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Secretário de Estado visita bibliotecas escolares de Portel e Vidigueira

17 de Janeiro de 2022, 09:00

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Na passada terça-feira, o Sr. Secretário de Estado Adjunto e da Educação, Dr. João Costa, e a Coordenadora Nacional da RBE, Dra. Manuela Pargana Silva, visitaram as bibliotecas Escolares dos Agrupamentos de Escolas de Portel e Vidigueira.
Em Portel, foram recebidos pela Direção do Agrupamento, pela Presidente do Conselho Geral e pelo Presidente da Câmara Municipal.
A nova biblioteca escolar, recentemente intervencionada na sequência de uma candidatura de requalificação da RBE, foi apresentada por um grupo de alunos do agrupamento que representavam várias personagens da história e da ficção, tendo havido ainda oportunidade para um momento de “cante” alentejano.

No final da visita houve um espaço de partilha onde os presentes ficaram a conhecer os projetos que a biblioteca escolar tem desenvolvido ao longo do tempo (http://beportel.weebly.com).
É de salientar o entusiasmo e o orgulho dos alunos por terem a oportunidade de falar e mostrar os seus projetos aos visitantes.

Na Vidigueira, estiveram presentes a Direção do Agrupamento, a Presidente do Conselho Geral e os Coordenadores dos vários departamentos.

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Na Biblioteca Escolar, a professora bibliotecária, Cristina Ramos, apresentou o Projeto “Juntos.com” ( https://sites.google.com/a/aevid.pt/ler-e-escrever/juntos-com e https://sites.google.com/a/aevid.pt/ler-e-escrever/juntos-com/juntos--dirio-do-projeto). Este projeto, apoiado pela RBE em 2020 no âmbito da candidatura “Todos Juntos podemos Ler”, é desenvolvido pela biblioteca em colaboração com a sala de aula e tem como público-alvo os alunos de etnia cigana que frequentam a escola, constituindo-se como uma mais-valia para as aprendizagens e a diminuição do absentismo deste grupo específico de alunos.

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Resiliência: uma força individual, institucional e sistémica, indispensável em educação

14 de Janeiro de 2022, 09:00

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Se alguma coisa nos ensinou a pandemia da COVID-19, é que o futuro nos surpreenderá sempre e que a resiliência é imprescindível para se enfrentar este mundo em permanente desequilíbrio.
Assim, a educação afigura-se como fundamental para fortalecer a resiliência cognitiva, social e emocional entre os alunos, ajudando-os a compreender que viver significa tentar, falhar, adaptar-se, aprender e evoluir. Mas as nossas instituições educativas e os nossos sistemas educativos também precisam de se tornar mais resilientes para terem sucesso face a perturbações imprevisíveis.

 

A resiliência pode ajudar-nos a orientarmo-nos na mudança

A resiliência proporciona aos indivíduos, às instituições e às comunidades a flexibilidade, a inteligência e a capacidade de resposta de que necessitam para prosperar na mudança social e económica.

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) alerta para o facto de isso exigir que as políticas públicas se tornem muito mais criativas, considerando que não é possível preparar educadores, instituições de ensino e sistemas educativos para um futuro único. Os ecossistemas políticos têm que se tornar melhores a imaginar futuros diversos para a educação e a antecipar as consequências dessa diversidade para os objetivos e funções das organizações e estruturas educativas, para a força de trabalho em educação, e, em última análise, têm que pensar melhor sobre o futuro que desejam para a educação.

A resiliência constrói a capacidade de se orientar por entre a modernização e a rutura, de conciliar novos objetivos com estruturas antigas, de fomentar a inovação, reconhecendo ao mesmo tempo a natureza intrinsecamente conservadora dos sistemas educativos, de aproveitar o potencial da capacidade existente e de reconfigurar os espaços, as pessoas, o tempo e as tecnologias para educar os alunos para o seu futuro e não para o nosso passado.

 

Um quadro de referência para a capacidade de resposta e resiliência

Tudo isto é fácil de dizer, mas difícil de fazer. Para facilitar, o Quadro de capacidade de resposta e resiliência apresentado na edição deste ano do Education Policy Outlook da OCDE torna o conceito de resiliência individual, institucional e sistémica acionável em termos políticos, reunindo exemplos de mais de 40 sistemas educativos.

Tendo uma visão a curto e médio prazo, este quadro proporciona quer uma janela para os sistemas de educação, quer um espelho das políticas educativas. Analisa as práticas que promovem a capacidade de resposta e a resiliência nos sistemas de educação, funcionando como um estímulo para refletir sobre o modo como as políticas educativas podem trazer mudanças profundas, consequentes e positivas aos sistemas de educação.

E se os alunos fossem capazes de aprender no seu próprio tempo e pelas suas regras, e não no tempo e pelas regras dos adultos?

E se os governos pudessem induzir uma maior consciência dos professores como profissionais valorizados, em estruturas e processos ousadamente reimaginados que os capacitassem como profissionais de confiança, transformando regras em diretrizes e boas práticas e, em última análise, boas práticas em cultura?

E se os sistemas educativos pudessem passar de uma cultura de conformidade e normalização para uma cultura construída sobre a inovação e a avaliação rigorosa e reflexiva com vista a apoiar o sistema a estabelecer e alcançar novos objetivos?

O enquadramento apresentado pela OCDE leva os decisores políticos a explorar estas questões e muito mais. Ao fazê-lo, podemos reforçar a resiliência dos alunos, dos sistemas educativos e das sociedades como um todo, para que estejam mais bem equipados para lidar com o futuro desconhecido que necessariamente enfrentam.

Pensemos agora nas bibliotecas escolares, enquanto estruturas plenamente integradas no sistema educativo e, por isso, igualmente atingidas por esta necessidade de conscientemente promover a resiliência: individual, institucional e sistémica.

De que forma  podemos contribuir para trabalhar esta competência socioemocional com os nossos alunos? Essa terá de ser uma matéria em foco na nossa agenda, já que está perfeitamente integrada no que está previsto no quadro estratégico da RBE [1], designadamente no seu eixo Pessoas: “Induzir dinâmicas que conduzam a comportamentos e estilos de vida responsáveis, promotores de bem-estar (individual, coletivo, ambiental)”.(p.47).

Enquanto organização plenamente inserida na escola, a biblioteca tem de estar preparada para a única certeza que o futuro nos reserva: a mudança e tudo o que ela acarreta. Exige-se abertura e disponibilidade para uma contínua adaptação de objetivos, procedimentos, modos de estar e de atuar.

Só assim será possível à biblioteca integrar-se na vanguarda da escola, contribuindo para a sua resiliência, cultura de flexibilidade e permanente resposta e adaptação à mudança. Cumprirá deste modo mais uma diretriz do Quadro Estratégico da RBE: “Responder a questões emergentes e a mudanças contextuais, projetando o futuro”(p.41)

Eis algumas reflexões suscitadas pelo texto de Andreas Schleicher [2] que nos leva a pensar a mesma questão da resiliência em diferentes níveis, desde o individual ao global.

 

Este artigo foi adaptado a partir de Balancing the urgent and the important is key to resilience in education [2].

 

Referências

[1] Portugal. Rede de Bibliotecas Escolares (2021). Bibliotecas Escolares: presentes para o futuro. Programa Rede de Bibliotecas Escolares: Quadro estratégico: 2021-2027. https://rbe.mec.pt/np4/file/890/qe__21.27.pdf

[2] Scleider, Andreas (2021). Balancing the urgent and the important is key to resilience in education https://oecdedutoday.com/balancing-urgent-important-key-resilience-education/

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Creative Commons - Licenciamento de conteúdos de acesso livre

13 de Janeiro de 2022, 09:00

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Para que a investigação académica e científica possa tirar partido da inteligência coletiva e torná-la acessível a todos, tem vindo a expandir-se, na internet, um movimento mundial que incentiva a criação de obras e prestações legais de acesso livre ou aberto (Open Access)[1] e permite, a qualquer utilizador, aceder, modificar e republicar, sem restrições. Este movimento serve os propósitos da inclusão e da inovação e conta com o apoio da UNESCO[2].

São sobretudo as bibliotecas, museus e arquivos públicos, bem como as universidades, que disponibilizam estes recursos digitais abertos (RDA) através de terminais existentes nas suas instalações e das suas plataformas digitais. Estes repositórios em linha podem estar ligados entre si, formando redes nacionais ou mundiais.

Pertencem ao movimento de acesso livre a Creative Commons e a Fundação Wikimedia, que agrega diversos projetos de conteúdo aberto, por exemplo a Wikipedia [3].

 A Creative Commons [4] é uma ONG criada sem fins lucrativos e com o propósito de expandir a quantidade de criações intelectuais disponíveis no domínio público, através das suas licenças aplicáveis a qualquer obra e prestação artística, conformes à legislação nacional - e de mais de uma centena de países - sobre direitos de autor e direitos conexos (CDADC) e disponíveis na internet, de forma simples, padronizada, multilingue e sem custos.

As licenças Creative Commons (CC) permitem, ao titular dos direitos, ou licenciante, autorizar – sem exclusividade - a terceiros, não previamente determinados, o uso do seu trabalho criativo num leque de seis opções baseadas na combinação de quatro símbolos com os seguintes significados:

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As licenças CC que o licenciante pode escolher encontram-se protegidas nos termos e condições representadas nos seguintes ícones:

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Para gerar [5] uma licença Creative Commons basta saber se, relativamente ao seu trabalho, permite ou não transformações ou uso comercial e, depois de preencher campos de identificação, contacto e caracterização, são geradas automaticamente opções de licenças, representadas por ícones que pode descarregar [6] e, se for o caso, o código HTML associado para publicação em linha. A organização criou ainda uma página na internet sobre as formas de sinalizar o conteúdo protegido de acordo com o suporte utilizado (texto, áudio, vídeo, apresentação…). [7]

 

______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

[1] Acesso Aberto (AA). Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Acesso_aberto

Deste movimento fazem parte:

- Educação Aberta. Declaração da Cidade do Cabo para a Educação Aberta. Disponível em: https://www.capetowndeclaration.org/read-the-declaration;

- Cultura livre. FreeCulture.org: Disponível em: https://freeculture.org/Main_Page.

[2] Definições da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, UNESCO. Open Educational Resources. Disponível em: https://en.unesco.org/themes/building-knowledge-societies/oer

[3] lOER Commons. OER Commons & Open Education. Disponível em:  http://www.oercommons.org/about#about-open-educational-resources

Wikieducator. OER Handbook. Disponível em: https://wikieducator.org/OER_Handbook/educator_version_one

[4] Creative Commons. Disponível em:  http://creativecommons.org/ e http://www.creativecommons.pt/

[5] Creative Commons. Disponível em: https://creativecommons.org/choose/

[6] Creative Commons: Downloads. Disponível em: https://creativecommons.org/about/downloads/

[7] Creative Commons. Disponível em: https://wiki.creativecommons.org/wiki/Marking_your_work_with_a_CC_license 

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Literacia da informação e dos media, uma emergência educativa.

