famílias, e lá andámos pela zona das lojas, rente à ribeira, caçando texturas dentro de lojas e nas ruas ruas. No final montou-se uma exposição num pequeno jardim à beira-rio. Como despedida, ainda contei uma história à sombra das folhas de papel e das árvores. Da parte da tarde, foi a vez dos escuteiros – tivemos de andar pela sombra durante a nossa recolha – terminámos na sede do CNE com uma pequena exposição dos trabalhos.

Terminei os meus dias na Sertã com uma visita à bela exposição dos pássaros de Maurício Leite; acabei por ficar com um belo catálogo/livro cheio de aves e poemas (selecionados por uma equipa ilustre...). Valeu! (como se diz no Brasil).

O Caça-Texturas apresenta-se, de novo, a 7 de Agosto em Constância.




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Auxiliares de Infância e Mediação Leitora

Por Miguel Horta — 15 de Julho de 2021, 08:49

Auxiliar de Educação mediando o livro 
"Oficinas improváveis" - Torres Vedras

Forte da Casa, Julho 2021

Auxiliares de Infância e Mediação Leitora

Ana, aluna do curso Profissional de Técnico de Apoio à Infância da Secundária do Forte da Casa, escolheu como tema para a sua Prova de Aptidão Profissional “A promoção do livro e da leitura na faixa etária dos 4 aos 6 anos, do ponto de vista do Auxiliar de infância”. Bem arrojado... Gerou, rapidamente, uma catadupa de reflexões sobre o tema e o ponto de vista.

Ana pertence a uma turma do 12ºano que acompanhamos há 3 anos no Projeto Ler+ 14/20 Forte da Casa (PNL2027). Faz parte de um trabalho alargado de docentes e mediadores da Laredo Associação Cultural que envolve diretamente 3 turmas, com reflexos noutros alunos e em professores de diversas áreas. Uma parceria do Agrupamento de Escolas do Forte da Casa com a Laredo e o Município de Vila Franca de Xira -Casa da Juventude do Forte da Casa e Biblioteca Municipal da Quinta da Piedade – com o acompanhamento da Rede de Bibliotecas Escolares, num projeto a decorrer entre 2018 e 2020, apoiado peloPlano Nacional de Leitura (PNL2027 Movimento 14/20 Ler+).

Mas que posso dizer a uma futura Auxiliar de Infância?

A condição profissional

Logo à partida é importante refletir sobre o estatuto destes profissionais, designados como assistentes operacionais por conveniência datutela e imposição de legislação de 2008, mas cuja atividade transcende largamente o limite de tais palavras. Com a extinção da categoria profissional de Auxiliar de Educação, acentuou-se a tendência para o esvaziamento pedagógico das funções, sendo esquecida a necessidade de formação, quer no momento do recrutamento quer ao longo da carreira, destes profissionais, maioritariamente mulheres, agora dependentes da gestão autárquica. Poderemos mencionar aqui o valor da presença de auxiliares, prestando serviços de qualidade, por exemplo, em Bibliotecas Escolares – catalogando, apoiando em geral as atividades e assegurando o balcão ativo - , em Equipamentos desportivos e de lazer, ou na área da Educação Inclusiva (possuindo um conhecimento especializado por exigência das funções). Muitas vezes são o garante da continuidade, dada a volatilidade na colocação dos docentes. O seu lugar na relação das famílias com a escola é importante, fazendo o acolhimento das crianças e cuidando delas ao longo do seu dia escolar; este papel é bastante significativo na educação inclusiva onde se tornam adultos de referência, abrindo um campo de possibilidades para a tarefa educativa. Sublinhamos, assim, a importância de se apostar na valorização profissional dos Auxiliares, sabendo que esta capacitação terá reflexos no futuro, contribuindo para uma escola mais humana e maior qualidade educativa, nomeadamente na área da leitura, da escrita e da literacia. Um profissional da infância que lê, e lê bem, apresenta melhor o mundo aos meninos e às meninas do Jardim de infância.

Mediando o livro com aluno da Educação Inclusiva
"Alto Minho a Ler" - CIM Alto Minho/Laredo

Emerge um leitor...

