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Crónicas naturais: Frisadas já de amores

Por Paulo Catry — 1 de Outubro de 2021, 17:24

Nesta sua crónica, Paulo Catry, investigador do ISPA – Instituto Universitário, oferece-nos um vislumbre do início do Outono na Lagoa de Albufeira, em Sesimbra.

Lagoa de Albufeira, 26 Setembro 2021.

Manhã sem vento. Cantos de escrevedeiras e de rouxinóis-bravos. Os salgueiros ainda não se despiram, mas muitas aves estão de abalada: os últimos rouxinóis-dos-caniços (juvenis, de plumagem brilhante e sedosa), andorinhas-das-chaminés e das-barreiras; ainda um ou outro trevo em flor – final de época; com a chuva recente, o verde rasteiro está a recompor-se – princípio de outra. 

Outono com restos de Verão, e é engraçado ver que já há quem pense noutras núpcias, do ano que virá. Algumas frisadas (Mareca strepera) andavam hoje atarefadas nos planos de água, por entre caniçais. Um grupo de 3 ou 4 machos perseguia uma fêmea solitária que pretendia protestar o excesso de atenção. Já não vão adiantados estes, que o que mais se via era casais formados, dormindo lado a lado, convictos da escolha feita.

A certa altura os machos livres abordaram uma fêmea já emparelhada, e foi ver os membros do casal muito unidos, nadando de flanco colado, distribuindo ameaças à direita e à esquerda, bicos abertos e ruidosos. Perante a solidez da parceria, os solteirões não insistiram. 

Casais de frisadas na Lagoa da Albufeira. Foto: Helder Costa

Havia outras espécies de patos na lagoa, ainda em muda, roupa velha, ciclo anual mais atrasado. As frisadas anteciparam-se, mesmo se nem são aves precoces na reprodução; observam-se com ninhadas em Maio e Junho. Preparam-se com antecedência, como se vê.

As frisadas são aqueles patos discretos em que “os machos parecem fêmeas”, na explicação descuidada de quem não vê o fino rendilhado preto e branco no peito masculino, as longas penas no dorso, o marron da asa. Hoje maravilhei-me com o trejeito estereotipado com que acenam às fêmeas, a cabeça e o pescoço num movimento redondo de fugidia elegância. Discretas e elegantes, finas.

Frisada macho, Lagoa da Albufeira. Foto: Helder Costa

Há 30 anos atrás, em 1991 e 1992, o Helder Costa e eu contámos as aves da Lagoa de Albufeira quinzenalmente, durante 24 meses. Frisadas, vimos 3 indivíduos juntos, numa única e rara ocasião*. Vinte anos antes disso, em 1969-72, Rewa Ray nunca observou a espécie, apesar das visitas regulares ao local**.

Esta manhã as frisadas eram os patos mais abundantes na Lagoa, e agora são ali vulgares o ano todo. Sem dar nas vistas (ao seu estilo), em poucas décadas as frisadas passaram de muito escassas a amplamente distribuídas pelo sul de Portugal. Aliás, têm aumentado na sua vasta área de nidificação, que vai do Alentejo à China e ao Japão, e mais além-mar, dos Estados Unidos ao Canadá.

Sempre muito caçadas por toda a parte, resistem. Mais do que resistem: recuperam e prosperam. Discretamente, emparelhadas já em Setembro e prontas para o ano que há de vir.

* in revista Airo 4: 1993

** in revista Cyanopica I (4): 1974


Saiba mais.

Leia aqui outros textos já publicados por Paulo Catry, que em 2017 esteve à procura de aves marinhas no meio do Oceano Atlântico.

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Lagostim-vermelho-do-Louisiana vai ser controlado através da pesca comercial

Por Inês Sequeira — 1 de Outubro de 2021, 15:57

Em comunicado divulgado esta sexta-feira, o gabinete do ministro do Ambiente e da Acção Climática, João Pedro Matos Fernandes, informa que foi aprovado o plano de acção para o controlo desta espécie exótica invasora em Portugal Continental.

“O controlo será efectuado através da captura de espécimes de lagostim-vermelho-da-Luisiana, utilizando métodos de pesca legalmente autorizados”, explica a nota divulgada, que acrescenta que estas medidas aplicadas “através do exercício de uma atividade económica” vão permitir que diminua a pressão deste lagostim sobre os ecossistemas naturais, “sem a alocação adicional de recursos financeiros públicos”.

Esta espécie nativa da América do Norte, que entrou em Portugal em 1979, está espalhada por, pelo menos, 11 bacias hidrográficas de Norte a Sul: Douro, Leça, Vouga, Mondego, Lis, ribeiras do Oeste, Tejo, Sado, Mira, ribeiras do Algarve e Guadiana.

O lagostim-vermelho-do-Lousiana é desde logo um predador voraz de anfíbios – como a salamandra-de-costelas-salientes (Pleurodeles waltl) e a rela (Hyla arborea) -, insectos e plantas. É também temido pelos orizicultores, que vêem as galerias escavadas pelos lagostins secar os seus campos de arroz. Por outro lado, hoje em dia serve de alimento às lontras e a várias aves limícolas, como é o caso das garças.

De acordo com o Ministério do Ambiente, “devido à sua posição de charneira biogeográfica, Portugal tem condições de aclimatação de espécies não indígenas”. “Neste contexto, a proliferação de espécies exóticas invasoras é identificada na Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade 2030 como uma das principais ameaças à biodiversidade.”

“Considerando que o lagostim-vermelho-da-Luisiana está incluído na Lista Nacional de Espécies Invasoras e disseminado em grande escala no território continental, tornou-se necessário estabelecer um plano de ação nacional para o seu controlo”, justifica também o gabinete do ministro. 

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas vai ser a entidade responsável pela coordenação, controle, vigilância e monitorização deste plano de acção”. 


Saiba mais.

Consulte o plano de acção nacional para o controlo do lagostim-vermelho-da-luisiana em Portugal continental, aprovado em Resolução do Conselho de Ministros e publicado a 17 de Setembro no Diário da República, aqui.

E conheça outras espécies aquáticas invasoras em Portugal, numa série publicada pela Wilder em parceria com o projecto LIFE Invasaqua:

O siluro, o mexilhão-zebra, a rã-de-unhas-africana, o alburno, a amêijoa asiática, o caranguejo-peludo-chinês, a amêijoa-japonesa, a gambúsia, o lagostim-sinal, a medusa Blackfordia virginica, o lucioperca e o caranguejo-azul.

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O que procurar no Outono: as campainhas-de-outono

Por Carine Azevedo — 1 de Outubro de 2021, 13:21

Todas as estações são diferentes, e todas trazem consigo a mudança e muitas, muitas surpresas. O outono não é diferente, e numa época em que a maioria das plantas se prepara para o frio e as flores parecem escassear, outras, ainda que poucas, começam agora a colorir os caminhos com as suas pequenas e delicadas flores outonais.

É preciso alguma atenção, mas se estivermos atentos podemos ser surpreendidos com as colónias de pequenas flores brancas que por vezes ocupam vastas áreas, a desabrochar nas clareiras de matos tipicamente xerofílicos, nos prados, no subcoberto de pinhais, azinhais e sobreirais, ou até na margem dos cursos de água e nas dunas.

As campainhas-de-outono (Acis autumnalis) iniciam agora a sua época de floração, proporcionando um espetáculo memorável de pequenas “campainhas” brancas a baloiçar ao vento, muitas vezes a crescer lado a lado com outra espécie de tamanho semelhante e também ela típica do outono, a Cila-de-outubro (Prospero autumnale), cujas flores são em tons de roxo.

Foto: Lies Van Rompaey/Wiki Commons

Campainhas-de-outono

A campainha-de-outono é uma planta da família Amaryllidaceae, que engloba outras espécies bem conhecidas, como os narcisos, as campainhas-amarelas, o alho, o cebolinho, entre outras. A beleza natural destas espécies, além das suas muitas utilizações como condimentares, hortícolas, ornamentais e medicinais, conferem a esta família botânica um grande valor económico e interesse paisagístico.

A maioria das plantas desta família apresenta um órgão subterrâneo – o bolbo – cuja principal função é o da acumulação de substâncias nutritivas de reserva e que se mantém ativo ao longo de todo o ano, ainda que a parte aérea dessas plantas seja renovada anualmente.

A campainha-de-outono é também vulgarmente conhecida como campainha-branca ou floco-de-neve-de-outono, devido à forma campanulada e cor das suas flores.

É uma pequena planta herbácea, perene, de muito pequeno porte, que pode crescer, sobre o solo, entre 11 a 30 centímetros de altura. É uma espécie geófita, cujas folhas só se formam depois de brotarem as flores.

É provida de um bolbo ovóide, com túnica externa revestida por uma membrana consistente e de cor castanha, que funciona como órgão subterrâneo de reserva, que lhe permite manter um ciclo de vida perene.

As folhas são basais, surgem em grupos (até seis folhas por planta), e mantêm-se à superfície do solo até à primavera. São inteiras, verde-escuras, filiformes, muito finas, semicilíndricas e não possuem pecíolo. São habitualmente mais curtas que o escapo floral, que pode crescer entre 10 a 23 centímetros de altura.

Foto: Meneerke bloem/Wiki Commons

Quanto ao escapo floral – nome que se dá à haste floral – é filiforme, liso, sólido e de cor avermelhada. Cada bolbo pode produzir entre dois a quatro escapos florais.

A floração ocorre desde o final do verão até ao final do outono, concentrando-se especialmente entre os meses de setembro e novembro. As flores são hermafroditas, actinomorfas, em forma de sino, e surgem pendentes, solitárias ou reunidas em conjuntos de duas a quatro flores em cada haste. As sépalas e as pétalas reúnem-se indiferenciadas em 6 tépalas pontiagudas, de cor branca, tingida de rosa ou vermelho na base. Imediatamente abaixo do pé que sustenta as flores existe uma bráctea grande, membranosa e lanceolada.

O fruto é uma cápsula deiscente, subglobosa, segmentada em três cavidades internas – os lóculos, cada um com com duas a três sementes, globosas, negras e brilhantes. A maturação dos frutos ocorre muito rapidamente, pois desde a senescência floral até à abertura natural do fruto passam aproximadamente 20 a 30 dias.

Endemismo mediterrânico

A campainha-de-outono é um endemismo da região do Mediterrâneo Ocidental, estendendo a sua distribuição nativa pelo sul e oeste da Península Ibérica (Espanha e Portugal), o norte do continente africano (Argélia, Marrocos e Tunísia) e as grandes ilhas mediterrânicas (Baleares, Sardenha e Sicília).

Em Portugal distribui-se por quase todo o território do continente, estando apenas ausente no extremo nordeste. Cresce numa ampla gama de habitats, em substratos arenosos, argilosos, bem drenados e preferencialmente com exposição soalheira e protegida do vento. Pode surgir em terrenos incultos, campos cultivados, azinhais, montados ou até pinhais, em áreas abertas, em locais rochosos ou até próximo de cursos de água.

As campainhas-de-outono são bastante interessantes do ponto de vista ornamental, tendo até sido distinguidas com um ‘Award of Merit Garden’ (Prémio de Mérito de Jardim) da Royal Horticultural Society pelo importante desempenho que estas plantas possuem nas condições de cultivo do Reino Unido, onde é vulgarmente conhecida como “autumn snowflake”.

Foto: Lies Van Rompaey/Wiki Commons

Os caules delgados, verdes ou avermelhados, e as pequenas flores brancas, contrastam com a folhagem verde-escura das densas touças que se formam quando os bolbos ficam mais juntos. Estas plantas, de fácil cultivo, são ideais para jardins de pedra, em pequenos canteiros ou até em vasos e floreiras. As cápsulas produzem sementes em abundância.

Ainda que não haja registos particulares sobre as suas propriedades medicinais, sabe-se que a campainha-de-outono possui elevadas quantidades de alcalóides tóxicos de isoquinolina, como a licorina e a narcissidina.

Flores silvestres

Esta planta é fácil de identificar pelas suas pequenas flores outonais, além de muitas vezes crescer em pequenos grupos junto com outra bolbosa de outono: a cila-de-outubro (Prospero autumnale), cujas flores possuem tons de rosa a roxo.

A campainha-de-outono consta da lista de espécies em estado de conservação “Pouco Preocupante” da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Segundo a Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental, estima-se que as populações nativas desta espécie sejam numerosas, não se identificando atualmente qualquer tipo de ameaça ou pressão significativa, não requerendo, para já, qualquer medida de conservação adicional.

Foto: Lies Van Rompaey/Wiki Commons

Esta planta pode ser confundida com uma espécie muito semelhante, a delicada Acis trichophylla, cujo nome comum se desconhece em Portugal.

Ambas as espécies desenvolvem-se no mesmo tipo de habitats, no entanto florescem em épocas distintas do ano. A campainha-de-outono (Acis autumnalis) floresce no final do verão e durante todo o outono, enquanto que a Acis trichophylla, que se desenvolve habitualmente em grupos maiores, floresce na primavera, entre os meses de fevereiro a abril.

A Acis trichophylla possui também uma área de distribuição nativa mais restrita, sendo originária das regiões centro e sul da Península Ibérica (Portugal e Espanha) e de Marrocos. Em Portugal é mais predominante na faixa do Litoral, sobretudo no Centro e Sul.

Acis trichophyllum. Foto: Xemenendura/Wiki Commons

Acis ou Leucojum

Originalmente esta espécie foi nomeada por Lineu como pertencente ao género Leucojum. Mais tarde, estudos genéticos e morfológicos determinaram que esta espécie, bem como outras espécies do género, deveriam ser agrupadas num novo grupo genérico – Acis. No entanto, esta mudança tem sido alvo de muitos estudos e reviravoltas, havendo muitos autores que continuam a usar a classificação anterior – Leucojum autumnale para a campainha-de-outono (Acis autumnalis) e Leucojum trichophyllum para a espécie Acis trichophylla, que floresce na primavera.