12 de Janeiro de 2022, 09:00

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O acesso à informação, sob todas as suas formas, é um direito e uma necessidade. Desde os primórdios da impressão, há muitos séculos, aos acelerados meios de comunicação social hoje - a capacidade de criar e partilhar conteúdos acarreta, para cada indivíduo, todo um mundo de possibilidades, mas também novos riscos.

Durante os últimos 40 anos, a literacia da informação e dos media tem ajudado as pessoas a refletirem criticamente sobre as mensagens veiculadas através de diferentes fornecedores de conteúdos – imprensa, radiodifusão e digital. Hoje, mais do que nunca, essas literacias são determinantes.

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O maior acesso a comunicações e conteúdos digitais exige maiores capacidades.

Sendo uma potencial força de bem, os fornecedores de conteúdos na Internet devem informar, educar e entreter, promovendo a confiança social, relevando informação fidedigna e contrariando o discurso do ódio.

Porém, frequentemente estes fornecedores não estão à altura destas expetativas. Durante a pandemia da COVID-19, tornou-se evidente porque é que as competências para compreender, interpretar e envolver-se eticamente com conteúdos de todos os tipos têm que ser uma preocupação prioritária.

Dominar a literacia de informação e media é agora uma competência vital para a vida. Para todas as gerações, a necessidade de distinguir entre desinformação e conteúdo fiável tornou-se mais urgente do que nunca.

Além disso, o enorme volume de conteúdo disponível em-linha proporciona uma escolha sem precedentes, mas pode ser igualmente uma barreira à sua utilização crítica. Experimentamos presentemente grande sobrecarga de mensagens, o que torna difícil avaliar e decidir acertadamente sobre a exatidão dos conteúdos com que nos deparamos. Arriscamo-nos a ficar confusos e desviar-nos de desígnios universalmente acordados como os direitos humanos e o desenvolvimento sustentável.

É por isso que é agora tempo de prestar atenção ao apelo de muitas partes interessadas para uma maior ênfase nas competências críticas das pessoas e na promoção da literacia da informação e dos media. É necessário que esta literacia seja reconhecida como fundamental para a agenda do desenvolvimento internacional e como fulcral para os objetivos de desenvolvimento sustentável 2030: competência vital para o avanço da saúde, igualdade de género, educação, emprego e ambiente, entre muitos outros bens sociais.

Face a esta emergência, as bibliotecas têm um papel decisivo a desempenhar. Compete-lhes liderar na escola o movimento de criação de programas com atividades sistemáticas, articuladas e progressivas para o desenvolvimento destas competências.

As exigências são múltiplas: é necessário convencer os diferentes atores da urgência destes programas, contribuir para o seu desenho, para a sua discussão e aprovação e, finalmente, para a sua implementação.

Só desse modo será possível responder ao problema identificado no Quadro Estratégico da RBE [1] “As abordagens integradas das literacias da informação e dos media têm vindo a crescer; no entanto é necessário que assumam caráter mais articulado, abrangente e contínuo.” (p.37) , implementando a linha de ação 3 do seu eixo Saberes: “Assegurar abordagens integradas das literacias da informação, dos media e digital, perseguindo o desenvolvimento do pensamento crítico, das capacidades de resolução de problemas e de comunicação e do uso ético, eficaz e criativo da informação, media e tecnologia.” (p. 46)

Este artigo foi adaptado de: Media and Information Literacy: The time to act is now! [2]

 

Referências

1. Portugal. Rede de Bibliotecas Escolares (2021). Bibliotecas Escolares: presentes para o futuro. Programa Rede de Bibliotecas Escolares: Quadro estratégico: 2021-2027. https://rbe.mec.pt/np4/file/890/qe__21.27.pdf

2. UNESCO (2021). Media and Information Literacy: The time to act is now! https://en.unesco.org/sites/default/files/mil_curriculum_second_edition_summary_en.pdf

3. Fonte da imagem: UNESCO (2021). Media and Information Literacy: The time to act is now! https://en.unesco.org/sites/default/files/mil_curriculum_second_edition_summary_en.pdf

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Estados-membros da UNESCO adotam o Acordo Mundial sobre Ética da Inteligência Artificial (IA)

11 de Janeiro de 2022, 09:09

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Este texto histórico estabelece valores e princípios comuns que irão orientar a construção da infraestrutura legal necessária para assegurar o desenvolvimento saudável da IA.

A IA é omnipresente, permitindo muitas das nossas rotinas diárias, desde reservar um voo, à condução de carros sem condutor, à personalização das nossas notícias da manhã, entre muitas outras ações. A IA também apoia a tomada de decisões pelos governos e pelo sector privado.

As tecnologias da IA estão a produzir resultados notáveis em campos altamente especializados, tais como a deteção do cancro e a construção de ambientes inclusivos para pessoas com deficiência. Pode também ajudar a combater problemas globais, como as alterações climáticas e a fome no mundo e a reduzir a pobreza através da otimização da ajuda económica.

Mas a tecnologia está também a trazer desafios sem precedentes. Assistimos diariamente a um aumento de preconceitos de género e étnicos, a ameaças significativas à privacidade, dignidade e capacidade de ação, aos perigos da vigilância em massa, e ao uso crescente de tecnologias de IA não fiáveis na aplicação da lei, só para referir alguns.

Até agora, não tem havido normas universais para resolver estes problemas.

Em 2018, Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO, lançou um projeto ambicioso: providenciar um quadro ético para a utilização da inteligência artificial. Três anos mais tarde, graças à mobilização de centenas de peritos de todo o mundo e a intensas negociações internacionais, os 193 Estados-membros da UNESCO acabam de adotar oficialmente este quadro ético.

 

O conteúdo da Recomendação

A Recomendação visa a concretização dos benefícios que a IA traz à sociedade e a redução dos riscos que lhe estão associados. Assegura que as transformações digitais promovem os direitos humanos e contribuem para a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, abordando questões de transparência, responsabilidade e privacidade, com capítulos de políticas orientadas para a ação sobre governação de dados, educação, cultura, trabalho, cuidados de saúde e economia.

1. Proteção de dados

A Recomendação apela a ações para além do que as empresas tecnológicas e os governos fazem para garantir aos indivíduos uma maior proteção, assegurando a transparência, a capacitação e o controlo dos seus dados pessoais. Diz que todos os indivíduos devem poder aceder ou mesmo apagar os seus registos de dados pessoais. Inclui também ações para melhorar a proteção de dados e o conhecimento e o direito do indivíduo a controlar os seus próprios dados. Também aumenta a capacidade dos reguladores em todo o mundo para o fazer cumprir.

2. Proibição de marcadores sociais e vigilância em massa

A Recomendação proíbe explicitamente a utilização de sistemas de IA para a pontuação social e vigilância em massa. Tais tecnologias são altamente invasivas, violam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e são amplamente utilizadas. A Recomendação salienta que, ao desenvolverem quadros regulamentares, os Estados-Membros devem ter em mente que a responsabilidade final e a responsabilização devem sempre caber aos seres humanos e que as tecnologias de IA não devem ser dotadas de personalidade jurídica por si próprias.

3. Ajudar a monitorizar e avaliar

A Recomendação lança as bases para ferramentas que ajudarão à sua implementação. A Avaliação de Impacto Ético visa ajudar os países e empresas que desenvolvem e implantam sistemas de IA a avaliar o impacto destes sistemas nas pessoas, na sociedade e no ambiente. A metodologia Readiness Assessment ajuda os Estados-Membros a avaliar o seu grau de preparação em termos de infraestruturas jurídicas e técnicas. Este instrumento ajudará a melhorar a capacidade institucional dos países e a recomendar medidas apropriadas a serem tomadas para assegurar a implementação da ética na prática. Além disso, a Recomendação encoraja os Estados-Membros a considerarem a possibilidade de acrescentar o papel de um responsável de ética independente de IA ou de algum outro mecanismo para supervisionar os esforços de auditoria e monitorização em curso.

4. Proteção do ambiente

A Recomendação salienta que os agentes da IA devem favorecer métodos de IA eficientes em termos de dados, energia e recursos que ajudem a garantir que esta se torne uma ferramenta mais relevante no combate às alterações climáticas e na resolução dos problemas ambientais. A Recomendação apela aos governos para que avaliem o impacto ambiental direto e indireto ao longo de todo o ciclo de vida do sistema de IA. Isto inclui a sua pegada de carbono, o consumo de energia e o impacto ambiental da extração de matérias-primas para apoiar o fabrico de tecnologias de IA. Visa igualmente reduzir o impacto ambiental dos sistemas de IA e das infraestruturas de dados. Encoraja os governos a investir em tecnologia verde, e se houver um impacto negativo desproporcionado dos sistemas de IA no ambiente, a Recomendação instrui que estes não devem ser utilizados.

 

Tecnologias emergentes como a IA têm demonstrado a sua imensa capacidade de fazer o bem. No entanto, os seus impactos negativos, que estão a agravar um mundo já dividido e desigual, têm que ser geridos. A evolução da AI deve respeitar o Estado de direito, prevenir danos e assegurar que, sempre que estes ocorram , existam mecanismos de responsabilização e reparação aos afetados....

 

Referências

1. UNESCO (2021) Recommendation on the ethics of artificial intelligence. https://en.unesco.org/artificial-intelligence/ethics#recommendation

2. Grupo REDEM: Red Educativa Mundial (2021). Los Estados Miembros de la UNESCO adoptan el primer acuerdo mundial sobre la ética de la inteligencia artificial. https://www.alfabetizaciondigital.redem.org/quienes-somos/

3. Portugal. Comissão Nacional da UNESCO (2021) Acordo Mundial sobre a Ética da Inteligência Artificial. https://unescoportugal.mne.gov.pt/pt/noticias/acordo-mundial-sobre-a-etica-da-inteligencia-artificial

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Pinceladas de Leitur@ | Agrupamento de Escolas de Campo Maior

10 de Janeiro de 2022, 09:05

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Na sequência dos períodos de confinamento que vivenciamos, e após análise, foram sinalizadas as turmas a implementar o projeto que foi pensado no âmbito do Plano de recuperação de Aprendizagens (Escola + 21/23) indo ao encontro desta problemática. O projeto “Pinceladas de Leitur@”, apoiado pela Rede de Bibliotecas Escolares no âmbito da candidatura Ler e escrever mais com a Biblioteca Escolar, tem por objetivo principal a promoção da leitura e o desenvolvimento das competências de leitura e escrita nos alunos, com recurso ao livro impresso e dispositivos móveis. A cor é o fio condutor que faz a ligação das atividades desenvolvidas e a concretizar, promovendo uma ponte com a educação artística.

Envolve 5 turmas do 1.º ano e 4 turmas do 2.º ano, onde o processo de aprendizagem da leitura e escrita sofreu algum atraso devido ao confinamento.

A professora bibliotecária tem desenvolvido o projeto em trabalho de apoio, em sala de aula ou na Biblioteca Escolar, em cooperação e colaboração com os professores titulares de turma.

Para isso, foi elaborado um plano de trabalho adequado ao perfil dos alunos em causa, sem esquecimento das propostas de trabalho presentes no Roteiro+ Leitura e escrita.