A educação não é tarefa exclusiva dos docentes. O Auxiliar de Educação de Infância pode e deve seduzir para a leitura, adotando uma postura ativa e atenta em todo o processo educativo. Pode trabalhar o livro, pode contar histórias em qualquer lugar da escola, colaborando de modo precioso com os docentes. Ao estabelecer uma relação justa e serena com a criança, estará a criar um vínculo significativo, fértil em aprendizagens e afetos, abrindo campo para o livro. Quando existe um espaço de relação entre Educador de Infância e Assistente (ou Auxiliar), dá-se a partilha natural de objetivos de trabalho e metodologias. Educador de infância e Auxiliar podem formar um tandem, gerando dinâmica, descobertas e alegria educativa. Nestas condições ideais, a Mediação Leitoratem lugar intuitivamente; flui da comunicação com a criança para o livro e regressa ao aluno com novas palavras, sentidos e algumas interrogações. O conto, as dramatizações, a leitura expressiva (em voz alta), o trabalho com livros de imagem (álbuns), o contacto com o ambiente digital, o cinema e outros recursos presentes na Biblioteca Escolar, contribuem para o nascimento de um leitor. A biblioteca escolar e/ou o cantinho de leitura da sala do jardim de infância são parceiros fundamentais neste trabalho com os Leitores Emergentes - a casa dos livros deverá ser um lugar de magia contagiante. O labor em torno da Competência da Palavraprepara futuros leitores. Quando o/a educador/a ou o/a auxiliar trabalham a linguagem com as crianças, aumentando o vocabulário, promovendo a articulação correta das palavras (aprofundando níveis linguísticos), estão a criar condições para a leitura; mais ainda, se estabelecerem pontes entre a oralidade e a escrita. Quando uma criança repete e pede para repetir uma história, ela está a gerar autoconfiança e a criar a Antecipação Leitora, capacidade que vai sendo desenvolvida ao longo da sua vida de leitor e ouvinte de histórias. A criança antecipa um significado para os sinais escritos e confere se as suas ideias estão certas a partir daqueles que lhe são familiares. No Pré-escolar, já descobriram os símbolos pictográficos, começam a entender bem os grafismos do alfabeto, estão aptas para começar uma atividade leitora – o Auxiliar está lá, no meio deste processo, e pode facilitar e promover descobertas, apresentando novos livros. Tudo isto deverá ser feito de forma natural e informal, deixando que as crianças construam os seus próprios atalhos para o conhecimento.


Relativamente à linguagem escrita, verifica-se uma evolução grande, não só na maneira de representar, como na vontade de aprender as letras. Nesta fase do desenvolvimento dos Pré-Leitores, nota-se a influência de um ambiente familiar favorável. Alguns pais consideram que a estimulação da leitura é tarefa da escola e não deles, desconhecendo o seu papel determinante, muito antes da fase de aprendizagem escolar. É fundamental trazer os pais para a leitura – um Pai que lê (nem que seja o jornal) ou valoriza a existência de livros, estará a criar um filho leitor. As Mães devem ter consciência do significado profundo da expressão Língua Materna –elas são fundamentais na construção linguística e no estabelecimento de um padrão base de comunicação. No seu contacto com os pais o/a Auxiliar pode contribuir para uma mudança de atitude e fomentar a utilização do livro e dos contosno seio da família. 
Quando os alunos chegam ao 1º ciclo, facilmente percebemos se tiveram um jardim de infância leitor; sentimos que levam consigo uma preparação que lhes facilita a aquisição de competências de leitura. Uma atenção especial deve ser dada aos alunos de meios socioculturais pobres e, ou, iletrados, que raramente contactam com o livro. Deverá ser adotada uma estratégia específica no trabalho com a diversidade funcional (Ensino Inclusivo).

"Oficinas improváveis" 
 Tudo se faz, e bem, se houver quem o faça, e bem. E   nunca é obra de uma pessoa só, resulta sempre de     trabalho em equipa. É importante que exista uma equipa   coesa, fruto de uma relação justa e equilibrada entre   docentes e auxiliares de educação, combinando entre si   estratégias e objetivos comuns de mediação leitora   num  Processo ColaborativoHoje, todo o "profissional   de educação", no caso particular, o/a Educador/a de   Infância e o/a Auxiliar de Educação de Infância, deve dar   importância ao ato de ler, porque a leitura permite a   construção de sentidos que vão muito para além do   domínio linguístico; as competências de leitura e escrita   são estruturantes de outras aprendizagens, são   determinantes no conhecimento que se adquire sobre o   mundo e contribuem para formar pessoas autónomas e   interventivas.



