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Que espécie é esta: gaiola-de-bruxa

Por Equipa Wilder — 29 de Novembro de 2022, 17:39

A leitora Filipa Sousa encontrou este fungo em Galamares a 10 de Novembro e pediu ajuda para saber a espécie. A associação Ecofungos responde. 

“Vi hoje (10 de Novembro) este cogumelo no meu jardim em Galamares. Será uma gaiola de bruxa? É venenoso? Infelizmente o cão passou por cima e destruiu…”, escreveu a leitora à Wilder.

Trata-se do fungo da espécie Clathrus ruber, conhecido pelos nomes comuns de gaiola-de-bruxa, gaiola-vermelha ou lanterna-das-bruxas.

Espécie identificada e texto por:  Ecofungos – Associação Micológica.

Esta é uma espécie particularmente interessante de fungo. É uma espécie saprófita, da família Phallaceae.

Surge com frequência no solo, em grupos ou isolado, sobre matéria orgânica em decomposição.

A frutificação inicia-se com o aparecimento de um “ovo” gelatinoso, que na maturação rompe e deixa a descoberto uma pseudo-gaiola vermelha. O ovo gelatinoso permite a disponibilização de humidade ao fruto, mantendo-o fresco mais tempo.

Esta rede vermelha mimetiza a carne em putrefacção, quer pela cor, quer pelo cheiro nauseabundo que exala, a fim de atrair insectos necrófagos. Na fase final de maturação, abre e acaba por se liquefazer no solo.

Essa estratégia permite que os insectos que aqui se banqueteiam contribuam para a dispersão dos esporos desta espécie.


Agora é a sua vez.

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Que espécie é esta: anel de fadas de Marasmius oreades

Por Equipa Wilder — 29 de Novembro de 2022, 17:28

O leitor Eduardo Trindade encontrou estes cogumelos a 14 de Novembro junto à Ria de Aveiro e pediu ajuda na identificação da espécie. A associação Ecofungos responde.

“Hoje (14 de Novembro) fotografei um conjunto de cogumelos com uma formação circular. Penso tratar-se de um ‘anel de fadas’, gostaria que me informassem se efectivamente se trata desse fenómeno natural. O registo foi feito num relvado junto à ria de Aveiro na praia da Costa Nova – Ilhavo.

Trata-se de um anel de fadas de Marasmius oreades.

Espécie identificada e texto por:  Ecofungos – Associação Micológica.

Trata-se efetivamente de um anel de fadas.

A espécie fotografada aparenta ser a Marasmius oreades, a qual comumente cresce radialmente criando este tipo de estrutura e, inclusive, é conhecida em Inglaterra por “fairy ring mushroom”.

A espécie, da Ordem das Agaricales, caracteriza-se por ter uma estrutura celular muito fibrosa, especialmente no pé.

Possui um chapéu convexo/umbonado que reage à presença ou ausência de humidade (hidrofílico), alterando a sua coloração, bem visível na foto do nosso amigo.

Trata-se um fungo decompositor que frutifica com vários exemplares (cogumelos) de pequenas dimensões (chapéu de 2 a 5 cm de diâmetro e altura até 8 cm), em prados.

É uma espécie muito apreciada gastronomicamente no Reino Unido, mas como é pouco conhecida entre nós, pode confundir-se com espécies tóxicas de Cortinarius ou outros Géneros, pelo que aconselhamos a não consumir.

Aqui tem mais informações sobre como se formam os anéis de fadas.


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Que espécie é esta: murta

Por Equipa Wilder — 29 de Novembro de 2022, 17:04

A leitora Margarida Bentes de Jesus fotografou esta planta na Mata Nacional da Machada a 6 de Novembro e pediu ajuda na identificação. Carine Azevedo responde.

“Fotografei ontem (6 de Novembro) este arbusto (cerca de 1-1,5 m altura) na mata nacional da Machada. Sabem dizer-me o que é?”, perguntou a leitora à Wilder.

Trata-se de uma murta (Myrtus communis).

Espécie identificada e texto por:  Carine Azevedo, consultora na gestão de património vegetal ao nível da reabilitação, conservação e segurança de espécies vegetais e de avaliação fitossanitária e de risco. Dedica-se também à comunicação de ciência para partilhar os pormenores fantásticos da vida das plantas. 

Trata-se de uma murta (Myrtus communis), uma espécie da família Myrtaceae, nativa da Europa, amplamente presente em Portugal, sobretudo nas regiões do centro e sul do país.

A murta é conhecida pelas suas flores, geralmente brancas e perfumadas e pelas suas folhas lustrosas e aromáticas, que quando pisadas, libertam um aroma semelhante ao da flor de laranjeira. 

Os frutos da murta, conhecidos por mastruços ou murtinhos,  são carnudos, azul-escuros, por vezes cobertos por um “pó” esbranquiçado. Amadurecem no final do verão e mantêm-se na planta por muito tempo. São aromáticos, comestíveis e apresentam um sabor amargo e resinoso.


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Que espécie é esta: aranha Zoropsis sp.

Por Equipa Wilder — 29 de Novembro de 2022, 16:53

A leitora Sónia Rodrigues encontrou esta aranha em Fontanelas, Sintra, a 14 de Novembro e pediu ajuda para saber qual a espécie. Pedro Sousa responde.

“Gostaria de saber qual a espécie a que pertence este bichinho. Foi avistado a 14/11, às 23h45, em Fontanelas, Sintra. Foi solta de seguida”, escreveu a leitora à Wilder.

Trata-se de uma aranha Zoropsis sp.

Espécie identificada e texto por: Pedro Sousa, investigador do CIBIO-InBIO (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos).

Não consigo identificar a aranha com uma certeza razoável com base nas fotos disponíveis. Talvez com uma foto de frente que mostre os olhos da aranha ou uma foto que mostre o dorso da mesma.

Ainda assim, tendo em conta o seu tamanho, e a sua capacidade para se segurar na parede de vidro do frasco, suspeito de que se trate de uma macho de Zoropsis.

E a maior das duas espécies conhecidas em Portugal continental é Zoropsis spinimana, a aranha-dos-troncos-grande.

Estas aranhas são grandes e, pelos vistos, existem relatos de mordeduras por esta espécie, que é de grandes dimensões e pode defender-se quando encurralada.

De qualquer forma as mordeduras parecem ter apenas efeitos moderados.


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Patos podem ajudar plantas a escapar ao aquecimento global

Por Helena Geraldes — 29 de Novembro de 2022, 13:51

As aves aquáticas têm um papel crucial para ajudar as plantas a enfrentar as alterações climáticas, por permitirem que estas se movam para latitudes mais frias durante a migração da Primavera, conclui um novo estudo científico internacional.

Sabe-se que as aves que comem bagas – as chamadas frugívoras, como os tordos ou os melros – dispersam as sementes das bagas ao ingeri-las e expulsá-las pelas fezes.

Mas até agora assumia-se que as sementes das plantas que não têm bagas (que são 92% das espécies das plantas com flor na Europa) eram incapazes de dispersar-se através das aves.

“Este novo estudo (publicado na revista Global Ecology and Biogeography) mostra, no entanto, que patos como os patos-reais – dos quais já se conhecia o seu papel como dispersores de plantas aquáticas – são vitais para dispersar as sementes de muitas plantas terrestres, especialmente durante a migração da Primavera quando se dirigem para Norte até às suas áreas de reprodução”, explicou, em comunicado, Andy Green, da Estación Biológica de Doñana – CSIC e um dos investigadores deste estudo.

A migração que as aves fazem na Primavera é, precisamente, o evento que permite às plantas mudar a sua distribuição e compensar o aquecimento global. A capacidade das aves frugívoras para transportar as sementes nesta direção, até destinos mais frios, é limitada já que se alimentam dos frutos das árvores e arbustos durante a migração de Outono, quando se dirigem para locais mais quentes onde vão passar o Inverno.

Pelo contrário, segundo o estudo, os patos são capazes de transportar as sementes na Primavera, quando se dirigem a destinos mais frios. Até agora não se sabia que podiam fazê-lo, já que a migração de Primavera acontece antes que as plantas produzam sementes.

“No entanto, este estudo contrasta com esta ideia, já que as aves aquáticas não recolhem as sementes directamente das plantas mas sim ingerem-nas meses depois de elas se produzirem, especialmente quando as filtram dos sedimentos dos lagos”, explicou Adam Lovas-Kiss, investigador do Instituto de Ecologia Aquática do Centro de Investigação Ecológica da Hungria.

Neste estudo, a equipa recolheu amostras dos excrementos de patos-reais durante um ano num dos maiores lagos da Hungria, o lago Velence, para onde se sabe que os patos-reais migram até 2.300 quilómetros entre as suas áreas de reprodução e de invernada.

Comparando com outras alturas do ano, na Primavera dispersaram-se mais espécies de plantas através dos excrementos, enquanto que no Inverno se encontrou um número maior de sementes por deposição.

Além disso, os investigadores observaram mais sementes de plantas terrestres do que aquáticas na Primavera, enquanto que em outras alturas do ano, as sementes de plantas aquáticas foram as dominantes.

No total, a equipa recolheu mais de 600 deposições e recuperou mais de 5.000 sementes, o que indica que um grande número de sementes conseguiu sobreviver através do aparelho digestivo da ave. Além disso, 40% do total de sementes conseguiu germinar depois em laboratório, o que indica que o processo de dispersão que as aves fazem é viável.

Até agora, a Ciência não sabia muito sobre a capacidade das relações entre os patos e muitas plantas. Os patos obtêm energia digerindo algumas sementes e, ao mesmo tempo, as plantas conseguem que algumas das suas sementes sejam dispersadas para novos habitats.

“Os patos-reais são bem conhecidos. São uma espécie com uma distribuição muito ampla e que encontramos muitas vezes em parques. Muitas pessoas consideram-nas uma espécie recreativa e são um recurso cinegético. Mas há cada vez mais provas de que também têm um papel importante como dispersores de sementes”, conclui Adam Lovas-Kiss.

“Até agora acreditava-se que estas espécies de plantas apenas podiam dispersar-se escassos metros, se tanto, o que não seria suficiente para compensar o avanço das alterações climáticas. Mas estas aves podem dispersas sementes ao longo de centenas de quilómetros durante a sua migração. Os patos estão, por isso, a oferecer um serviço ecossistémico vital que está a ajudar os ecossistemas a adaptar-se às alterações drásticas associadas ao aquecimento global”, notou Andy Green.

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Hospital de animais selvagens em Olhão recebe 50.000 euros para obras

Por Helena Geraldes — 29 de Novembro de 2022, 12:45

O RIAS, Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens em Olhão que recebe 3.000 animais selvagens por ano, conseguiu financiamento do Fundo ambiental no valor de 50.000 euros para obras de requalificação, anunciou hoje.

Este centro de recuperação, o único no Algarve e Baixo Alentejo, irá receber cerca de 50.000 euros que serão aplicados em obras de requalificação de várias instalações. 

O financiamento será usado para, por exemplo, rever toda a instalação elétrica do centro e alterar o sistema luminoso, substituir a rede do teto de instalações exteriores de recuperação e melhorar as condições de recuperação para mamíferos e répteis.

Mocho-galego (Athene noctua) recuperado pelo RIAS e devolvido à natureza em Setembro. Foto: RIAS

Segundo o RIAS, instalado na Quinta de Marim (Olhão), “estas intervenções já estão a decorrer desde Novembro, prevendo-se a sua finalização nos próximos meses”.

Já no ano passado, a candidatura do RIAS ao Fundo Ambiental tinha também sido aprovada. Em 2021, com a verba recebida este centro de recuperação conseguiu “realizar obras que mudaram de forma significativa as condições de trabalho da equipa e dos mais de 3.000 animais que recebemos anualmente. Mas existe sempre espaço para melhoria”.

Fundo Ambiental é um apoio que financia entidades, atividades ou projetos que visem contribuir para a conservação da Natureza em todas as suas vertentes (alterações climáticas, recursos hídricos, resíduos e conservação da  biodiversidade).

Este ano, o Fundo Ambiental recebeu, entre 21 de Junho e 1 de Agosto, 13 candidaturas para ajudar centros de recuperação de espécies selvagens, apresentadas pelo município de Vila Nova de Gaia, Sociedade Portuguesa de Vida Selvagem, Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), Associação ALDEIA, Câmara Municipal de Lisboa, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Liga para a Protecção da Natureza (LPN), Amigos Picudos – Associação para a Preservação e Protecção dos Ouriços e Quercus.

Todas foram aprovadas, num financiamento total de 612.711,31 euros.

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Aprovada protecção sem precedentes para tubarões na COP19 da CITES

Por Helena Geraldes — 29 de Novembro de 2022, 10:41

A 19ª Conferência Mundial sobre Vida Silvestre (COP19 CITES) terminou na sexta-feira, 25 de Novembro, no Panamá, com governos de 160 países a acordarem nova protecção para mais 500 espécies ameaçadas pelo comércio internacional, incluindo medidas sem precedentes para tubarões e raias.