 

 

O apoio prestado, ao nível da educação literária, na exploração de livros de literatura para a infância, contempla a aprendizagem das convenções do texto literário e a promoção de uma relação de prazer entre o texto literário e a criança, e simultaneamente a recuperação de aprendizagens.

Até ao momento, o balanço do trabalho desenvolvido e das etapas alcançadas é bastante positivo. As estratégias definidas e implementadas consideram-se eficazes e ajustadas e têm contribuído para o objetivo primordial proposto - recuperação e consolidação das aprendizagens pelos alunos.

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Direitos de Autor - Gestão eletrónica - DRM

6 de Janeiro de 2022, 09:00

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O Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos [1] prevê a utilização de “medidas de caráter tecnológico” para gestão de direitos de autor e de direitos conexos de obras e prestações em suporte digital (Art.º 217.º).

Conhecida por Gestão de Direitos Digitais (Digital Rights Management – DRM), estas medidas passam pela codificação da obra protegida, de modo a que só aqueles que adquirem a licença de utilização possam ter acesso à chave de decifração para uso da obra, nas condições definidas pelos seus autores e editores.

A adoção destas medidas possui vantagens, designadamente:

- Exerce uma pedagogia sobre a propriedade intelectual, lembrando os utilizadores dos direitos dos seus criadores, para os quais nem sempre estão conscientes;

- Impede utilizações não autorizadas (cópia, edição, partilha…), garantindo que o trabalho dos criadores serve o fim a que se destina e que é preservado na sua integridade;

- Controlo da distribuição da obra por parte dos seus autores e editores;

- Disponibilização, em tempo real, de estatísticas sobre o uso de um arquivo digital, fixando o período de empréstimo de e-books, facilitando a gestão e monitorização das bibliotecas.

Por outro lado, comporta desafios, como por exemplo:

- Ao permitir que os autores e editores controlem o acesso dos utilizadores às obras (registo de quem acede, horário, ferramentas, conteúdo descarregado, impressões…), pode levantar problemas de proteção de dados e privacidade;

- Nem sempre permite a utilização livre prevista no Artigo 75.º, CDADC (exemplos: cópia para uso privado, utilização de excertos para fins de investigação científica ou ensino, impressão);

- Há ferramentas digitais, de acesso livre, que permitem contornar a adoção destas medidas.

Não obstante a controvérsia e relativa eficácia destas medidas, a sua aplicação está interdita a obras do domínio público e editadas por entidades públicas e com financiamento público (Art.º 221, CDADC).

 

Referências

1.  Governo de Portugal. (1985, 14 de março). Diário da República Eletrónico: Decreto-Lei n.º 63/85. https://dre.pt/dre/detalhe/decreto-lei/63-1985-326921

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“PalavrArte” (aLeR+2027): arte e cultura com a biblioteca escolar em contexto da flexibilidade curricular

5 de Janeiro de 2022, 09:00

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O AE Tondela Tomaz Ribeiro foi distinguido com o SELO “ESCOLA AMIGA DA CRIANÇA”, com o projeto interdisciplinar “Somos Natureza. Descobrir a Beleza. Na Escola. Em Nós.”, planificado e implementado na turma do 7.ºB (Escola Secundária de Tondela), no ano letivo transato, e com o contributo/ articulação pedagógica com as medidas inscritas na Autonomia e Flexibilidade Curricular e dinâmicas intrínsecas à equipa educativa desta turma.

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Estiveram curricularmente envolvidas as disciplinas de Inglês, Educação Visual e Ciências Naturais, bem como a Biblioteca Escolar. A Biblioteca Escolar, como parceiro interno ativo e indutor de propostas pedagógicas inovadoras e passíveis de serem trabalhadas pelos alunos, aderiu, desde o primeiro momento, a esta atividade a qual se inscreve no âmbito do projeto aLeR+2027 “Somos+ aLer+”: iniciativa “PalavrArte” (articulação entre a palavra e outras formas de expressão artística, como a fotografia, como prática indutora de bem-estar).

Com o projeto “Somos Natureza. Descobrir a Beleza. Na Escola. Em Nós.”, pretendeu-se trabalhar as aprendizagens essenciais das disciplinas envolvidas, de forma articulada e criativa, aprendendo a (re)descobrir e a trabalhar o conceito do Belo, de forma contextualizada e indagadora, partindo de um problema colocado pelos alunos: “Professora, que pena a nossa nova escola estar em obras. Está feia.”

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Assim, e a partir do olhar/perceção de cada um sobre o recinto escolar, os alunos foram levados a trabalhar os conteúdos curriculares das disciplinas envolvidas de forma inovadora, articulando-os com as competências inscritas no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória e promovendo-se o desenvolvimento da sensibilidade artística, estética e bem-estar dos alunos.

Saiba mais sobre este projeto e conheça os produtos resultantes de um trabalho articulado em que a biblioteca estabeleceu diferentes pontes. Aceda aqui.

Na página de Facebook das Bibliotecas Escolares do agrupamento é possível aceder à divulgação da informação da realização de uma exposição, resultante dos produtos, no âmbito da festa do livro e da leitura da rede concelhia de bibliotecas de Tondela.

Elisa Figueiredo [Professora Bibliotecária]
Paula Arnaud [coordenadora da Autonomia e Flexibilidade Curricular]
AE Tondela Tomaz ribeiro

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Leonor Antunes, de Torres Vedras, é a vencedora da edição de novembro do concurso “Isto também é comigo!”

4 de Janeiro de 2022, 09:00

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Estudantes do 9.º ao 12.º ano podem participar, todos os meses, com textos de opinião inspirados em trabalhos do PÚBLICO.

Este mês, a boa notícia vai para Torres Vedras: Leonor Antunes, aluna do 11.º ano no Agrupamento de Escolas Henriques Nogueira, venceu a edição de novembro do concurso “Isto também é comigo!”, promovido pelo PÚBLICO na Escola e pela Rede de Bibliotecas Escolares. O texto de opinião premiado, que aqui publicamos, tem como título: “Sim, as nossas opiniões contam”. E explica porquê.

Sim, as nossas opiniões contam!

A notícia do PÚBLICO “As opiniões dos jovens contam? Não, dizem 80% dos inquiridos pela Unicef”, de 19 de novembro de 2021, fez-me perceber que também eu me incluo na elevada percentagem de jovens que lamentam não ser ouvidos. Estes resultados, no meu entender, refletem um problema de ordem cívica, pois uma sociedade justa deve dar voz a todos os seus cidadãos, independentemente da idade. Importa, por isso, elogiar a iniciativa da Unicef, que teve precisamente como objetivo “reforçar a importância da participação das crianças em todos os assuntos que lhes dizem respeito”.


Creio que existe, atualmente, uma grande falta de compreensão da população jovem por parte dos adultos, visto que o conceito de adolescente cai muito facilmente – e de forma injusta – no estereótipo. É importante frisar que a nossa geração está exposta a realidades bem distintas daquelas vividas por gerações passadas. Como mencionado na notícia, acredita-se que, hoje em dia, os maiores desafios dos adolescentes são as redes sociais e a saúde mental, que, como apontam diversos estudos, estão fortemente relacionadas. Os resultados do inquérito também revelam a preocupação dos jovens com a debilidade dos transportes públicos assim como a sua vontade de apoiar a comunidade através de ações de voluntariado, o que não só mostra que nos preocupamos com o bem comum, mas também que existem problemas que só a nossa geração compreende e que, para se solucionarem de forma adequada, requerem a nossa opinião.


É, por tudo isso, ilógico não se valorizar a voz dos jovens numa sociedade democrática, que, por princípio, deve assegurar a representatividade das mais diversas perspetivas dos seus cidadãos. A nossa opinião deve ser tida em conta, sim, de modo a que possamos fazer a diferença agora e num mundo que, um dia, estará à nossa responsabilidade.

 

Leonor Antunes
11.º ano
AE Henriques Nogueira, Torres Vedras

 

O concurso “Isto também é comigo!” insere-se numa parceria entre o PÚBLICO na Escola e a Rede de Bibliotecas Escolares. Tem como destinatários alunos do 9.º ao 12.º ano, desafiados a escrever um texto de opinião a propósito de um trabalho do jornal PÚBLICO. O regulamento do concurso está disponível online.

Em cada mês, o estudante vencedor recebe uma coleção de livros do PÚBLICO e vê o seu texto publicado nas plataformas digitais do PÚBLICO na Escola e da RBE e respetivas redes sociais. À escola é oferecida uma assinatura digital anual do PÚBLICO ou uma coleção de livros para a biblioteca.

Integram o júri do concurso: Bárbara Simões, coordenadora do PÚBLICO na Escola; Cláudia Sá, professora de Português e coordenadora do Clube de Jornalismo da Escola Básica António Correia de Oliveira, em Esposende; Joana Amaral, aluna do 12.º ano na Escola Secundária Emídio Navarro, em Almada; e Raquel Ramos, elemento da equipa do Gabinete Coordenador da Rede de Bibliotecas Escolares.

Um outro concurso, "Jornalistas em Rede", está também a decorrer neste ano letivo, no âmbito da mesma iniciativa conjunta, apresentada, no final de outubro, num programa no Ao Vivo do PÚBLICO: “Aceita o desafio: da tua biblioteca ao PÚBLICO”.

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O assistente de biblioteca – um profissional imprescindível

3 de Janeiro de 2022, 09:53

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UFF! Chegamos ao fim de um dia normal de uma biblioteca. E hoje foi um dia grande! Muito trabalho, muitos visitantes autónomos, muitas atividades com turmas! O bulício reconfortante de um trabalho significativo.

Logo pela manhã, foi necessário acomodar duas turmas:

A primeira ficou-se pelas mesas, com alunos a trabalharem dois a dois, usando os tablets para pesquisarem informação. Claro, antes da chegada da turma, houve que trazer os tablets do gabinete onde estão habitualmente guardados (já devidamente carregados) e distribuí-los pelas mesas. Tocou para a saída e alunos e professores saíram satisfeitos. Antes de se poderem retomar as atividades, os tablets tiveram que voltar à carga, arrumados no lugar próprio.

E foi intervalo. E eles vieram: um queria enviar um e-mail, mas não sabia fazê-lo; outro pretendia escolher um livro, mas precisava de uma opinião; outro ainda veio só porque aquele espaço era o seu santuário e queria trocar uma palavrinha com alguém que o ouvisse… muitos precisavam de requisitar livros, outros de usar os computadores para se divertirem…

Intervalo terminado, chegou outra turma: desta vez, ficou na zona de leitura informal: os alunos tinham que contactar com um conjunto significativo de livros para escolherem aqueles que iriam usar na atividade “Livr’à mão” nas próximas semanas! Muitos livros abertos e largados até que cada um chegasse ao que verdadeiramente o cativava. E foi o momento de toda a turma proceder às necessárias requisições. Naturalmente, antes, já tinha sido necessário selecionar os livros que poderiam interessar a esta turma específica do 7.º ano e deixá-los por ali, mesmo à mão dos potenciais “clientes”. Muitos, para que a oferta fosse variada. No final, o espaço ficou como uma zona de batalha: livros preteridos pelas mesas, pelos sofás, muitos no local próprio após a leitura presencial – a prova de vida de uma biblioteca, sinais de manuseio e de uso. Obviamente, para que tudo voltasse a ficar perfeito e pronto para acolher a próxima leva de “clientes”, os livros tiveram que ser devidamente repostos nas estantes.