A etimologia botânica destas espécies é também complexa e algo duvidosa.

A denominação científica Leucojum deriva do grego “leukòs” + “íon” que significam, respetivamente, branco + violeta, provavelmente devido à cor branca das flores e à delicada fragrância a violetas.

A denominação Acis estará associada à lenda grega relativa ao triângulo amoroso entre Acis, Galateia e Polifemo. Segundo a lenda, Acis era um jovem pastor enamorado de Nereiade Galateia, a ninfa do mar. O ciclope Polifemo, também ele apaixonado por Galateia, mas cujo amor não era correspondido, por ciúmes atacou e matou Acis com uma rocha. Perante tal tragédia, Galateia transformou o seu amado num espírito imortal e o sangue derramado em água, traçando o curso de um rio até ao mar e assim possibilitando o reencontro dos dois na foz.  

No entanto, para muitos outros, esta associação entre o mito e o nome da planta não corresponde à verdadeira origem do nome. Uma outra linha de raciocínio sobre a etimologia botânica do termo Acis é sustentada pelo significado do termo grego “Akis”, em latim “Acis”, que de entre os seus possíveis significados pode referir-se a um “objeto pontiagudo, afiado”, possivelmente alusivo às suas folhas.

Por sua vez, o restritivo específico autumnalis refere-se à sua floração outonal.

Fica o desafio: se quer conhecer e encontrar estas pequenas e singelas flores outonais, explore agora a natureza. Na primavera, volte aos mesmos locais e encontrará a sua congénere primaveril.


Dicionário informal do mundo vegetal:

Xerofílicos – plantas adaptadas aos climas secos, a períodos de seca mais ou menos prolongada. Que conseguem viver com pequenas quantidades de água.

Geófita – planta que possui órgãos de reserva (bolbo, tubérculo, rizoma, etc.) onde são armazenados nutrientes que lhes permitem sobreviver em condições climáticas adversas. Geralmente estas plantas, durante o período mais desfavorável ao seu desenvolvimento, secam todos os órgãos aéreos (folhas, flores, etc.), mantendo apenas o seu órgão subterrâneo de armazenamento ativo. As folhas, as flores e os restantes órgãos aéreos voltam a surgir quando as condições de desenvolvimento forem novamente favoráveis.

Escapo – haste floral.

Hermafrodita – flor que possui órgãos reprodutores femininos (carpelos) e masculinos (estames).

Actinomorfa – flor com simetria radial, ou seja, a flor pode ser dividida em várias partes iguais.

Sépala – peça floral, geralmente verde, que forma o cálice.

Cálice – conjunto das sépalas que protegem externamente a flor.

Pétala – peça floral, geralmente colorida ou branca, que forma a corola.

Corola – conjunto das pétalas, que protegem os órgãos reprodutores da planta (os estames e o pistilo). 

Tépala – peça floral não diferenciada em pétala ou sépala.

Bráctea – folha modificada, localizada na base da flor que a protege enquanto está fechada.

Deiscente – fruto que, quando maduro, se abre naturalmente para libertar as sementes.

Lóculo – cavidade ou compartimento do fruto, onde se alojam as sementes.

Endémica – espécie nativa de uma região, com uma distribuição muito restrita.


Todas as semanas, Carine Azevedo dá-lhe a conhecer uma nova planta para descobrir em Portugal. Encontre aqui os outros artigos desta autora.

Carine Azevedo é Mestre em Biodiversidade e Biotecnologia Vegetal, com Licenciatura em Engenharia dos Recursos Florestais. Faz consultoria na gestão de património vegetal ao nível da reabilitação, conservação e segurança de espécies vegetais e de avaliação fitossanitária e de risco. Dedica-se também à comunicação de ciência para partilhar os pormenores fantásticos da vida das plantas. 

Para acções de consultoria, pode contactá-la no mail carinea.azevedo@gmail.com. E pode segui-la também no Instagram.


A secção “Seja um Naturalista” é patrocinada pelo Festival Birdwatching Sagres. Saiba mais aqui o que pode ver e fazer neste evento dedicado às aves.

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Que espécie é esta: fruto de roseira

Por Inês Sequeira — 1 de Outubro de 2021, 12:10

A leitora Margarida Pires Correia fotografou uma planta num parque de merendas perto de Azeitão, a 27 de Setembro, e pediu ajuda para saber a espécie. Carine Azevedo responde.

A estrutura fotografada é um fruto de uma roseira, uma espécie do género Rosa, da família Rosaceae.

Foto: Margarida Pires Correia

Espécie identificada e texto por:  Carine Azevedo, consultora na gestão de património vegetal ao nível da reabilitação, conservação e segurança de espécies vegetais e de avaliação fitossanitária e de risco. Dedica-se também à comunicação de ciência para partilhar os pormenores fantásticos da vida das plantas.

O fruto da roseira possui geralmente forma arredondada e cor vermelha e surge abaixo das pétalas (coloridas) e das sépalas (verdes) da rosa. Tem maior destaque na época do outono, ou logo após a floração e queda das pétalas.

É uma estrutura geralmente desprezada, mas é um alimento rico em nutrientes, apresentando uma boa concentração de vitamina C, proteínas e sais minerais, além dos taninos com propriedades adstringentes. É uma fonte natural de vitamina C e antioxidante, ajudando no fortalecimento do sistema imunitário.

O fruto da roseira é muito procurado em medicina tradicional pelas propriedades diuréticas. Também pode ser usado no alívio de problemas renais, além de ajudar no alívio de resfriados, infecções e febre.

Também pode ser útil em receitas culinárias na preparação de compotas, molhos e geleias. Há também quem coma os frutos frescos ou logo após a secagem natural.


Agora é a sua vez.

Encontrou um animal ou planta que não sabe a que espécie pertence? Envie-nos para o nosso email a fotografia, a data e o local. Trabalhamos com uma equipa de especialistas que o vão ajudar.

Explore a série “Que espécie é esta?” e descubra quais as espécies que já foram identificadas, com a ajuda dos especialistas.

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Que espécie é esta: tulipa-do-cabo

Por Inês Sequeira — 1 de Outubro de 2021, 11:44

A leitora Susana Leite pediu ajuda na identificação de umas flores que fotografou a 16 de Setembro, em Sintra. Carine Azevedo responde.

“Fotografei estas flores no meu quintal, sobre as quais gostaria de saber mais informações”, indicou Susana Leite, numa mensagem enviada à Wilder.

Trata-se de uma planta vulgarmente conhecida como tulipa-do-cabo (Haemanthus coccineus), também chamada de flor-de-sangue, lírio-de-sangue ou até lírio-de-pincel.

Foto: Susana Leite

Espécie identificada e texto por:  Carine Azevedo, consultora na gestão de património vegetal ao nível da reabilitação, conservação e segurança de espécies vegetais e de avaliação fitossanitária e de risco. Dedica-se também à comunicação de ciência para partilhar os pormenores fantásticos da vida das plantas.

A planta fotografada é uma espécie bolbosa da família Amarylidaceae, nativa da região sul de África, muito em particular das províncias do Cabo e da Namíbia.

A tulipa-do-cabo é uma espécie geófita, perene, em que o bolbo se mantém ativo, debaixo do solo durante a estação mais desfavorável. As primeiras estruturas aéreas só despontam no final do verão.

Foto: Susana Leite

As flores surgem antes do aparecimento das folhas. Numa primeira fase surge um pedúnculo (pequeno caule) geralmente manchado de verde e bege (semelhante à pele de alguns animais). No topo começa a formar-se uma estrutura de cor avermelhada, brilhante, semelhante a uma flor. Esta estrutura é designada de espata floral e tem um papel de extrema importância na proteção das flores, funcionando também como atrativo na polinização. É uma estrutura rígida que protege as verdadeiras flores no seu interior. Dentro dessa estrutura podemos encontrar cerca de 25 a 100 flores, geralmente rosadas ou de cor coral a escarlate. As flores surgem tão próximas umas das outras que o conjunto parece que forma uma escova ou um pincel.

Foto: Susana Leite

Após a floração surgem na base da haste floral as folhas, geralmente agrupadas em pares ou ocasionalmente em grupos de três. 

Quando as flores murcham, formam-se bagas carnudas translúcidas contendo entre uma a três sementes cor de vinho. As bagas podem ser de cor branca, rosa-claro ou escuro.


Encontrou um animal ou planta que não sabe a que espécie pertence? Envie-nos para o nosso email a fotografia, a data e o local. Trabalhamos com uma equipa de especialistas que o vão ajudar.

Explore a série “Que espécie é esta?” e descubra quais as espécies que já foram identificadas, com a ajuda dos especialistas.

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Estes são cinco periquitos que pode observar em Portugal

Por Hany Alonso e Sonia Neves — 30 de Setembro de 2021, 13:47

Com as suas cores garridas e bicos curvos e fortes, os periquitos e papagaios fazem lembrar os trópicos. Mas nos últimos anos, algumas das nossas cidades têm-se enchido destas aves.

Populares como animais de estimação, os periquitos que hoje se encontram à solta no Porto, em Lisboa e nos arredores são provavelmente animais que fugiram do cativeiro, ou seus descendentes. Graças ao clima ameno e ao alimento disponível, têm-se adaptado à “selva urbana”, de tal modo que alguns poderão vir a tornar-se numa ameaça para as aves nativas do nosso país.

Saiba como identificar estas aves exóticas:

1. Periquito-de-colar (Psittacula krameri

Foto: Dick Daniels/Wiki Commons

Originário da África subsahariana e do sul da Ásia, o periquito-de-colar (também conhecido por periquito-rabijunco) ocorre em Portugal desde o final dos anos 70. Em 2008, a população nacional desta espécie foi estimada em 270 indivíduos. Desde então a população tem aumentado, havendo uma estimativa mais recente de cerca de 650 periquitos-de-colar apenas em Lisboa. Na capital, a Quinta das Conchas e o Jardim da Estrela são bons locais para observar a espécie, embora possa ser vista durante todo o ano nos parques e jardins da Área Metropolitana. Existem também populações estabelecidas de periquito-de-colar no Porto, em Coimbra, nas Caldas da Rainha e nos Açores.

É uma espécie gregária e muito social, reunindo-se em dormitórios comunais que podem chegar a juntar centenas de aves. Este periquito verde com um colar preto distingue-se de outras espécies pela parte superior do seu bico, que é vermelha. Outra característica que permite distingui-la do periquitão e da caturrita é a cauda mais comprida, que se nota sobretudo nas penas centrais azuladas. Em voo, o periquito-de-colar destaca-se também pelas penas de voo, mais escuras do que o resto do corpo.

Esta espécie alimenta-se de frutos, grãos, sementes, bagas e flores. Em Portugal, há registos de periquitos-de-colar a alimentarem-se de citrinos, romãs, figos, nêsperas e azeitonas, assim como de frutos do lodão-bastardo e da catalpa. 

Apesar de não se saber ainda o impacto do periquito-de-colar no nosso país, em Espanha existem evidências de impactos negativos sobre espécies nativas nalguns locais: o periquito-de-colar compete com morcegos e mochos pelas cavidades das árvores, onde nidifica, e compete com aves frugívoras pelo alimento. 

2. Periquitão (Thectocercus acuticaudatus)

Foto: Kevin/Wiki Commons

Lisboa e Barcelona são as únicas cidades europeias onde existem populações estabelecidas desta espécie originária da América do Sul. Vê-se regularmente no Parque Bensaúde, na Quinta das Conchas e no Campo Grande, mas pode encontrar o periquitão (também conhecido como periquitão-de-cabeça-azul ou conure-de-cabeça-azul) noutros parques e jardins da cidade e nos concelhos limítrofes, incluindo Oeiras, Cascais, Amadora e Loures.

Passível de se confundir com o periquito-de-colar, o periquitão distingue-se pela cabeça azulada com um anel branco à volta do olho. Tem também o bico mais claro e a cabeça mais corpulenta do que o periquito-de-colar, e a sua cauda é menos comprida. Em voo, a melhor forma de identificar o periquitão é mesmo pela vocalização, que embora seja igualmente estridente, é mais rouca. 

Apesar de não existirem impactos descritos na Península Ibérica, sendo uma espécie que nidifica em buracos de árvores poderá competir com espécies nativas por locais de nidificação.

3. Caturrita (Myiopsitta monachus)

Foto: Alexsatsu/Wiki Commons

Atualmente a única população estabelecida de caturrita (ou periquito-monge) que se conhece em Portugal é na cidade do Porto. Um dos locais mais propícios para observar esta espécie é o Passeio Alegre, mas também é vista com regularidade no Parque da Cidade e na Quinta do Covelo. Em várias cidades de Espanha, como Madrid, Barcelona e Málaga, as populações de caturrita ascendem aos milhares.

Tal como o periquito-de-colar, também a caturrita tem o corpo verde, mas distingue-se pelo bico amarelado e pelo peito, faces e testa acinzentados. Em voo, se a observar com atenção poderá ver o azul das penas de voo e a cauda mais curta do que a do periquito-de-colar.

As caturritas constroem ninhos comunais. Estes ninhos feitos de ramos albergam vários casais, e chegam a ser tão grandes e pesados que em Espanha há registo de danos causados quando os ninhos danificam as árvores e caem, pondo em risco viaturas e pessoas. 