Entre os resultados da reunião, que começou a 14 de Novembro e reuniu cerca de 2.500 pessoas de mais de 160 países, estão novos controlos sem precedentes ao comércio de barbatanas de tubarão e maior protecção para muitas espécies apanhadas no comércio internacional de animais exóticos como rãs de vidro e tartarugas.

“Mais de um milhão de espécies estão em risco de extinção se não mudarmos a forma como tratamos a vida selvagem”, disse, em comunicado, Matthew Collis, vice-presidente do IFAW (Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal).

“Os governos na CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens) mostraram que estão a começar a aperceber-se da dimensão do desafio exigido para enfrentar a crise que o mundo natural enfrenta. A sobre-exploração das espécies, incluindo através do comércio internacional, é um factor crucial para o declínio de muitas espécies”, acrescentou.

A reunião – onde se debateram propostas de alteração aos anexos I, II e III da CITES – aprovou 46 das 52 propostas apresentadas. Assim conseguiu-se reforçar a protecção de mais de 500 novas espécies de tubarões, lagartixas, tartarugas, peixes, aves, rãs e árvores, através da regulação do comércio internacional, destacou o Ministério do Ambiente do Panamá.

A protecção de 66 espécies de tubarões e de raias e da rã de vidro foram as propostas mais destacadas. “Isso foi um grande sucesso porque o grupo de animais mais ameaçado pelas alterações climáticas são os anfíbios, logo seguidos dos tubarões e das raias”, disse à agência de notícias EFE Joaquín de la Torre, director regional para a América Latina do IFAW.

Segundo o IFAW, cerca de 100 espécies de tubarões e de raias foram adicionadas ao Anexo II da CITES para controlar o comércio mundial insustentável das suas barbatanas e carne, um comércio que levou alguns destes animais até à beira da extinção. Isto significa que agora quase todas as espécies de tubarões comercializadas internacionalmente estão sob o controlo da CITES, ou seja, só pode haver comércio legal e sustentável destes animais.

No Anexo II da CITES estão as espécies que, não estando necessariamente ameaçadas de extinção, poderão passar a estar se o seu comércio não for controlado.

Esta reunião também ratificou a adopção das propostas de inclusão no Anexo II das rãs de vidro (rãs com pele semi-transparente, através da qual podemos ver o seu esqueleto, intestinos e coração), muito procuradas por coleccionadores de animais exóticos.

Uma análise aos registos de importação referentes aos Estados Unidos, revela que entre 2016 e 2021 as importações de rãs de vidro aumentaram de 13 indivíduos vivos em 2016 para 5.744 indivíduos em 2021.

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), 50% das espécies de rãs de vidro avaliadas pela Lista Vermelha estão Em Perigo de extinção, com 10 espécies classificadas como Criticamente Em Perigo, 28 como Em Perigo e 21 como Vulneráveis.

Também houve boas notícias para elefantes e rinocerontes, uma vez que os governos membros da CITES voltaram a rejeitar propostas para reabrir o comércio internacional de marfim e corno de rinoceronte. “Tornou-se claro que não há vontade de reabrir estes comércios perigosos. Em vez disso, a comunidade internacional deve encontrar novas formas para gerar receitas para a conservação, sem expor os animais a serem caçados”, comentou Matthew Collis.

A CITES é um acordo internacional entre 184 países e também a União Europeia (UE) que se reúne a cada três anos. Assinada em Washington D.C. a 3 de Março de 1973 e em vigor desde 1 de Julho de 1975, actualmente oferece protecção a mais de 38.000 espécies por todo o mundo. 

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Zoo de Lisboa abre quadra natalícia com apresentação de cria de veado Em Perigo

Por Helena Geraldes — 28 de Novembro de 2022, 22:09

Chama-se Rodolfo e é uma cria de veado-da-birmânia (Rucervus eldii thamin), espécie Em Perigo de extinção que nasceu há um mês no Zoo de Lisboa. A 3 de Dezembro será apresentada ao público, no âmbito das celebrações natalícias do Jardim Zoológico.

No dia 3 de Dezembro, o Jardim Zoológico veste-se a rigor para receber o Pai Natal e celebrar o primeiro mês de vida de Rodolfo, uma cria de veado-da-birmânia (Rucervus eldii thamin) e o mais recente nascimento do Zoo.

Classificado como Em Perigo pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), esta espécie tem como principal ameaça a caça para consumo humano e obtenção das hastes, uma estrutura presente na cabeça dos machos que, além da defesa do território, permite que estes disputem pelas fêmeas na época de acasalamento.

“Pela pressão a que a espécie está exposta, este nascimento traz esperança na sua recuperação”, comentou o Zoo de Lisboa em comunicado.

Este evento marca a abertura da quadra natalícia no Jardim Zoológico que apresenta a sua agenda de Natal.

A Chegada do Pai Natal e dos seus duendes tem lugar no sábado, dia 3 de Dezembro, pelas 11h00, na Baía dos Golfinhos. Para o fim-de-semana, o Pai Natal traz o saco recheado de presentes sob forma de enriquecimento ambiental para as diferentes espécies do Zoo, desde zebras e ursos a tigres e araras. Este conjunto de técnicas, aplicadas no interior das instalações, têm como objetivo “estimular os animais a realizar os seus comportamentos naturais”.

Nos dias 3 e 4 de Dezembro há os ateliers “Natal com Ciência” e “Plante o seu pinheiro” para despertar a curiosidade de miúdos e graúdos e estimular o gosto pela experimentação. Ainda por estes dias, destaque para o mundo das abelhas, através das conversas com o apicultor, no Vale dos Tigres.

Das 11h00 às 17h00, as crianças podem divertir-se no “Cantinho da Leitura”, na “Oficina dos Brinquedos” e no “Atelier de Construção de Brinquedos”, e ainda descobrir o brinde por detrás do calendário de advento, ou mesmo conhecer o Pai Natal e escrever-lhe a tão esperada carta.

Nos dias 3, 4, 17 e 18 de Dezembro, entre as 11h00 e as 17h00, é possível participar num atelier criativo para fazer enfeites de Natal.

No fim de semana de 10 e 11 de Dezembro, realizam-se dois espetáculos diários de magia, às 12h00 e às 16h00, durante o qual crianças e mágico terão de fazer aparecer os efeitos de Natal perdidos.

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IPSS de Loulé plantam árvores para promover pomar de sequeiro

Por Helena Geraldes — 28 de Novembro de 2022, 15:49

A plantação aconteceu na aldeia da Tôr a 23 de Novembro para assinalar o Dia da Floresta Autóctone e para promover a importância das espécies nativas locais para a sustentabilidade dos ecossistemas.

A plantação contou com o envolvimento de duas instituições de solidariedade social do concelho de Loulé, a Existir, com 21 utentes e pessoal auxiliar, e a UNIR, com 12.

Foto: Câmara de Loulé

Num terreno do barrocal algarvio naquela aldeia foram plantadas 18 árvores de pomar misto de sequeiro: quatro loureiros, quatro oliveiras, três alfarrobeiras, três amendoeiras, duas figueiras e duas romãzeiras.

A iniciativa, promovida pelo Município de Loulé, pretendeu assinalar a importância da conservação das florestas naturais para o equilíbrio ambiental.

Foto: Câmara de Loulé

“Enquadrada no desiderato da Câmara Municipal de Loulé de, nos próximos anos, pintar de verde o seu território com milhares de árvores, esta ação segue os pressupostos de que é fundamental envolver toda a comunidade neste objetivo de preservação do património natural, uma riqueza que é de todos”, escreve a autarquia em comunicado.

O Dia da Floresta Autóctone foi escolhido como alternativa ao Dia Mundial da Floresta (21 de Março), criado originalmente para países do norte da Europa, que têm nessa altura melhores condições para a plantação de árvores. Na Península Ibérica, as condições climatéricas do mês de Novembro, com temperaturas mais baixas e alguma precipitação, são mais favoráveis para a plantação de árvores.

Foto: Câmara de Loulé

“As florestas autóctones caracterizam-se por terem uma grande área de árvores nativas do próprio território e são de extrema importância, uma vez que servem como área de refúgio e reprodução de um grande número de animais, importantes para o equilíbrio da fauna e flora locais. São também mais resistentes a pragas, doenças e períodos de seca ou chuvas intensas, ajudando por isso a manter a fertilidade do espaço natural e o equilíbrio biológico das paisagens.”

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Conheça as cinco espécies de pilritos que ocorrem em Portugal

Por Elisabete Silva / SPEA — 25 de Novembro de 2022, 16:40

Elisabete Silva, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), apresenta-nos estas curiosas aves pequeninas e irrequietas, que podemos ver com mais facilidade agora nesta época.

Ao caminhar junto da rebentação é muito comum avistarem-se umas aves pequeninas e irrequietas. É um vai e vem constante junto à maré à procura de pequenos invertebrados para se deliciarem. Chamam-se pilritos e são verdadeiros viajantes de longa distância, alguns deles são conhecidos até como “mensageiros do Ártico”.

1. Pilrito-das-praias (Calidris alba)

Pilrito-das-praias (Calidris alba). Foto: Jean-Jacques Boujot/Wiki Commons

Este é um dos pilritos mais comuns da nossa avifauna. É de pequenas dimensões e pode ser facilmente observado na maioria das praias do nosso território. Também pode ocorrer em algumas zonas rochosas com poças de água e em grandes estuários ou em salinas.

Esta espécie é relativamente fácil de identificar: apresenta uma tonalidade geral pálida só interrompida pelo bico e patas pretas, e pelas penas centrais da cauda. É ligeiramente mais pálido nas partes inferiores do corpo do que nas superiores. Embora seja mais ou menos do mesmo tamanho que o pilrito-comum (Calidris alpina), o pilrito-das-praias tem um ar mais atarracado, com o bico e a cabeça mais compactos.

Esta espécie nidifica exclusivamente no alto Ártico. Os dados mais recentes indicam que os pilritos-das-praias que ocorrem em Portugal, de passagem e no inverno, deverão ser sobretudo originários da Gronelândia e da ilha canadiana de Ellesmere. 

O censo do Projeto Arenaria demonstrou que esta era a mais numerosa das limícolas invernantes nas praias do litoral continental. O número de invernantes na costa foi estimado em cerca de 3000 indivíduos. A população parece estar estável sendo o seu estatuto de conservação atual em Portugal de Pouco Preocupante. No entanto, sendo uma espécie que nidifica no Ártico, os especialistas temem que possa sofrer drasticamente com as alterações climáticas.

Embora possa ocorrer durante todo o ano, a melhor altura para observar esta espécie no nosso país é entre setembro e março.

2. Pilrito-comum (Calidris alpina)

Pilrito-comum (Calidris alpina). Foto: Charles J. Sharp/Wiki Commons

O pilrito-comum é uma pequena limícola com a plumagem em tons que variam entre o castanho e o cinzento. É também conhecido como pilrito-de-peito-preto, uma vez que a sua plumagem nupcial apresenta o ventre preto, contrastando com o branco que cobre as partes inferiores. O seu bico é ligeiramente curvado, mais longo que o do pilrito-pequeno (Calidris minuta) e mais curto que o do pilrito-de-bico-comprido (Calidris ferruginea). Em voo, apresenta uma risca branca nas asas e o uropígio branco com uma risca central preta.

Alimenta-se sobretudo durante a maré vazia, podendo frequentemente ser visto junto de borrelhos ou outras espécies de pilritos.

Ocorre em Portugal sobretudo como migrador de passagem e invernante, mas na prática pode ser observado durante todo o ano, pois mesmo nos meses de verão ocorrem alguns indivíduos não reprodutores. Os pilritos-comuns que passam o inverno no nosso país são sobretudo originários da Escandinávia e da Rússia, enquanto que os migradores de passagem vêm sobretudo da Islândia e da Gronelândia. 

Em Portugal continental, esta é a espécie de limícola mais comum em zonas estuarinas e em rias, sendo particularmente numerosa nos estuários do Tejo e do Sado, na Ria de Aveiro e na Ria Formosa. Nestes locais, podem ser observadas concentrações de algumas centenas ou mesmo milhares de indivíduos.

3. Pilrito-escuro (Calidris maritima)

Pilrito-escuro (Calidris maritima). Foto: Andreas Trepte/Wiki Commons

O pilrito-escuro é bastante fácil de identificar, já que é relativamente grande comparado com as restantes espécies de pilritos, sendo quase do tamanho de uma seixoeira (Calidris canutus). Tal como o nome indica, a sua plumagem apresenta tons escuros, contrastando com as patas e base do bico amarelas.