Aproximava-se a hora de almoço. Nesse momento, a biblioteca não estava requisitada para nenhuma turma e tudo ficou um pouco mais calmo. Mas eis que chegaram dois grupos. Vinham da sala de aula com uma tarefa atribuída, tal como já tinha sido previamente acordado entre a professora de geografia da turma e a professora bibliotecária. Eram razoavelmente autónomos e tinham a tarefa bem clara, mas de vez em quando precisavam de esclarecer alguma dúvida… Ao mesmo tempo veio um grupo elaborar um powerpoint para uma apresentação para aula… do tempo seguinte, bem em cima da hora. O trabalho estava sui generis: cores mal selecionadas, animações em excesso, imagens retiradas sabe-se lá de onde… foi uma corrida, para que percebessem o que tinha que ser corrigido e o fizessem a tempo.

A tarde, foi um pouco menos concorrida no que respeita a solicitações de trabalho direto com alunos… mas as tarefas não diminuíram…

Estávamos no final de novembro, e era necessário pensar nas decorações natalícias… Onde estariam guardados aqueles objetos lindos do ano passado? E de que forma os poderíamos reutilizar/ reciclar?

Chamada à direção: havia umas verbas que poderiam ser aplicadas no desenvolvimento da coleção… onde estavam as sugestões de aquisições que os alunos foram preenchendo no último trimestre? Afinal que obras tinham pedido quando conversavam animadamente sobre o assunto?

Fim do dia, tempo ainda para atualizar os canais de comunicação da biblioteca. E aquelas fotos que foram tiradas durante a atividade, onde estavam?

Enfim – um dia feliz, gratificante, cheio de trabalho! Muito dele invisível. Feito por mãos invisíveis. Como conseguir manter a qualidade se, em cada momento, o assistente de biblioteca, aquele elemento de continuidade que acompanha todo o trabalho, não estivesse lá, pronto a acolher, a aconselhar, a colaborar, a desempenhar muitas daquelas tarefas em que não se pensa, mas que são indispensáveis para assegurar o normal funcionamento da biblioteca?

Consciente da importância do assistente de biblioteca para que a vida decorra de forma ágil e adequada nesse espaço, durante o mês de janeiro, a Rede de Bibliotecas Escolares desafia as bibliotecas a partilharem uma imagem que responda à pergunta: Porque é que o(a) assistente da minha biblioteca é imprescindível?

Essa imagem, que deverá ter o formato 1080px*1080px., deverá ser publicada nos canais de comunicação da biblioteca e a hiperligação para a mesma partilhada com a RBE através deste formulário.

Sugerimos a utilização da seguinte hashtag- #assistentedebiblioteca

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Boas Festas!

31 de Dezembro de 2021, 10:00

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Mochila Solidária - Um Presente para Ti

28 de Dezembro de 2021, 09:00

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A Biblioteca da Escola Básica Padre Francisco Soares, do Agrupamento de Escolas Madeira de Torres, em Torres Vedras, dinamizou no mês de outubro a iniciativa "Mochila Solidária - Um Presente para Ti", uma iniciativa divulgada no dia 17/12/2021 no Radar XS, um telejornal para crianças dos 8 aos 12.

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O objetivo foi apoiar a Fundação da Criança e da Juventude em S. Tomé e Príncipe e desenvolver, nos alunos, competências sociais no âmbito da solidariedade e a da cidadania, contribuindo, assim, para formar cidadãos conscientes e solidários.

Esta iniciativa consistiu na doação de 500 mochilas escolares com roupa, sapatos, pasta e escova de dentes, sabonete, um livro, um brinquedo, um fato de banho e um postal de Natal, que foram entregues a crianças apoiadas por esta Fundação em S. Tomé e Príncipe.

Para conseguir levar a cabo esta ação, a biblioteca/escola contou com a valiosa parceria da Câmara Municipal de Torres Vedras e da Marinha Portuguesa, que transportou as mochilas oferecidas no Navio D. Carlos I, com chegada a S. Tomé e Príncipe no dia 22 de dezembro.

Foram, ainda, entregues 100 mochilas à Associação Novo Futuro, em Oeiras, no dia 16 de dezembro.

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Boas Festas!

22 de Dezembro de 2021, 09:46

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Miúdos a votos! na TV na Maior

21 de Dezembro de 2021, 09:00

O canal de televisão TV na Maior, do Agrupamento de Escolas de Santa Maria Maior, em Viana do Castelo, dedicou uma das suas últimas reportagens aos Miúdos a votos!, mostrando como os alunos  da EB2,3 Frei Bartolomeu dos Mártires têm estado a responder ao desafio lançado pela Biblioteca Escolar e pela disciplina de Cidadania e Desenvolvimento de proporem os seus livros favoritos para candidatos aos “mais fixes” deste ano.

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A TV na Maior, fundada em 2016, é um projeto distinguido pela Rede de Bibliotecas Escolares na candidatura Ideias com Mérito. Segundo o seu sítio oficial,  tem como finalidade “criar na escola uma cultura de educação para os média que proporcione aos alunos oportunidades de desenvolvimento de competências que os tornem responsáveis e críticos enquanto consumidores e produtores de conteúdos mediáticos”, pretendendo “desenvolver as literacias previstas no referencial Aprender com a biblioteca escolar, através da criação de um canal de televisão escolar, com uma programação regular, em que [são] transmitidas entrevistas, reportagens e spots promocionais de livros existentes na biblioteca escolar.”

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Projeto de Solidariedade e Voluntariado - A Mala dos Afetos

20 de Dezembro de 2021, 09:00

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“A Mala dos Afetos” é um projeto de solidariedade e voluntariado dinamizado no Agrupamento de Escolas Cardoso Lopes, na Amadora que se iniciou a partir de uma atividade incluída no Plano Anual de Atividades da Biblioteca da Escola Sede do Agrupamento e foi divulgada no dia 13/12/2021 no Radar XS, um telejornal para crianças dos 8 aos 12.

A "Mala dos Afetos" apresenta várias vertentes: apoio a famílias carenciadas, a nível de alimentos, equipamentos, roupas, livros, ...  e onde cabe sempre a partilha de leituras e atividades ligadas às artes, dinamizadas por alunos.

Os objetivos essenciais que fundamentam o Projeto passam pela promoção do conhecimento, pela aprendizagem, pela solidariedade, pelo voluntariado, pelos valores, pela inclusão, pelo respeito pelo outro e pela partilha de experiências, ao mesmo tempo que se promove a importância da reciclagem, o prazer e o gosto pela leitura, desenvolvendo-se a formação leitora e consciencializando-se os alunos para o valor e para a importância do ato de ler.

O seu núcleo inicial começou por ser constituído por elementos da equipa de trabalho da Biblioteca. A divulgação do Projeto e a sua aceitação levou a que alunos, professores, assistentes operacionais e administrativos se tornassem colaboradores voluntários.

Este é um Projeto que “desafia professores e alunos a solicitar “A Mala dos Afetos” e a enchê-la (de forma representativa) de produtos destinados a alguém ou a uma instituição previamente escolhida e que esteja numa situação de carência. Simultaneamente planificam-se ações que envolvem leituras, dramatizações, canções e mensagens (implicando sempre a exploração de livros ou textos de temáticas diversas), dedicadas aos recetores do benefício. A atividade é alvo de gravação em vídeo o qual é oferecido, complementando a oferta material.”

Para além da comunidade educativa, o Projeto chega, também, a instituições como o Instituto Português de Oncologia - IPO, Hospital de Santa Maria, Fundação AFID Diferença, entre outras, em que a oferta de livros e brinquedos para crianças hospitalizadas/ institucionalizadas são uma mais-valia.

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Direitos de autor e Direitos Conexos | Utilização livre

17 de Dezembro de 2021, 09:00

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É permitida, sem o consentimento do autor, o uso e partilha de excertos ou fragmentos de uma obra ou prestação protegida, nos seguintes casos:

1. Exclusivamente para uso privado e sem fins comerciais.

Para uso exclusivamente privado, de teor científico ou humanitário, também é consentida a reprodução de um exemplar único de obras não disponíveis no mercado, desde que pelo tempo estritamente necessário (Art.º 81.º, CDADC). [1]

São exemplos de utilizações permitidas fotocopiar uma página de um livro ou fazer um ficheiro mp3 de música para uso pessoal.

São exemplos de utilizações ilegais fazer uma cópia integral de CD, DVD ou livro destinado ao público da biblioteca escolar. Estas são consideradas obras pirateadas, uma vez que em locais públicos, ainda que para fins de educação, só são lícitos suportes oficiais. Também é ilegal passar música que comprei em linha (Spotify, Apple Music, iTunes…), da qual tenho comprovativo, em atividade aberta ao público na escola.

2. Crítica, discussão e ensino, sem fins comerciais, em estabelecimentos de ensino, bem como obras próprias destinadas ao ensino.

São exemplo de utilizações permitidas: disponibilizar um excerto de programa de rádio ou televisão em plataforma LMS (Learning Management System/ Sistema de Gestão de Aprendizagem), desde que o seu acesso seja limitado aos alunos da escola; exibir um excerto de filme ou peça de teatro em sala de aula.

São exemplos de usos ilegais: exibir excertos de obras para fins de entretenimento e solidariedade (sem entradas pagas) ou de angariação de fundos na escola; disponibilizar um conto integral no blogue da biblioteca escolar, fora do circuito interno e fechado da escola – a disponibilização pública de obra ou prestação integral, ainda que para efeitos de educação e ensino, só é lícita mediante consentimento do autor ou artista ou seu representante legal, por exemplo, a Sociedade Portuguesa de Autores; a falta desse consentimento constitui crime público de usurpação (Art.º 195.º, CDADC).

3. Se a obra ou prestação de artista tiver caído no domínio público, pode ser parcial ou totalmente reproduzida, desde que:

- Por uma biblioteca, arquivo ou museu público e instituição científica ou de ensino;

- Esse uso não se dirija ao público, mas se limite às necessidades das atividades dessas instituições;

- Dele não resulte vantagem económica e comercial.

4. A favor de pessoas com deficiência, na medida da sua necessidade e desde que sem fins lucrativos.

5. Para fins de informação, por parte dos media.

6. Para reprodução por instituições sociais sem fins lucrativos, tais como hospitais e prisões, por radiodifusão.

Estas utilizações livres e, as demais que constam do número 2 do artigo 75.º (CDADC), obedecem aos seguintes requisitos obrigatórios:

- Identificar o autor da obra ou prestação artística – quem usar como sendo criação intelectual sua aquela que é de outro, comete crime de contrafação (plágio);

- Não devem ser tão extensas que possam prejudicar o interesse pela obra ou prestação.