Miguel Horta

Maria José Vitorino (colaboração)


#ler+1420forte  #pnl2027movimento14/20  #agrupamentodeescolasfortedacasa #laredoassociaçãocultural2021  #bibliotecas

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7 Falares - Pontevedra

Por Miguel Horta — 7 de Julho de 2021, 16:57

Numa cidade de grande qualidade urbana e humana,

pouco amiga de automóveis, 

e com um grande trabalho de conservação do património habitacional,

teve lugar mais um 7 falares, 

Festival Internacional de Narração Oral.

Participar no festival de narração oral “7 Falares” (Pontevedra, Galiza) foi uma experiência muito gratificante, intensa mas descontraída. E que grande escuta tem este público Galego!... A companhia não poderia ter sido melhor; com a nossa pequena equipa viajou também o António Fontinha que encantou todos quanto acorreram às duas praças que receberam o festival: a Alameda de Pontevedra e a praça da Pedreira. O António esteve no seu melhor, com a clareza habitual, o lado informativo (sempre fornece pistas sobre o que vai contar) e uma enorme capacidade narrativa, convocando imagens que nunca mais esquecemos. Conseguem visualizar um lobo esfaimado sentado nas patas traseiras, escutando uma missa cantada por um rebanho de ovelhas? 

Pelo meu lado, sinto que o melhor dia foi o segundo (sábado 26 de junho), contei em conjunto com Eugenia Manzanera na bela praça da Pedreira, com boa acústica e acolhedora, apesar do frio que foi chegando do mar. Nessa tarde, testemunhámos um momento comovente, o António subiu ao palco de garrafa de bagaço na mão e um copo, lembrou que era o aniversário da morte de Xavier Docampo, ergueu o copo num brinde ao narrador ausente, depois encheu de novo o copito e espalhou a aguardente pelo palco, depois seguiu contando. Neste fim de semana de contos, participaram,também, Martha Escudero e Soledad Felloza, minha companheira de contos no Mindelact (Mindelo – Cabo Verde) – que bom revê-la. Também foi um prazer voltar a conviver com o Harold Iglesias e a Paz Pereiro, boa gente da Galiza que conheci no contexto formativo, a convite da Rede de Biblioteca Escolares da Galiza. A organização dos Pavis Pavós foi muito profissional e dando-nos muito afeto – trataram-nos tão bem... Muito obrigado amigos, longa vida para os 7 falares!


25, 26 e 27 de Junho de 2021

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Oficina improvável em Campelos

Por Miguel Horta — 2 de Julho de 2021, 10:11

 

Explicando ao grupo a forma de trabalhar um desenho bem grande

Hoje foi dia de Oficina Improvávelna Biblioteca Escolar da EB Campelos, uma iniciativa (em continuidade) da Biblioteca Municipal de Torres Vedras para alunos do ensino inclusivo e turmas alargadas. Esta proposta é simultaneamente um momento de capacitação dos professores de educação inclusiva deixando pistas para a prática educativa. A prática escolhida foi o Eu sou Tu, uma oficina onde se parte do corpo chegar à construção coletiva de histórias. Como misturar o meu corpo com o teu e com o dele? Claro, que só em grandes folhas de papel de cenário, recortando com um grafite grosso o nosso contorno, somando tudo no suporte. Tudo pode acontecer sobre uma grande folha de papel, de repente transformada no céu, no mar ou num cenário quotidiano onde as nossas personagens de repente ganham vida. Ao longo de 90 minutos aprendemos a trabalhar em conjunto, grupos de 5 elementos, criando pequenas histórias ilustradas em grande formato.Esta proposta, que parte do corpo real de cada um e cada uma, contribui para o desenvolvimento corporal/motricidade, numa estratégia lúdica e envolvente, que promove a cooperação, a escrita criativa, o grafismo e a expressão plástica. (da sinopse)


Trabalhei com um grupo misto do Ensino Básico. Antes de começarmos a desenhar, fizemos um grande círculo e propus algumas brincadeiras sonoras como corpo, para acordarmos as ideias. Esta simples “brincadeira” permite identificar rapidamente algumas dificuldades de coordenação motora e comportamento no contexto de grupo. As crianças sinalizadas vinham acompanhadas pelos seus colegas tutores – todos trabalharam concentrados durante todo o tempo da oficina(!). Foi bom contar com a ajuda e participação ativa da Professora Bibliotecária Marta Rodrigues, com Goretti Cascalheira coordenadora da Biblioteca Municipal e com a assistente da biblioteca Sara Pereira, no desenvolvimento do trabalho dos pequenos grupos que se constituíram para criar as personagens coletivas. De repente escutei um comentário de uma das alunas -”Usámos o nosso corpo para fazer este desenho...” O desenho final, a personagem não é minha nem tua – é nossa; ela é o somatório de diferentes partes do corpo, contando uma história coletiva que pode ser aprimorada depois de terminada a oficina. Os dois grandes painéis de papel ficaram incompletos à espera de um novo momento para serem terminados, agora na vertical, numa parede próxima da Biblioteca Escolar.