Esta limícola, que nidifica em regiões árticas e subárticas, tende a invernar em latitudes temperadas frias e Portugal encontra-se já praticamente fora da sua área de distribuição, pelo que a espécie é escassa no nosso país. A melhor forma de ver esta espécie é ir até à zona de Oeiras. É possível que a espécie ocorra regularmente noutros locais, mas os seus hábitos discretos e a sua plumagem pouco vistosa fazem com que não seja muito fácil de encontrar.

Muitas vezes é visto isolado: raramente se reúnem mais de cinco ou seis indivíduos. Frequenta apenas praias com rochas expostas, nas quais se alimenta, muitas vezes na companhia de rolas-do-mar (Arenaria interpres). Por vezes, também pode ser visto em portos de abrigo.

O seu estatuto de conservação é Em Perigo (EN) e tendo em conta os resultados dos últimos censos o seu número reduzido poderá indicar que esta espécie se encontra em declínio, já que no passado o número de pilritos-escuros era mais elevado.

4. Pilrito-pequeno (Calidris minuta)

Pilrito-pequeno (Calidris minuta). Foto: José Prego/Wiki Commons

Como o nome indica, o pilrito-pequeno é das mais pequenas de entre as limícolas que ocorrem regularmente em Portugal, com cerca de 2/3 da dimensão do pilrito-das-praias (Calidris alba). Tem as patas curtas e escuras, e o seu bico comprido é fino e reto, ao contrário do do pilrito-de-bico-comprido. Da garganta ao abdómen a cor é branca. Na plumagem de inverno, o dorso e asas são acinzentados, enquanto na primavera e verão, estas partes são castanho-arruivadas com algumas penas escuras, dando um aspecto malhado.

O pilrito-pequeno é um migrador que passa pelo nosso país nas suas viagens entre o Ártico e África. A melhor época para observar esta espécie em Portugal é nos meses de setembro e outubro, e durante o inverno no Algarve e no estuário do Sado. Concentra-se sobretudo nas grandes zonas estuarinas e nos sistemas lagunares junto ao litoral. 

É frequente observar esta espécie na sua energética busca de alimento nas margens de diversos tipos de zonas húmidas de água doce e salobra. Frequentemente viajam com bandos de pilritos-de-peito-preto e outras limícolas.

5. Pilrito-de-bico-comprido (Calidris ferruginea)

Pilrito-de-bico-comprido (Calidris ferruginea). Foto: Hans Norelius/Wiki Commons

Esta espécie é fácil de identificar quando se encontra em plumagem nupcial, com a sua cor de ferrugem intensa na cabeça e no corpo. Já na plumagem de inverno, facilmente se confunde com o pilrito-de-peito-preto (Calidris alpina), a cujos bandos se junta muitas vezes nas zonas húmidas costeiras. Distingue-se pelo tamanho do bico, que é ligeiramente mais comprido, um pouco mais alto que o pilrito-de-peito-preto e pelo uropígio branco quando está em voo.

O pilrito-de-bico-comprido nidifica no Ártico e inverna em África e é uma das poucas espécies de aves que não nidifica nem inverna habitualmente na Europa, mas que ocorre todos os anos neste continente durante a sua passagem migratória, na primavera e no outono. 

No nosso país, esta espécie é mais visível entre julho e novembro, altura em que chegam a observar-se algumas dezenas de indivíduos, misturados com outras pequenas limícolas. A Reserva Natural do Estuário do Sado é um dos poucos locais em Portugal onde esta espécie pode ser observada. 

Ameaça comum

Um fator de ameaça muito relevante para os pilritos e outras aves que frequentam a nossa costa é a perturbação nas praias, tanto pela limpeza mecânica das praias como pela passagem frequente de pessoas e de cães sem trela.

Essa perturbação pode impedir que os pilritos consigam alimentar-se o suficiente para aguentarem as longas viagens migratórias que fazem: pelo próprio gasto energético de terem que andar sempre a levantar voo quando alguém se aproxima; porque ao evitar a perturbação podem acabar em zonas com menos alimento disponível; porque o tempo que passam a reagir à perturbação é tempo em que não estão a procurar alimento. Por isso, ao passear na praia, se vir um bando de pilritos procure manter a distância.


Conte as Aves que Contam Consigo

A série Conte as Aves que Contam Consigo insere-se no projeto “Ciência Cidadã – envolver voluntários na monitorização das populações de aves”, dinamizado pela SPEA em parceria com a Wilder – Rewilding your days e o Norwegian Institute for Nature Research (NINA) e financiado pelo Programa Cidadãos Ativos/Active Citizens Fund (EEAGrants), um fundo constituído por recursos públicos da Islândia, Liechtenstein e Noruega e gerido em Portugal pela Fundação Calouste Gulbenkian, em consórcio com a Fundação Bissaya Barreto.

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Que espécie é esta: lagarta de geometrídeo

Por Equipa Wilder — 23 de Novembro de 2022, 19:18

O leitor Fernando Matos fotografou esta lagarta no início de Novembro no lugar da Açoreira-Cinfães e quis saber qual a espécie a que pertence. A equipa da Rede de Estações de Borboletas Nocturnas responde.

“Encontrei esta lesma ou parecido num castanheiro, bem camuflado, como podem ver pelo ramo de castanheiro”, escreveu o leitor à Wilder.

Trata-se de uma lagarta de uma borboleta noturna da família Geometridae.

Espécie identificada e texto porRede de Estações de Borboletas Nocturnas.

Trata-se, sem dúvida, de uma lagarta de uma borboleta noturna da família Geometridae.

Sendo difícil avançar com uma identificação precisa, dada a similaridade das lagartas deste grupo, arriscamos dizer que pertence ao género Biston. 

Este género está representado por duas espécies em Portugal continental, Biston betularia e Biston strataria.

Aqui pode recordar outro registo da mesma família, feito pela leitora Odete Melo na Trofa a 26 de Setembro de 2020.


Agora é a sua vez.

Encontrou um animal ou planta que não sabe a que espécie pertence? Envie-nos para o nosso email a fotografia, a data e o local. Trabalhamos com uma equipa de especialistas que o vão ajudar.

Explore a série “Que espécie é esta?” e descubra quais as espécies que já foram identificadas, com a ajuda dos especialistas.

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Que espécie é esta: nabo-do-diabo

Por Equipa Wilder — 23 de Novembro de 2022, 16:35

A leitora Luisa Galhardo fotografou esta planta no seu quintal em Mafra em Julho e pediu para saber a que espécie pertence. Carine Azevedo responde.

“Esta planta cresce espontânea no meu quintal em Mafra, para grande regozijo dos caracóis. Fotografei-a a 1 de Maio. Dizem-me que é comestível, mas eu nem me atrevi porque desconheço de que planta se trata. Podem fazer o favor de a identificar e esclarecer se é comestível ou não?”, perguntou a leitora à Wilder.

Trata-se de um nabo-do-diabo (Bryonia cretica ssp. dioica).

Espécie identificada e texto por: Carine Azevedo, consultora na gestão de património vegetal ao nível da reabilitação, conservação e segurança de espécies vegetais e de avaliação fitossanitária e de risco. Dedica-se também à comunicação de ciência para partilhar os pormenores fantásticos da vida das plantas.

A planta das fotografias é uma espécie do género Bryonia, possivelmente Bryonia cretica ssp. dioica (anteriormente classificada como Bryonia dioica).

Esta planta pertence à família Cucurbitaceae e é vulgarmente conhecida como briónia-branca ou nabo-do-diabo.

É nativa do sul e oeste da Europa e em Portugal é muito comum em todo o território continental.

O nabo-do-diabo é uma planta herbácea, trepadora, que se apoia facilmente a outras plantas e estruturas por meio de gavinhas. Os caules são quadrangulares, fibrosos e revestidos de pêlos e as gavinhas são simples, verdes e podem crescer até cerca de 15 centímetros. 

As folhas são pecioladas e/ou palmadas e cordiformes na base, muito parecidas com as folhas da videira. São verde-escuras e geralmente ásperas, devido à presença de pêlos. A página superior é verde-escura e a parte inferior é glauca, devido à maior presença de pêlos.

As flores surgem em inflorescências, são formadas por cinco pétalas brancas, com linhas verdes e fundidas. As flores masculinas estão dispostas em cachos, em conjuntos de cerca de 17 flores, e as femininas estão dispostas em corimbos, em conjunto de sete flores.

O fruto é esférico, de cor verde, depois torna-se avermelhado quando maduro. As sementes são castanhas.

O nabo-do-diabo é conhecido pelas suas propriedades purgativas e diuréticas, embora a sua utilização deva ser sempre acompanhada e aconselhada por um técnico de saúde.


Agora é a sua vez.

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Que espécie é esta: aranha-dos-troncos-grande

Por Equipa Wilder — 23 de Novembro de 2022, 16:15

A leitora Alexandra Rosa encontrou esta aranha em Cascais-Sintra a 21 de Novembro e pediu ajuda para saber qual a espécie. Pedro Sousa responde.

“Encontrei a 21 de novembro na zona de Cascais-Sintra. Será uma aranha de tronco grande ou uma aranha lobo? Não consigo perceber bem”, escreveu a leitora à Wilder.

Trata-se de uma aranha-dos-troncos-grande (Zoropsis spinimana).

Espécie identificada e texto por: Pedro Sousa, investigador do CIBIO-InBIO (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos).

Parece ser uma Zoropsis spinimana, um macho.

Esta é a maior das duas espécies deste género que se conhecem em Portugal continental. Há uma terceira espécie que existe na Madeira.

Estas aranhas podem ser de grandes dimensões quando atingem o estado adulto, possuem quelíceras robustas e podem defender-se mordendo quando se sentem encurraladas, existindo registos de mordeduras por esta espécie na Suíça

De qualquer forma, as mordeduras parecem ter apenas efeitos moderados segundo o mesmo registo suíço, desaparecendo os seus efeitos passados poucos minutos ou horas.

Estas aranhas são robustas e podem encontrar-se ativas todo o ano. São capazes de subir a superfícies como vidro, ao contrário de espécies com aspecto semelhante, como as aranhas lobo.

São muitas vezes encontradas junto a construções humanas, onde procuram abrigo não só dentro de vasos e outros recipientes, mas também em pilhas de lenha ou debaixo da sua casca.


Agora é a sua vez.

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Rede portuguesa de Estações de Borboletas Nocturnas já registou mais de 500 espécies

Por Helena Geraldes — 23 de Novembro de 2022, 15:46

Saber onde estão e quando voam as borboletas nocturnas de Portugal é o objectivo da Rede de Estações de Borboletas Nocturnas. Desde que começaram em janeiro de 2021, os cidadãos que estão a registar estes insetos em 50 locais de amostragem, incluindo em quintais e varandas de Norte a Sul do país, já fizeram mais de 11.000 registos de 512 espécies. Os resultados de 2021 já estão publicados na plataforma GBIF (Global Biodiversity Information Facility).

A Wilder falou com João Nunes, coordenador do projecto de ciência-cidadã Rede de Estações de Borboletas Nocturnas (REBN), e com a restante equipa. Aqui contam como funciona esta rede de vários locais de amostragem dispersos pelo país onde, de uma forma coordenada, se faz a amostragem destes insectos com recurso a um método estandardizado baseado em armadilhas luminosas. Além de aumentar o conhecimento sobre as espécies de Portugal, esta rede – que recentemente passou a integrar a equipa de peritos do “Que Espécie é Esta?” – ajuda a reunir os naturalistas num objectivo comum.

Foto: Rede de Estações de Borboletas Nocturnas

WILDER: Quando e porquê começou esta a REBN a funcionar?

REBN: A Rede de Estações de Borboletas Nocturnas (REBN) começou a funcionar em Janeiro de 2021. Apesar de Portugal ter cerca de mais de 2.600 espécies de borboletas nocturnas conhecidas, os aspectos da ecologia e fenologia de muitas espécies são ainda mal conhecidos. Assim, achámos que um projecto de ciência-cidadã poderia ser a solução para uma amostragem em grande escala e de forma sistemática. Outro aspecto muito importante do projecto é a divulgação e sensibilização para a diversidade de espécies de borboletas nocturnas e o seu papel como bioindicador da qualidade dos habitats. 

W: Neste momento, quando estão prestes a fazer dois anos, quantas estações existem e onde se encontram?

REBN: Neste momento temos 50 locais de amostragem, que designamos de “Estações”. Estas estações estão distribuídas por todo o país e em vários habitats diferentes, que vão desde varandas em prédios inseridos em ambiente urbano até zonas dunares. Todos os habitats são interessantes de amostrar embora, por uma questão de facilidade de acesso regular, muitas estações estão localizadas em jardins e quintais. Uma característica demográfica do nosso país é também reflectida na distribuição das estações, já que muitas estão concentradas na faixa litoral, onde há uma maior concentração de população. Esta é uma tendência que gostaríamos de contrariar e estimular a criação de estações no interior do país, que é muito biodiverso.

Spilosoma lubricipeda. Foto: João Nunes

W: Qual o objectivo desta rede?