Estas exceções são muito relevantes para as bibliotecas, designadamente as bibliotecas escolares, pelo que se revela necessário conhecê-las bem, de forma as poder usufruir dos seus benefícios, continuando a respeitar os direitos de autor.

 

Referências

[1] Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos Decreto-lei 63/85, de 14 de março.

[2] Imagem: Opensofias, CC0, via Wikimedia Commons

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AE Gil Eanes, Lagos | Boas leituras!

16 de Dezembro de 2021, 09:00

As bibliotecas escolares do Agrupamento de Escolas Gil Eanes de Lagos estão a participar, desde o ano letivo (2020/2021), no Projeto Erasmus + KA2 cooperação para a inovação e intercâmbio de boas práticas: “TITLE - Teaching, Improving and Training Literacy Education”.

Concebido enquanto projeto europeu, que assume como propósito central a cooperação para a inovação e o intercâmbio de boas práticas, escolas de 4 países (Croácia, Estónia, Itália e Portugal) constituíram uma parceria estratégica que visa: apoiar o desenvolvimento e aperfeiçoamento do ensino das literacias; a transferência e/ou a aplicação de práticas inovadoras; a execução de iniciativas conjuntas de promoção da aprendizagem interpares e o intercâmbio de experiências.

Este projeto, desenvolvido no Agrupamento de Escolas Gil Eanes pelas bibliotecas escolares, tem sido impulsionador de inovação em contexto educativo, por implicar mudanças no quotidiano educativo e proporcionar experiências mais envolventes para os alunos do ensino básico.

Sublinha-se, neste âmbito, a importância da transnacionalidade, essencialmente relacionada com a riqueza que a diversidade de práticas pedagógicas, em cada um dos países envolvidos, traz a todos os parceiros do projeto. A riqueza pessoal, cultural e linguística trazida a todos os atores direta ou indiretamente envolvidos é evidente, proporcionando um crescimento/ desenvolvimento pessoal e académico altamente enriquecedor.

Por outro lado, a implementação da metodologia de projeto, em lugares tão diferenciados, cria, por si só, um conjunto único de desafios e oportunidades que pode ser tão enriquecido pelo grupo, que a aplicação do modelo se torna mais efetiva em todos os contextos. Acresce que as boas práticas partilhadas, no âmbito do projeto, ajudam a preparar os alunos para uma futura inserção numa sociedade europeia, em que não há limitações de diferenças culturais e de modelos educativos.

O sucesso educativo já não reside maioritariamente na reprodução de conteúdos, mas na extrapolação daquilo que sabemos e na sua aplicação criativa a situações novas. Ou seja, o fundamental não é tanto aquilo que as pessoas sabem, mas aquilo que conseguem fazer com a informação. Por isso, a educação tem cada vez mais a ver com o desenvolvimento do pensamento crítico e criativo, da resolução de problemas e da tomada de decisões, e com formas de trabalho que implicam comunicação e colaboração. Dessa forma, os alunos estarão mais preparados para uma sociedade mais tecnológica e multifacetada, que exige competências relacionadas à leitura, inovação, adaptabilidade, reflexividade, colaboração e literacias múltiplas.

Tal abordagem tem sido uma vertente muito enriquecedora deste projeto por: permitir à biblioteca trabalhar áreas de literacia, pressupostas no Referencial Aprender com a Biblioteca Escolar, de forma consistente e sistemática; fomentar o desenvolvimento de competências dos alunos no âmbito da literacia da leitura, a par de outras competências (sociais, cívicas, linguísticas, interculturais, críticas…).

As boas leituras ajudam não só a reforçar a inclusão, por via do acesso à participação de alunos de vários níveis e ciclos de ensino, como a reduzirem-se disparidades nos resultados de aprendizagem e desigualdades no acesso ao conhecimento.

Veja aqui a página do projeto, com o trabalhos dos alunos.

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Lançamento do livro "A Bola e pássaro"

15 de Dezembro de 2021, 09:00

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No âmbito do Projeto Todos Juntos Podemos Ler da Rede de Bibliotecas Escolares, em parceria com a DGE e o PNL2027, decorreu, no passado dia 9 de dezembro, no Auditório Professor Domingos Rijo, da Escola Superior de Gestão do Instituto Politécnico de Castelo Branco em Idanha-a-Nova, o lançamento do livro A Bola e Pássaro, com texto de Celeste Gonçalves e ilustração de Sandra Serra, editado pela Flamingo.

Este livro foi produzido no âmbito do Projeto Ler Sem Palavras, um projeto dinamizado e coordenado pela professora bibliotecária Carla Ribeiro, do Agrupamento de Escolas José Silvestre e Ribeiro de Idanha-a-Nova. Este livro conta com duas versões, uma com texto e ilustrações e outras com texto, ilustrações e pictogramas, numa perspetiva de desenvolvimento da literatura inclusiva através da Comunicação Aumentativa e Alternativa. Esta versão, em pictogramas, editado pela Câmara Municipal de Idanha-a-Nova com a chancela da ARASAAC (Centro Aragonês de Comunicação Aumentativa e Alternativa) de distribuição gratuita, encontra-se disponível para descarregar e permitir a sua impressão através da seguinte ligação: Livros em pictogramas

De referir que só foi possível concretizar este projeto através de uma estreita colaboração e parcerias com diversas entidades de que se destacam, a Direção do Agrupamento de Escolas José Silvestre Ribeiro, a Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, a União de Freguesias de Idanha-a-Nova e Alcafozes, a ARASAAC, as autoras, Celeste Gonçalves e Sandra Serra e a professora Maria Nascimento. 

O Sr. Presidente da Câmara, Armindo Jacinto evidenciou a importância deste projeto, a relevância das parcerias estabelecidas e a valorização da comunidade local, um projeto que vai ao encontro das linhas definidas pela autarquia para a educação integral de todos os indivíduos no concelho de Idanha-a-Nova.

Também o Diretor do Agrupamento, Paulo Frias, manifestou a sua satisfação por este projeto, desenvolvido pela biblioteca escolar, numa perspetiva inclusiva, salientando que o mesmo já vinha a decorrer com a direção anterior, período em que a biblioteca organizou o seu fundo documental com a aplicação do sistema ColorADD.

A Professora Maria Nascimento apresentou a obra e a sua adaptação para a Comunicação Aumentativa e Alternativa e Pictogramas.

Para a autora, Celeste Gonçalves […]

“Dar a esta pequena e simples história um sentido universal, foi também um desiderato. Por isso, o pássaro leva a bola até outros locais do Mundo. As crianças perceberão que o que nos torna felizes pode e deve ser partilhado. Perceberão, até pela ilustração, que o Mundo é vasto e que não vivemos num espaço fechado e limitado, olhando para ele e acautelando apenas os nossos interesses. O Pássaro é protetor; A bola é um elemento universal de prazer e alegria, proporcionando a interação e o convívio entre as crianças e os seres humanos em geral.
Uma vez criada a história, corporizado o texto, havia que transpô-lo para a linguagem simbólica de pictogramas […] Que nenhuma criança, nenhum jovem ou adulto fique excluído do prazer de ler. Tenhamos consciência de que existe uma pluralidade de leituras. São possibilidades, potencialidades nos recursos, que permitem que todos sejam incluídos e possam fruir e aprender com a leitura e com a escrita. É nosso dever, respeitar os direitos elementares dos seres humanos, e nestes, em particular, os das crianças, conferindo a todas, sem exceção, a mesmas oportunidades. Sublinho, a oportunidade de se sentirem úteis e integrados, felizes, de modo a desfrutarem do que a vida e a literatura em particular, sem esquecer a ilustração, lhes possam oferecer.” 

  
No prefácio da obra a Coordenadora Nacional da Rede de Bibliotecas Escolares, Manuela Pargana Silva, entre outras palavras escreveu o seguinte: 

[…] “A Bola e o Pássaro” mostra-nos, de uma forma muito bela, o lugar de sonho da nossa vida, e o modo como todos nós, habitantes deste planeta, podemos tornar os nossos sonhos realidade e como, todos juntos, facilitaremos a sua concretização. E as histórias são tão mais importantes quanto maior for a colaboração e a partilha”[…] O Agrupamento de Escolas José Silvestre Ribeiro, de Idanha-a-Nova, desenvolve um trabalho de articulação bem evidente nesta publicação, porque contou com o apoio e envolvimento do Município e como o da Junta de Freguesia, porque a autora é professora no Agrupamento e assumiu, em parceria com a biblioteca escolar, o desafio da leitura como fator essencial no sucesso das aprendizagens porque o livro foi traduzido em símbolos pictográficos para a comunicação, alargando-se assim a oportunidade de leitura, de imaginação e de fruição a um maior número de leitores. São estas histórias que enchem de encanto as bibliotecas, como as que integram o projeto Todos Juntos Podemos Ler, ao adotar a inclusão como atitude cultural determinante […] Cada história lida ou ouvida desafia-nos a conhecer o outro, a descobrir-nos e a transformar-nos”.

E como é necessário ter sempre novos desafios e continuar a transformar, novos reptos se apresentam para este projeto: esta obra editada, irá avançar para outras adaptações, noutros formatos, em língua gestual portuguesa, em formato audiolivro e em braille, através de uma estreita colaboração com o Agrupamento de Escola Afonso de Paiva em Castelo Branco. 

 

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Turma da EB1 Gualtar – Da leitura à ação

14 de Dezembro de 2021, 09:00

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A EB1 de Gualtar, do Agrupamento de Escolas Carlos Amarante, em Braga, está a desenvolver o projeto Digit@l_Mente, apoiado financeiramente pela RBE, no âmbito da candidatura Leituras… com a biblioteca.

Assim, a biblioteca escolar tem desenvolvido um conjunto de iniciativas e atividades várias, que tentam cumprir dois grandes objetivos: promover competências de escrita, decorrentes de atividades de leitura orientada e formar para os Media, desenvolvendo competências digitais e tecnológicas.

Neste sentido, o Jornal de Notícias TAG [1] acabou de publicar uma notícia referente a mais uma atividade desenvolvida pela biblioteca no âmbito desse projeto:

Na escola EB1 de Gualtar, a Turma GUA 8, do 4º ano, está a levar a cabo uma ação de sensibilização ambiental, intitulada: “Escola Limpa”. Os dinamizadores desta iniciativa são os próprios alunos que contam com o apoio incondicional da professora titular e da professora bibliotecária.

A Biblioteca Escolar ajudou os alunos a selecionar um livro e de entre as ofertas colocadas à disposição dos alunos; a escolha recaiu sobre o livro: “Greta e Os Gigantes”, escrito por Zoe Tucker e ilustrado por Zoe Persico, da editora Jacarandá.

Inicialmente, os alunos informaram-se sobre a ativista Greta Thunberg, pois isso permitiu-lhes compreender melhor a história do livro. Seguidamente, leram a história e realizaram um questionário, utilizando a aplicação QUIZIZZ. Construíram cartazes alusivos ao ambiente, com recurso à ferramenta CANVA, para afixaram em diferentes locais da escola e realizaram um vídeo que apela à reciclagem. Enviaram também um email ao Senhor Diretor da Braval, empresa que procede à valorização e tratamento dos resíduos sólidos no Baixo Cávado, a solicitar ecopontos para colocar nas diferentes salas da escola.