Lançando a primeira proposta de texto.
Daqui para a frente, entendendo o funcionamento dos balões de banda desenhada e as legendas,
 o grupo seguirá autónomo, acompanhado pela equipa docente.


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Caminhos de Leitura 2021

Por Miguel Horta — 20 de Junho de 2021, 23:51

A convite da Sónia Fernandes, estive nos Caminhos de Leitura em Pombal e na Web, no dia 12 de junho, moderando uma bela conversa no Auditório Municipal, com a Margarida Botelho, Paulo Condessa e Jorge Serafim. Três mediadores da leitura e das artes de primeira qualidade. A amizade e o longo percurso criativo e comunicativo destas fantásticas personagens, tornou o diálogo escorreito e o leque de assuntos abordado variado, sendo o enfoque na mediação leitora. Ao longo dos tempos, a Biblioteca Municipal de Pombal e o território do Concelho sempre foram lugar de trabalho e experimentação de novas formas de mediar o livro e a leitura, abrindo outros caminhos para a comunicação com os públicos. Obrigado Sónia por nos passares essa energia criadora. Uma palavra, também, para a Ana Maria Cabral (atual vereadora da cultura) pelos desafios que me tem lançado e que se tem cruzado connosco aos longo dos Caminhos.

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O anel da "Caganita"

Por Miguel Horta — 16 de Junho de 2021, 09:46



 Quando escutei pela primeira vez esta versão da história "o anel" (tradição oral portuguesa, ilha do Pico) trabalhada pela Maria João Silvestre (Mafra), não resisti e apropriei-me dela, acrescentando ao vivo uma bela quantidade de disparates que levam ao riso das crianças e dos adultos - E como isso sabe bem... Obrigado João!

Agradeço, mais uma vez, ao Mário Romão  e à minha amiga e companheira dos contos Ana Sofia Paiva, a possibilidade deste registo, que foi emitido pela RTP África no programa "Quem conta um conto". Boa escuta! 

Registo, aqui: https://www.rtp.pt/play/p7330/e485139/quem-conta-um-conto


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Forte da Casa: construindo vídeo-poemas

Por Miguel Horta — 10 de Junho de 2021, 16:18

 


Sentimos que vale a pena,

nota-se nos alunos.

Importa garantir

a continuidade da ideia,

sejamos afoitos.


Com umas belas ilustrações
de António Modesto
Teve lugar no dia de ontem a última sessão de trabalho (presencial) com os jovens da turma do 11º PTAI do
Movimento 14-20 Ler+ (PNL)Biblioteca Escolar da Secundária do Forte da Casa. Esta sessão poderia bem ter decorrido na Biblioteca da Quinta da Piedade ou na Casa da Juventude do Forte da Casa, parceiros do projeto, não fosse a confusão lançada pela pandemia ao longo deste ano letivo. A sessão foi longa e produtiva, contando com a presença de dois alunos de Multimédia que fizeram o registo em vídeo das duas performances criadas a partir das poesias que Fernando Pessoa escreveu para a sua sobrinha: o “Poema Pial” e “Pia, pia”. Depois de montados e editados, ficaremos com dois vídeo-poemas para divulgar através dos nossos canais de comunicação. (Assim fizemos a ponte entre o programa e este conjunto de poemas que os jovens desconheciam) A equipa de adultos foi composta por mim, pela Isabel Aleixo e pela Conceção Pimenta. Ao longo dos dois tempos, os jovens trabalharam disponíveis e autónomos, de tal maneira que, no final, nos apresentaram uma proposta de performance para o poema “O comboio descendente”; conseguiram organizar-se, naturalmente. Ao longo deste ano não tivemos possibilidade de trabalhar o corpo e o movimento com estes jovens, ainda muito presos pelo confinamento. No final, em circulo no chão da sala polivalente, fizemos uma pequena avaliação do trabalho; os alunos referiram que estavam mais soltos, que tinham menos dificuldade de falar em público. Ainda conversámos um pedacinho sobre o trabalho a desenvolver no próximo ano, de leitura e mediação do livro junto das crianças e entre pares. Todos eles afirmaram que não tinham receio em trabalhar com as crianças. Muito bem, PTAI – vamos a isso!
No final, ao fechar da porta, os três mediadores abraçaram-se; ficamos cheios por dentro quando as coisas nos correm bem, gostamos de Educação e dos jovens com quem trabalhamos.