REBN: Um dos grandes objectivos da REBN é a recolha sistemática de dados sobre borboletas nocturnas em Portugal. Estes dados podem depois ser trabalhados de vários ângulos, mas de forma mais imediata é possível obter dados sobre a distribuição das espécies no território e períodos de voo. Pretendemos que a REBN seja um projecto de amostragem a longo prazo, de forma a trabalhar as tendências populacionais para as espécies mais comuns. Só com uma amostragem continuada no tempo, regular e padronizada é possível detectar variações nas populações de borboletas nocturnas. A REBN disponibiliza integralmente os dados que recolhe na Global Biodiversity Information Facility (GBIF), uma plataforma que agrega dados biológicos e que permite outros investigadores utilizarem os dados.

Ao integrarmos cidadãos que nunca tiveram contacto com as borboletas nocturnas estamos também a criar uma maior consciencialização para a diversidade de espécies e a necessidade de preservação dos habitats. Apesar de os dados serem muito úteis quando analisados em conjunto, há também uma outra dimensão local que é desafiante para os participantes, por exemplo, perceber quantas espécies visitam o seu jardim ou quintal.

W: Quem coordena as estações e de quem partiu a iniciativa?

REBN: A iniciativa para a criação deste projecto partiu do Helder Cardoso, ornitólogo e que se dedica a estudar borboletas nocturnas de forma amadora há 12 anos. Na sequência de amostrar durante vários anos na região Oeste, surgiu a ideia de tentar comparar dados com outros locais e seguiu-se o contacto com outros entusiastas das borboletas nocturnas.  Rapidamente a ideia evoluiu para a criação de um projecto de ciência-cidadã. Os moldes do projecto são muito próximos do que tem vindo a ser feito noutros países do norte e centro da europa, caso do Reino Unido, Holanda ou Bélgica. 

Foto: Rede de Estações de Borboletas Nocturnas

Neste momento o projecto é coordenado por um grupo informal de seis elementos (Ana Valadares, Helder Cardoso, João Nunes, João Tomás, Paula Banza e Thijs Valkenburg) e conta com o apoio de outras pessoas organizadas em pequenos grupos de trabalho, dedicados à edição do boletim informativo ou à divulgação do projecto. 

W: Em que consistem estas estações e como funcionam? 

REBN: A REBN é essencialmente uma rede de pontos de amostragem de borboletas nocturnas (Estações), com recurso a armadilhas luminosas não letais. Estas armadilhas são colocadas num local fixo e que, idealmente, não sofra muitas alterações de habitat. O princípio de funcionamento é muito simples: a lâmpada vai atrair as borboletas para dentro de uma caixa de retenção temporária. As borboletas ao entrarem, têm dificuldade em sair e vão ficar pousadas nas caixas de ovos vazias no interior. 

As armadilhas devem funcionar pelo menos uma vez por mês, onde a lâmpada é ligada ao final do dia e fica a atrair borboletas a noite toda para dentro da caixa de retenção. Na manhã seguinte a armadilha é visitada e procede-se à identificação e contagem do número de indivíduos por espécie e as borboletas são posteriormente libertadas. 

As amostragens decorrem durante todo o ano, já que muitas espécies estão apenas activas nos meses de inverno. 

Rhodometra sacraria. Foto: Ana Valadares

Mensalmente temos também a publicação de um boletim informativo (Borboletim). No boletim são abordados diversos temas relacionados com as borboletas nocturnas, incluindo artigos de identificação de espécies mais difíceis e também uma compilação dos dados do mês anterior. Qualquer pessoa pode subscrever o boletim gratuitamente e ficar a par do que se vai fazendo no projecto.

W: As pessoas comuns podem participar? Se sim, como? É preciso ter conhecimentos sobre estes insectos? 

REBN: A participação na REBN é aberta a todos, mesmo a quem não tem qualquer tipo de experiência prévia com borboletas nocturnas e a sua identificação. Basta ter vontade de aprender e descobrir o mundo natural. 

O primeiro passo para começar a participar é contactar a REBN de forma a podermos explicar como construir uma armadilha simples e onde a colocar. Criámos ainda várias ferramentas com o intuito de auxiliar quem está a começar incluindo um e-mail dedicado a dúvidas de identificação, um pequeno guia das borboletas nocturnas mais comuns e um grupo de Facebook. 

W: Na vossa opinião, qual a importância deste projecto?

REBN: Projectos de monitorização de invertebrados são algo de extrema importância no panorama actual para que possamos perceber e quantificar, a longo-prazo, as tendências nas populações destes organismos. O declínio dos insectos é uma problemática conhecida. Contudo, em Portugal não temos dados passados que nos permitam quantificar com rigor quanto perdemos até agora, ou quanto o cenário se modificou até agora. Projectos semelhantes à REBN já existem em alguns países da Europa. O projecto inglês já conta com mais de 30 anos de dados, o que permitiu constatar recentemente (“The State of Britain’s Larger Moths 2021 report”), entre outras coisas, a alteração dos padrões de distribuição de algumas espécies e uma generalizada queda na abundância. Este projecto pioneiro em Portugal permitirá, a longo-prazo, avaliar o estado das populações, a real fenologia e distribuição das espécies e a sua variação no tempo. A recolha de informação já começou, agora é a parte mais difícil, manter as amostragens. As borboletas nocturnas são um grupo usualmente utilizado neste tipo de estudos devido à facilidade de atracção destes animais.

Foto: Rede de Estações de Borboletas Nocturnas

W: Quais os principais resultados para já?

REBN: Após apenas um ano de amostragens completo, é difícil anunciar resultados muito elaborados por falta de relevância do componente tempo nos dados. Um ano de amostragens não é suficiente para avaliar tendências. Contudo, é de destacar a enorme massa de dados produzida que, no imediato, permitiu estender a área de distribuição conhecida de algumas espécies. Entre as 512 espécies registadas no projecto, o correspondente a mais de metade das macro-borboletas citadas para Portugal, em 41 foi possível aumentar a distribuição conhecida.

Foram angariados um total de 11.123 registos, o que por si só é um resultado surpreendente, fruto do trabalho de muitos cidadãos empenhados que possuem agora uma nova e recompensadora actividade.

W: Quais as espécies mais registadas?

REBN: Relativamente ao ano de 2021, as cinco espécies mais registadas ao nível de número de observações foram: Gymnoscelis rufifasciata (324), Eilema caniola (205), Hoplodrina ambigua (175), Idaea degeneraria (175) e Mythimna unipuncta (159). Já ao nível do número de indivíduos registados, as espécies mais contabilizadas foram Eilema caniola (1316), Agrotis puta (1060), Gymnoscelis rufifasciata (1019), Hoplodrina ambigua (805) e Rhodometra sacraria (745), sendo o pódio muito semelhante. Todas estas espécies são bastantes comuns em Portugal, por vezes mesmo em zonas urbanas, sendo previsível a sua predominância nos registos. No total, foram contabilizados 28.668 indivíduos.

Hyles euphorbiae. Foto: João Nunes

W: Qual o destino desses resultados?

REBN: O destino dos resultados vai-se tornando mais abrangente com a duração do projecto. A curto-prazo, o destino dos resultados passa principalmente por complementar o conhecimento de distribuição das espécies já existente. Os registos de 2021 em que isto se verifica serão publicados brevemente em revista científica, tendo a submissão do manuscrito já sido feita. Anualmente pretendemos também publicar todos os dados na plataforma GBIF (Sistema Global de Informação sobre Biodiversidade), de forma que os dados gerados possam ser utilizados livremente pela comunidade científica e não só. Todos os registos de 2021 foram recentes publicados, num total de 11.123 registos. Já a longo-prazo, pretende-se que os dados sejam utilizados de uma forma mais holística que permita aferir tendências globais e específicas de cada espécie, pelo menos das mais comuns. Para isso serão necessários alguns anos de trabalho, de forma a garantir que os resultados estatísticos representam as reais tendências e não variações anuais.

W: E como identificar borboletas nocturnas?

REBN: As borboletas nocturnas, tal como qualquer outro grupo de insectos e invertebrados, exigem um cuidado especial na sua identificação. Isto porque a diversidade existente nestes organismos é muito superior à observada, por exemplo, nos vertebrados, o que origina inúmeros casos de espécies morfologicamente pouco distintas entre si. Para além disso, são seres naturalmente pequenos, o que dificulta ainda mais a sua separação. Em muitos casos, a opinião de um especialista é necessária.

Contudo, entre os insectos, as borboletas são talvez a ordem mais fácil para se trabalhar ao nível das identificações. A existência de um padrão característico de cada espécie (mesmo que variável) garante diversidade morfológica suficiente para facilitar a tarefa, mesmo para um olhar menos experiente. Na REBN o grupo-alvo são as macro-borboletas nocturnas, que em si constituem perto de 1.000 das mais de 2.600 espécies de borboletas nocturnas registadas em Portugal. Nestas, a identificação passa muitas vezes por ser trivial, já que são espécies maiores e geralmente muito distintas entre si.

Mythimna unipuncta. Foto: Ana Valadares

A tarefa de identificação levada a cabo pelas estações de amostragem é auxiliada por parte do projecto de três formas: 1) Fornecimento de um guia fotográfico digital com as espécies mais comuns; este é principalmente útil nas primeiras abordagens ao tema; 2) Através de um email de apoio para o qual as estações podem enviar todas as dúvidas relacionadas com as identificações; 3) Através de um grupo restrito às estações na plataforma Facebook, onde são colocadas e esclarecidas dúvidas taxonómicas e metódicas.

Grande parte das espécies mais abundantes passam a ser facilmente reconhecidas pelos responsáveis das estações depois de algumas observações. Isto é potenciado pelo facto de as estações consistirem em pontos fixos de amostragem, ou seja, haverá naturalmente recorrência de várias espécies. Pormenores a ter em conta para uma correta identificação incluem a própria morfologia do insecto, principalmente o seu padrão, e o período de voo – espécies semelhantes podem ter períodos de voo diferentes. A comparação com imagens de espécimes correctamente identificados e o esclarecimento com os especialistas que coordenam o projecto em caso de dúvida será sempre a metodologia mais adequada.

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Ave que não era vista por cientistas há 140 anos reencontrada na Papua Nova Guiné

Por Inês Sequeira — 23 de Novembro de 2022, 15:15

Desde 1882 que não havia registos do pombo-faisão-de-nuca-preta, agora filmado e fotografado pela primeira vez. Acredita-se que é uma espécie extremamente rara.

Uma equipa de investigadores e de conservacionistas passou o mês de Setembro em buscas nas florestas da ilha de Fergusson, na Papua Nova Guiné, até finalmente obter provas da existência do pombo-faisão-de-nuca-preta (Otidiphaps insularis). Imagens desta ave foram captadas por uma das 20 câmaras de foto-armadilhagem colocadas em vários locais da ilha, incluindo a montanha mais alta, o Monte Kilkerran.

“Quando recolhemos as câmaras de foto-armadilhagem, calculei que haveria menos de 1% de hipóteses de conseguirmos uma fotografia do pombo-faisão-de-nuca-preta”, reagiu Jordan Boersma, um investigador ligado à Cornell Universety (EUA) e co-líder da expedição, citado numa notícia da American Birds Conservancy (ABC). Esta associação dedicada à conservação das aves foi outro dos parceiros desta viagem de exploração na ilha de Fergusson, no Pacífico Sul.

“Depois de um mês de procura, ao vermos estas primeiras imagens do pombo-faisão pareceu-nos que tínhamos encontrado um unicórnio”, comentou John Mittermeyer, director do programa Aves Perdidas, ligado à ABC, e outro dos co-líderes da expedição. “Este é o momento com o qual sonhas a vida inteira, enquanto conservacionista e observador de aves.”

O pombo-faisão-de-nuca-preta tem uma cauda larga e achatada e um tamanho semelhante ao dos faisões, tal como outras espécies de pombo-faisão. Havia notícias de observações por caçadores locais, mas a ave nunca mais tinha sido vista por cientistas desde a primeira vez em que foi descrita para a ciência, em 1882.

Chamado localmente de ‘Auwo’, acredita-se que este pombo-faisão seja extremamente raro, e a redescoberta poderá ajudar a evitar a sua extinção, pois a espécie está ameaçada pela destruição das florestas onde vive. Os membros da equipa aperceberam-se de que o maior número destas aves se distribui pelo sopé do Monte Kilkerran, pois foi onde começaram a ouvir relatos da parte dos habitantes locais.

Foi aliás graças a um caçador local, Augustin Gregory, que a equipa finalmente obteve registos desta ave, dois antes da data agendada para o final da viagem. Este caçador explicou que já tinha observado a espécie várias vezes, num local de florestas densas junto ao rio Kwama, e que já tinha também ouvido os seus chamamentos. Nessa área foi colocada uma máquina de foto-armadilhagem que finalmente captou imagens da ave, 140 anos depois do último registo.