Finalmente, passaram à ação, iniciaram a sua visita às turmas da escola e vão continuar a sua ação de sensibilização nas próximas semanas. Os alunos de diferentes turmas ouviram com atenção a história “Greta e os Gigantes”, responderam às perguntas do QUIZIZZ e foram convidados a refletir sobre o que cada um pode fazer para manter a escola limpa e o planeta verde.

Os dinamizadores da iniciativa estão a utilizar a leitura do livro, os cartazes, o vídeo e as suas apresentações como forma de motivar os colegas mais novos a agirem. Todos sabemos que “Não há Planeta B” e, por isso, Todos somos chamados a intervir para defender a Nossa casa Comum!

Para saber mais sobre o projeto Digit@l_Mente, consulte o seu sítio de divulgação.

 

Referências

[1] Os alunos da Turma GUA 8, 4º ano, EB1 Gualtar, AE Carlos Amarante, Braga (2021). Turma da EB1 Gualtar – Da leitura à ação. https://tag.jn.pt/turma-da-eb1-gualtar-da-leitura-a-acao/

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Equilíbrio entre competências

13 de Dezembro de 2021, 09:00

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O Estudo Internacional sobre Competências Sociais e Emocionais (Study of Social and Emotional Skills – SSES) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, Beyond Academic Learning - First results from the survey of social and emotional skills, no qual Portugal - através do município de Sintra - e mais nove países do mundo participaram, apresenta indicadores que constituem pontos de partida ou reforço do trabalho das escolas [1]. Dois exemplos:

- Decréscimo da criatividade e curiosidade dos estudantes ao longo do percurso escolar, muito significativo nas raparigas.

Condicionadas por papeis de género e autocrítica, elas apresentam “níveis mais elevados de competências relacionadas com o desempenho de tarefas como a responsabilidade e a motivação de realização”, enquanto “os rapazes demonstraram maiores capacidades de regulação emocional, como resistência ao stress, otimismo e tolerância emocional, controlo [que favorecem bem-estar e menor ansiedade nos testes], bem como competências sociais importantes como assertividade e energia”.

- Expetativas de educação (e profissão), exemplo expresso pelo presidente da Câmara Municipal de Sintra, Basílio Horta, à Agência Lusa: “Em Sintra, e não deverá ser muito diferente no resto do país, apenas 60% dos adolescentes de 15 anos relataram que esperavam continuar a estudar e completar um grau superior. Para lhe dar uma ideia, na cidade de Suzhou, na China, são 91%. Então porque é que o desenvolvimento da escola em vez de abrir perspetivas aos alunos e desejar que eles prossigam, pelo contrário, levam-nos a abandonar o desejo de continuar a estudar?” Na opinião do dirigente, “o problema é que a escola se tornou apenas uma fonte de conhecimento e ignora o talento […] Os jovens querem tocar música, querem conhecer cinema, teatro, literatura. Isto em termos nacionais é uma perda completa. Uma perda de talentos”; o estudo deve “merecer uma reflexão nacional por parte das escolas e sobre o modelo de ensino".

De acordo com o Editorial deste Estudo Internacional, “os estudantes que se consideram altamente criativos tendem também a relatar níveis elevados de curiosidade intelectual e persistência”, fundamentais para, em todos os grupos etários, disciplinas e cidades, obter bons resultados escolares e ter vontade/ gosto em aprender ao longo da vida, atitude que terá efeito multiplicador na sociedade. A curiosidade intelectual, à semelhança de elevadas expetativas dos pais e professores, é “poderoso motivador intrínseco” da aprendizagem.

Andreas Schleicher, Diretor de Educação e Competências da OCDE, no Editorial deste Estudo apresentado a 26 de novembro em Sintra, sustenta que a missão atual da escola é complexa porque deve:

- Dar ferramentas cognitivas/ académicas e de caráter/ personalidade - a escola atual “É sobre curiosidade - abrir mentes; sobre compaixão - abrir corações; e é sobre coragem - mobilizar os nossos recursos cognitivos, sociais e emocionais para tomar decisões. Estas qualidades ou competências sociais e emocionais como o nosso relatório as designa, são também armas contra as maiores ameaças do nosso tempo: a ignorância - a mente fechada; o ódio - o coração fechado; e o medo - o inimigo da ação”.

- Promover uma aprendizagem diferenciada que desenvolva múltiplas inteligências com base em estratégias diversificadas porque o modo como e o contexto em que cada um as combina e aprende é diverso. É importante centrar a educação no indivíduo e suas diferenças, seguindo uma abordagem personalizada. Relativamente aos estudantes carenciados – e raparigas, sobretudo mais velhas - a ação deve ser particularmente atenta porque “Estudantes de meios favorecidos relataram competências sociais e emocionais mais elevadas do que os seus pares desfavorecidos em todas as competências que foram medidas e em todas cidades participantes no inquérito”.

- Incentivar uma ética do cuidado, respeito mútuo, solidariedade e complexidade para que cada um possa encontrar o seu lugar na escola e no mundo e desenvolver um sentido de empatia, pertença e responsabilidade em relação aos outros e comunidade e para que a escola e, cada um, perceba os problemas da sociedade como seus e de todos.

A boa notícia do estudo é que competências sociais e emocionais - responsabilidade, persistência, autocontrolo, resistência ao stress, empatia, confiança, tolerância, curiosidade, energia, assertividade ou pensamento crítico - não são características inatas e fixas dos indivíduos, podem ser aprendidas e desenvolvidas, mas “não é sistematicamente incorporado no currículo escolar com a mesma extensão que o desenvolvimento das capacidades cognitivas, tais como leitura e matemática” e isto depende dos professores e das atividades que proporcionam aos estudantes: dinâmicas ativas e participativas, explícitas e focadas, que expressam a(s) competência(s) que pretendem desenvolver, individuais e em grupo, competitivas e cooperativas.

É também importante que o estudante tome consciência e acredite que pode mudar e desenvolva uma mentalidade construtiva, de crescimento interior (Growth Mindset), em vez de cultivar uma imagem fixa e estática sobre as suas capacidades (Fixed Mindset), pois o que pensa sobre as suas competências pode afetar a realização e desenvolvimento das mesmas e impedir a criação de novos hábitos, formas de abordagem, experiências e desafios [2].

“As pessoas, e mais especificamente as crianças, precisam de um conjunto equilibrado de competências cognitivas, sociais e emocionais para prosperar no mundo de hoje, exigente, em mudança e imprevisível.” As competências sociais e emocionais devem ser trabalhadas na escola com a mesma dignidade que as cognitivas porque afetam sucesso escolar e profissional, saúde física e mental, envolvimento cívico e democrático, prevalência de comportamentos antissociais e crime e bem-estar.

Para que o seu desenvolvimento produza impacto, a promoção destas competências deve restringir-se a uma disciplina, Educação para a Cidadania [3], ou é necessário trabalhá-las transversal e sistematicamente em todos os contextos de aprendizagem, curriculares e informais, envolvendo inclusive famílias, parceiros e comunidade? Como é que a biblioteca escolar integra esta componente no currículo e oportunidades de aprendizagem que oferece?

 

Referências

[1] Organisation for Economic Co-operation and Development. (2021, 7 September). Beyond Academic Learning - First results from the survey of social and emotional skills. https://www.oecd.org/education/beyond-academic-learning-92a11084-en.htm

[2] Organisation for Economic Co-operation and Development. (2021). Sky's the limit: Understanding the impact of growth mindset. https://learningportal.iiep.unesco.org/en/library/skys-the-limit-growth-mindset-students-and-schools-in-pisa

[3] Direção-Geral de Educação. (2021). Educação para a Cidadania. https://cidadania.dge.mec.pt/saude/prevencao-da-violencia-em-meio-escolar/competencias-socioemocionais

[4] Fonte da imagem: Organisation for Economic Co-operation and Development. (2021). Sky's the limit: Understanding the impact of growth mindset. https://learningportal.iiep.unesco.org/en/library/skys-the-limit-growth-mindset-students-and-schools-in-pisa

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Webinar: Diário de escritas

10 de Dezembro de 2021, 19:20

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Realizou-se ontem mais um webinar no âmbito do Plano 21|23 Escola+, Eixo “Ensinar e Aprender”, sobre a ação específica “Diário de Escritas”, organizado conjuntamente pela Direção-Geral da Educação e pela Rede de Bibliotecas Escolares.
As especialistas Encarnação Silva e Mariana Pinto apresentaram duas propostas de trabalho no âmbito da escrita: “Sequências didáticas para o ensino da escrita” e “Do prazer da leitura aos sentidos da escrita”.

Foi também possível contar com a apresentação de duas práticas de escrita desenvolvidas sob a égide da biblioteca:
Caminhar com a escrita, apresentado pela professora bibliotecária Carminda Lomba, do Agrupamento de Escolas de Monte da Ola, com o testemunho dos alunos Lara e Rodrigo é um projeto que envolve alunos do 9.º ano.

Do outro lado do quadro, apresentado pela professora bibliotecária Teresa Gomes do Agrupamento de Escolas de Rio Tinto, N.º 3, dirige-se a alunos do 1.º Ciclo.

Para quem não teve oportunidade de seguir em direto, disponibiliza-se aqui a gravação:

 

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Moldar o futuro juntos

10 de Dezembro de 2021, 09:13

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No Dia Internacional dos Direitos Humanos, assinala-se a receção do Prémio Nobel da Literatura por José Saramago e a Rede de Bibliotecas Escolares, parceira das Comemorações do Centenário de José Saramago, disponibiliza um conjunto de propostas de trabalho, a desenvolver a partir das palavras do escritor.

 

“Tomemos então, nós, cidadãos comuns, a palavra e a iniciativa. Com a mesma veemência e a mesma força com que reivindicarmos os nossos direitos, reivindiquemos também o dever dos nossos deveres. Talvez o mundo possa começar a tornar-se um pouco melhor.”

Saramago, J. (1998, 10 dez.). Discurso da entrega do Prémio Nobel de Literaturahttps://www.josesaramago.org/wp-content/uploads/2021/06/discursos_estocolmo_portugues.pdf

 “Nós, os titulares de direitos temos de assumir a nossa situação não como algo que nos é dado de uma vez e para sempre, mas como um atributo que exige exercício e atualização a cada dia.”

Fundação José Saramago. (2017). Carta Universal de Deveres e Obrigações dos Seres Humanos. https://www.josesaramago.org/carta-universal-dos-deveres-e-obrigacoes-dos-seres-humanos/ 

 

Enquadramento

A pandemia deu-nos consciência e experiência viva, coletiva e em tempo real:

- Das consequências, prejudiciais para todos, dos riscos ambientais e sociais;

- De que natureza e sociedade dão sempre retorno do uso, intensivo e desmesurado, de recursos naturais e do que pode acontecer se, nas nossas decisões e ações, não tivermos em consideração as pessoas, seres e ecossistemas mais frágeis.