4. Papagaio-do-senegal (Poicephalus senegalus)

Foto: Juan Emilio/Wiki Commons

O papagaio-do-senegal (também conhecido por periquito-da-guiné ou periquito-massorongo) é uma ave nativa do Oeste de África. Existe uma pequena população estabelecida na cidade de Lisboa: esta espécie é regularmente vista na zona de Belém, no Jardim da Estrela e no Parque Bensaúde. É uma ave relativamente fácil de identificar, com a sua cauda curta e a cabeça grande e cinzenta, que contrasta com as costas e peito verdes e o abdómen e parte de cima da cauda amarelos. 

5. Inseparável-de-fischer (Agapornis fischeri)

Foto: Nevit Dilmen/Wiki Commons

Esta espécie, bastante popular como animal de estimação, é frequentemente observada em liberdade, fruto de fugas de cativeiro. No entanto, estas pequenas aves nativas de África têm dificuldade em adaptar-se, pelo que a maioria acaba por morrer. Ainda assim, em anos recentes um pequeno núcleo conseguiu estabelecer-se em Lagoa, no Algarve.

Poderá também observar Cocatiel (também conhecida por caturra) e periquito-da-austrália, mas estas aves serão casos isolados que terão fugido de cativeiro; não existem populações destas espécies a viver em estado selvagem no nosso país.


Agora é a sua vez.

Parta à descoberta destas aves exóticas. E de 1 a 30 de Novembro, se observar um bando de periquitos-de-colar ao final do dia, participe na acção de ciência-cidadã que a SPEA vai organizar para identificar dormitórios desta espécie.


Este artigo foi escrito por Hany Alonso e Sonia Neves, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA).


Conte as Aves que Contam Consigo

A série Conte as Aves que Contam Consigo insere-se no projeto “Ciência Cidadã – envolver voluntários na monitorização das populações de aves”, dinamizado pela SPEA em parceria com a Wilder – Rewilding your days e o Norwegian Institute for Nature Research (NINA) e financiado pelo Programa Cidadãos Ativos/Active Citizens Fund (EEAGrants), um fundo constituído por recursos públicos da Islândia, Liechtenstein e Noruega e gerido em Portugal pela Fundação Calouste Gulbenkian, em consórcio com a Fundação Bissaya Barreto.


A secção “Seja um Naturalista” é patrocinada pelo Festival Birdwatching Sagres. Saiba mais aqui o que pode ver e fazer neste evento dedicado às aves.

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UE: Iniciativa para salvar abelhas precisa de 100.000 assinaturas

Por Helena Geraldes — 29 de Setembro de 2021, 18:10

Mais de um milhão de cidadãos europeus já assinou uma Iniciativa Europeia para pedir à União Europeia que proteja os polinizadores e elimine os pesticidas. Mas faltam 100.000 assinaturas. O prazo termina no final do dia de hoje, 30 de Setembro.

Em causa está a Iniciativa Cidadã Europeia Save Bees & Farmers que quer “exigir medidas para eliminar os pesticidas sintéticos na Europa para proteger a biodiversidade, insectos e animais, agricultores e restantes cidadãos, todos vítimas do seu uso excessivo”, explica hoje, em comunicado, a Plataforma Transgénicos Fora.

Eram necessárias um milhão de assinaturas; de Novembro de 2019 até hoje, dia 29 de Setembro de 2021 estavam reunidas 1.091.380, num esforço conjunto de cerca de 200 organizações espalhadas pela Europa.

Acontece que são necessárias mais 100.00 para compensar a taxa de assinaturas inválidas. O prazo termina hoje ao final do dia, 30 de Setembro.

“Além disso, Portugal ainda não conseguiu a sua quota mínima de 16.000 assinaturas para ser elegível a participar na Iniciativa”, acrescenta aquela Plataforma que apela à assinatura por um maior número possível de pessoas.

“Relembramos que não se trata de uma petição mas de um acto legal e formal que dá uma voz a cada um e uma das cidadãs/ãos e que obrigará a Comissão Europeia a legislar os pesticidas sintéticos.”

A Iniciativa pede a redução gradual dos pesticidas sintéticos na agricultura da União Europeia (UE) em 80% até 2030. O objectivo é que em 2035, a agricultura de toda a UE não precise destes pesticidas.

Pede ainda medidas concretas para a recuperação da Biodiversidade e que as zonas agrícolas se tornem um instrumento desta recuperação.

Por fim, pede apoio para os agricultores nesta transição para a agro-ecologia.


Agora é a sua vez.

Se estiver interessado, pode assinar aqui a Iniciativa.

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Já se conhecem mais de 100 espécies de moscas-grua em Portugal

Por Inês Sequeira — 29 de Setembro de 2021, 17:19

Estudos científicos recentes permitiram descobrir em território nacional mais 33 espécies deste grupo, muitas vezes confundido com mosquitos gigantes.

Conhecem-se hoje em Portugal 149 espécies de moscas-gruas, também conhecidas por pernilongos-gigantes ou melgas. Devido às longas patas, por vezes são confundidas com insectos picadores, mas são receios infundados: “Não picam e não nos fazem mal”, garante um comunicado divulgado pelo CIBIO-InBIO.

Além do registo das 33 espécies em Portugal, uma equipa internacional em que participaram cientistas deste laboratório de investigação ligado à Universidade do Porto gerou também dados de distribuição de 102 espécies de moscas-grua em território português, que passam a estar agora publicamente disponíveis no portal GBIF (aqui e aqui).

Estas moscas-grua pertencem ao grande grupo dos dípteros (moscas) e são conhecidas como Tipuloidea. Este é um dos grupos mais numerosos, com mais de 15.630 espécies no mundo. As Tipuloidea, por sua vez, dividem-se em quatro famílias, mas apenas três estão já registadas em Portugal.

Mosca-grua Phylidorea ferruginea. Foto: Rui Andrade

“Na Peninsula Ibérica são conhecidas mais de 370 espécies de moscas-grua, pelo que se suspeita que ainda haverá muitas a registar na fauna de Portugal que têm passado despercebidas aos cientistas”, descreve Sónia Ferreira, investigadora do CIBIO-InBIO que faz parte da equipa de investigadores.

Todavia, tanto para os morcegos como para as aves, estas moscas-grua não passam despercebidas, umas vez que para esses animais são um alimento frequente. “Foi precisamente a necessidade de identificar os códigos de barras de ADN de espécies deste grupo, contidas na dieta de aves e morcegos, que motivou o trabalho agora publicado e que resultou na adição de 27 espécies de moscas-grua à fauna nacional em 2020“, explicou Sónia Ferreira à Wilder.

Já em Julho deste ano, os investigadores juntaram mais sete espécies ao inventário nacional de moscas-grua, num artigo científico que se focou sobre a fauna europeia deste grupo. Em causa esteve o estudo de 412 exemplares recolhidos em várias regiões de Portugal, incluindo Madeira e Açores.

Padrões vibrantes de amarelo e preto

As diferentes moscas-grua são muito parecidas entre si e na maioria têm cores acastanhadas, mas “existem espécies muito bonitas que apresentam padrões vibrantes de amarelo e preto”, nota Sónia Ferreira. “A identificação da maioria das espécies implica a captura do animal e a sua identificação à lupa, onde se observam estruturas de reduzidas dimensões.”

Mosca-grua Nephrotoma luteata. Foto: Rui Andrade

Já se alguém tiver um encontro inesperado com uma mosca-grua – quando se aproximam da luz em noites mais quentes, por exemplo – pode surgir algum pânico: muitas pessoas ficam nervosas, pois “podem assemelhar-se à primeira vista a mosquitos gigantes”.

Quando ainda estão na fase de larva, a grande maioria das espécies de moscas-grua são encontradas em habitats aquáticos. Quase todas as restantes estão em áreas com elevada humidade, como é o caso da manta morta.

A dieta nessa fase larvar é muito variada, desde material em decomposição a algas, musgos e plantas hepáticas, mas várias espécies são predadoras. Algumas podem causar prejuízos significativos na agricultura, pois quando nascem em grande número as larvas alimentam-se de raízes. Na fase adulta, estas moscas são todas terrestres e na maioria dos casos não se alimentam, podendo ingerir água para compensar as perdas. 

Uma colecção de códigos de barras de ADN

Este trabalho científico foi desenvolvido no âmbito do projeto PORBIOTA e EnvMetaGen, financiado pelo programa Horizonte 2020 da Comissão Europeia, que tem como objetivo central fomentar a investigação em metagenómica ambiental em Portugal. Os vários estudos promovidos no âmbito deste projeto incluem a iniciativa InBIO Barcoding Initiative, que consiste na construção de uma biblioteca de códigos de barras de ADN de Invertebrados.

Em biologia, “códigos de barras” são segmentos curtos de ADN que podem ser analisados para distinguir as diferentes espécies existentes. Esta técnica é particularmente importante em situações em que a análise somente das características morfológicas não é conclusiva. A identificação de um organismo através deste método baseia-se na comparação dos “códigos de barras” com uma base de dados na qual diferentes espécies estão catalogadas.

Mosca grua Symplecta stictica. Foto: Rui Andrade

Segundo o CIBIO-InBIO, “durante os trabalhos deste projeto foram já descobertas quatro espécies de borboletas novas para a ciência e adicionadas diversas espécies de invertebrados à fauna de Portugal de borboletas, moscas, percevejos, cigarrinhas e até de uma sanguessuga”.

O objectivo é que “esta coleção de referência do InBIO se torne uma ferramenta fundamental para a monitorização da biodiversidade a longo prazo e em larga escala na Península Ibérica”, permitindo a identificação de mais espécies ainda desconhecidas da ciência.


Saiba mais.

E já conhece as moscas-pernilongas? Muitas moscas desse grupo são lindíssimas.

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Turismo de natureza: Alfredo e Claudina mudaram de vida em nome da Serra da Lousã e dos veados

Por Helena Geraldes — 29 de Setembro de 2021, 14:39

A observação de espécies selvagens nos seus habitats e os passeios na natureza são cada vez mais procurados e ajudam o turismo da natureza a crescer em Portugal. Alfredo e Claudina decidiram mudar de vida e criaram a Veado Verde. A época da brama, que está agora a acontecer, é o ponto alto do ano.

Alfredo e Claudina Mateus, pais de três filhos, tinham vidas muito diferentes até criarem, em 2018, a Veado Verde/Green Deer, empresa de turismo de natureza que “dá a conhecer as paisagens da Serra da Lousã, as suas gentes, usos e costumes, a sua flora e fauna e em especial o veado no seu habitat natural”, explicou à Wilder Alfredo Mateus.

Claudina e Alfredo. Foto: Veado Verde

Alfredo, com raízes no Alentejo, foi estudar para Coimbra e por lá ficou. Em 1991 criou uma empresa de informática que esteve de portas abertas até 2017, ano em que decidiu encerrar para dar início ao projecto Veado Verde / Green Deer, que é hoje a sua actividade principal.

Claudina Mateus, natural do Alentejo, também foi estudar para Coimbra e lá se tornou Engenheira Química e mais tarde professora de Física e Química.

Mas a natureza e a sua fauna e flora sempre foram uma grande paixão para ambos e há mais de 20 anos que fazem passeios na Serra da Lousã com família e amigos.

Foto: Veado Verde

“Em 2017, cansados da vida de escritório, decidimos fechar tudo (empresa de informática e centro de explicações) e dar início ao projecto Veado Verde / Green Deer”, fruto de um programa de empreendedorismo, na área do turismo, da Tourism Creative Factory, na Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra, contaram à Wilder.

Os veados (Cervus elaphus) foram a sua escolha de eleição, ainda que Claudina continue a ser professora e Alfredo faça alguma fotografia profissional.

Foto: Veado Verde

“O veado é um animal magnífico, elegante e altivo”, descrevem Alfredo e Claudina, notando que é o maior cervídeo da Península Ibérica, podendo os machos atingir os 250 quilos. “Tivemos a sorte de acompanhar, desde o início, a sua reintrodução na Serra da Lousã, em meados da década de 90.”

“Como não tem predadores na Serra da Lousã, conhecendo os seus hábitos e rotinas, conseguimos observá-lo com alguma facilidade. Quando um grande macho, com as suas hastes de sete pontas, ou uma fêmea com a sua pequena cria nos olha nos olhos, é impossível não ficar fascinado por estes animais. Transmitem-nos sensações de paz, de tranquilidade e de bem-estar indiscritíveis. Pisamos o mesmo terreno, partilhamos a mesma floresta, a mesma serra e sentimos que existe respeito mútuo, apesar da sua imponência e força!”

Foto: Veado Verde

Os meses de Setembro e Outubro são muito especiais para os veados. É o período reprodutivo desta espécie. É conhecido como a brama.

“Nesta altura, os machos escolhem locais descampados, mais abertos, e tentam dar nas vistas. Emitem berros bastante altos e lutam com outros machos, chocando e encaixando as hastes uns nos outros. O que empurrar mais é o vencedor”, descreveu, anteriormente, à Wilder Carlos Fonseca, coordenador da Unidade de Vida Selvagem da Universidade de Aveiro.

Foto: Veado Verde

“Estes comportamentos servem para defender ou reclamar territórios com melhores condições e para atrair as fêmeas. Durante a brama, os machos praticamente não se alimentam e podem perder até 40% do seu peso. O grande investimento é na reprodução.”

Para Alfredo e Claudina, “a brama do veado é o momento mais bonito na serra”. “Imagine que está na região de Coimbra e que vou buscá-lo às primeiras horas da manhã. Seguimos em direcção à Lousã e começamos a subir a serra, atravessando as neblinas matinais. Chegamos ao cimo da Serra da Lousã com as primeiras luzes do dia. Temos os tons azuis, aparecem os rosas e um tapete de nuvens estende-se aos nossos pés. Aparecem os tons vermelhos, os laranjas, os amarelos e o Sol nasce… De repente, por toda a serra, ecoam os bramidos dos veados…!!! Agora associe tudo isto com o início do Outono, com a queda das folhas e os tons outonais. É um espectáculo único na natureza e que temos a sorte e oportunidade de observar na nossa Serra da Lousã.”