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Que espécie é esta: cogumelo Leratiomyces ceres

Por Equipa Wilder — 23 de Novembro de 2022, 08:06

O leitor Artur Cadete fotografou este cogumelo em Angeja, Albergaria-a-Velha, a 19 de Novembro, e pediu a identificação da espécie. A associação Ecofungos responde.

Trata-se de um Leratiomyces ceres, uma atualização taxonómica de Stropharia aurantiaca

Identificação da espécie e texto por: Ecofungos – Associação Micológica.

O chapéu possui uma cutícula bastante viscosa e nas margens podemos constatar a presença de vestígios da cortina protetora do himenófero (ou seja das lâminas na parte inferior do chapéu) – flóculos brancos. 

A cortina protege as lâminas de ataques de insetos na fase de crescimento do cogumelo. 

As lâminas, na sua maturação, variam na cor, de amarelas/cremes a pretas.


Agora é a sua vez.

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Leitores: onde ver pernilongos

Por João Serafim — 22 de Novembro de 2022, 12:02

João Serafim, 41 anos, escolheu o Sítio das Marinhas, na Moita, como um dos seus locais preferidos para estar na natureza. Ali, uma das aves de eleição são os lindos pernilongos.

Quero aqui deixar o meu testemunho de um lugar que adoro frequentar, passear e fotografar várias espécies de aves.

O Sítio das Marinhas – Centro de Interpretação Ambiental da Moita é um local onde passam várias espécies de aves e onde eu já tirei várias fotografias, algumas delas engraçadas, pelas várias posições em que alguma aves se colocam. Até parece que fazem pose para a foto.

Mas o que trago para mostrar são algumas fotos desta ave linda que se chama pernilongo (Himantopus himantopus), uma ave que habita por aqui praticamente todo ano.

É um local que adoro e gostava de deixar aqui o meu testemunho deste local e da variada fauna que por aqui se encontra.


Conheça aqui e aqui outras fotografias de natureza de João Serafim.

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O que procurar no Outono: o dragoeiro

Por Carine Azevedo — 18 de Novembro de 2022, 17:11

Carine Azevedo apresenta-nos esta espécie nativa da Madeira e dos Açores, que encontramos também em muitos jardins do continente, considerada uma das plantas mais originais e interessantes do mundo.

Muitas plantas chamam a atenção pela sua altura, diâmetro do tronco, tamanho da copa, pela sua forma ou longevidade. O dragoeiro (Dracaena draco) soma todas estas particularidades e muito mais. 

É um fóssil vivo que se destaca pelo seu aspecto invulgar e exótico, com uma copa em forma de guarda-chuva fractal. A sua seiva, em contacto com o ar, oxida e forma uma resina de tom vermelho-vivo conhecida como sangue de dragão – uma cor inesperada numa planta, que a tem envolvido em misticismo até à atualidade.

Foto: Frank Vincentz/Wiki Commons

O dragoeiro é uma espécie em grande perigo no meio natural, nativa dos arquipélagos da Madeira, Açores, Ilhas Canárias, Cabo Verde e sudoeste de Marrocos.

Embora não seja nativa de Portugal continental, esta espécie é muito comum em parques e jardins nesta parte do país, existindo aí alguns exemplares emblemáticos. Um destes tem mais de 400 anos de idade.

Asparagaceae 

O dragoeiro, também conhecido como sangue-de-dragão, é uma espécie da família Asparagaceae, que compreende cerca de 118 géneros e pouco mais de 3100 espécies.

Esta família, extremamente diversificada, encontra-se distribuída em quase todo o mundo. Inclui muitas espécies com elevado valor económico, como o espargo (Asparagus officinalis) – bastante apreciado, particularmente nas cozinhas francesa, inglesa e alemã – e os agaves: o agave-azul (Agave tequilana), usado para a produção de tequila, e o sisal (Agave sisalana), amplamente cultivado para a produção desta fibra natural.

Muitas outras espécies desta família são reconhecidas pelo seu potencial ornamental, das quais se destacam algumas das mais utilizadas em jardins: as iucas (Yucca spp.), a relva-de-sombra (Ophiopogon japonicus), as dracenas (Dracaena spp.), a nolina (Beucarnea recurvata), o aspargo-pluma (Asparagus densiflorus) e o clorófito (Chlorophytum comosum).

Em Portugal continental, há registo de pouco mais de três dezenas de espécies nativas distribuídas por 13 géneros botânicos, algumas das quais bem conhecidas, nomeadamente pelo seu interesse ornamental: a gilbardeira (Ruscus aculeatus), a cila (Scilla monophyllos), a cebola-albarrã (Drimia maritima) e o selo-de-salomão (Polygonatum odoratum), o muscari (Muscari neglectum), entre outras.

Cebo-albarrã. Foto: Zeynel Cebeci/Wiki Commons

No Arquipélago da Madeira há registo de cinco espécies nativas, distribuídas por três géneros botânicos, algumas das quais endémicas da região: o Asparagus nesiotes subsp. nesiotes, o Asparagus umbellatus subsp. lowei e o Ruscus streptophyllus.

Nos Açores há apenas registo do dragoeiro (Dracaena draco subsp. draco).

Dragoeiro

O dragoeiro é uma planta perene, de aparência arbórea, que apresenta um caule robusto, suculento e fibroso, e pode atingir até 15 metros de altura e cinco ou mais metros de diâmetro de circunferência. A casca é castanho-prateada e lisa, tornando-se rugosa com a idade, por vezes com listras horizontais e avermelhadas.

Esta planta tem um crescimento lento, podendo levar uma década para crescer apenas um metro de altura. Além disso, o seu caule cilíndrico ramifica-se por dicotomia, ou seja, o crescimento é feito por uma única célula apical que bifurca dando origem a dois ramos apicais, que a seu tempo se voltam a dividir repetidamente. Este processo ocorre apenas após a floração, aproximadamente a cada quinze anos. 

Foto: PVAraujo/Flora On Madeira/Flora-On Açores

Devido a esse intervalo de tempo, os exemplares mais jovens apresentarem-se escassamente ramificados, muitas vezes constituídos apenas por uma roseta terminal de folhas, no topo do caule. Já os exemplares mais antigos formam uma coroa densa de ramos e de folhas, originando uma copa com a configuração de um chapéu-de-chuva.

As folhas do dragoeiro são coriáceas, embora flexíveis e pontiagudas. São lanceoladas, com cerca de 60 centímetros de comprimento, verde-acinzentadas e surgem agrupadas nas extremidades dos ramos.

Quanto às flores, ocorrem no verão, entre julho e agosto, em grandes inflorescências cónicas que têm cerca de um metro de comprimento, crescendo a partir das pontas dos ramos. As inflorescências são constituídas por muitas flores pequenas, hermafroditas, actinomórficas, branco-esverdeadas, com seis tépalas e com uma fragrância característica.

A primeira floração ocorre por volta do décimo ano de idade, e as restantes seguem em intervalos de 10 a 20 anos.

Foto: PVAraujo/Flora-On Madeira/Flora-On Açores

JÁ os frutos são redondos, geralmente monospérmicos e com um diâmetro de cerca de 15 milímetros, de cor vermelho-alaranjada e uma textura carnuda. As sementes são pequenas e globosas, quase perfeitamente esféricas, muito duras, de cor esbranquiçada a nacarada.

Nativa de Portugal

O dragoeiro ocorre nas montanhas do Atlas, no sudoeste de Marrocos e na região da Macaronésia, nomeadamente nos arquipélagos da Madeira, Açores, Ilhas Canárias e Cabo Verde. 

A origem das populações existentes no arquipélago dos Açores é incerta. Alguns autores referem que a espécie não é nativa da região, sendo a sua presença provavelmente resultado da introdução precoce a partir de sementes da Madeira, ou mesmo das Ilhas Canárias e de Cabo Verde. No entanto, os mesmos autores apontam para a possível existência de subpopulações naturais nos Açores, nas ilhas de São Jorge e Flores.

Dragoeiro em Santo Antão, Cabo Verde. Foto: Christian Pirkl/Wiki Commons
Núcleo dos Dragoeiros, Funchal, ilha da Madeira. Foto: Paulo SP/Wiki Commons

Esta espécie, embora não seja nativa em território continental, é classificada como uma espécie nativa de Portugal devido à sua ocorrência natural nas ilhas da Madeira e dos Açores.

É uma planta adaptada às condições climáticas tropicais, subtropicais e temperados suaves. Tem preferência por locais com plena exposição solar, embora tolere a sombra parcial. A nível edáfico requer solos secos, férteis, arejados e bem drenados. 

Por outro lado, é tolerante aos ventos, a longos períodos de seca e a solos salgados, sendo por isso uma boa escolha para áreas costeiras. No entanto, não suporta temperaturas abaixo dos -4ºC e solos encharcados, pois as suas raízes não suportam permanecer molhadas, o que pode levar à sua morte.

Uma planta original

O dragoeiro é uma das plantas mais originais e interessantes do mundo. A aparência extraordinária e o porte arquitetónico garantiram-lhe um lugar de destaque em qualquer espaço verde. Esta planta cria uma característica paisagem muito interessante. Além disso, é resistente e pouco exigente em manutenção.

É uma boa alternativa ornamental para jardins de pedra, jardins suculentos e jardins mediterrânicos. Também pode ser uma escolha interessante para complementar qualquer ambiente com características tropicais e para zonas costeiras.

Foto: Senhormario/Wiki Commons

O dragoeiro pode ser plantado isolado ou em pequenos núcleos em canteiros de jardim, ou pode ser mantido em vasos e aí permanecer durante muitos anos, visto possuir um crescimento muito lento.

Esta planta foi vencedora do prestigiado Award of Garden Merit da Royal Horticultural Society, uma distinção que se destina a ajudar os jardineiros a escolher plantas que melhor se adequam a determinadas condições específicas, tendo por base um conjunto de critérios, nomeadamente a sua razoável resistência a pragas e doenças, boa constituição, estabilidade na forma e cor, entre outros.

Sangue-de-Dragão

O dragoeiro possui uma seiva transparente que quando exposta ao ar oxida, ficando com uma cor bem vermelha, sendo daí que surge o nome científico desta planta.

O termo genérico Dracaena deriva do grego drákaina = “dragão feminino”, pelo extrato vermelho extraído quando é feita uma incisão na casca ou quando é arrancada uma folha. Esta seiva vermelha é conhecida como sangue de dragão.

O epíteto específico draco vem de draconis (em grego drákon) = “dragão”, de reforço às características inerentes ao género.

Alguns autores apontam para a possibilidade de o nome desta espécie estar associado a Francis Drake (c.1540-1596), navegador e pirata inglês conhecido pelos seus inimigos espanhóis como “O Draco”.

Embora atualmente não seja muito utilizado como planta medicinal, no passado o sangue-de-dragão foi considerado um remédio para todos os males, sendo empregue para tratar problemas gastrointestinais, respiratórios, problemas da boca, feridas internas e externas, problemas de pele, entre outros. Foi amplamente vendido na Europa com o nome de sanguis draconis e atingiu preços elevados. Esta substância é ainda hoje utilizada na medicina chinesa.

A seiva do dragoeiro também tem sido amplamente empregue para a produção de corantes em tinturaria. Um dos usos mais reconhecidos da sua seiva é na produção de vernizes usados para revestir violinos, tais como os violinos stradivarius e outras madeiras finas.

Dragoeiros emblemáticos de Portugal e do mundo

Devido ao reduzido número de indivíduos existentes na natureza, esta espécies foi inserida na Lista Vermelha da Internacional Union for Conservation of Nature (IUCN), que a classifica globalmente como “Vulnerável”, em resultado da área restrita de ocupação, da fragmentação severa e do declínio contínuo da qualidade e da área de habitat.

No Arquipélago da Madeira, por exemplo, está quase extinta na natureza, e na Gran Canária desapareceu dos habitats naturais nos últimos anos.

Foto: Petteri Sulonen/Wiki Commons

A espécie está também incluída no Anexo IV da Diretiva Habitats.

Além dos dragoeiros em ambiente natural, existem alguns espécimes plantados que possuem características ímpares. Em Portugal, por exemplo, o destaque vai para o exemplar existente no Jardim Botânico da Ajuda. Segundo os registos, este espécime terá sido transplantado em 1768 e possuiria já porte adulto. É o exemplar mais antigo de Portugal, e é um dos exemplares mais antigos do mundo

Chegou a atingir os 23 metros de diâmetro do caule (medido a 1,30 metros), tornando-se um dos maiores exemplares do país. No entanto, no início da década de 2000 parte dos seus ramos partiram e outros apodreceram, tendo sido necessário ancorar os restantes de forma a manter a planta. 