Esta aprendizagem deve marcar o início de uma nova era de cooperação, inovação e ação, ao serviço do equilíbrio ambiental e social, com o propósito de garantir saúde e bem-estar globais.

Para moldar esta nova atitude que garantirá o alcance da Agenda 2030 da comunidade internacional, há que dar aos direitos humanos uma nova abordagem, posicionando-os, não no ponto de vista do sujeito individual de direitos e liberdades fundamentais, o eu, mas no ponto de vista do outro, de todos os outros: seres vivos, humanos, ecossistemas naturais que devemos ter em atenção e cuidar.

Esta abordagem alargada e aprofundada dos direitos humanos está expressa na Carta Universal de Deveres e Obrigações dos Seres Humanos, anunciada por José Saramago no discurso pronunciado no banquete do Prémio Nobel, a 10 de dezembro de 1998.

No Centenário de José Saramago que este ano se comemora, a Rede de Bibliotecas Escolares toma esta Carta como base da sua reflexão e ação junto das bibliotecas escolares para incentivar, sobretudo nas crianças e jovens, a leitura e a escrita, a literacia da informação e comunicação e a cidadania, de modo a que todos possam realizar o seu potencial, viver em harmonia e florescer.

Veja todas as propostas de trabalho no portal RBE.

 

Referências

Aguilera, F. (2010). José Saramago nas suas palavrashttps://www.fnac.pt/Jose-Saramago-Nas-Suas-Palavras-Fernando-Gomez-Aguilera/a330039

Fundação José Saramago. (2017). Carta Universal de Deveres e Obrigações dos Seres Humanoshttps://www.josesaramago.org/carta-universal-dos-deveres-e-obrigacoes-dos-seres-humanos

Raposo, A. e Amaro, M. (2014). Carta aos meus Avós - A partir de Saramagohttp://desaramago.blogspot.com/2014/12/carta-aos-meus-avos-partir-de-saramago.html

Reis, C. (2015). Diálogos com Saramago. https://www.portoeditora.pt/produtos/ficha/dialogos-com-jose-saramago/16268784

Reis, C. (Org.). (2020). José Saramago: 20 anos com o Prémio Nobelhttp://monographs.uc.pt/iuc/catalog/view/57/153/227-1

Ribeiro, A. (2018). Por Saramagohttps://www.temasedebates.pt/produtos/ficha/por-saramago/22004876

Rádio Televisão Portuguesa. (2020). Herdeiros de Saramagohttps://www.rtp.pt/play/p7972/herdeiros-de-saramago

Rádio Televisão Portuguesa Ensina. (2021). José Saramagohttps://ensina.rtp.pt/tag-artigo/jose-saramago/

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Makerspaces em bibliotecas: bem-estar e muitas outras vantagens

9 de Dezembro de 2021, 09:00

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Recentemente, a propósito do Novo Encontro Juventudes, [1] que apresentou dados que retratam os jovens de hoje, ficou clara a necessidade de trabalhar de forma sustentada o bem-estar dos alunos. Este surge atualmente como um fator importante para o desenvolvimento das suas competências socio-emocionais e académicas sendo significativo na prevenção da depressão, do suicídio, da automutilação, do abuso de substâncias nocivas, de comportamentos antissociais (incluindo o bullying, a violência e o ódio)… Todos estes, problemas evidenciados no estudo acima referido.

No artigo Bem-estar & biblioteca escolar, tinha-se já colocado em evidência o importante papel que as bibliotecas escolares são chamadas as desempenhar na promoção do bem-estar dos alunos. Ao trabalhar regularmente áreas como mentes e corpos saudáveis, proteção contra o bullying, segurança online, respeito pela diversidade, escolhas responsáveis, construção de relacionamentos positivos, entre tantas outras, a biblioteca está a responder ao que dela se espera quando se preconizam, no quadro estratégico Bibliotecas Escolares: presentes para o futuro [2], “dinâmicas que conduzam a comportamentos e estilos de vida responsáveis, promotores de bem-estar (individual, coletivo, ambiental)”.

Além de serem espaços seguros, acolhedores e relaxantes, as bibliotecas escolares proporcionam simultaneamente ambientes de aprendizagem estimulantes e flexíveis. Com a vasta quantidade de informação e tecnologia disponível, as bibliotecas tornam-se lugares onde a criatividade, a inovação e a colaboração estão omnipresentes. Todas estas características são potenciadoras de bem-estar.

Nesse sentido, a criação de makerpaces tem-se revelado bastante vantajosa, no apoio ao bem-estar dos alunos desenvolvendo o que Jackie Child [3] propõe como os 3Rs: resiliência, relacionamentos e rebelião, sendo que rebelião, apesar da conotação negativa que pode adquirir, representa aqui a possibilidade de quebrar regras, usar a criatividade, “sair da caixa”, inovar – habilidades tão relevantes quando se trata de preparar o futuro.

O makerspace congrega também os “4Cs” das competências do futuro [4] - Criação, Comunicação, Colaboração e Crítica (pensamento crítico): os alunos são convidados a utilizar uma multiplicidade de ferramentas para criarem algo novo, o que requer criatividade, pensamento crítico, e resolução de problemas. Para terem sucesso, é indispensável trabalharem em colaboração e terem a capacidade de comunicar uns com os outros, transmitindo e defendendo as suas propostas enquanto trabalham em conjunto, procurando tornar palpável o que imaginaram.

Quando se envolvem nas múltiplas atividades e oportunidades oferecidas por um makerspace, os alunos descontraem-se e divertem-se, aproximando-se de estados de felicidade. É um ambiente que não é ameaçador e onde podem concretizar/ experimentar/ testar as suas ideias. Têm oportunidade de ir até onde quiserem e de se perdoarem por não serem perfeitos: falhar torna-se parte da diversão. Podem explorar, mexer e enfrentar novos desafios, sem a pressão de terem que ter um bom desempenho (como acontece frequentemente quando respondem a testes de avaliação), sem medo de correrem riscos.

Aliás, uma das aprendizagens importantes a promover é que do fracasso pode advir uma grande aprendizagem. Não podemos esquecer que aprender por tentativa e erro era já valorizado pelos nossos avós quando ensinavam que “fazer e desfazer, tudo é aprender” e punham nas mãos do aprendiz as ferramentas para a experimentação.

Resolverem problemas e desafios, ao criarem e tentarem fazer as coisas funcionarem,  também lhes dá confiança no sucesso e realização pessoal.

Dar objetivos aos alunos e permitir que as suas  paixões sejam exploradas responde a uma necessidade humana inata. As bibliotecas contribuem, deste modo, para que estes recuperem a sua curiosidade e criatividade, qualidades que Sir Ken Robinson (2007) considera indispensáveis à sobrevivência da humanidade. [5]

Nos makerspaces, ao mesmo tempo que se promove o bem-estar e competências socio-emocionais, o desenvolvimento cognitivo é estimulado, uma vez que se fornecem desafios e oportunidades para resolver problemas e para isso será necessário, em cada momento, recorrer a todo o conhecimento anterior de que o aluno dispõe, atingindo-se assim aprendizagens profundas.

 

Referências

[1] Sagnier, Laura e Morell, Alex, coord. (2021). Os jovens em Portugal, hoje: Quem são, que hábitos têm, o que pensam e o que sentemhttps://www.ffms.pt/FileDownload/37b88b8d-4953-4748-901d-0793f898dfb6/os-jovens-em-portugal-hoje

[2] Portugal. Rede de Bibliotecas Escolares (2021). Bibliotecas Escolares: presentes para o futuro. Programa Rede de Bibliotecas Escolares: Quadro estratégico: 2021-2027. https://rbe.mec.pt/np4/file/890/qe__21.27.pdf

[3] Child, Jackie (2018) School libraries enhancing student wellbeing. https://www.scisdata.com/connections/issue-105/school-libraries-enhancing-student-wellbeing

[4] Novak, Staci (2019) The effects of a makerspace curriculum on the 4C's in education. https://scholarworks.uni.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1908&context=grp

[5] Robinson, K (2007) TED talk: Do schools kill creativity?, https://www.youtube.com/watch?v=iG9CE55wbtY&t=3s

[6] Foto por Amélie Mourichon em Unsplash

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Algoritmos e Inteligência artificial: A cada um a sua bolha?

7 de Dezembro de 2021, 09:00

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Definida de forma muito simples, a Inteligência Artificial (IA) é a capacidade que os dispositivos eletrónicos têm de funcionar de maneira semelhante ao pensamento humano.

Outro termo que é referido sempre que se fala de IA é algoritmo. Um algoritmo é um conjunto ordenado de instruções, operações, etapas e processos que permitem desenvolver uma tarefa específica ou encontrar uma solução para um problema. Por exemplo, se pensarmos em alguém que nunca fez um avião de papel e tivermos de lhe dar instruções escritas precisas para que seja capaz de o construir, sem outra ajuda, estamos a criar um algoritmo. Este tipo de operação mental é muitas vezes designado como pensamento computacional, mesmo quando o seu objeto não é um programa informático, mas é sobretudo para a programação que ele é essencial. Quando as crianças são iniciadas no código, por exemplo usando o Scratch, elas aprendem a exercitar este tipo de pensamento.

Quando falamos em algoritmos associados à IA, estamos a referir-nos a conjuntos de instruções extremamente complexas que permitem a um software a resolução autónoma de problemas. E quando, para resolver determinado problema, existem diversos caminhos, é preciso combinar algoritmos com dados.

Na realidade tecnológica atual, é produzida e armazenada diariamente uma quantidade imensa de dados. Existem sistemas muito complexos para organizar, analisar e interpretar estes big data. Por exemplo, quando acedemos a uma loja virtual à procura de determinado produto, os dados desse acesso (onde acedemos, por onde lá chegámos, quanto tempo lá permanecemos, o que fizemos a seguir, …) ficam armazenados. Com essas informações, existem algoritmos orientados para nos mostrar outros produtos semelhantes, quer estejamos ainda na página da loja virtual, quer em forma de publicidade, quando já saímos dela.

Processos semelhantes acontecem quando as redes sociais nos apresentam uma seleção de conteúdos personalizada, ou quando as plataformas de streaming nos fazem sugestões que nos são especificamente dirigidas. Daí a utilização que o termo bolha passou a ter, para designar a realidade digital em que cada um vive.

A bolha delimita, coloca o nosso horizonte demasiado próximo e, muitas vezes, não nos deixa ir mais além. Quando assim é, há ameaças ao nosso conhecimento do mundo, do outro, do diverso, do diferente. A nossa capacidade de pensar criticamente fica, ela própria, comprometida. Criam-se microclimas favoráveis à proliferação de teorias da conspiração, ideias antidemocráticas, discursos de ódio e toda a espécie de atentados ao pensamento racional e ao respeito pelos direitos humanos.

No entanto, e sobretudo enquanto educadores, a nossa perspetiva não pode ser nunca fatalista. Não se trata de uma situação irremediável e o primeiro passo para minimizar os efeitos adversos e tirar proveito das inúmeras oportunidades é ter consciência do funcionamento destes processos.