Foto: Veado Verde

Apesar de terem passeios todo o ano, é durante brama que a Veado Verde tem mais solicitações.

“A brama do veado é, indiscutivelmente, uma actividade muito interessante do ponto de vista do Turismo de Natureza”, explicam. “Atrai os mais diversos segmentos desta área do turismo, em que dou particular destaque aos fotógrafos de natureza e vida selvagem. Temos clientes que repetem este passeio todos os anos connosco!”

De entre os momentos especiais vividos durante a brama na serra da Lousã, Alfredo escolheu um. “A poucas dezenas de metros de um grande macho que bramava fortemente, sempre que eu imitava um bramido, ele respondia-me…!”

Na Serra da Lousã, onde Alfredo e Claudina trabalham, “a grande maioria das comunidades locais reconhece a mais valia da reintrodução do veado na Serra da Lousã”. Mas há um pouco de tudo, notam.

“Isto acontece porque, fruto do sucesso de todo o programa de repovoamento, a última estimativa de que tenho conhecimento, aponta para mais de 3.000 veados na Serra da Lousã e serras contíguas. Como tal, começa a haver alguns conflitos com as populações locais. Como já ouvi dizer a alguns locais, ‘eles comem tudo’!”

Foto: Veado Verde

Na opinião de Alfredo e Claudina, a coexistência saudável entre veados e comunidades rurais passa por “envolver as pessoas em todo o processo”. “É isso que defendemos e que tentamos pôr em prática, através das mais diversas parcerias que temos estabelecido. Desde a venda dos produtos locais, tais como mel, compotas, chás, artesanato, etc, em pontos de venda nas aldeias de xisto, aos restaurantes na serra que trabalham também com produtos locais, alojamentos na serra e arredores.”

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Como é que as moscas são tão mais rápidas do que os humanos?

Por Inês Sequeira — 28 de Setembro de 2021, 15:30

A resposta é surpreendente. Rui Andrade, especialista nestes pequenos insetos e dinamizador do grupo português Diptera no Facebook, explica o que torna as moscas tão difíceis de apanhar.

Em Portugal, incluindo Açores e Madeira, são hoje conhecidas cerca de 3000 espécies de moscas e mosquitos – incluindo a mosca-doméstica (Musca domestica), que frequenta as nossas casas; a Musca autumnalis, uma das mais comuns e que prefere as pastagens; ou o grupo das moscas-das-flores. Estas últimas, conhecidas como sirfídeos, podem ser encontradas em jardins e imitam as abelhas e as vespas para afugentar predadores.

Mosca-doméstica (Musca domestica). Foto: Rui Andrade
Musca autumnalis. Foto: Rui Andrade

Mas o número de espécies de moscas e mosquitos “está em constante evolução”, uma vez que surgem descobertas novas todos os anos, adianta Rui Andrade.

Tanto umas como outros pertencem à ordem Diptera, um termo que teve origem em Aristóteles e que significa “duas asas” (di + pteron). “A maioria dos insetos possui quatro asas funcionais, mas nos dípteros o par posterior evoluiu para duas estruturas em forma de clava, denominadas balanceiros ou halteres, que têm como função ajudar a manter a estabilidade durante o voo.”

Mosca da espécie Meredon equestris. Foto: Rui Andrade

Mas porque é tão difícil apanhar uma mosca? Poderia dar-se o caso deste grupo de insectos ter um sentido de audição muito desenvolvido e por isso detectarem qualquer movimento, por mais pequeno que fosse. Mas não. “A maioria das moscas não ouve, elas detectam os predadores sobretudo através da visão.”

Mosca da espécie Episyrphus balteatus. Foto: Rui Andrade

Na verdade, para as moscas e para outros pequenos insectos, os cientistas demonstraram que o tempo é percepcionado de forma diferente. “Há estudos que mostram que as moscas vêem o mundo em câmara lenta”, explica Rui Andrade, que adianta que essa característica “está relacionada com o tamanho do animal e com o seu metabolismo”.

Mosca da espécie Psilota atra. Foto: Rui Andrade

“Os cérebros dos animais percepcionam a passagem do tempo através do processamento de imagens a diferentes velocidades. Os animais mais pequenos tendem a processar mais imagens por segundo, o que faz com a que o tempo pareça correr mais lentamente.”

Mosca da espécie Spilomyia digitata. Foto: Rui Andrade

Assim, para uma mosca, os ponteiros de um relógio mexem-se muito mais devagar do que para um humano. Se há uma mão a tentar apanhá-la, para a mosca é como se estivesse a vê-la em câmara lenta, pelo que tem muito tempo ainda para levantar voo.

E esta regra aplica-se também a outros animais, não se fica pelos insectos, pois “regra geral, quanto mais pequeno for o animal e quanto mais rápido for o seu metabolismo, mais lentamente é percepcionada a passagem do tempo.”

Mosca da espécie Sphaerophoria scripta. Foto: Rui Andrade

Mas há um grupo de moscas conhecidas como caliptrados que têm ainda uma vantagem adicional, acrescenta o mesmo especialista. As moscas deste grupo, como por exemplo a mosca-doméstica e as varejeiras, usam os halteres (as duas estruturas em forma de clava que surgiram a partir das asas posteriores) para estabilizarem o voo logo durante as descolagens e não apenas durante o próprio voo. Isso permite-lhes uma fuga ainda mais rápida quando alguém as tenta caçar.


Ao longo do ano, a cada mês, a Wilder desvenda-lhe alguns dos fenómenos que estão a acontecer no Jardim Gulbenkian e no mundo natural.


A secção “Seja um Naturalista” é patrocinada pelo Festival Birdwatching Sagres. Saiba mais aqui o que pode ver e fazer neste evento dedicado às aves.

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Novo estudo desvenda o mundo maravilhoso das formigas-leão e moscas-serpente de Portugal

Por Helena Geraldes — 6 de Agosto de 2021, 17:44

A Ciência portuguesa acaba de fechar uma grande lacuna que tínhamos sobre as nossas espécies. Investigadores estudaram os insectos da superordem Neuropterida, até hoje pouco conhecidos mas com uma beleza ímpar e comportamentos surpreendentes. E descobriram novas espécies para Portugal.

O mundo dos insectos da superordem Neuropterida, animais com asas mais ou menos transparentes, está recheado de feitos surpreendentes.

Ascalafídeo Libelloides longicornis. Foto: João Nunes

Uns constroem cones na areia que servem de armadilha a formigas; outros comunicam entre si produzindo vibrações, movendo o abdómen para cima e para baixo muito rapidamente quando estão pousados em folhas; e depois há outros ainda que têm um aspeto único, assemelhando-se, em repouso, a uma pequena folha seca.

Alguns são predadores auxiliares na agricultura, no controle de pragas. Mas todos desempenham um papel relevante nos ecossistemas.

Em Portugal são conhecidas 107 espécies de insectos Neurópteros, onde se incluem formigas-leão, moscas-serpente, crisopas e ascalafídeos.

“O grupo a que se assemelham mais é, sem dúvida, o grupo das libélulas e libelinhas”, explicou à Wilder Sónia Ferreira, uma das autoras do artigo publicado recentemente na revista científica ZooKeys que veio melhorar em muito o nosso conhecimento sobre estes animais.

“Morfologicamente são muito semelhantes. Partilham as asas com muitas nervuras, sendo a maior diferença a presença de antenas bem visíveis nos Neuropterida e quase invisiveis nas libélulas e libelinhas (ainda que sempre presentes). Tanto os neurópteros como as libélulas e libelinhas são predadores vorazes, mas as libélulas estão todas dependentes de meios aquáticos, enquanto que a grande maioria dos Neurópteros não.”

O estudo realizado por investigadores do CIBIO-InBIO (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos), reuniu informação genética sobre estes insectos que permite distinguir as diferentes espécies destes animais pouco conhecidos. Além disso, a investigação conseguiu apresentar dados inéditos sobre a diversidade e distribuição destes insectos em Portugal.

Segundo Sónia Ferreira, investigadora do CIBIO-InBIO, antes deste trabalho já existiam listagens de espécies bastante completas. “Apenas conseguimos encontrar três espécies ainda não conhecidas do inventário nacional”.

São elas as formigas-leão Gymnocnemia variegata (Schneider, 1845) e Myrmecaelurus trigrammus (Pallas, 1771), ambas encontradas nos terrenos da Horta da Saboia – Faia Brava, em Figueira de Castelo Rodrigo, em terreno da associação ATNatureza.

A terceira espécie é a Wesmaelius (Kimninsia) nervosus (Fabricius, 1793) e foi encontrada no Poço do Inferno, na Serra da Estrela. Esta espécie foi publicada num artigo científico em 2020.

Ainda assim, salienta, o que se sabia até agora sobre estes insectos “provinha, na maior parte das vezes, de escassos registos de distribuição, muitas vezes de entomólogos estrangeiros de visita a Portugal”. “Por exemplo, neste trabalho temos dezenas de novos registos da espécie Solter liber, que estava dada para Portugal por Navàs, no início do século passado. Desde 1924, não existiam registos publicados para esta espécie.”

Isoscellipteron glaserellum. Foto: João Nunes

“Pouco se sabe sobre estes insetos em Portugal. Talvez por serem menos comuns que outros grupos de insetos, ou por serem menos numerosos, nunca despertaram interesse de maior nos entomólogos nacionais, existindo ainda muito para descobrir.”

O trabalho agora publicado “é o primeiro a recolher amostras e sequências de ADN de espécies destes grupos em Portugal”. Foi criada uma coleção de referência no CIBIO-InBIO com espécimes capturados em Portugal e identificados morfologicamente por Daniel Oliveira, no decurso da sua tese de mestrado em Biodiversidade, Genética e Evolução na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto orientado por Sónia Ferreira, entomóloga doutorada e investigadora no CIBIO-InBIO.

Foram obtidas sequências de código de barras de ADN de 658 pares de bases de 243 espécimes de 54 espécies. “Os resultados mostraram que a maioria das espécies pode ser identificada com sucesso por meio de códigos de barras de ADN, com exceção de sete espécies de crisopas (Chrysopidae – Neuroptera).”

Além dos códigos de barras de ADN, são apresentados os primeiros dados de distribuição publicados para Portugal para as espécies Gymnocnemia variegata (Schneider, 1845) e Myrmecaelurus (Myrmecaelurus) trigrammus (Pallas, 1771).

Códigos de Barras para insectos

O trabalho foi desenvolvido recolhendo animais na natureza, capturando-os no campo usando redes e armadilhas luminosas. De cada inseto foi recolhida uma amostra de tecido, geralmente uma pata, e é deste tecido que se extrai o ADN e se obtém a sequência do Código de Barras.

Esta investigação faz parte da iniciativa de DNA Barcoding do CIBIO-InBIO, IBI: InBIO Barcoding Initiative financiada pelo projeto PORBIOTA e EnvMetaGen, programa Horizonte 2020 da Comissão Europeia.

Bubopsis agrionoides. Foto: João Nunes

“A iniciativa IBI consiste na construção de uma biblioteca de códigos de barras de ADN de Invertebrados”, explica Sónia Ferreira. “Durante os trabalhos deste projeto foram já descobertas quatro espécies de borboletas novas para a Ciência e adicionadas diversas espécies de invertebrados à fauna de Portugal de borboletas, moscas, percevejos, cigarrinhas e até de uma sanguessuga! No futuro espera-se que esta coleção de referência do CIBIO-InBIO se torne uma ferramenta fundamental para a monitorização da biodiversidade a longo prazo e em larga escala na Península Ibérica e, seguramente, a identificação de mais espécies por enquanto desconhecidas da Ciência.”

Em Biologia, “códigos de barras de ADN” são segmentos curtos de ADN que podem ser analisados para distinguir as diferentes espécies existentes. “Esta técnica é particularmente importante em situações em que a análise somente das características morfológicas não é conclusiva. A identificação de um organismo através deste método baseia-se na comparação dos “códigos de barras” com uma base de dados na qual diferentes espécies estão catalogadas”, explicam os autores do artigo.

A base de dados resultante da IBI disponibiliza publicamente em plataformas internacionais os códigos de barras de inúmeras espécies de invertebrados com ocorrência em Portugal. Ou seja, faz parte de um esforço internacional, que conta já com vários anos na obtenção e disponibilização de códigos de barras de ADN que representem a biodiversidade nos ecossistemas e que possibilitem o desenvolvimento de diversos estudos, seja em Ecologia, Ciências Forenses, Microbiologia, Segurança alimentar, ou outras áreas científicas.

Este tipo de base de dados serve de fundação a um método de identificação baseado nestes códigos de barras de ADN. “Isto tem aplicações vastíssimas, em especial em grupos diversos e desafiantes morfologicamente como os insetos, pois facilita o trabalho dos investigadores que poderão necessitar de identificar determinado indivíduo mas não têm o conhecimento taxonómico suficiente ou em situações em que o estado de conservação do indivíduo/amostra não possibilita a sua identificação, sejam em produtos processados para alimentação seja em análise de dietas de organismos baseados em amostras de conteúdos de estomagos ou estudando os dejetos (de morcegos, por exemplo)”.

Até agora, há 76 espécies de Neurópteros com ocorrência em Portugal já sequenciadas, considerando já as 22 espécies sequenciadas pela primeira vez neste trabalho.

Crisopa Nothochrysa fulviceps. Foto: João Nunes

A equipa de investigadores vai continuar a “ampliar a coleção de referência (no que toca aos Neurópteros) de forma a poder representar nas bases de dados públicas as mais de 30 espécies cujos códigos de barras permanecem desconhecidos”, adiantou Sónia Ferreira.