Dragoeiro no Jardim Botânico da Ajuda. Foto: GualdimG/Wiki Commons

O dragoeiro mais antigo do mundo encontra-se em Tenerife, em Icod de los Vinos, Ilhas Canárias. É conhecido como El Drago Milenario, terá mais de 900 anos e será também recordista, tanto em altura (17,40 metros, em 2020) como em diâmetro do caule (17,44 metros, em 2015).

Se esta espécie o deixou curioso, quer pela sua longevidade, imponência ou aspeto invulgar, aproveite para a procurar em qualquer jardim ou espaço verde em território continental ou aproveite uma viagem aos arquipélagos da Madeira e dos Açores para a encontrar no seu habitat natural. 

Divirta-se e dê-nos a conhecer esse momento, partilhando as suas fotografias com #oqueprocurar #plantasdeportugal #floranativa e #àdescobertadasplantasnativas.


Dicionário informal do mundo vegetal:

Dicotomia – tipo de ramificação em que um eixo se bifurca, dando origem a dois ramos apicais, que, a seu tempo, se voltam a dividir repetidamente.

Coriácea – que tem uma textura semelhante à casca da castanha ou do couro.

Lanceolada – com forma semelhante a uma lança.

Inflorescência – forma como as flores estão agrupadas numa planta.

Hermafrodita – flor que possui órgãos reprodutores femininos (carpelos) e masculinos (estames).

Actinomórfica – flor com simetria radial, ou seja, a flor pode ser dividida em várias partes iguais.

Tépala – peça floral não diferenciada em pétala ou sépala.

Monospérmico – fruto que possui apenas uma semente.


Todas as semanas, Carine Azevedo dá-lhe a conhecer uma nova planta para descobrir em Portugal. Encontre aqui os outros artigos desta autora.

Carine Azevedo é Mestre em Biodiversidade e Biotecnologia Vegetal, com Licenciatura em Engenharia dos Recursos Florestais. Faz consultoria na gestão de património vegetal ao nível da reabilitação, conservação e segurança de espécies vegetais e de avaliação fitossanitária e de risco. Dedica-se também à comunicação de ciência para partilhar os pormenores fantásticos da vida das plantas. 

Para acções de consultoria, pode contactá-la no mail carinea.azevedo@gmail.com. E pode segui-la também no Instagram.

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Projecto internacional vai trabalhar para a recuperação do maior abutre da Europa em Portugal

Por Inês Sequeira — 17 de Novembro de 2022, 16:58

Uma das metas é duplicar a população reprodutora do abutre-preto em território nacional até 2027, para um total de 80 casais.

Aumentar de quatro para cinco o número de colónias portuguesas desta espécie de ave necrófaga, considerada essencial para a manutenção de ecossistemas saudáveis, é outro dos objectivos do novo “LIFE Aegypius return – consolidação e expansão da população de abutre-preto em Portugal e no oeste de Espanha”, explica uma informação da associação Palombar, um dos parceiros desta iniciativa.

Durante cerca de 40 anos não houve reprodução de abutres-pretos (Aegypius monachus) em território português, onde só em 2010 a espécie voltou a nidificar, no Parque Natural do Tejo Internacional. É esta área protegida no distrito de Castelo Branco que alberga a maior colónia nacional desta espécie, com 31 casais.

São conhecidas hoje outras três colónias de abutre-preto, todas elas próximas da fronteira com Espanha: uma no Alentejo, onde vive a segunda maior colónia e onde recentemente foram marcadas três crias, na Herdade da Contenda; outra colónia mais recente, na Serra da Malcata; uma terceira no Parque Natural do Douro Internacional.

Populações muito frágeis

O problema é que, tanto em Portugal como do outro lado da fronteira, as populações desta grande ave “apresentam-se hoje muito frágeis, com baixa produtividade e ameaçadas por vários factores”, acrescenta a LPN – Liga para a Protecção da Natureza, outro dos parceiros do projecto. Entre as muitas ameaças estão os fogos florestais, o uso ilegal de venenos, pouca disponibilidade de alimentos, uso de fármacos veterinários como o diclofenaco, perturbação humana na época de reprodução e electrocussão em linhas eléctricas.

Abutre-preto. Foto: Francesco Veronesi / Wiki Commons

Estes problemas são ainda mais preocupantes porque cada casal de abutre-preto tem apenas uma cria por ano. E muitas das pequenas aves não chegam a sobreviver para além dos primeiros meses, devido precisamente a ameaças como a falta de alimento, a perturbação humana e a predação.

Outra das metas do LIFE Aegypius return é assim aumentar o sucesso reprodutor em Portugal, que mede o número de crias voadoras por cada ovo posto. Hoje, este indicador é considerado “muito baixo para uma população viável” – é de apenas 0,38 – e a meta é aumentá-lo para 0,5 – ou seja, uma cria de abutre-preto sobrevivente por cada dois ovos que forem postos.

Se forem alcançadas até ao fim do projecto, todas estas metas vão ajudar a que seja alcançado um dos grandes objectivos: o abutre-preto deixar de ser considerado como Criticamente em Perigo em Portugal – como foi classificado em 2005 pelo Livro Vermelho dos Vertebrados – descendo um degrau no risco de extinção, para o estatuto Em Perigo.

Mais áreas de alimentação sem vedações e munições sem chumbo

Tendo em vista a recolonização natural da espécie, segundo a LPN, estão previstas acções de gestão do habitat “para prevenir os incêndios florestais nas actuais colónias e a melhoria da disponibilidade de alimento através do estabelecimento e integração de novas áreas de alimentação não vedadas em Portugal”.

A transição para munições sem chumbo em várias propriedades de caça é outra das medidas, de forma a reduzir os episódios de intoxicação quando estas aves se alimentam de presas que foram caçadas. Planeada está também a “redução significativa da perturbação ao redor das colónias”, acrescenta esta organização não governamental (ONG).

O novo projecto é coordenado pela Vulture Conservation Foundation, uma organização europeia dedicada à conservação dos abutres, e vai ter um custo total de mais de 3,6 milhões de euros, financiados por Bruxelas em 75%, através do programa LIFE.

Entre os vários parceiros, além da Palombar e da LPN, contam-se outras cinco organizações portuguesas: a Herdade da Contenda, empresa municipal gerida pela autarquia de Moura; SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves; Associação Transumância e Natureza; GNR; Associação Nacional de Proprietários Rurais, Gestão Cinegética e Biodiversidade. Do lado espanhol, o projecto integra a ONG Fundación Naturaleza y Hombre.

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Estava a andar na praia e encontrei uma ave marinha. O que faço?

Por Mónica Costa / SPEA — 16 de Novembro de 2022, 16:49

Mónica Costa, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), explica-nos quais são as principais causas para estes encontros à beira-mar e quais as medidas que devemos tomar.

‘Aves em terra, tempestade no mar.’ Este foi um ditado com o qual cresci, e que ganhou um outro significado quando vi a primeira ave ferida, numa praia. A partir do outono, é bastante frequente encontrarem-se aves com um ar debilitado que chegam às nossas praias, em busca de algum descanso. Por vezes estão feridas, outras vezes só cansadas ou até mesmo encandeadas pelas luzes urbanas.

O que se pode ter passado?

Durante a migração, as aves marinhas estão sujeitas a inúmeras dificuldades: cansaço, condições climáticas adversas, perturbações ou ameaças de origem humana, que podem levar a encontros infelizes. Muitas vezes estas aves chegam às nossas praias já exaustas (por vezes até feridas) e, em certas alturas do ano, pode ser mais comum encontrá-las. Quando não conseguem resistir, dão à costa, num fenómeno a que chamamos arrojamentos. A monitorização destes eventos pode dar-nos pistas muito úteis sobre o estado das populações, bem como sobre a saúde dos ecossistemas.

Luz noturna – o desatino das aves marinhas

É ainda frequente aves marinhas como a cagarra serem vítimas de encandeamento pela iluminação pública durante a noite. Imagine-se a sair de uma sala escura e dar de caras com um ‘mar de luzes’ que não lhe permitem distinguir o caminho até ao seu destino… e assim que avança, bate de frente com um móvel ou parede. É capaz de ficar um pouco abananado e ter de recuperar por alguns segundos, antes de tentar encontrar o caminho. É o que acontece muitas vezes com os juvenis, nos seus primeiros voos: encandeados, têm dificuldades em seguir na direção certa.

O que fazer se a ave estiver ferida

Se encontrar uma ave marinha em estado fragilizado, contacte o SEPNA/GNR ou o Centro de Recuperação mais próximo. Evite tocar em aves selvagens, pois podem ser transmissoras de diversas doenças. Se tiver mesmo de o fazer, use luvas e máscara de proteção.

Nos Açores e Madeira, pode dar-se o caso de ser uma ave que foi encandeada pela iluminação durante a noite. Usando luvas e máscara, aproxime-se lentamente e cubra-a com um pano, toalha ou casaco, tendo especial cuidado com o bico, pois o animal pode tentar defender-se. Agarre na ave e coloque-a numa caixa de cartão com furos. Se não estiver ferida, dirija-se, à noite, a uma praia pouco iluminada e solte-a colocando a caixa no chão, próxima do mar: abra a tampa e a ave saberá o que fazer!

Para mais informação consulte a página do projeto LIFE Natura@night.

Cheguei demasiado tarde…

No caso de se tratar de uma ave arrojada, os animais dão à costa já mortos, vítimas de diferentes situações como as condições climáticas ou artes de pesca onde ficam presas. No entanto, são um dado importante para se perceber a ocorrência e frequência destes eventos, e as possíveis causas de morte destes animais arrojados. Ajude-nos a recolher esta informação, enviando os registos do que encontrar para spea@spea.pt ou preenchendo o formulário disponível.


Saiba mais.

Leia a entrevista de dois voluntários, André Pinto e Maria Diogo, que participam na monitorização de aves que dão à costa portuguesa em arrojamentos.

E descubra quais são as espécies que mais vezes foram encontradas, em oito anos de monitorização.


Conte as Aves que Contam Consigo

A série Conte as Aves que Contam Consigo insere-se no projeto “Ciência Cidadã – envolver voluntários na monitorização das populações de aves”, dinamizado pela SPEA em parceria com a Wilder – Rewilding your days e o Norwegian Institute for Nature Research (NINA) e financiado pelo Programa Cidadãos Ativos/Active Citizens Fund (EEAGrants), um fundo constituído por recursos públicos da Islândia, Liechtenstein e Noruega e gerido em Portugal pela Fundação Calouste Gulbenkian, em consórcio com a Fundação Bissaya Barreto.

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Novo crowdfunding quer impedir construção de resort de luxo em Tróia

Por Inês Sequeira — 16 de Novembro de 2022, 13:06

Esta campanha, lançada pela plataforma Dunas Livres, destina-se a financiar os trabalhos em tribunal contra a construção do empreendimento “Na Praia”, prevista em cima das dunas.

A plataforma Dunas Livres inclui nove organizações não governamentais, como o GEOTA, a Quercus, a Sociedade para o Estudo das Aves e a LPN – Liga para a Protecção da Natureza. Desta estrutura faz também parte a associação Dunas Livres, “um movimento de cidadãos formado em 2020, para fazer frente ao desenvolvimento desmesurado da Costa Azul (Tróia a Melides), à expansão e construção de resorts e campos de golf em zonas ecologicamente sensíveis e com um papel importante na proteção costeira contra desastres ambientais”, afirmam em comunicado.

O novo empreendimento de luxo, baptizado “Na Praia”, “vai ser construído inteiramente em cima de dunas, reconhecidas pela sua biodiversidade e excelente estado de conservação, mesmo na frente oceânica”, acrescentam os responsáveis da plataforma, que afirmam que o estudo de impacto ambiental deste projecto “é conclusivo e refere que o impacto é ‘negativo, direto, certo, permanente, irreversível, de magnitude forte e muito significativo'”.

A dona do projeto é Sandra Ortega, herdeira do império Inditex, ao qual pertencem a ZARA e outras grandes cadeias de retalho. A norte da localização prevista situa-se o aldeamento Soltróia, construído nos anos 70; a sul a pequena Reserva Botânica das Dunas de Tróia, da Reserva Natural do Estuário do Sado. Esta reserva botânica, aliás, “não foi delimitada com área suficiente”, pois desde o Estado Novo “houve um ‘lobby’ para excluir o terreno em que o resort será construído […] da delimitação da reserva, através de um programa para edificar o maior pólo turístico da Europa em metade desta península dunar, ainda durante o Estado Novo”, acusa a plataforma.

Além do mais, o mesmo movimento considera que o processo de licenciamento tem sido pouco transparente. “O licenciamento do projeto ainda não se encontra concluído, apesar de a Câmara Municipal de Grândola ter passado uma licença precária de estaleiro no mesmo dia em que a Plataforma Dunas Livres apresentou uma denúncia às autoridades do início de obras ilegais no local, com dois meses de terraplanagem de dunas e destruição total da vegetação, sem sequer alvará de construção”, avança Teresa Santo, porta-voz da Plataforma Dunas Livres, citada no comunicado.