A IA não se limita a criar uma bolha para cada um de nós. Ela é responsável por progressos notáveis que se tornaram tão rotineiros que já não os apreciamos enquanto novidades, como levar-nos pelo caminho mais rápido ao nosso destino, ordenar-nos as fotos por local onde foram tiradas, por temas ou por pessoas, organizar os nossos emails em secções e decidir o que é spam, ou obedecer aos nossos pedidos verbais para acender a luz, ligar uma máquina, informar sobre o tempo, …

A IA está também na base da aprendizagem automática ou machine learning, em que as máquinas criam os seus algoritmos para elaborarem regras a partir de dados fornecidos por humanos. Um exemplo disto são os sistemas de tradução fornecidos por diversas plataformas que têm melhorado muito devido ao cruzamento de milhões de exemplos de traduções reais que se encontram na web.

A análise preditiva é outra das possibilidades oferecidas pela IA e consiste na capacidade de identificar a probabilidade de resultados futuros com base em dados algorítmicos estatísticos e técnicas de machine learning. A área da saúde é um dos exemplos em que esta análise é aplicada.

O papel das bibliotecas escolares e outras na formação dos seus utilizadores para tomarem consciência destes processos, evitando as ameaças e tirando partido das oportunidades, é inquestionável. Há até investigadores que defendem que esta é uma área de tal modo importante que deveria tornar-se independente da literacia digital e da informação, para se designar literacia algorítmica.

Num artigo publicado no n.º 40 da revista em linha ITAL (Information Technology and Libraries), intitulado Algorithmic literacy and the role for libraries, Ridley e Pawlic-Potts defendem que 

A literacia algorítmica é um meio de compreender este novo conjunto de regras e de promover as aptidões e capacidades para que as pessoas possam utilizar algoritmos e não serem utilizadas por eles. As bibliotecas têm tradicionalmente defendido a tecnologia acessível e a sua utilização eficaz. A ubiquidade da tomada de decisões algorítmicas e o seu profundo impacto na vida quotidiana torna o reconhecimento e promoção da literacia algorítmica um novo desafio crítico e imperativo para as bibliotecas de todos os tipos.

Nesse mesmo artigo, os autores mencionam exemplos de programas, destinados ao público escolar ou ao público em geral, que visam o conhecimento e a formação na área dos algoritmos e da Inteligência Artificial: The Algorithmic Literacy Project (algorithmliteracy.org/) and A.I. For Anyone (https://aiforanyone.org).

Para as bibliotecas escolares, mais importante do que discutir se esta espécie de literacia se deve autonomizar ou não, o que importa é que as questões que lhe dizem respeito façam parte do programa de literacias que cada agrupamento/ escola deve elaborar sob a alçada da biblioteca. Os professores bibliotecários serão dos mais habilitados para o fazer, enquadrados pelos documentos orientadores da Rede de Bibliotecas Escolares.

O referencial Aprender com a biblioteca escolar, estabelece, na área da literacia dos media, quatro descritores em que este tema é abordável. Transcrevem-se aqui os referentes ao ensino secundário:

6. Seleciona criteriosamente produtos mediáticos, com base no seu valor e noutros critérios relevantes, assumindo-se como um consumidor esclarecido.

7. Reconhece o uso de procedimentos avançados de segurança e de proteção como uma exigência inerente a uma boa utilização dos media, exercendo conscientemente os seus direitos e deveres online.

8. Age responsavelmente em situações onde a ética na comunicação foi transgredida (conteúdos lesivos ou impróprios, cyberbullying, sexting, roubo de identidade, ...).

9. Usa as bibliotecas para explorar as potencialidades dos media como fontes de conhecimento e cultura, criar conteúdos e participar construtivamente nas redes de comunicação global.

Na mesma área, nas Estratégias de operacionalização, sugere-se:

  • Análise sobre:

 – Informação divulgada pelos media (campanhas, documentários, programas de rádio ou de TV, artigos de jornais, …), com base em fatores relevantes como: veracidade, coerência, interesse público, completude, abrangência, diversidade de públicos, informação vs manipulação, modo como a técnica é usada para se atingir determinado tipo de público, modo como se influenciam escolhas e opiniões, ...

– Mensagens e valores veiculados pelos media (questões sociais e éticas: classes sociais, género, raça, ideologia, crenças, estereótipos, papéis, personagens, ...).

Em Bibliotecas Escolares: presentes para o futuro. Programa Rede de Bibliotecas Escolares: Quadro estratégico: 2021-2027, no eixo Saberes, estabelece-se, na linha de ação 3

Assegurar abordagens integradas das literacias da informação, dos media e digital, perseguindo o desenvolvimento do pensamento crítico, das capacidades de resolução de problemas e de comunicação e do uso ético, eficaz e criativo da informação, media e tecnologia.

E no eixo Pessoas, linha de ação 3

Induzir dinâmicas que conduzam a comportamentos e estilos de vida responsáveis, promotores de bem-estar (individual, coletivo, ambiental).

Temos, assim, sustentação para capacitar os alunos para a compreensão das características do mundo digital em que vivem e para o exercício do pensamento crítico que os levará a expandir ou mesmo a transpor os limites de qualquer bolha.

 

Referências

1. Ridley, M., & Pawlick-Potts, D. (2021). Algorithmic Literacy and the Role for Libraries. Information Technology and Libraries, nr. 40(2). https://doi.org/10.6017/ital.v40i2.12963

2. DeAngelis, S. Artificial Intelligence: How Algorithms Make Systems Smart. WIRED. https://www.wired.com/insights/2014/09/artificial-intelligence-algorithms-2/

3. The Algorithm Literacy Project. https://algorithmliteracy.org/

4. A.I. For Anyone. https://www.aiforanyone.org/

5. Portugal. Rede de Bibliotecas Escolares (2017) Aprender com a Biblioteca Escolar: Referencial de aprendizagens associadas ao trabalho das bibliotecas escolares na educação pré-escolar e nos ensinos básico e secundário.https://www.rbe.mec.pt/np4/%7B$clientServletPath%7D/?newsId=99&fileName=referencial_2017.pdf

6. Portugal. Rede de Bibliotecas Escolares (2021). Bibliotecas Escolares: presentes para o futuro. Programa Rede de Bibliotecas Escolares: Quadro estratégico: 2021-2027. https://rbe.mec.pt/np4/?newsId=890&fileName=qe__21.27.pdf

Foto de Marc Sendra Martorell em Unsplash

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Além da aprendizagem académica

6 de Dezembro de 2021, 09:00

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O Estudo sobre Competências Sociais e Emocionais (Study of Social and Emotional Skills – SSES) [1] coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) envolve 10 países do mundo, entre os quais Portugal, exclusivamente o município de Sintra (1 cidade/ país). Contando com o apoio do Ministério da Educação e financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian, envolveu em Sintra a participação de 58% dos alunos, 80% dos docentes e 96% dos diretores dos estabelecimentos de ensino.

Este estudo não se destina a avaliar o desempenho curricular dos alunos, mas competências que lhes permitem lidar com a incerteza, a complexidade, o cuidado e respeito mútuo e, em geral, os desafios do futuro. É o primeiro estudo internacional a avaliar estas competências em duas faixas etárias - 10 e 15 anos – que frequentam qualquer modalidade de ensino do 4.º ano ao 12.º ano de escolaridade e desenvolveu-se em três fases:

1.ª Teste aos instrumentos a aplicar (abril a maio de 2018);

2.ª Ensaio de campo (outubro a dezembro de 2018, em 31 estabelecimentos de ensino público e privado);

3.ª Estudo principal (outubro a dezembro de 2019 em 48 escolas para os alunos de 10 anos e 31 escolas para os alunos de 15 anos, envolvendo 58% [3855] dos alunos, 80% dos docentes e 96% dos diretores dos estabelecimentos de ensino de Sintra).

De acordo com o Sumário Executivo do Estudo conclui-se, nas várias áreas, o seguinte:

Distribuição sociodemográfica, tendo por base idade, sexo, estatuto socioeconómico e antecedentes migratórios dos jovens

- Aptidões sociais e emocionais, ao contrário dos conhecimentos curriculares, diminuem com a idade, sobretudo em competências como otimismo, confiança, energia e sociabilidade.

- Nas raparigas este declínio é ainda mais acentuado, revelando também níveis mais elevados de responsabilidade, empatia e cooperação com os outros.

- Estudantes de ambiente socioeconómico mais favorecido relatam competências sociais e emocionais mais elevadas em todas as cidades envolvidas.

Sucesso académico, tendo por base os resultados escolares em leitura, matemática e artes e aspirações de educação e carreira

- Em todas as idades, competências sociais e emocionais, como curiosidade e persistência, são preditoras de bom desempenho escolar e profissional.

Bem-estar psicológico

- Com a idade e, sobretudo nas raparigas, a satisfação com a vida diminui e a ansiedade perante os testes aumenta.

- Estudantes de meios socioeconómicos mais favorecidos revelam níveis mais elevados de satisfação com a vida e bem-estar psicológico.

- Clima escolar competitivo e elevadas expectativas dos seus pais e professores estão associados a um nível mais elevado de bem-estar psicológico para crianças de 10 anos, mas a um nível mais elevado de ansiedade nos testes para jovens de 10 e 15 anos.

Criatividade e curiosidade

- Pais e educadores confirmam a diminuição com a idade, em rapazes e raparigas, de competências emocionais como criatividade e curiosidade.

- Estudantes de 15 anos que se consideram altamente criativos, também se descrevem como persistentes e desejosos de aprender coisas novas e esperam trabalhar em empregos criativos.

Bullying e interacções sociais na escola, examinando o sentido de pertença, a sua relação com os professores

- Um em cada cinco estudantes com 10 anos, relatou que gozavam com ele uma vez por semana ou mais.

- Rapazes apresentam maior exposição ao bullying, mas também maior sentimento de pertença à escola.

- Estudantes que relataram maior exposição ao bullying, relatam menor resistência ao stress, otimismo e controlo emocional.

- Estudantes de meios socioeconómicos mais favorecidos têm sentido mais forte de adaptação à escola e melhores relações com seus professores.

- A relação com os seus professores é fortemente influenciada pela sua curiosidade, motivação e otimismo na realização.

 

No global, o relatório evidencia que competências sociais e emocionais influenciam o desempenho académico, expetativas educacionais e profissionais, o relacionamento interpessoal, a saúde e o bem-estar.

Para moldar a mente e caráter dos estudantes, Andreas Schleicher, Diretor para a Educação e Competências da OCDE, defende no Editorial do Estudo, “Precisamos de pensar de forma mais integrada e criativa. Precisamos de reconhecer as interconexões, ser capazes de lidar com tensões e dilemas, sentir à vontade com a ambiguidade, persistir mesmo em tempos difíceis.”

 

Referências

[1] Organisation for Economic Co-operation and Development. (2021, 7 September). Beyond Academic Learning - First results from the survey of social and emotional skills. https://www.oecd.org/education/beyond-academic-learning-92a11084-en.htm

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