“É ainda necessário criar uma checklist de espécies e produzir uma ferramenta de identificação de fácil utilização, de forma a que mais pessoas possam contribuir para o conhecimento do grupo”, acrescentou. “Muitas espécies são atraídas pela luz e como tal facilmente observáveis. No entanto, a sua identificação está longe de ser fácil e imediata. Algumas espécies são até facilmente identificáveis, mas a informação disponível é ainda muito técnica e pouco acessível.”

Actualmente, o grupo está a trabalhar em várias outras ordens de insetos, muitos deles polinizadores, e até de grupos de invertebrados bem menos conhecidos como é o caso das sanguessugas.”

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O que procurar no Verão: o poejo

Por Carine Azevedo — 6 de Agosto de 2021, 14:52

O poejo (Mentha pulegium) é uma das espécies mais conhecidas do género Mentha. De aroma intenso, esta planta aromática encontra-se agora em flor, e pode ser vista em locais húmidos e junto a cursos de água.

O género Mentha, a que pertence o poejo, é uma das designações botânicas mais antigas e ainda em uso. É um género de plantas da família Lamiaceae.

São 24 as espécies do género Mentha, aceites e descritas, com uma distribuição cosmopolita, presentes em todos os continentes. Dessas, cinco são espécies nativas em Portugal Continental, das quais duas também surgem de forma espontânea nas Ilhas dos Açores e três no Arquipélago da Madeira.

Foto: H. Zell/WikiCommons

As plantas deste género são aromáticas, perenes, raramente anuais, de porte herbáceo ou arbustivo. Na generalidade, estas plantas são utilizadas desde a antiguidade para fins medicinais, aromáticos e condimentares.

O poejo é uma planta herbácea, rizomatosa, robusta e perene, que pode crescer até cerca de 40 cm de altura. É composta por talos quadrangulares, muito ramificados, prostrados, ascendentes ou eretos, consoante as condições de desenvolvimento em que se encontra.

As folhas são aromáticas, ligeiramente pubescentes e verdes, algumas mais claras e outras mais escuras, pontilhadas de glândulas translúcidas. Apresentam uma forma que varia entre oval a elíptico, pecíolo curto e margem levemente serrilhada ou quase inteira.

As flores surgem no final da primavera e durante todo o verão. São muito pequenas e surgem agrupadas em inflorescências globosas e densas, nas axilas das folhas, em verticilos compactos e afastados entre si. O cálice é tubular, de cor púrpura e pubescente, e as sépalas possuem forma triangular. As pétalas exibem um tom rosado a lilás.

O fruto é uma pequena núcula, de forma elíptica e de cor castanho claro ou amarelado.

Foto: Eiku/WikiCommons

O nome científico do poejo tem uma história mítica associada. O termo genérico Mentha deriva do latim Menta e do grego Minthe, uma ninfa transformada em planta por Perséfone (Deusa das ervas, das flores, dos frutos e dos perfumes), que a obrigou a viver em lugares húmidos e sombrios. A designação pulegium deriva da palavra latina pulex, que significa “pulga”, devido a, no passado, esta planta ter sido muito utilizada, no interior das casas, para repelir estes insectos.

Aromática e Medicinal

O poejo é uma espécie nativa da Macaronésia, Mediterrâneo, Europa e Ásia Ocidental.

Em Portugal surge de forma espontânea em todo o território nacional, incluindo nas regiões autónomas.

Ecologicamente, o poejo tem preferência por locais luminosos, com boa exposição solar, solos ácidos e húmidos, mesmo que periodicamente alagados. É frequentemente encontrado nas margens e leitos secos de linhas de água temporárias ou permanentes, em áreas de pastagem ou prado, em barrancos e noutros locais temporariamente inundados. É uma espécie não tolerante a temperaturas muito baixas.

Esta planta aromática é bastante conhecida pelas suas propriedades medicinais. Toda a planta, em especial as flores e o óleo essencial, possuem propriedades antisséptica, cicatrizante, colagoga, espasmolítica, desintoxicante, calmante e estimulante.

As infusões, preparadas com as partes aéreas desta planta, são utilizadas em medicina tradicional para aliviar sintomas de gripes, resfriados, tosse, febre, insónias, dores reumáticas, acidez do estômago, enjoo, bronquite, asma e cólicas menstruais. Também estimula o apetite, reduz os sintomas de azia e melhora a digestão.

Foto: Lazaregagnidze/WikiCommons

Externamente, essas infusões podem ser usadas em cataplasmas, no tratamento de doenças de pele, erupções cutâneas e para aliviar sintomas da gota.

Do campo para a cozinha

Esta erva aromática faz parte da cozinha tradicional alentejana. Quem nunca ouviu falar da açorda de poejos, por exemplo? As flores são comestíveis e servem de aromatizante e para temperar pratos de carne, peixe, açorda, saladas e também no fabrico de licores e pratos doces, como pudins, tortas, compotas e na salada de fruta. 

Apesar das diversas propriedades medicinais e interesse culinário, é necessário algum cuidado no uso desta planta, pois doses elevadas ou em períodos longos podem originar vómitos e outros problemas mais graves, ao nível do fígado, devido à presença de hepatotoxinas. Nos cozinhados, por exemplo, deve ser usado de forma moderada e evitado completamente pelas grávidas, uma vez que pode provocar aborto.

O poejo também não deve ser utilizado por pessoas com sensibilidade gastrointestinal ou com doenças neurológicas e está contraindicado no período de aleitação, e por crianças com idade inferior a 12 anos.

Além disso, diz-se que o óleo essencial de poejo é um excelente repelente natural, usado para afastar pulgas, formigas e traças, devido ao odor forte que liberta. Também tem revelado demonstrar ser um bom pesticida natural, no controlo e crescimento de fungos, bactérias e outros parasitas das plantas.

Foto: Stefan Lefnaer/WikiCommons

As folhas desta planta também são usadas para fazer sabão, para limpar tecidos.

O poejo é uma erva muito versátil. É também importante no controlo da erosão, junto dos cursos de água, é um excelente habitat animal e atrai inúmeros insetos polinizadores. A fragrância das suas folhas e a floração efusiva que surge no verão, torna-a uma excelente escolha ornamental, para cultivar junto a lagos, tanques e outros espelhos de águas, em vasos e em canteiros.

E se gostou de conhecer um pouco mais sobre esta espécie nativa, agora só falta explorar a natureza e descobrir a beleza e aroma refrescante que possui.


Dicionário informal do mundo vegetal:

Rizomatosa – planta cujo caule é subterrâneo (rizoma).

Rizoma – Caule subterrâneo, que cresce geralmente na horizontal, com aspeto de raiz, composto de escamas e gemas, como se de um caule aéreo se tratasse.

Prostrado – ramo estendido sobre o solo.

Ascendente – ramo que se desenvolve na posição horizontal ou quase, mas que tende a verticalizar.  

Pubescente – que tem pelos finos e densos.

Elíptica – folha com forma que lembra uma elipse, mais larga no meio e com o comprimento duas vezes a largura.

Tubular – cálice que possui um tubo muito alongado.

Núcula – fruto seco, indeiscente do tipo esquizocarpo, semelhante a uma pequena noz.

Esquizocarpo – fruto seco que na maturação se divide em frutos parciais.


Todas as semanas, Carine Azevedo dá-lhe a conhecer uma nova planta para descobrir em Portugal. Encontre aqui os outros artigos desta autora.

Carine Azevedo é Mestre em Biodiversidade e Biotecnologia Vegetal, com Licenciatura em Engenharia dos Recursos Florestais. Faz consultoria na gestão de património vegetal ao nível da reabilitação, conservação e segurança de espécies vegetais e de avaliação fitossanitária e de risco. Dedica-se também à comunicação de ciência para partilhar os pormenores fantásticos da vida das plantas. 

Para acções de consultoria, pode contactá-la no mail carinea.azevedo@gmail.com. E pode segui-la também no Instagram.

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Gato-bravo regressa à Holanda depois de séculos de ausência

Por Helena Geraldes — 5 de Agosto de 2021, 19:35

Desaparecido desde o início da Idade Média, o gato-bravo voltou a reproduzir-se na Holanda, vários séculos depois. A bióloga Hettie Meertens explicou à Wilder como e porque está a acontecer este regresso.

O gato-bravo (Felis silvestris), espécie classificada como Vulnerável em Portugal, terá desaparecido da Holanda no início da Idade Média. Esta ausência foi ditada pela “perda da floresta, por perseguição humana e pela caça”, explicou hoje à Wilder Hettie Meertens, 60 anos, bióloga da ARK Nature, uma organização conservacionista holandesa.

Gato-bravo. Foto: Luc Viatour/WikiCommons

Lentamente, e vários séculos depois, a espécie decidiu regressar ao Sul da Holanda, mais concretamente à província de Limburgo.

Segundo Hettie Meertens, o gato-bravo estará a migrar em direcção à Holanda à procura de novos territórios porque “as populações mais próximas – Ardennes (na Bélgica) e Eifel (na Alemanha) – estão em expansão e a ficar saturadas”.

A história deste regresso terá começado em 1963. Nesse ano há um registo não confirmado de um gato-bravo na província de Limburgo, perto de Heerlen (Terworm). O registo seguinte, também não confirmado, só surgiu em 1999, desta vez na província de Gelderland, perto de Nijmegen (Groenlanden).

Hettie Meertens. Foto: D.R.

O primeiro registo confirmado de gato-bravo na Holanda é de 2002, quando um indivíduo morreu atropelado por um carro perto de Vaals (Vaalsbroek), em Limburgo.

A partir desse ano, os registos começaram a ser mais frequentes, todos em Limburgo. Em 2006, um gato-bravo foi “apanhado” pela lente de uma câmara de foto-armadilhagem. O ano de 2012 trouxe um registo e a partir de 2013 vários gatos-bravos foram observados no Sul daquela província.

Segundo Hettie Meertens, em 2015 e em 2018 foram encontrados dois animais numa outra província, Noord-Brabant, perto da província de Limburgo.

A reprodução de gato-bravo na Holanda foi confirmada em 2014 e em 2017, em Vijlenerbos perto de Vaals, província de Limburgo.

Hoje “não é possível saber exactamente qual o número de gatos-bravos na Holanda, mas estimamos que sejam mais de 25 e menos de 50, a maioria na província de Limburgo”, acrescentou a bióloga.

A organização ARK Nature tem vindo a trabalhar para ajudar a espécie, protegida a nível europeu pela Convenção de Berna (1979), a regressar ao país. “Temos desenvolvido as florestas naturais e os campos com muitos arbustos (e ratos) e temos criado corredores naturais entre essas florestas através da plantação de sebes robustas em zonas agrícolas”, explicou.

Para esta bióloga, as condições ideais para o estabelecimento de uma população reprodutora sustentável em Limburgo passam por florestas maduras e ricas em biodiversidade, zonas tampão bem desenvolvidas e com muitos arbustos, campos biodiversos em redor das florestas, ligações entre as florestas através de sebes de arbustos, corredores entre as populações de gato-bravo da Holanda, Bélgica e Alemanha e passagens viárias para estes animais e assim evitar atropelamentos.

Outra medida de extrema importância é o evitar a hibridação com gatos domésticos, através da esterilização.

Em Portugal “é escasso” o conhecimento sobre a situação e a tendência populacional desta espécie, disse anteriormente à Wilder o biólogo Manuel Malva, um dos responsáveis de um projecto para monitorizar o gato-bravo nos maciços montanhosos da Lousã e Sicó. 

Gato-bravo. Foto: James Lindsey/WikiCommons

“É uma espécie muito discreta, furtiva, com territórios extensos, factores estes que, aliados à sua ocorrência escassa e em muito baixas densidades, tornam extremamente difícil a sua deteção e estudo”, comentou o biólogo. 

Nas últimas décadas, explicou, a espécie estará em regressão acentuada na sua área de distribuição histórica, nomeadamente nas populações em territórios litorais. “Já no interior, a espécie parece confinada a áreas transfronteiriças, pelo menos no que concerne a populações minimamente consistentes e viáveis.”

Este naturalista sublinhou que “é muito difícil implementar medidas de conservação da espécie quando se sabe tão pouco acerca do estado actual das suas populações, bem como das causas que levaram ao seu declínio”.

“Apontam-se como principais causas a perda e fragmentação do habitat, a degradação da floresta nativa, a hibridização com o gato-doméstico e a diminuição da abundância das suas principais presas, nomeadamente o coelho-bravo. Seria importante perceber quais os factores mais decisivos, de modo a poder, então, delinear-se um plano de conservação com bases sólidas e medidas concretas para a recuperação da espécie. No entanto, é prioritário garantir primeiro a qualidade do ecossistema nas áreas onde a espécie ainda ocorre.” 

De momento, as equipas do novo Livro Vermelho dos Mamíferos estão a trabalhar para perceber como está a distribuição e abundância desta espécie em Portugal. Para isso foi feita armadilhagem fotográfica e transectos para registar indícios de presença (como pegadas e excrementos). 

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UICN lança “Estatuto Verde” e avalia conservação de 181 espécies

Por Helena Geraldes — 5 de Agosto de 2021, 17:34

Acabam de ser publicados os “Estatutos Verdes” para as primeiras 181 espécies avaliadas por este novo mecanismo da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). 

A conservação mundial da natureza tem uma nova ferramenta. Para já foi testada em 181 espécies, incluindo algumas que ocorrem em Portugal como a águia-pesqueira (Pandion haliaetus), a foca-monge-do-mediterrâneo (Monachus monachus) e o escaravelho Tarphius floresensis, endémico da ilha das Flores, nos Açores (esta espécie não existe em mais local nenhum do planeta).