Avaliação
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Conto "O poço"

Por Miguel Horta — 3 de Junho de 2021, 19:51


Quando cheguei a Cabo Verde em 1980, a rádio nacional passava com frequência a canção “
Sema Lopi”, deixando ficar no ar uma atmosfera de doce tristeza, num tema autobiográfico que aborda também a condição da mulher rural cabo-verdiana (interior) e a dureza do trabalho no campo. Reza assim o pedacinho da letra: "Quem pare um macho, pare um cordão de ouro, quem pare fêmea pare a levada, quem pare macho é para servir o rei, quem pare fêmea é para servir o mundo". Esta canção acompanhou o meu olhar enquanto percorria algumas ilhas do País, fustigadas pela seca. Foi nessa altura que nasceu um profundo respeito pela resiliência crioula e passei a entender melhor a imigração e a cultura daquelas ilhas. Regressado a Portugal com a canção ainda a bailar na minha cabeça, acabei por pintar um conjunto de obras a que chamei “Pinturas de uma viagem a Cabo Verde". Eis porque escolhi este tema como apontamento no início do conto “O poço”. Ouvi muitas vezes o Lalaxu(Horácio Santos) falar de superstições e crenças sobre a morte na tradição oral cabo-verdiana, recheada de histórias de “Finadu”, muitas vezes acompanhando preceitos tradicionais para com a Morte na cultura das ilhas: a “Finason” ou o levar água e comida ao morto durante 7 dias (…). Resolvi contar a partir da crença de que à volta de fontes e poços há sempre muitas entidades, neste caso, almas do outro mundo que se sentam em torno do poço em amena cavaqueira. Germano Almeida menciona esta mesma crença, associando-a à tradição oral da Boavista, num conto publicado na antologia “Tchuba na desert”. Agradeço, mais uma vez, ao Mário Romão(RTP África) e à minha amiga e companheira dos contos Ana Sofia Paiva, a possibilidade deste registo de temática Africana. Boa escuta! 

Conto: https://www.rtp.pt/play/p7330/e485897/quem-conta-um-conto

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Bibliotecas Escolares do Forte da Casa: Pim, Pam, Pum!

Por Miguel Horta — 3 de Junho de 2021, 18:07

 

Já aqui vos falei das lengalengas, trava línguas tradicionais ou pequenos jogos cantados da tradição oral portuguesa, e da possibilidade que abrem para diversas aprendizagens, como por exemplo o “Pico pico sarapico”, trabalhando a motricidade fina (mobilidade dos dedos) a matemática, o ritmo ou a “Linda falua” que para além do ritmo trabalha a evolução do corpo pelo espaço (coreografia) e o raciocínio sequencial. Vem isto a propósito dos cursos PTAI do Agrupamento de Escolas do Forte da Casa onde a Laredo Associação Cultural tem vindo a intervir, no contexto da Biblioteca Escolar (Movimento 14-20Ler+ Plano Nacional de Leitura), com estes alunos do secundário (3 turmas), divulgando metodologias não formais que aproximam estes jovens da leitura da escrita e da arte. Sentimos que o período de confinamento conteve também estes alunos na expressão do corpo e movimento. Ora para futuros auxiliares da tarefa educativa convêm saber usar o corpo, primeira ferramenta para qualquer mediação cultural. Se pegarmos nestas lengalengas e jogos musicais para a infância e se propusermos uma abordagem contemporânea da sua expressão em momentos de aprendizagem não formal, com música, espaço e liberdade, veremos estes amigos a reflorir. O “Pico pico” no ritmo da batida do Hip Pop é muito divertido, a “Linda falua” com outras evoluções pelo espaço, movendo os corpos, tornam esta “matéria” divertida, abrindo a apetência para outras aprendizagens. E os exemplos não ficam por aqui, basta estar atento e incorporar na matéria educativa, de forma livre e imaginativa, peças do nosso “cancioneiro”. Apetece-me referir, com um exemplo da minha geração, a banda Kussumdulola que se se divertiu bastante ao apropriar-se de uma destas lengalengas da nossa tradição oral, para passar uma mensagem muito séria – ora escutem.