 Entretanto, de acordo com esta organização, foi solicitada à autarquia uma cópia integral do licenciamento do projecto turístico, um documento de acesso público, mas “esse acesso foi negado inúmeras vezes.” O documento terá sido finalmente cedido mas só depois de um recurso ao tribunal, sendo que a Câmara Municipal de Grândola “solicita um valor monetário pelo documento, sem que exista um fundamento legal para o fazer”.

“Acontece que temos pouco tempo e necessitamos de aceder a esses documentos com a maior rapidez. Torna-se assim necessário pagar o valor de €1180″, apela Teresa Santos. Nesta quarta-feira, esse dinheiro já tinha sido conseguido no âmbito da campanha de crowdfunding, com um total de 4.853 euros reunidos até ao final da manhã, através da contribuição de 162 doadores.

O A Plataforma Dunas Livres compromete-se a publicar mensalmente um relatório de contas, com transparência financeira para que os doadores possam acompanhar a utilização do fundo. Para além disto, serão sempre divulgadas, nas redes da Plataforma, novas informações sobre a evolução e os meandros deste problema complexo. 

A dona do projeto “Na Praia” é Sandra Ortega, herdeira do império Inditex, ao qual pertence, por exemplo, a ZARA. Todo o processo de licenciamento ambiental sofreu inúmeras irregularidades, que exigem investigação e julgamento em tribunal.

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Stress causado pela invasora perca-sol foi afinal o que dizimou os anfíbios do Gerês

Por Inês Sequeira — 15 de Novembro de 2022, 17:04

Uma equipa de investigadores recorreu às colecções de anfíbios no Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC) para fazer uma viagem ao passado, que trouxe interessantes descobertas.

Até agora, acreditava-se que a perca-sol, um peixe exótico introduzido no Gerês em meados dos anos 1990, teria sido o veículo transmissor do ranavírus, um vírus que levou ao colapso das comunidades de anfíbios um pouco por toda a Europa no final dessa mesma década, especialmente em Portugal e Espanha. Esta doença causa ulcerações e hemorragias na pele destes animais.

No entanto, um novo estudo publicado esta terça-feira, na revista Nature Communications, veio mostrar que a história do ranavírus poderá ser bem mais complexa, estando ligada afinal à perturbação e ao stress provocados pela introdução de uma nova espécie exótica.

A Lagos dos Carris, uma lagoa de 1,5 hectares situada a 1500 metros de altitude, dentro da área de protecção total do Parque Nacional da Peneda-Gerês, foi o sítio escolhido para esse estudo realizado por uma equipa de investigadores liderada por Gonçalo Rosa, do cE3c – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Lagoa dos Carris. Foto: Gonçalo Rosa, cE3c

Há cerca de duas décadas, esta lagoa era conhecida por conter uma comunidade diversa de anfíbios, como a rã-verde e o sapo-parteiro-comum, sendo um sítio importante de nidificação para o tritão-marmoreado, recorda o artigo científico agora publicado. Entretanto, as primeiras mortes de tritão-marmoreado, causadas pelo ranavírus, foram registadas em 1998 e os números desta espécie caíram drasticamente. Outras espécies foram também fortemente afectadas, como o sapo-parteiro-comum, que desde 2004 não foi mais observado nesta lagoa.

Tritão-marmoreado com as ulcerações típicas da ranavirose, fotografado no Gerês. Foto: Gonçalo Rosa, cE3c

Guardados há 40 anos

Numa tentativa de perceber o que terá sucedido, os investigadores extraíram e analisaram o ADN de tritões-marmoreados recolhidos na Lagoa dos Carris na década de 1980, que estavam guardados nas colecções do MUHNAC. Estes tritões tinham sido apanhados mais de uma década antes das primeiras mortes por ranavírus.

A equipa comparou ainda essas amostras com as de tritões-marmoreados recolhidos durante as epidemias (2001-2004) e depois (2015-2020), e ainda com amostras de perca-sol apanhada na mesma lagoa. Foram ainda analisados outros anfíbios, recolhidos noutros locais do Gerês.

Amostragem na Lagoa dos Carris. Foto: Gonçalo Rosa, cE3c

“Surpreendentemente, descobriram que os anfíbios [tritões-marmoreados] das coleções também estavam infectados com ranavirus, cerca de 10 anos antes dos surtos e da introdução da perca-sol”, explica um comunicado divulgado pelo cE3c. “Quando comparadas as estirpes de ranavirus dos anfíbios e da perca-sol verificou-se ainda que eram efetivamente diferentes, e que a mortalidade foi provocada pelo vírus que já estava em circulação desde os anos 80.”

Mas de onde teria vindo então esse vírus? Tal como alguns estudos anteriores, os investigadores sugerem que esse grupo de ranavírus “poderá ter-se originado na Europa e ter uma associação antiga com os anfíbios”. Ao invés de ter sido introduzido pela perca-sol, o ranavírus já estaria alojado nas suas vítimas desde há muito tempo, mas num estado adormecido, sem as afectar.

O problema da perca-sol

Mas a perca-sol não fica isenta de culpas, pois continua a estar associada à mortandade causada pelo ranavírus no Gerês: terá sido a perturbação causada pela entrada deste peixe-invasor no ecossistema que causou altos níveis de stress e “uma disrupção do sistema imunitário dos anfíbios”, levando a que a relação destes animais com o vírus de que eram hospedeiros ficasse desequilibrada, consideram os investigadores.

“A descoberta realça assim a importância de se proceder à remoção da perca-sol do Parque Nacional da Peneda-Gerês (e de outros ecossistemas), para que as populações de anfíbios possam recuperar a sua resistência e prosperar.”

Para Gonçalo Rosa, esta descoberta “virou a história do avesso” e veio demonstrar que “os grandes surtos podem não acontecer pelo aparecimento de um novo agente patogénico, mas antes resultar da rutura de um equilíbrio ecológico estabelecido”.


Saiba mais.

Na Serra da Estrela, o ranavírus tem também provocado um declínio preocupante de alguns anfíbios, como o tritão-de-ventre-laranja.

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Voluntários salvaram 88 cagarras na Madeira

Por Inês Sequeira — 11 de Novembro de 2022, 22:55

A campanha “Salve uma Ave Marinha” contou com a ajuda de dezenas de voluntários que patrulharam as ruas de várias localidades, em busca de jovens cagarras desorientadas pelas luzes artificiais.

Estas brigadas de patrulhamento andaram pelas ruas do Funchal, Câmara de Lobos, Machico, Santa Cruz e Santana, à procura das cagarras que nesta altura do ano deixam os ninhos e voam na direcção das luzes artificiais, caindo nas cidades. Depois de medidas e anilhadas, para serem acompanhadas no futuro, as aves resgatadas foram devolvidas ao mar.

“Os resultados destas brigadas científicas da Campanha Salve uma Ave Marinha foram excelentes e conseguimos, ao longo de 14 dias, desempenhar um papel crucial na sobrevivência das jovens cagarras”, indicou em comunicado a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA Madeira), que coordena esta iniciativa, realizada entre 23 de Outubro e 5 de Novembro.

Segundo a SPEA, estiveram envolvidos 50 voluntários locais e 12 voluntários externos à região, que percorreram 160 quilómetros diariamente, num total de 2.240 quilómetros. Foram salvas 88 cagarras; outras cinco aves da mesma espécie não foram socorridas a tempo.

A campanha “Salve uma Ave Marinha”, que se realiza no âmbito do projeto LIFE Natura@night, vai prolongar-se ainda até esta terça-feira, dia 15. “Esteja atento e, caso encontre uma ave, contacte a Rede SOS Vida Selvagem do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, RAM, através do 961957545”, apela a SPEA Madeira.

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O que procurar no Outono: o bordo

Por Carine Azevedo — 11 de Novembro de 2022, 17:24

Esta árvore nativa de incrível beleza, que pode crescer até aos 30 metros, veste-se agora de cores especiais e presenteia-nos com os seus curiosos frutos. Carine Azevedo desafia-nos a partirmos à sua descoberta.

O outono é sinónimo de transformação. As folhas de algumas árvores, antes de caírem sobre o solo, mudam de cor, passando do verde para uma paleta de amarelos e castanhos, a que se juntam tons de vermelho, laranja e roxo.

Simultaneamente, é nesta estação que algumas espécies nos brindam com os seus frutos, como acontece com os áceres, os liquidambares, os amieiros, os plátanos, os carvalhos e tantos outros, todos eles com formas bem peculiares.

O bordo (Acer pseudoplatanus) é exemplo de uma árvore de incrível beleza em qualquer época do ano, mas que no outono se “veste” de cores especiais e nos presenteia com os seus curiosos frutos, que se mantêm na árvore mesmo depois da queda total das folhas.  Vamos conhecer melhor esta espécie nativa. 

Foto: AnRo0002

Sapindaceae

A família Sapindaceae, à qual pertence o bordo, contém cerca de 143 géneros botânicos e perto de 2000 espécies, principalmente árvores e arbustos e, mais raramente, herbáceas. 

Alguns das espécies mais comuns e conhecidas desta família são: o guaraná (Paullinia cupana), o castanheiro-da-índia (Aesculus hippocastanum), a árvore-da-chuva-dourada (Koelreuteria paniculata), o bordo-negundo (Acer negundo) e o ácer-do-Japão (Acer palmatum), entre outras.

O género Acer é um dos mais importantes géneros desta família, estando representado por aproximadamente 150 espécies. Os membros deste género ocorrem maioritariamente nas regiões temperadas do Hemisfério Norte, sendo a Ásia o continente com maior representatividade. Na Europa, América do Norte e no norte de África, também ocorrem algumas espécies deste grupo. 

Em Portugal, a família Sapindaceae está exclusivamente representada pelo género Acer, existindo apenas duas espécies nativas: a zelha (Acer monspessulanum) e o bordo (Acer pseudoplatanus). No entanto, são inúmeras as espécies exóticas desta família que ocorrem em território nacional, muitas delas comuns em jardins e outros espaços verdes, como é o caso do castanheiro-da-índia, do ácer-do-Japão, da árvore-da-chuva-dourada, entre outras.

Existem outras espécies, como o bordo-comum (Acer campestre), o bordo-de-granada (Acer opalus) e o bordo-negundo (Acer negundo), que facilmente se naturalizaram e têm algumas populações assilvestradas nas nossas florestas.

O bordo

O bordo é também vulgarmente conhecido como padreiro, zelha, falso-plátano e plátano-bastardo. Os dois últimos nomes devem-se à semelhança das suas folhas e da sua casca com as do género Platanus. A denominação científica Acer pseudoplatanus deve-se igualmente à proximidade morfológica. 

Foto: Radio Tonreg/Wiki Commons

O nome do género Acer é o nome latino para o ácer (bordo) e também significa afiado, pontiagudo, pungente, tanto pela forma pontiaguda das folhas quanto pelo uso da sua madeira para fazer lanças. Segundo algumas fontes, os romanos usavam a madeira do bordo para o fabrico dessas armas.

O restritivo específico pseudoplatanus deriva do prefixo grego pseudo = pseudo, falacioso, enganador e do género Platanus, ou seja, falso-plátano, devido à semelhança das suas folhas e da sua casca.

É uma árvore de grande porte, que pode atingir até 30 metros de altura. Possui uma copa ampla, densa e ligeiramente irregular. Tem tronco reto, revestido por uma casca lisa e acinzentada, que se torna mais escura, escamosa e fendida, que se desprende em placas na idade adulta, lembrando a casca do plátano.

Foto: Marija Gajić

É uma espécie caducifólia, de folhas simples, opostas e palmadas, dividida em três a cinco lóbulos agudos e desiguais, sendo que o tamanho e o recorte das folhas variam com a idade. As árvores mais jovens, por exemplo, possuem folhas maiores e profundamente lobadas, com pecíolos avermelhados. Já os exemplares mais velhos apresentam folhas mais pequenas, com lóbulos menos profundos, sendo os lóbulos basais mais pequenos que os restantes. O pecíolo é mais curto e de cor verde-amarelada ou rosada.

A página superior das folhas desta árvore é lustrosa, glabra e verde-escura, enquanto que a inferior é mais clara, glauca ou avermelhada, com pêlos ao longo das nervuras principais. 

Foto: Zerocool.marko

Quanto à floração do bordo, ocorre entre abril e maio. As flores são pequenas, hermafroditas ou unissexuais, de cor amarelo-esverdeado e de simetria radial. Têm pedúnculos longos e surgem em inflorescências densas de 60 a 100 flores, terminais e pendentes.

Por sua vez, os frutos aparecem no outono, e ocorrem geralmente aos pares, formando uma dupla sâmara ou dissâmara. A dissâmara é um fruto seco, glabro e alado, provido de asas membranosas, que são estreitas na base e amplas na extremidade, formando um ângulo de aproximadamente 90º entre si. 