O artigo científico, publicado a 28 de Julho na revista Conservation Biology, aplica pela primeira vez o “Estatuto Verde das Espécies”, uma nova medida mundial para avaliar duas coisas: o quão perto está uma espécie de ser ecologicamente funcional na zona onde vive e o quanto recuperou graças a esforços de conservação.

No artigo são apresentados estatutos para 181 espécies, desde o pombo-cor-de-rosa (Nesoenas mayeri) – que foi salvo da extinção graças a medidas de conservação- ao lobo-cinzento (Canis lupus), uma espécie que está numa promissora trajectória para a recuperação da funcionalidade ecológica em vastas áreas da sua distribuição histórica. Mais de 200 autores, de 171 instituições, contribuíram para este artigo.

“Evitar a extinção das espécies é o principal objectivo que os conservacionistas têm tradicionalmente perseguido”, comentou, em comunicado, Jon Paul Rodríguez, coordenador da Comissão da UICN para a Sobrevivência das Espécies.

“Mas acabámos por perceber que o verdadeiro sucesso seria reverter o declínio ao ponto em que animais, fungos e plantas cumpram as suas funções ecológicas nas suas áreas de distribuição, resultando em espécies que não estão apenas a sobreviver mas sim a prosperar.”

Este é o primeiro método padronizado a nível mundial para avaliar o potencial de uma espécie para a sua recuperação. “O Estatuto Verde da UICN vai ajudar com informações os planos de conservação e orientar as acções para cumprirmos as metas nacionais e internacionais para 2030 e para depois disso”, explicou Jon Paul Rodríguez. “E também nos dá uma métrica para quantificar e celebrar o sucesso conservacionista.”

O Estatuto Verde das Espécies da UICN será integrado na Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas da UICN. Juntos poderão dar uma imagem mais completa do estatuto de conservação das espécies, incluindo tanto o risco de extinção como o progresso a nível de recuperação.

Segundo explica a UICN, o Estatuto Verde classifica as espécies em nove categorias, que indicam até que ponto estão esgotadas ou recuperadas em comparação com os seus níveis populacionais históricos. Cada avaliação do Estatuto Verde mede o impacto de medidas de conservação passadas numa espécie, a dependência de uma espécie de ajuda continuada, quanto uma espécie tem a ganhar de medidas de conservação nos próximos 10 anos e o potencial que tem para recuperar no próximo século.

“A Lista Vermelha da UICN diz-nos quão perto está uma espécie da sua extinção, mas não foi feita para dar uma imagem mais completa do seu estatuto e funcionamento no ecossistema onde vive”, explicou Molly Grace, investigadora da Universidade de Oxford e principal autora do artigo científico. “Com o Estatuto Verde da UICN temos agora uma ferramenta complementar que nos permite acompanhar a recuperação de uma espécie e melhorar drasticamente a nossa compreensão do estado da vida selvagem mundial”, acrescentou a investigadora, que é uma das coordenadoras do grupo de trabalho do Estatuto Verde da UICN. Segundo Molly Grace, este novo instrumento “dá-nos provas de que a conservação funciona, motivos para estarmos optimistas e um ímpeto para fazermos mais”.

Para começar, 181 espécies já foram avaliadas e têm um Estatuto Verde. Os autores do artigo concluíram que muitas espécies em elevado risco de extinção também têm um elevado potencial para recuperar no próximo século. Por exemplo, o Estatuto Verde do condor-da-Califórnia (Gymnogyps californianus) confirmou que projectos de conservação evitaram a extinção desta espécie. E que um apoio continuado à espécie poderá permitir uma recuperação significativa no próximo século.

“O Estatuto Verde das Espécies introduz uma nova maneira de pensar sobre o impacto da conservação ao defini-la em termos de progresso em direcção à recuperação das espécies”, comentou Barney Long, investigador que também faz parte do Grupo de Trabalho do Estatuto Verde da UICN.

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Que espécie é esta: verme poliqueta barroeira

Por Helena Geraldes — 5 de Agosto de 2021, 15:53

O leitor Rui Lopes fotografou esta formação e este animal a 23 de Julho na praia da Granja, Vila Nova de Gaia, e pediu ajuda na identificação. Gonçalo Calado responde.

“Adoraria poder contar com o vosso apoio para identificar esta espécie. Já agora, como é formado o recife da imagem?”, escreveu o leitor à Wilder.

Trata-se do verme poliqueta barroeira (Sabellaria alveolata).

Espécie identificada e texto por: Gonçalo Calado, professor da Universidade Lusófona. 

Este verme poliqueta é parecida às minhocas da pesca.

Forma autênticos recifes, pois faz galerias através da cimentação de grão de areia. 

Está sempre na interface entre a rocha e a areia em zonas de algum hidrodinamismo, que possibilite que os grãos de areia fiquem suspensos na coluna de água por algum tempo. 

Em algumas praias do norte de Portugal são estruturas impressionantes. Pode ler aqui mais sobre esta espécie.


Agora é a sua vez.

Encontrou um animal ou planta que não sabe a que espécie pertence? Envie para o nosso email a fotografia, a data e o local. Trabalhamos com uma equipa de especialistas que o vão ajudar.

Explore a série “Que espécie é esta?” e descubra quais as espécies que já foram identificadas, com a ajuda dos especialistas.

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Andaluzia activa colaboração com hospital veterinário de Madrid para salvar lince de 14 anos

Por Helena Geraldes — 5 de Agosto de 2021, 15:09

A Junta da Andaluzia activou um protocolo de cooperação com o hospital veterinário Privet de Villaviciosa de Odón, em Madrid, para tratar Damero, um lince-ibérico de 14 anos com lesões pulmonares de difícil diagnóstico.

Para determinar a gravidade da doença deste animal são precisos exames complexos que aquele centro de Madrid se ofereceu fazer de forma gratuita. 

A conselheira da Andaluzia para o Desenvolvimento Sustentável, Carmen Crespo, salientou em comunicado que, “graças à cooperação público-privada, podemos levar à conservação da fauna silvestre técnicas de diagnóstico clínico realmente excepcionais que nos permitem contar com mais informação na hora de definir o procedimento mais adequado para cada animal”.

Damero é um macho de 14 anos que viveu muito tempo em liberdade na Serra Morena. Normalmente, um exemplar desta espécie protegida não chega à velhice no meio natural, já que o habitual é que as fraquezas físicas naturais do passar do tempo tornem aconselhável a sua captura e transporte para um Centro de Recuperação de Espécies Ameaçadas (CREA). Neste caso concreto, a complicada condição física deste lince exigiu o internamento no CREA Los Villares de Córdoba.

Desde a sua captura, Damero tinha mantido um bom estado de saúde e estava adaptado à vida em cativeiro. No entanto, no passado mês de Junho, foi detectada uma infecção respiratória que preocupou os veterinários. A avaliação sanitária realizada pela equipa do CREA corroborou que o animal apresentava lesões pulmonares, mas os exames não conseguiram determinar com precisão a origem da doença. Esta informação é de grande relevância para decidir qual a melhor forma de tratar Damero

“Uma vez que para avançar no diagnóstico eram necessárias mais provas clínicas e de custos elevados – como a tomografia axial computorizada ou a ecocardiografia – a Junta da Andaluzia realizou uma ronda de consultas sobre o caso, na qual participou o hospital veterinário Privet. A clínica ofereceu as suas instalações, as suas equipas e o seu tempo para realizar gratuitamente estes exames a Damero e assim contribuir para um diagnóstico correcto e rigoroso que permita tomar uma decisão para o seu futuro”, explica a Junta no comunicado.

Carmen Crepo adiantou que quando forem conhecidos os resultados dos exames que, entretanto, já começaram a ser feitos a Damero, “os profissionais do governo andaluz farão tudo o que estiver ao seu alcance para dar uma maior qualidade de vida a este lince”.

“Cuidar dos animais é o nosso dever enquanto Administração responsável pelo Ambiente mas, sobretudo, é um privilégio tentarmos ajudar animais como Damero a fazer frente à sua doença da melhor maneira possível”, acrescentou.

O lince-ibérico (Lynx pardinus) é uma espécie Em Perigo de extinção. O número total de exemplares em Portugal e Espanha ascende a 1.111, entre indivíduos adultos ou subadultos e as crias nascidas em 2020, revelou o Ministério espanhol para a Transição Ecológica e Desafio Demográfico (MITECO) em Maio deste ano.

Este número é o máximo registado desde que começaram os programas de monitorização da espécie. Um sucesso, se pensarmos que em 2002 apenas foram encontrados menos de 100 animais. 

Ainda assim, os peritos pedem prudência e insistem na necessidade de manter os esforços e programas de conservação, uma vez que a espécie não está fora de perigo e continua legalmente a ser considerada Em Perigo de extinção.

Em Portugal vivem 140 linces, todos na área do Vale do Guadiana. Este número corresponde a 12,5% do total de exemplares registados durante 2020.

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Fine Art: fotógrafo brasileiro capta a grandeza dos insectos

Por Helena Geraldes — 3 de Agosto de 2021, 18:57

Há cinco anos, Anderson Nielsen fotografou o seu primeiro insecto e nunca mais parou, fascinado pela complexidade artística destas espécies. Está a construir uma colecção de fotografias e assim mostrar a todos a grandeza destes pequenos animais.

Anderson Nielsen, designer gráfico, diretor de arte e fotógrafo de 40 anos, está em Portugal desde 2005, deixando para trás a sua terra natal no interior de Minas Gerais, no Brasil. Veio à procura de conhecimentos na sua área.

De momento trabalha na para TV ZAP, mas já passou pela revista Sábado, por agências de design e publicidade. Trabalhou em Angola, Moçambique, África do Sul, Inglaterra e Alemanha. Hoje vive em Lisboa.

Começou a fotografar espécies selvagens em 2016. “Há cinco anos fotografei o meu primeiro insecto. Desde então não parei mais”, contou à Wilder.

Tem em mãos um projecto de fine art – no qual o artista fotógrafo cria imagens de acordo com a sua visão, expressando o que pensa e sente – dedicado ao mundo natural, “Gigantes por Natureza”.

“A ideia surgiu de uma necessidade que eu tive em voltar a fazer arte”, trazendo mais detalhes ao olhar do ser humano e aproveitando a experiência e capacidades adquiridas ao longo da sua carreira.

Anderson Nielsen quer mostrar o seu “trabalho com a natureza de forma geral” e, diz, “com a fotografia de fine art consigo estar em muitos lugares para mostrar a diversidade deste universo”.

Através do projecto “Gigantes por Natureza”, Nielsen fotografa artisticamente insectos e elementos da natureza para retratar, catalogar e exibir. 

Mas que espécies decide fotografar para a sua colecção? “Procuro selecionar os animais mais exóticos e diferentes. Porém nunca rejeitei fotografar nem uma mosca porque até uma simples mosca é um animal incrível quando se consegue ver os detalhes. Não existe critério. Desde que seja um insecto, irá entrar na minha colecção.”

Porém, há espécies preferidas para observar e fotografar, os Membracídeos, vulgarmente designados como soldadinhos ou viuvinhas. “São insetos bem diferenciados.”

Para este projecto “Gigantes por Natureza”, o fotógrafo utiliza dois métodos.

“Quando consigo algum exemplar de um animal já preservado, recebo o animal e levo-o para o estúdio para fazer a foto”.

Em outras situações, Nielsen sai para o campo “para fazer coletas”.

Uma vez colectado o insecto, começa o processo de entomologia. “Uso uma câmara fria e uma estufa para secagem, o que leva cerca de dois dias”. Depois faz a montagem, usando o esticador ou régua de montagem, papéis, alfinetes e papel vegetal.  

“Depois de ter o inseto preparado e seco, levo-o para o estúdio, monto todo o setup. Uso quatro focos de iluminação artificial, uma câmara de médio formato Hasselblad H5D e uma objectiva Macro HC 120mm.”

“Após ter a fotografia feita e verificado se está tudo em foco, faço prova de impressão numa impressora de fine art em que uso tintas minerais e papel 100% algodão livre de ácidos. Feito isso, tenho a obra catalogada.”

Este fotógrafo acredita que as suas imagens podem ajudar a preencher “uma grande lacuna que é a falta de conhecimento deste universo que são os insetos”. “Sinto que em cada exposição que faço existem pessoas que mudam o seu olhar e a sua perceção perante estes pequenos seres. É preciso conhecer para preservar.”

Nielsen procura fazer exposições com os “Gigantes por Natureza” e já doou obras com dimensões de dois metros ao museu Planeta dos Insetos em São Paulo, Brasil. Em Portugal já contactou um museu de História Natural para propor uma exposição.

Além disso, “pretendo criar um museu de arte, natureza e design para poder receber menores carentes para terem acesso a todos estas informações importantes” sobre a vida selvagem.

Nielsen quer continuar a aumentar a sua colecção, “para que seja o maior possível e para que seja exposta no maior número de lugares deste mundo que eu conseguir para que o máximo de pessoas possam ver de perto o quão grandioso é este universo micro, que é macro em detalhes”.

“Pretendo continuar até o ultimo dia da minha vida.”

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Voluntários pela natureza ajudam a recuperar biodiversidade de Torres Vedras

Por Helena Geraldes — 3 de Agosto de 2021, 15:21

Vinte voluntários trabalharam entre Janeiro de 2018 e Junho de 2021 para conservar a natureza em Torres Vedras, incluindo no restauro dos rios Sizandro e Alcabrichel, revelou hoje a autarquia.

Este voluntariado aconteceu no âmbito do projecto LIFE Volunteer Escapes que, de Janeiro de 2018 a Junho deste ano, acolheu jovens do Corpo Europeu de Solidariedade. A Câmara Municipal de Torres Vedras foi uma das entidades que, em Portugal, recebeu voluntários.

Os 20 voluntários que o município acolheu realizaram várias atividades de conservação da natureza e da biodiversidade.