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Ser capaz de ler o Mundo...

Por Miguel Horta — 26 de Maio de 2021, 09:47

O ano passado, a revista Leitura, editada na cidade da Praia pela Livraria Pedro Cardoso, pediu-me um artigo sobre Mediação do Livro e da Leitura. Na altura o amigo José Rodrigues recomendou-me que escrevesse um texto acessível, para um público que não está habituado a contactar com este tema. Finalmente, em Janeiro, a revista saiu e o artigo apareceu em duas páginas bem paginadas por Inês Ramos (uma grande impulsionadora do livro em Cabo Verde). Aqui fica o texto que que pretendi formativo.




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Dá-me juízo no dia de África!...

Por Miguel Horta — 25 de Maio de 2021, 09:49

(Fotograma)
Entrei em África pelo "Porton di nos ilha", Cabo Verde. Para assinalar este dia, escolhi, para partilhar convosco, não um conto, mas sim uma oralidade criada durante o Mindelact em S. Vicente, Cabo Verde em Novembro de 2018. Neste dia, lembramos também Lalaxu (Horácio Santos), mestre contador de histórias, que muito me marcou, deixando ficar saudades imensas entre os amigos e companheiros da narração oral. Este registo do meu trabalho também foi feito por uma pessoa muito singular, o realizador Mário Romão, que no programa "Quem conta um conto?" (RTP África) reuniu uma mão cheia de contadores com reportório Africano (uma aventura em que a minha querida amiga Ana Sofia Paiva me meteu ;) ).

Para visionar: https://www.rtp.pt/play/p7330/e480434/quem-conta-um-conto

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Biblioteca Escolar do AE Forte da Casa: Construindo uma performance

Por Miguel Horta — 24 de Maio de 2021, 23:58
Ensaiando o "Pia, Pia,Pia"

De facto a pandemia perturbou profundamente o trabalho com os alunos do projeto do Movimento 14-20Ler+ PNLBibliotecas Escolares do Agrupamento de Escolas do Forte da Casa. Foi preciso retomar uma comunicação de qualidade com os jovens, propor alguma descontração, trabalhar com o corpo e com a voz antes de começar a construir uma interpretação criativa dos poemas para a infância (para a sobrinha) de Fernando Pessoa1. Começámos por desarrumar a sala, abrindo uma clareira onde pudéssemos experimentar algum movimento. Boa parte da sessão com a turma do 11ºPTAI (ensino profissional – técnicos de apoio à infância) foi ocupada com dinâmicas de corpo e voz; depois deste aquecimento passei à proposta de performance lendo dois poemas, o “Pia, Pia, Pia” e o “Poema Pial”. Conseguimos construir duas brincadeiras simples que, depois de bem ensaiadas, darão dois belos vídeo-poemas. Mal posso esperar pela próxima sessão. Encerrei os trabalhos lendo o poema “Comboio descendente” de três maneiras diferentes (uma delas cantada), exemplificando as diferentes possibilidades que o texto poético oferece. No final, espontaneamente, os alunos aplaudiram, foi a primeira vez que isto me aconteceu no projeto. É certo que esta turma nunca foi fácil, tendo vários alunos com dificuldades profundas, mas foram eles que fizeram no ano passado a performance “Viva o V!”(José Fanha) - Lembram-se? Mais uma vez quero agradecer a presença da equipa da biblioteca e da professora Maria Simões. Obrigado, também, à professora Leopoldina Nogueira pela cedência do seu tempo letivo para a nossa criatividade.

Quem tiver curiosidade, pode selecionar a imagem com o telemóvel e visionar um momento do ensaio

1O estudo da poesia de Fernando Pessoa faz parte do curriculum. Achei natural pegar nos poemas que escreveu para a sobrinha e trabalhar com os jovens, futuros técnicos de apoio à infância, criando uma ligação com o programa.