Foto: AnRo0002/Wiki Commons

Os frutos do bordo são verdes a avermelhados quando jovens e tornam-se acastanhados quando maduros, mantendo-se na árvore durante muito tempo, mesmo depois da queda das folhas.

Uma espécie nativa

O Acer pseudoplatanus é a espécie do género Acer mais comum em toda a Europa. É uma espécie nativa da Europa Central, Bacia do Mediterrâneo, Cáucaso e Ásia Menor.

O bordo está presente em Portugal, sobretudo em áreas montanhosas, sendo mais comum a norte do Tejo. Embora seja uma espécie nativa, há também várias populações de origem não autóctone que facilmente se naturalizaram, tornando-se difícil atualmente distinguir as populações autóctones das naturalizadas.

Esta espécie também ocorre nos arquipélagos da Madeira e dos Açores, onde foi introduzida no passado. Na Região Autónoma da Madeira, aliás, está classificada como espécie invasora.

Devido à sua plasticidade ecológica e capacidade de se adaptar a uma grande diversidade de habitats, o bordo também está listado como planta invasora em algumas regiões dos Estados Unidos da América, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Grã-Bretanha e Noruega.

Foto: AnRo0002/Wiki Commons

Esta é uma árvore rústica de sombra ou de meia sombra, que prefere as regiões montanhosas húmidas e exige boas precipitações, embora suporte bem o calor e a seca. É exigente a nível edáfico, sendo todavia indiferente ao pH, e é um bom indicador de solos férteis. O solo destas árvores deve ser fresco, profundo, bem drenado, fértil e rico em nutrientes.

É uma espécie resistente ao frio e às geadas tardias e também muito resistente ao vento, tolerando alguma exposição marítima. Aguenta bem a poluição atmosférica, sendo por isso muito usada em contexto urbano. E além disso, o bordo é uma espécie de crescimento rápido, que se estabelece rapidamente e pode viver entre 300 e 400 anos.

Ecologicamente trata-se de uma espécie muito importante, já que são vários os insetos que dependem desta árvore. Algumas espécies de lagartas de borboletas alimentam-se das suas folhas e as suas flores, muito melíferas, fornecem um precioso pólen a abelhas, borboletas e outros insectos, que também auxiliam na polinização do bordo.

Já a dispersão das sementes ocorre por ação do vento, pois as asas que envolvem as mesmas rodam com o vento durante a queda. Este mecanismo permite que as sementes sejam dispersas a longas distâncias.

Árvore ornamental de sombra

O bordo tem várias aplicações. É utilizado para fins ornamentais, geralmente isolado em parques e jardins, ou em alinhamentos em avenidas e alamedas. As folhas são vistosas, verdes na página superior, aveludadas e avermelhadas na parte inferior. No outono assumem tons de amarelo-dourado, laranja, vermelho ou castanho, criando um efeito visual único, antes de caírem. No verão, a sua copa ampla e a densa folhagem transformam-na numa excelente árvore de sombra. 

Foto: MurielBendel/Wiki Commons

Entre as espécies de áceres europeus, o bordo é aquele que tem a madeira mais valiosa, de grande qualidade e mais fácil de trabalhar, muito apreciada em tornearia, marcenaria e carpintaria. 

A madeira é leve, compacta, homogénea, brilhante, de cor branca a amarelo-dourada e lustrosa. É usada para a produção de móveis, revestimentos de paredes, estruturas para telhados, parquetes e para a produção de vários utensílios de cozinha (ex. colheres) e instrumentos musicais, especialmente violinos, e para culatras de armas de fogo. Fornece também um bom combustível.

Atualmente o bordo não é usado para fins medicinais ou outros usos terapêuticos. No entanto, sabe-se que no passado as folhas, os frutos e a casca das raízes foram muito utilizados na medicina tradicional, sendo-lhes atribuídas propriedades adstringentes e cicatrizantes.

As folhas eram usadas como colírio para tratamento de inflamações oculares, para evitar o choro involuntário, para cobrir feridas e tratar outros problemas da pele. Também eram usadas pelas suas capacidades isolantes, para dispor o peixe nos locais de venda ou para conservar produtos hortícolas como batatas ou maçãs.

Aproveite um passeio outonal para ver esta espécie em transformação.

As folhas estão a mudar de cor e os frutos são bastante particulares e divertidos. Apanhe um que esteja no chão e lance-o ao ar, vai ver como rodopia no ar até chegar novamente ao solo.  

Divirta-se e dê-nos a conhecer esse momento, partilhando as suas fotografias com #oqueprocurar #plantasdeportugal #floranativa e #àdescobertadasplantasnativas.


Dicionário informal do mundo vegetal:

Naturalizada – espécie exótica que foi introduzida e que encontrou condições favoráveis para se expandir naturalmente na natureza, mantendo-se em equilíbrio com as espécies nativas durante muito tempo.

Caducifólia – planta cuja folha cai espontaneamente na estação do ano mais desfavorável.

Palmada – folha com a forma de uma mão com os dedos abertos.

Lóbulo ou lobo – parte do limbo da folha com recorte pouco acentuado e em regra arredondada.

Limbo – parte larga de uma folha normal.

Lobada – folha simples que possui margens profundamente recortadas que a dividem em pequenos lobos, no entanto, menores que a metade do limbo.

Pecíolo – pé da folha que liga o limbo ao caule.

Glabra – sem pêlos.

Glauca – de cor verde-cinzenta-azulada.

Hermafrodita – flor que possui órgãos reprodutores femininos (carpelos) e masculinos (estames).

Unissexual – flor que possui apenas órgãos reprodutores femininos ou masculinos.

Pedúnculo – “Pé” que sustenta a inflorescência.

Inflorescência – forma com as flores estão agrupadas numa planta.

Sâmara – fruto seco, indeiscente e monospérmico, semelhante ao aquénio, mas com asa membranosa, alada.

Indeiscente – fruto que não se abre naturalmente quando maduro, não libertando as sementes.

Monospérmico – fruto que possui apenas uma semente.

Alada – apresenta uma estrutura específica – asa – que auxilia a dispersão pelo vento.


Todas as semanas, Carine Azevedo dá-lhe a conhecer uma nova planta para descobrir em Portugal. Encontre aqui os outros artigos desta autora.

Carine Azevedo é Mestre em Biodiversidade e Biotecnologia Vegetal, com Licenciatura em Engenharia dos Recursos Florestais. Faz consultoria na gestão de património vegetal ao nível da reabilitação, conservação e segurança de espécies vegetais e de avaliação fitossanitária e de risco. Dedica-se também à comunicação de ciência para partilhar os pormenores fantásticos da vida das plantas. 

Para acções de consultoria, pode contactá-la no mail carinea.azevedo@gmail.com. E pode segui-la também no Instagram.

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Crónicas naturais: Verão de São Martinho

Por Paulo Catry — 11 de Novembro de 2022, 13:03

Paulo Catry, biólogo, delicia-se com estes dias solarengos de outono e com a passagem de grandes bandos de pombos-torcazes, ali pela Beira raiana. “Chegam da Europa distante, da Alemanha, da Escandinávia, da Finlândia, vêm à procura das bolotas de sobreiros e de azinheiras no Sul.”

Beira Interior, Novembro 2022 

Sabe bem andar ao sol no campo verde. Há cestos com romãs e marmelos e há quem apanhe azeitona. Diospiros dependurados nos ramos finos. Pilriteiros carregados de bagas vermelhas. Tudo brilha, mas os dias deste verão são demasiado curtos… resta anotá-los, para que não escorram só entre os dedos logo ficando esquecidos. 

Montámos redes de captura de pequenos pássaros (para anilhagem) no quintal, com resultados mais magros do que habitualmente. Este ano há pouca azeitona, será por isso? Ou será pela seca que por aqui foi avassaladora? Só há coisa de duas semanas choveu mesmo a valer pela primeira vez. Um alívio de erva tenra e de musgo intumescido. Despontam cogumelos discretos. Ainda não há flores. 

Logo ao nascer do dia apanhámos dois tordos de plumagem sedosa ao tato, segurá-los por momentos é um prazer físico; libertá-los e vê-los voar é graça divina. E pensar que há quem ande por aí atrás deles aos tiros. 

Tordo-comum Turdus philomelos. “Segurá-los por momentos é um prazer físico; libertá-los e vê-los voar é graça divina.”

Durante a manhã o céu esteve encoberto, sem pinga de vento, cinzentos de todos os tons, névoa nos vales a trepar pelos declives, nuvens finas como fumo branco esfarrapado sobre um fundo de estratos escuros. Um breve chuvisco, quase impercetível.

A meio do dia surge o sol radiante. As nuvens brancas são agora sólidas, espalham sombras enormes na paisagem. Espaço amplo com molduras de montanhas distantes, aldeias esparsas, vistas desimpedidas, adoro a expressão em inglês para isto: “big skyes”. 

O dia aquece um pouco. Soa o canto dos chapins-reais, típico do tempo solarengo mas pouco quente. Chamamentos curtos de estorninhos, toutinegras, tentilhões, o conforto das aves habituais. Começa a dança outonal dos almirantes-vermelhos, borboletas de nome feio e de cores de encantar. 

Pelo verão de São Martinho, por todo o país dão especialmente nas vistas os almirantes-vermelhos Vanessa atalanta de asas estendidas ao sol. Foto: Kristian Peters/Wiki Commons

Depois do almoço sentamo-nos no alpendre a adiantar trabalho, mas logo vem um som de vento no ar parado, levanto-me de um salto, a tempo de ver um bando de duzentos pombos-torcazes voando bem altos, direitos a su-sudoeste, como sempre fazem nesta época do ano. Depois outro, e mais ainda, os bandos têm frente ampla, mais largos do que compridos. Voam rápidos no ar parado, a uns 60 km/h segundo medições feitas noutras paragens. Todos seguem a mesma rota, como se guiados pelas memórias das viagens de anos passados, dos antepassados.

É fácil observar aves migradoras, grande parte das espécies que frequentam o nosso país migram. Mas não é tão frequente assim ver aves a voar e ter a certeza clara de que vão em viagem (e não simplesmente num movimento das lides diárias, entre locais de repouso e de alimentação). Gosto especialmente de ver a passagem dos pombo-torcazes por isso. Chegam da Europa distante, da Alemanha, da Escandinávia, da Finlândia, vêm à procura das bolotas de sobreiros e de azinheiras no Sul. 

Todos estes pombos passam pelos Pirenéus ocidentais, afunilando-se nos colos das montanhas, e depois dirigem-se para a Extremadura espanhola e para o Alentejo*. Nas áreas de invernada comem nos montados e em campos agrícolas, num raio de dezenas de quilómetros em volta dos dormitórios onde se juntam para passar a noite. Nalguns dos locais de descanso chegam a agrupar-se às dezenas de milhares. No sudoeste peninsular passam o inverno dois ou três milhões destes bichos.**

Por esta época chegam a Portugal centenas de milhares de pombos-torcazes Columba palumbus, provenientes do norte da Europa. Foto: Aleksey Levashkin/Biodiversity4All

Aqui na Beira raiana, junto ao Erges, os bandos de torcazes não são uma certeza. Quando as condições meteorológicas de alguma forma empurram o fluxo mais para poente, veem-se milhares a passar por dia, congregados em grandes bandos, normalmente com cem a trezentos (às vezes quinhentos) pombos cada um. Noutros dias, nas mesmas épocas, não passa nenhum.   

Chegou a estar quente por um momento e o céu encheu-se de grifos, mas o sol cai cedo e ainda antes de passar pelo horizonte já o calor se dissipa. O verão fica logo esquecido, os sons e o ar lembram outros invernos e anunciam este que aí vem. Uma braçada de giesta para o arranque da lareira. Nos olivais e nos montados é a hora dos piscos, tic-tic-tic-tic até à última luz do dia. 

Vermelho denso acima do horizonte negro mesmo antes de a noite fechar-se. Frio, mas ainda se aguenta. Nas ruas de granito cheira a fogo de azinho. Sento-me outra vez no alpendre a querer agarrar o dia. O bufo-real não se cala, ouve-se também um ladrar distante e a passagem ao luar de uma laverca fugidia. Céu amplo, Júpiter, Saturno e as constelações da época. Ar quieto, rotas migratórias desimpedidas.

Vista ampla de 40 quilómetros, “big skyes” na raia beirã, com a serra da Gata ao fundo. Foto Paulo Catry

* Tellería JL 2009. Bird Cons Int.

** Bea A et al. 2003. Ornis Hung.


Saiba mais.

Leia aqui outros textos já publicados por Paulo Catry, professor e investigador do Mare – Marine and Environmental Sciences Centre, Ispa – Instituto Universitário, na série Crónicas Naturais. E também os artigos publicados em 2017, quando esteve à procura de aves marinhas no meio do Oceano Atlântico.

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