Foto: Câmara Municipal de Torres Vedras

Os jovens fizeram controlo de espécies invasoras nas áreas da Rede Natura 2000 de Torres Vedras e participaram em acções de arborização de terrenos municipais na Serra de São Julião e na Paisagem Protegida Local das Serras do Socorro e Archeira.

Mas não só. Os voluntários ajudaram a restaurar os habitats ripícolas nos rios Sizandro e Alcabrichel, onde vive o ruivaco-do-oeste (Achondrostoma ocidentale), uma das espécies de peixe de água doce mais ameaçadas em Portugal. 

Além disso, participaram em acções de propagação e reprodução de espécies nativas nos viveiros municipais.

“O envolvimento dos voluntários nestas atividades de conservação da natureza permitiu intervir em 37,12 ha, plantar 21.029 árvores e arbustos autóctones e plantas dunares nativas, controlar 21,3 ha de plantas invasoras, como o chorão-das-praias (Carpobrotus edulis) e a acácia (Acacia spp), e restaurar uma extensão de 1,6 km de habitats ripícolas”, informa a autarquia em comunicado.

No âmbito do projeto foram realizadas 37 acções de voluntariado abertas à população e envolvidas oito entidades privadas, seis entidades sem fins lucrativos e dois proprietários privados em ações conjuntas com os voluntários do projeto. No total, estiveram envolvidos 5.118 cidadãos, entre os quais colaboradores de empresas, escuteiros e estudantes.

Um documentário televisivo de 12 episódios está a contar as histórias do LIFE Volunteer Escapes, projecto de longa duração que promoveu o voluntariado pela natureza em Portugal. Margarida Silva, coordenadora deste projecto na MONTIS, que terminou em Junho, explicou recentemente à Wilder o que é preciso para ser um voluntário pela natureza e qual a sua importância para a conservação.

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Nasceram duas crias de panda-gigante em Zoo francês

Por Helena Geraldes — 3 de Agosto de 2021, 14:34

Duas crias de panda-gigante (Ailuropoda melanoleuca), espécie protegida e Em Perigo de extinção, nasceram na madrugada de segunda-feira no Zoológico francês de Beauval.

Huan Huan deu à luz duas crias na madrugada de 2 de Agosto. Foi um “momento feliz muito esperado no ZooParc de Beauval”, escreveu o Zoo em comunicado.

Depois de oito horas de trabalho de parto, Huan Huan deu à luz as suas duas crias, a primeira às 01h03 (com 149 gramas) e a segunda às 01h10 (com 129 gramas). “Foi uma explosão de alegria das equipas do Zoo, desejosas de ver nascer estes minúsculos pandas.”

Panda Huan Huan com as suas crias. Foto: ZooParc de Beauval

Huan Huan depressa começou a cuidar das crias, que estão de boa saúde.

“Estamos a viver um momento de rara intensidade”, comentou, em comunicado, Delphine Delord, directora do ZooParc de Beauval, em Saint-Aignan, a cerca de 200 quilómetros de Paris. “Estes nascimentos são sempre excepcionais (…) e são fruto dos esforços das nossas equipas que nunca se pouparam para proporcionar o máximo de bem-estar aos animais.”

Huan Huan tinha sido emparelhada com o macho Yuan Zi no passado mês de Março. Paralelamente, uma equipa de especialistas em reprodução animal do Institute for Zoo and Wildlife Research de Leibniz realizou uma inseminação artificial para aumentar as hipóteses de fecundação.

Estas são a segunda e a terceira crias de panda-gigante da fêmea Huan Huan no Zoo de Beauval, depois de ter dado à luz Yuan Meng a 4 de Agosto de 2017. Yuan Meng foi o primeiro panda a nascer em França.

O casal de pandas Huan Huan e Yuan Zi foi cedido temporariamente pela China à França em 2012. Inicialmente estava previsto que os animais ficassem em França durante dez anos, mas o ZooParc de Beauval já está em conversações com as autoridades chinesas para prolongar esta estadia.

Panda-gigante. Foto: Randy Chiu/WikiCommons

Segundo explicou o Zoo francês, todos os pandas-gigantes pertencem à China, de onde são originários, mesmo os pandas nascidos em outros países.

O panda-gigante é uma espécie Em Perigo de extinção, segundo a Lista Vermelha da União Internacional de Conservação da Natureza (UICN). Estima-se que existam entre 1.000 e 2.000 pandas em estado selvagem, todos circunscritos a uma região da China que abrange três províncias: Gansu, Shaanxi e Sichuan (cerca de 75% da população vive na província de Sichuan).

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Embarcação está até Setembro no Sado a apelar à protecção dos golfinhos

Por Helena Geraldes — 3 de Agosto de 2021, 11:03

A campanha “Proteger os Golfinhos”, na sua 8ª edição, explica a todas as embarcações que navegam nas águas do Estuário do Sado como ajudar a proteger a população de golfinhos-roazes da região.

Até 19 de Setembro, a embarcação da campanha “Proteger os Golfinhos” estará a navegar nas águas do Estuário do Sado para “sensibilizar para a conservação dos roazes do Sado e do seu habitat”, explicam os organizadores da campanha em comunicado enviado hoje à Wilder.

A embarcação está a fazer circuitos regulares pelo estuário e espaço marítimo adjacente em Agosto (de quinta-feira a domingo) e em Setembro (aos fins-se-semana e feriados) e a abordar embarcações de particulares e actividade turística que naveguem nestas águas, “sensibilizando para a adopção de comportamentos apropriados no avistamento e aproximação aos animais, assim como os cuidados necessários à sua preservação”.

O objetivo é “sensibilizar a população local, turistas e visitantes para os cuidados a ter na navegação aquando do avistamento e aproximação aos golfinhos, no sentido de evitar perturbá-los e garantir a sua permanência no estuário”.

Actualmente vivem no estuário do Sado cerca de 30 golfinhos-roazes (Tursiops truncatus). Esta é uma das poucas populações de golfinhos que residem num estuário, o que a torna singular em Portugal e rara na Europa.

O golfinho-roaz tem uma coloração predominantemente cinzenta, com o dorso ligeiramente mais escuro. Pode chegar aos 3,8 metros de comprimento e, por vezes, mergulha a mais de 100 metros de profundidade para se alimentar. Estes animais podem viver entre 30 e 40 anos.

Existem períodos críticos em que estes golfinhos são particularmente vulneráveis, podendo a presença humana alterar os seus comportamentos, como por exemplo períodos de gestação das fêmeas e adaptação das respetivas crias ao meio.

“Nos meses de verão – altura em que as atividades turísticas e de recreio náuticas são mais expressivas, com um maior número de embarcações e um maior número de saídas para observação de golfinhos – a importância desta iniciativa acentua-se”, acrescentam os responsáveis.

Outro objectivo desta iniciativa é contribuir para a implementação efectiva do Regulamento da Actividade de Observação de Cetáceos nas Águas de Portugal Continental por parte de todos os utilizadores de embarcações no Estuário do Sado.

No âmbito da campanha “Proteger os Golfinhos” os tripulantes da embarcação disponibilizam um código de conduta, “um conjunto de regras a seguir para que todos possam observar os golfinhos em segurança, uma vez que uma navegação descuidada pode impedir o descanso, a alimentação, socialização e reprodução e, ainda, interferir na comunicação entre eles”.

Por exemplo, o Código de Conduta aconselha as embarcações a não permanecerem mais de 30 minutos na proximidade de um grupo de golfinhos, a evitar mudanças bruscas de velocidade e direção, a não excederem a velocidade de deslocação dos animais, a manter um rumo paralelo e pela retaguarda dos golfinhos, de modo a que estes tenham um campo livre de 180º à sua frente e a evitar fazer ruídos na proximidade dos roazes, que os perturbem ou atraiam.

A campanha que começou em 2014, com cerca de 350 embarcações contactadas nesse primeiro ano, é uma iniciativa promovida pela Tróia-Natura e pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Segundo os responsáveis, em oito anos esta campanha já chegou a mais de 18.000 pessoas.

Na década de 1980, quando os cientistas começaram a estudar os golfinhos roazes do Estuário do Sado, contavam-se cerca de 40 animais. Mas as condições foram-se degradando. Em 2005 sobravam apenas pouco mais de metade – 22 – à mercê das águas poluídas.

Contudo, nos últimos 10 anos, as crias começaram a sobreviver e os golfinhos deixaram de emigrar tanto, muito graças à aplicação de regras mais pesadas quanto à qualidade e limpeza das águas e a uma diferença de postura das autoridades, que começaram a apostar no turismo de natureza. 

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Cientistas descobrem como é que as aves aprendem a evitar presas tóxicas

Por Inês Sequeira — 8 de Julho de 2021, 17:21

Uma equipa internacional de investigadores colocou chapins-azuis e chapins-reais à experiência no campo para perceberem como é que os mais novos ficam a saber o que não devem comer.

Cientistas da Finlândia, Nova Zelândia, Colômbia e Reino Unido comprovaram que há aves que aprendem a saber o que comer e o que evitar, como é o caso de insectos de cores vivas, que podem ter um sabor repelente ou mesmo ser tóxicos.

“Sabíamos há muito tempo que os predadores, como é o caso das aves, associam sinais de aviso como cores vivas ao perigo de comerem certos tipos de presas. No entanto, nunca tínhamos conseguido demonstrar em meio natural como é que os predadores aprendem sobre esse anúncios aposemáticos das presas”, explicou um dos autores principais do artigo publicado na revista Nature Communications, Rose Thorogood. O aposematismo acontece quando um animal adopta cores vivas como defesa contra possíveis predadores.

“Se os predadores não reconhecerem o sinal, então as presas são altamente vulneráveis face a predadores ingénuos. Esse é um grande problema que as presas enfrentam ano após ano, quando surgem os predadores juvenis”, acrescentou a investigadora da Universidade de Helsínquia. “Como o aposematismo está muito espalhado na natureza, quisemos resolver esta questão num cenário real.”

Numa série de experiências em campo desenvolvidas por uma estudante de doutoramento da Universidade de Cambridge, a equipa decidiu testar a teoria da transmissão social de informação e identificar as possíveis implicações para as relações entre predadores e presas.

Foram colocados pares de alimentadores numa zona de bosque: um com pedaços de amêndoas de sabor natural (presas indefesas, o outro com pedaços de amêndoa de cores diferentes e sabor amargo (presas aposemáticas). Chapins-azuis e chapins-reais de populações da zona podiam reunir-se em volta e apanhar comida, mas também observar as tentativas uns dos outros.

Nos intervalos de tempo entre estas experiências, os alimentadores tinham apenas pedaços de amêndoa de sabor natural, e o comportamento das aves continuou a ser seguido. Isso foi possível através do uso de tecnologia RFID, que permitiu localizar os chapins através de radiofrequência.

Desta forma, os cientistas observaram que as aves aprenderam a evitar as amêndoas amargas passados oito dias, mas os adultos aprenderam mais depressa do que os juvenis. “Importante é que a informação sobre as amêndoas amargas pareceu fluir através de ligações sociais previstas, especialmente dos adultos para os juvenis. Isso oferece uma solução para o problema dos predadores ingénuos, pois podem aprender a observar o comportamento de outros e não por tentativa e erro”, considerou a equipa, concluindo que “desta forma as pressões de selecção sobre as presas aposemáticas fica reduzida”.

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CTT lançam colecção de selos dedicada às Áreas Protegidas

Por Inês Sequeira — 7 de Julho de 2021, 17:59

São cinco os parques naturais abrangidos por esta iniciativa, que retrata também espécies da fauna portuguesa como o veado e a lagartixa-de-montanha.

A nova emissão filatélica é dedicada aos Parques Naturais de Montesinho, da Serra da Estrela, da Serra de Aire e Candeeiros, do Vale do Guadiana e da Ria Formosa. Tem Carla Caraça Ramos como designer.

“A Rede Nacional de Áreas Protegidas é o repositório da biodiversidade em Portugal, sendo que estas áreas apresentam, pela sua raridade, valor científico, ecológico, social ou cénico, uma relevância especial”, afirma o presidente do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), Nuno Banza – numa pagela publicada pelos CTT sobre os selos agora lançados – acrescentando que em causa estão 48 Áreas Protegidas e que “todas merecem ser visitadas e vividas”.

Cada um dos cinco selos desta colecção conjuga a fotografia de uma paisagem com outros dois retratos: uma espécie associada a esse mesmo parque natural e ainda outro aspecto particular que o distingue.

Assim, a paisagem do Parque Natural de Montesinho, situado no Nordeste Transmontano, é acompanhada pelas fotografias de um veado e de um carvalho centenário em Gondosende. E no que respeita à Serra da Estrela, por exemplo, o selo inclui uma imagem da lagartixa-de-montanha (Iberolacera monticola), espécie que em Portugal só aqui pode ser observada e que é endémica da Península Ibérica.

Um fóssil de bivalve do período Jurássico (Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros), um francelho (Parque Natural do Vale do Guadiana) e uma sultana (Parque Natural da Ria Formosa) são outras imagens de fauna publicadas no âmbito desta emissão filatélica, que foi lançada no dia 2 de Julho.


Saiba mais.

Descubra os cinco selos e mais informação sobre esta nova emissão filatélica, no site dos CTT.

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Dias com Vida Selvagem: Lagoas de Bertiandos, onde passadiços fazem sentido

Por Miguel Dantas da Gama — 7 de Julho de 2021, 15:39

Numa manhã amena deste início de verão quebrei a «rotina» da montanha para dar descanso às pernas, num breve passeio por relevo plano. Rodeado por outras serras do Noroeste de Portugal, a Paisagem Protegida das Lagoas de Bertiandos e de S. Pedro de Arcas merece uma visita.