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Contos na Aldeia

Por Miguel Horta — 22 de Maio de 2021, 02:02

O meu amigo António Fontinha, narrador de primeira água, desafiou-me para contar com ele e a Carla Rodrigues (Biblioteca Municipal de Mafra) no serão de contos tradicionais, “Noite de contos na aldeia”, que foi transmitido em direto a partir da Aldeia da Mata Pequena, no âmbito do Mural 18, um evento cultural em rede com 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa. Assim, 8 de Maio marca o meu regresso aos contos, depois de uma grande ausência: uma verdadeira prova de fogo...  Dos meus companheiros de serão retive dois contos, um do ciclo do linho contado pela Carla Rodrigues (que bem contou...) e "O tesouro", uma pérola partilhada pelo António Fontinha. A aldeia da Mata Pequena fica muito próximo de Cheleiros (Mafra) e perto do misterioso penedo do Lexim; foi paulatinamente recuperada, mantendo o traço saloio, por Diogo Batalha e Ana Partidário, a quem agradeço a hospitalidade. Foi um prazer contar numa aldeia tão bem recuperada: Agradeço este convite da Câmara Municipal de Mafra, na pessoa de Maria Manuel Bringel, que numa conversa paralela me deixou o bichinho da curiosidade sobre os moinhos e sobretudo os búzios, peças de olaria que produzem som ao sabor do vento. Era já noite alta quando saímos da aldeia, no meio da escuridão total os pirilampos lampejavam pelo mato procurando uma companheira; lembrei-me de ser menino.

Foi assim o serão 

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Forte da Casa a LER+

Por Miguel Horta — 22 de Maio de 2021, 00:12

 

A primeira sessão presencial, pós confinamento, do Movimento 14-20 a Ler+ do Plano Nacional de Leitura, no Agrupamento de Escolas do Forte da Casa (Biblioteca Escolar) correu bem. A proposta apresentada aos alunos devidamente mascarados e numa sala arejada, foi a Máquina da Poesia. O 10º PTAI reagiu positivamente à proposta tendo surgido um número bem significativo de versos de qualidade. A primeira coisa que fizemos foi desarrumar a sala para criar espaço livre para a poesia e distribuindo as cadeiras em meia lua, em frente a uma parede onde tínhamos colado uma grande folha de papel de cenário. "Mas afinal o que é a poesia?" - perguntei. Depois peguei numa antologia de Alexandre O' Neill, lendo razões para uma possível resposta; e acho que os alunos gostaram gostaram de ser beijados pelas palavras do poeta. Em pouco tempo, o papel de cenário transformou-se numa Máquina de Poesia recheada de palavras. Naturalmente, os poemas foram escritos nos ecrãs dos telemóveis e a informação guardada para se construir um Padlet mais tarde, pronto para partilhar. Assim que identificámos os alunos com dificuldade, propusemos a constituição de pares que estimularam a criatividade dos colegas. Desta vez, leu-se em voz alta e em sequência, a produção poética criada durante a sessão – Fiquei contente por terem vencido a timidez, aderindo bem à nossa proposta. Encerrei, lendo alguns Haiku da antologia "As cigarras vão morrer" (Manuel Silva-Terra, Editora Casa do Sul). A equipa da Biblioteca Escolar está sempre presente, muito atenta ao desenvolvimento da sessão; para além da professora Manuela Ferreira e Patrícia Dias, contámos com Elton de Sousa, diretor desta turma maioritariamente feminina. Para a semana, teremos uma sessão mais performativa, em torno da poesia para a infância de Fernando Pessoa, com a turma do 11º PTAI e com a nossa querida professora Maria Simões

Em frente à máquina

Devidamente mascarado e municiado com uma antologia de Alexandre O' Neill

                                                                            
Escrevendo poemas no visor do telemóvel

E agora, como a minha amiga e companheira de associação  Maria José Vitorino costuma dizer: Coisas que nos animam...

Confirmou-me a professora bibliotecária, que conseguimos concretizar a realização de um conjunto de estágios dos alunos do 11º PTAI na Casa da Juventude do Forte da Casa e na Biblioteca Municipal da Quinta da Piedade. Aos poucos, os livros começam a fazer parte destes alunos do ensino profissional, futuros auxiliares de educação. Para o ano, com os alunos já no 12º ano (ano final com estágio profissional), gostaria de trabalhar com maior profundidade a mediação leitora junto dos seus pares e junto das crianças do agrupamento. Vamos a ver se a pandemia não nos prega partidas, como fez no último ano, inviabilizando algumas iniciativas em parceria. Ficaria muito contente se conseguíssemos partilhar algum material áudio e vídeo produzido por estes jovens durante o projeto, nas redes sociais e nos espaços camarários.

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