Trata-se de uma interessante zona húmida onde, em depressões naturais, se formaram lagoas alimentadas pela água da chuva e pelo consequente aumento do lençol freático. Nomeadamente na bacia hidrográfica do rio Estorãos fluem vários ribeiros de caudal variável geradores de corpos de águas sazonais. Canais de regadio transportam água no verão e no inverno a subida do nível dos rios faz crescer as lagoas. 

Foto: Miguel Dantas da Gama

No miolo do espaço classificado prevalece o característico ambiente húmido das lagoas e dos bosques higrófilos que elas propiciam. Mas em qualquer dos percursos sugeridos, a diversidade de biótopos é maior. Áreas de pastagens e pinhais envolvem a zona alagada gerando diversidade de paisagens e encontros diversos para quem acorre ao local à procura de fauna selvagem, principalmente de aves. Para as que vivem com a água, Bertiandos é um refúgio importante no Inverno.

De entre os vários trilhos sinalizados e para os quais existem «flyers» de apoio, escolhi o denominado Percurso da Água. É um trajecto circular de 12,5 km com início no Centro Interpretativo Ambiental, ideal para se obter alguma informação adicional.

Os motivos de interesse que justificam a caminhada são diversos. Para além do mais óbvio, as lagoas, satisfazem igualmente os troços em que se atravessam ribeiros imersos em galerias ripícolas onde coexistem amieiros, salgueiros e freixos e outros em que se apreciam bosquetes de carvalho-alvarinho e azevinho ou pequenos vidoais.

Contrastando com estes espaços de vegetação densa, pequenos aglomerados de construções rurais e campos de cultivo a eles associados são percorridos nos troços abertos, dos quais nos é permitido avistar as encostas íngremes e pedregosas da vizinha e imponente serra D’Arga. O percurso passa pela Quinta de Pentieiros, uma infraestrutura dotada de equipamento de lazer e de uma quinta pedagógica, pelo grandioso Solar de Bertiandos, um ex-libris das casas senhoriais do Alto-Minho valorizado pela alameda de carvalhos que o une ao rio, e por construções diversas, como pontes, uma azenha ou a Estátua das Quatro Mãos, que evoca as freguesias abrangidas por este espaço natural do concelho de Ponte do Lima.

Foto: Miguel Dantas da Gama

O percurso é feito em perfis diversos. Trilhos de pé posto, estradas municipais alcatroadas, caminhos rurais empedrados. E passadiços, essas infraestruturas que, pelas piores razões, andam nas bocas do mundo. Mas aqui parecem fazer sentido. Destes, não se fala, porque são apenas um meio que melhor permite o alcance dos objectivos para que foi criado o espaço classificado e não o fim para que são atraídos os visitantes. São importantes para alcançar os terrenos intermitentemente inundados em torno das lagoas. Deles os visitantes não podem sair e os animais sabem disso, sentindo-se mais protegidos.

terreno plano cultivado
Foto: Miguel Dantas da Gama

Gostei particularmente da Lagoa do Mimoso. Rodeada por uma vegetação luxuriante, aprecia-se de um discreto observatório construído no próprio passadiço. É um dos locais de onde, com sorte e em época mais propícia, se podem avistar as aves dependentes das manchas de água. Garças-reais, frangas-d’água, galinhas-d´água, fuínhas-dos-juncos, mergulhões-pequenos, guarda-rios, rouxinóis-bravos e rouxinóis-dos-caniços destacam-se por isso das cerca de oitentas aves recenseadas. 

Fotos: Miguel Dantas da Gama

O corço, a lontra e a gineta estão presentes e evidenciam-se no conjunto dos mamíferos, constituído por muitas outras espécies mais vulgares, como o javali e a raposa. Entre os répteis assinala-se a presença das duas cobras de água, a de colar e a viperina. A truta-do-rio é uma das inúmeras espécies dos peixes que povoam esta importante zona húmida do norte do país.

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Nasceu um hipopótamo em risco de extinção no Zoo Santo Inácio

Por Inês Sequeira — 7 de Julho de 2021, 12:06

Estima-se que em todo o mundo restam entre 2.000 e 2.400 hipopótamos-pigmeu, afectados pela indústria madeireira e pela caça intensiva, entre outras ameaças.

Os hipopótamos-pigmeu (Choeropsis liberiensis) estão Em Perigo de extinção na sua área de origem na África Ocidental, em países como a Costa do Marfim e a Libéria. Entre as ameaças contam-se a desflorestação associada à indústria madeireira, a ocupação humana dos territórios onde vivem, a caça intensiva e ainda os conflitos armados nessas zonas.

A nova cria, baptizada com o nome Valentina. Foto: Zoo de Santo Inácio

“Em todo o mundo, estima-se existirem apenas entre 2000 e 2400 hipopótamos desta espécie, por isso este nascimento é particularmente especial para todos nós e permite-nos reforçar o nosso propósito de proteção e de preservação de espécies, especialmente as ameaçadas de extinção”, explica Teresa Guedes, diretora do Zoo Santo Inácio, situado em Vila Nova de Gaia, num comunicado enviado à Wilder.

Após seis meses e meio de gestação, a nova cria nasceu a 14 de Fevereiro, Dia de São Valentim, e por isso foi baptizada de Valentina. “Até à data esteve na recolha para receber os cuidados maternais exigidos nos primeiros meses de vida”, adianta o parque zoológico, onde a partir desta semana a pequena fêmea de hipopótamo já pode ser vista quando passeia no habitat exterior.

Foto: Zoo de Santo Inácio

Valentina nasceu a pesar cerca de sete quilos e é filha de Romina e Kibwana, “os únicos dois membros do grupo de hipopótamos-pigmeu do parque zoológico.” A espécie de hipopótamo a que pertence está inserida no Programa Europeu de Preservação de Espécies Ameaçadas de Extinção da Associação Europeia de Zoos e Aquários, pelo que “este nascimento se revela fundamental para a gestão e conservação da espécie à escala global.”

Os hipopótamos-pigmeu são muito parecidos com os hipopótamos comuns. São de cor preta, com um tom acastanhado ou esverdeado, e têm uma pele lisa, que é mantida sempre húmida e brilhante. As crias atingem a maturidade entre com cinco a seis anos, sendo que apenas um em cada dez nascimentos são de machos. 

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Os robalos estão a nascer mais tarde e isso pode afectar o futuro da espécie

Por Inês Sequeira — 6 de Julho de 2021, 16:33

Investigadores portugueses analisaram de que forma é que a temperatura do mar e as variações atmosféricas e oceânicas estão a afectar o ciclo de vida da espécie. E estão preocupados com a sobrevivência destes peixes.

A investigação foi coordenada por cientistas do Marine Research Lab do Centro de Ecologia Funcional (CEF), ligado à Universidade de Coimbra, e contou também com investigadores do CCMAR – Centro de Ciências Marinhas, da Universidade do Algarve.

A equipa concluiu que o aumento da temperatura da água do mar faz com que os robalos (Dicentrarchus labrax) nasçam cada vez mais tarde. O problema é que essa mudança pode prejudicar a sobrevivência destes peixes nas primeiras fases de vida, alertam os investigadores.

Desde logo, porque esta alteração nos nascimentos “pode ser prejudicial devido à possível quebra da sincronia entre as larvas recém eclodidas e a sua fonte preferencial de alimento, o zooplâncton”, avança Filipe Martinho, um dos autores do artigo publicado na revista científica Marine Environmental Research, citado num comunicado da Universidade de Coimbra.

Mas porque é que sucede esse atraso? Habitualmente, na costa portuguesa, os robalos costumam desovar entre Janeiro e Março, “quando as águas tendem a ser mais frias”. “Neste período o abaixamento repentino da temperatura da água acaba por actuar como um estímulo para a desova do robalo”, explicou a equipa coordenadora do estudo, liderada por Miguel Pinto, contactada pela Wilder.

Foto: Roberto Pillon

No entanto, quando a água do mar é mais quente no Inverno, os peixes acabam por direccionar as reservas energéticas para o seu crescimento e atrasam a maturação dos ovos e a sua fertilização, o que leva a que as larvas de robalo nasçam mais tarde. “Estes efeitos podem ser ainda mais severos em populações muito exploradas pela pesca, que têm menos resiliência às alterações do meio”, avisam estes investigadores.

Tal como acontece na superfície terrestre, também no oceano as diferentes espécies adaptaram os seus ciclos de vida aos das presas, de forma a que haja alimento suficiente quando nascem as crias. No caso dos robalos, estas alimentam-se de minúsculos organismos marinhos conhecidos como zooplâncton.

“Existe um fenómeno bem documentado na literatura relativo à ligação entre a reprodução dos peixes e o pico anual de abundância de zooplâncton, geralmente no início da Primavera”, notam. Se as larvas de robalo saírem dos ovos mais tarde, podem “falhar este pico” e enfrentar um período com pouco alimento disponível, “o que irá pôr em causa a sua sobrevivência”. 

Ainda assim, esta possível discrepância é uma relação que terá de ser mais estudada e por isso deve ser vista “com as devidas reservas.”

A migração dos robalos

É no mar que os robalos adultos desovam, mas as larvas que nascem passados poucos dias migram imediatamente para sítios mais seguros e abrigados, como lagoas costeiras e estuários. A migração para esses locais, conhecidos como “zonas de viveiro”, dura ainda cerca de um a dois meses.

Assim, ao chegarem ao destino já enquanto pequenos juvenis, os robalos “vão crescer rapidamente devido a factores como alta disponibilidade de alimento – os estuários são, biologicamente falando, dos locais mais produtivos do planeta – e protecção contra predadores”. 

Passados dois a três anos de crescimento nestas zonas de viveiro, estes peixes iniciam nova migração em direcção ao oceano antes de atingirem a maturidade sexual. Se tudo correr bem será aí que se vão reproduzir, antes de fecharem o seu ciclo de vida.

Robalo (Dicentrarchus labrax). Foto: Citron/Wiki Commons

No entanto, se os nascimentos das larvas acontecerem mais tarde devido à subida da temperatura das águas, podem “coincidir com os fenómenos de afloramento costeiro típicos da Primavera e Verão”, impedindo-as desta forma “de chegar aos estuários”, aponta Filipe Martinho.

O afloramento costeiro – conhecido também por ‘Upwelling’ – traduz-se num movimento de massas de água do fundo do oceano para a superfície. Está muito relacionado com o vento norte, que “ao forçar a deslocação das massas de água superficiais do oceano para longe da costa, leva a que as massas de águas da profundidade, ricas em nutrientes, se desloquem para a superfície”, descreve a equipa. Normalmente, este fenómeno começa a ganhar força com o início da Primavera e Verão.

Ora, como as larvas de robalo que migram do oceano para a costa portuguesa “ainda não têm autonomia natatória completa”, ficam mais dependentes das correntes marinhas. Se o afloramento costeiro já estiver muito intenso na altura da migração, acaba por “empurrá-las constantemente para o alto mar, dificultando a sua chegada a locais costeiros e induzindo elevadas taxas de mortalidade.” 

O que tem a Oscilação do Atlântico Norte a ver com isto?

A Oscilação do Atlântico Norte (conhecida por NAO, na sigla inglesa) é um fenómeno atmosférico que influencia os padrões climáticos no Atlântico Norte, incluindo a Europa Ocidental e a América do Norte. O valor desta oscilação é calculado pela diferença nos valores de pressão atmosférica entre Reykjavík (Islândia) e São Miguel (Açores).

Ora, o nascimento mais tardio dos robalos pode agravar-se em anos de Oscilação do Atlântico Norte negativos, uma vez que são “períodos de produtividade oceânica muito reduzida”, alerta Filipe Martinho. Nesses anos, “o atrasar da eclosão poderá contribuir para uma elevada mortalidade dos juvenis [de robalo], com efeitos negativos nos stocks pesqueiros a longo prazo.”

Isto porque “em anos de valores mais negativos, são de esperar piores condições oceânicas com águas mais frias e anos mais chuvosos no sul da Europa”, acrescenta a equipa. Em contrapartida, nos anos em que o NAO tem um valor positivo, “espera-se um clima mais moderado/suave, com temperaturas de água mais quentes e clima menos ventoso no sul da Europa”.

A importância dos otólitos

No âmbito da investigação, os cientistas compararam as datas de nascimento e o crescimento de robalos na costa portuguesa ao longo de sete anos, entre 2011 e 2017.

Por ser difícil o acesso às amostras de que precisavam no meio marinho, os investigadores optaram por analisar os otólitos dos robalos. Estes órgãos compostos por carbonato de cálcio, que existem no interior do ouvido interno de todos os peixes ósseos, “desempenham uma função importante na audição, orientação e equilíbrio”, explica Filipe Martinho.

Por outro lado, são uma ferramenta importante para os cientistas, uma vez que “é depositada uma nova camada de material em função dos ritmos circadianos, sazonais e anuais, formando um anel distinto, e que permite a reconstrução da história de vida dos peixes com elevada resolução”. Assim, é possível contar estas marcas como se fossem os anéis do tronco de uma árvore.

Mas o que conseguiram os investigadores avaliar? “A deposição de um novo anel a cada dia permitiu determinar com precisão a sua data de nascimento, a sua idade, bem como a taxa de crescimento diária, obtida através da distância medida entre cada anel.”

Os resultados podem ajudar a prever que consequências é que as alterações climáticas vão ter para o robalo, mas também a gerir melhor os stocks da espécie no que respeita às políticas de pesca, consideram os investigadores da Universidade de Coimbra.

Estes alertam que “o robalo é uma espécie muito apreciada pelos consumidores, o que tem contribuído para o seu declínio generalizado em estado selvagem na Europa”, mas notam que em Portugal a situação da espécie é desconhecida. “Mais do que nunca é necessário desenvolver medidas de gestão e proteção direcionadas a esta espécie.”

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